Observatórios logísticos demandam planejamento integrados de setores público, acadêmico e privado

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Orlando Fontes Lima Júnior. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Brasil e diversos países da América do Sul não contam com informações precisas e sistemáticas sobre o setor de transportes, fator que dificulta a análise de problemas e a formulação de políticas públicas adequadas.

Para melhorar este diálogo, o 8º Encontro de Logística e Transporte, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), programou o painel “Observatórios Logísticos”, instrumento para gerar informações e estatísticas de qualidade que facilitem o planejamento estratégico do setor.

Representando o Centro de Logística Urbana do Brasil (Club), o professor doutor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Orlando Fontes Lima Júnior, disse que os problemas de logística são grandes em ambientes desorganizados como no Brasil.

 

Segundo ele, existem projetos em desenvolvimento que avaliam o estágio da logística urbana brasileira em itens como tempo, composição e evolução da frota. O resultado é o prejuízo gradual no setor. Segundo Lima Júnior, é fundamental analisar os impactos dos congestionamentos nos custos logísticos e potencializar o planejamento e ações de políticas públicas e privadas.

Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico

Manuel Poppe Correia Barros. Foto: Everton Amaro/Fiesp

De acordo com Manuel Poppe Correia de Barros, coordenador do Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), é preciso que a criação de uma empresa de logística use competências do século XXI.

Uma delas é a necessidade de gerar indicadores de desempenho da infraestrutura do setor de transportes, visando realizar estudos e planos de investimentos para expandir a cadeia logística de forma integrada, incluindo rodovias, ferrovias, postos e aeroportos. “É importante termos informações planejadas e integradas”.

Roubos de veículos e mercadoria, acidentes na estrada, perdas médias dos grãos produzidos no país, idade média da frota de caminhões autônomos e de empresas, são muitos dos prejuízos discutidos na sua análise.  “Precisamos mudar esta realidade. Não temos informações do tempo médio do caminhão parado nas nossas rodovias. Para isso é importante mais infraestrutura de conectividade e base de dados atualizados.”

“O Convênio ICMS, criado este ano, dispõe sobre a criação do sistema nacional de identificação, rastreamento e autenticação de mercadorias ou Brasil-ID e institui um conjunto de instrumentos”.

Para Poppe, ao trabalhar em cima de um padrão único, é possível massificar a tecnologia, tornando-a mais barata e acessível. Exemplo disso são os produtos com tags, que têm todas as informações e facilitam a identificação – mesmo quando  roubado. “Temos muitas vantagens quando usamos este sistema, pois conseguimos planejar e melhorar a nossa inteligência logística de rodovias e ferrovias nacionais.”

BID

Pablo Guerrero. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A proposta do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID) é que a logística seja inteligente por naturalidade, diz Pablo Guerrero, especialista em transportes. “Os observatórios têm a função de acompanhar dados gerados pelos outros. E para isso, a cooperação é fundamental para o andamento dos mesmos”.

Guerrero disse acreditar ser preciso haver uma integração do diálogo entre o poder público, as instituições privadas e os pesquisadores.  “Sair do papel é nosso grande desafio. Os países investiram e agora é necessário ter observação da logística. O diálogo constrói o valor a partir da informação. Se vocês querem fazer geradores, identifique observatórios nacionais.”

O BID investe no diagnóstico, diálogo e execução. “Somos o principal fomentador de entendimento de logística no Brasil. Se pensarmos a questão urbana daqui uns 10 anos, a situação será impossível. É preciso fazer uma atuação inteligente entre todos. Se as prioridades das empresas não estão de acordo com as prioridades do País, não tem diálogo.”