Reunião plenária do Deconcic aponta parceria público-privada como saída para novos investimentos

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

As parcerias público-privadas (PPPs) foram o destaque da reunião plenária desta segunda-feira (14/3) do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), realizada na sede da entidade.

Convidado do Deconcic, André Dabus, diretor executivo da AD Corretora de Seguros, defendeu investimentos no modelo das PPPs. “Atualmente, os governos (federal, estadual e municipal) encontram muitas dificuldades orçamentárias e de execução na área de infraestrutura, que acabam impedindo a otimização dos recursos públicos. Nesse sentido, as PPPs surgem como uma saída para oferecer à população os serviços que necessitam com qualidade e muito mais agilidade”, disse.

Segundo ele, investir em PPPs permite melhor planejamento dos investimentos públicos, mudança do papel do Estado de empreendedor para “regulador”, compartilhamento de riscos entre parceiro público e privado, eficiência na gestão e operação da infraestrutura concedida, ganho de qualidade na entrega dos serviços à população, otimização dos recursos financeiros, técnicos e operacionais.

Bruno Pereira, sócio da consultoria Radar PPP, também participou do evento e disse que a grande vantagem das parcerias é simplificar os mecanismos de execução dos projetos para o poder público. “Em vez de ter de controlar vários fornecedores nas mais diferentes etapas do projeto e da obra, o governo passa a ter apenas um fornecedor, que fica responsável por todo o processo”, diz Pereira, destacando as vantagens de captar capital privado em época de aperto fiscal: “Em cenário de bonança as parcerias já são boas. Mas em cenário de crise, são praticamente a única alternativa para o governo conseguir viabilizar projetos”, afirmou.

Ele disse que as PPPs demandam conhecimento de operação e é fundamental que a cadeia produtiva da indústria da construção se conecte com empresas que fazem a manutenção dos ativos e prestam os serviços associados. “Não há PPP de sucesso sem que seja considerada a satisfação, no longo prazo, do usuário dos serviços. O Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) é um instrumento de destaque dentro de uma PPP. Há que se desenvolver muito bem o que é a proposta de valor do projeto (benefícios sociais, receitas acessórias, externalidades positivas etc), do contrário o projeto será arquivado”, concluiu.

Manoel Carlos de Lima Rossitto, diretor titular adjunto do Deconcic, afirmou que PPPs são a saída imediata para novos investimentos. “Dinheiro público não tem mais. É o momento de partir em busca de investidores privados.” Cristiano Goldstein, também diretor adjunto do departamento, sugeriu que a Frente Parlamentar da Indústria da Construção discuta o tema junto ao governo para fomentar o setor.

Oportunidades no desporto

Durante a reunião, Mario Frugiuele, diretor secretário da Fiesp e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code), apresentou a estrutura e foco de atuação do comitê. “Vimos a necessidade de montar este comitê devido aos eventos esportivos que o Brasil seria palco, como Copa e Olimpíadas. Agimos dentro dessa área da indústria desportiva, que é transversal, pegando as áreas têxtil, de borracha, plástico, equipamentos, construção, saúde e entre outros”, disse.

Segundo ele, o Code tem como objetivo unir e fortalecer os participantes desta cadeia, envolvidos direta e indiretamente com o setor, promovendo ações que fomentem o desenvolvimento industrial. Trabalha em conjunto com o Condesporto (Conselho Superior do Desporto), e com os diversos departamentos da entidade como Deinfra, Derex, Dempi, Deseg.

“Planejamos e executamos ações no intuito de fomentar e criar condições reais para o desenvolvimento sustentável do esporte no Brasil, com o consequente incremento de toda a cadeia produtiva da indústria do desporto. Trabalhamos com o foco em estudos e pesquisas, na colaboração entre as entidades relacionadas ao setor, tanto na esfera pública como privada, fazemos intercâmbio para a inovação tecnológica e atuamos junto aos governos nas três esferas”, disse o coordenador. O Code conta ainda com quatro grupos de trabalho: tributos e incentivos fiscais, mercado de produtos e serviços do esporte, normalização e selo de qualidade e transferência de tecnologia e inovações.

Carlos Eduardo Auricchio, diretor titular do Deconcic, enxerga o papel importante que este setor tem para a indústria da construção. “Temos que olhar para os nossos atletas e para as oportunidades que o desporto pode criar para nós. O que move o nosso setor é obra rodando”, disse.

A reunião teve também as presenças dos diretores titulares adjuntos Newton Cavalieri, Luiz Eulálio e Carlos Roberto Petrini, além do presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), Marcos Penido.

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Reunião plenária do Deconcic de 14 de março, que discutiu parcerias público-privadas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

No meio da crise política e econômica, setor de infraestrutura “paga o pato”

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O workshop A Infraestrutura Paga o Pato, realizado nesta quarta-feira (25/11) na sede da Fiesp, discutiu os problemas atravessados pelo setor e propôs medidas para destravar o investimento. Na abertura, Carlos Antonio Cavalcanti, diretor titular do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), traçou um quadro da crise internacional, “um elemento para a crise brasileira”.

Cavalcanti alertou para a necessidade de corrigir a distorção da trajetória do orçamento brasileiro, cujo crescimento ameaça o país. “O orçamento de União, Estados e municípios não cabe no PIB do país”, disse. “É preciso entender isso para entender o mercado de infraestrutura e seu desenvolvimento.”

Com a crise internacional, a crise fiscal gravíssima, crise institucional, crise de confiança, o que um investidor vai fazer, perguntou. “Por que alguém pensaria em ampliar negócios de infraestrutura neste momento?”

Cavalcanti deixou como provocação para os primeiros debatedores do workshop a guinada nas políticas na área de infraestrutura entre o primeiro mandato de Dilma Rousseff e o segundo. Essa confusão, disse, faz com que os agentes não percebam onde o Governo quer chegar em infraestrutura. “Estamos fazendo remendos na área elétrica, na de combustíveis, estamos paralisados em ferrovias e rodovias. O mercado precisa entender as intenções do Governo. Este ano está perdido. O que vai ser de 2016?”

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Workshop na Fiesp discutiu problemas do setor de infraestrutura. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Fernando Xavier, presidente do Conselho de Administração da Cia. Paranaense de Energia – Copel, disse que o potencial brasileiro é tão grande que basta ter os agentes certos para haver uma retomada. Em sua opinião, a infraestrutura é vetor mais adequado para a recuperação, e há uma oportunidade para isso.

Defendeu um programa vigoroso de investimentos em infraestrutura, por meio de parcerias público-privadas (PPPs), com a privatização, para levantar recursos, do setor elétrico e de partes da Petrobras. Isso, disse, permitiria mover esse vetor forte da economia, gerando empregos.

Numa situação destas, cabe ao Estado planejar, regular e fiscalizar. “O setor privado é naturalmente o que deve ser responsável por fazer e gerir os empreendimentos”.

Deu também como exemplo do que o Governo pode fazer sozinho para atenuar os problemas financeiros o enxugamento da máquina. E, afirmou, é “essencial também rever a questão da Previdência, que do jeito atual vai se tornar insustentável”.

Xavier relatou o processo de privatização da Telebrás, “estrutura que era do Estado empresário e agora serve ao país”, como exemplo do que pode ser feito. Um dos objetivos do processo era maximizar o preço de venda. O segundo, competição. O terceiro, universalização. Quarto, aporte para pesquisa e desenvolvimento no país. Entre os resultados obtidos com esse tipo de condução, de 7 milhões de celulares analógicos se chegou a 280 milhões, em 17 anos. Fixos, de 20 milhões para 44 milhões. A universalização foi conseguida. Banda larga, que não existia na época, hoje tem 25 milhões de assinantes. Foram feitos, disse Xavier, R% 500 bilhões em investimentos no período, sem contrapartida do Governo. Problema que permanece é a alta tributação. “Apesar de toda a contribuição dada pelo setor, Estado consome tantos recursos que não é possível um serviço a preço mais baixo”, afirmou. Redução de um terço nas tarifas seria possível com carga menor.

“O que seria a Telebrás ainda estatizada?”, perguntou. O país estaria travado, afirmou. Citando a inaceitável dívida de quase meio trilhão de reais da Petrobras, disse que ela é o contraponto que mostra o quanto a ideologia faz diferença na vida do país.

O presidente da Copel afirmou também que é fundamental fortalecer as agências reguladoras. Seus corpos técnicos têm que ser capazes de se antecipar. As agências deveriam ter autonomia financeira, defendeu, transformando-se em entidades de Estado, não de Governo.

Carlos Ari Sundfeld, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), também mencionou a competição implantada na privatização da telefonia e se disse otimista com o Brasil, apesar da sensação hoje de naufrágio. Considera fundamental agir no direito público para resolver os problemas da infraestrutura.

Um primeiro ponto a melhorar é o planeamento das obras públicas, mas para permitir isso é preciso ajustar as etapas seguintes (estruturação do contrato, liberação do empreendimento e execução). “Como o direito se insere nisso tudo?”, perguntou. A resposta é que o processo todo é tão caótico que desincentiva o planejamento pelo Estado. “Inventa” um ministro para resolver o problema, como portos e aeroportos. É a improvisação total. Se conseguirmos mexer no que vem depois, vamos melhorar o planejamento.

É preciso, disse, estimular a competição, eliminando o incentivo ao conflito, proposital, que leva à total insegurança jurídica.

Só se dispõe a atuar, explicou, quem pode cobrar alto pelo risco e consegue lidar com o Estado, manobrar no meio da confusão toda. É para elas que são direcionados os contratos públicos. Não são as melhores tecnicamente que predominam.

A redução dos conflitos permitiria atrair competidores. Risco no Brasil faz investidores estrangeiros desanimarem.

Sundfeld citou como parte da solução projeto apresentado pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), para introduzir normas que aumentem a segurança jurídica na ação do Estado. É o PL 349/2015, que tem o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de outras instituições.

Outro ponto é grupo de professores de direito com atuação no Ministério da Fazenda para criar programa público privado avançado para melhorar contratos de empreendimentos públicos e criar procedimento e tipo de contrato para garantir que a ação do estado no fomento a empreendimentos públicos e privados seja coordenado e racional. Seu objetivo “é inverter completamente os pontos mencionados antes, acabando com o autoritarismo estatal e com a burocracia”.

Proposta é criar uma espécie de startup de engenharia para fazer os processos de licitação. Ganhará por serviços prestados, ficando proibida de gastar mais de 30% de sua receita com o pagamento de pessoal.

Em relação ao licenciamento, solução jurídica é complexa, mas resulta num guichê único para a decisão. Seria feito por meio do consórcio público especial, sem personalidade jurídica, reunindo todos os órgãos envolvidos em determinada obra. É preciso o acompanhamento pelos órgãos de controle, para evitar a judicialização.

Augusto Salomon, presidente executivo da Abegás, disse que é preciso criar uma agenda para destravar o país, com segurança jurídica. E o capital para investimento em infraestrutura tem que ser desonerado. Lembrou que o Governo e a Petrobras deixaram claro que têm interesse nos investimentos privados em setores em que vai desinvestir, mas os desdobramentos da operação Lava Jato levaram a uma incapacidade de planejamento do Governo, criando incerteza e instabilidade jurídica. Vários agentes estão interessados no desinvestimento da Petrobras, disse, mas a incerteza é total.

O Governo, disse, tem que parar de querer participação em todas as ações de infraestrutura e deixar os negócios fluírem. Afirmou que o setor elétrico brasileiro está integralmente judicializado, citando problemas em Belo Monte, e o setor de gás vai para o mesmo caminho.

No Painel 2, o moderador, Nelson Gomes, presidente da Cosan, disse que, como se não bastassem todas as crises, Governo e todas as estatais passam por momento de paralisação, de incerteza e até de surpresa por um Governo completamente desarticulado. Perguntou o que pode ser feito.

Fernando Camargo, sócio-diretor da LCA, lembrou que ainda não se sabe onde está o principal nó desta crise, para desatá-lo. “Vivemos hoje dificuldade muito grande para entender quem comanda dia a dia das decisões políticas.”

O foco da crise, explicou, está na infraestrutura. Em sua análise, não é exagerado dizer que ela lidera esta queda do PIB. 13% a 14% vêm do investimento, da formação bruta de capital, sobretudo da infraestrutura. O conjunto de segmentos envolvidos responde por quase 70% da formação bruta de capital, mas as empresas envolvidas na Lava Jato têm quase R$ 1 trilhão em dívidas, contando a Petrobras.

Mencionou como ferramenta para resolver o problema os acordos de leniência, com identificação e quantificação de danos ao Governo, negociando e permitindo a volta das empresas ao funcionamento normal do mercado.

Também é preciso resolver sua solvência, com recursos, “mas o Estado está muito limitado, e a sociedade se mobiliza para achar alternativa”. Vai ser necessário, disse, poupar na mesma medida da necessidade de aporte – a Petrobras precisa de cerca de R$ 100 bilhões para se recapitalizar. Isso, exemplificou, pode ser feito por meio da reforma da Previdência.

Bernardo Costa, diretor de Infraestrutura da Fitch Brasil, disse que o momento imediato preocupa. Em sua opinião, no curto prazo a solução é totalmente voltada ao fiscal. “Não vejo outra saída. Ou aumenta [impostos] ou corta”, afirmou, defendendo a necessidade de preservar o grau de investimento. Se não, não há o que conversar sobre médio e longo prazo.

Disse que o discurso não é muito claro em relação ao tipo de país e de economia que queremos ser, o que dificulta atração de investimentos de longo prazo. Afirmou também que o BNDES não deveria ser usado para subsidiar investimentos que poderiam ser financiados a taxas de mercado. “Consequência de subsidiar recursos via BNDES é que custo acaba sendo dividido pela sociedade.”

Citou também soluções para, com investimento de mercado, destravar obras em que o retorno não possa ser medido previamente, como pagamento mínimo no caso de estradas.

Marcos Augusto Perez, professor de Direito Administrativo da USP, falou da importância para o PIB brasileiro das contratações públicas. Também são estratégicas, disse, porque permitem fomentar um determinado setor, e historicamente são muito frequentes.

A Lava Jato descortina maus costumes nessas contratações, e agora, afirmou, “o desafio é jogar a água suja do banho sem despejar o bebê junto…”

Mas o setor é pujante e foi construído com dinheiro dos contribuintes, o que permitiu a formação de uma engenharia nacional. “Não podemos desperdiçar o que foi construído”, afirmou.

Houve, explicou, a modernização dos contratos a partir de 1988. Há agora um grande impasse, com o reforço do poder dos órgãos de controle tornando obsoleto o modelo de contratação. Defendeu que a reforma em gestação crie um ambiente de negócios com segurança jurídica e incentive o diálogo entre empresários e Governo, de forma transparente.

É necessário, disse, criar um espaço institucional para fomentar a iniciativa. Do jeito como as coisas são feitas atualmente, a “solidão do administrador o leva a oferecer negócios que não dão liga”, não são atraentes.

Citou como exemplo do que pode ser feito o diálogo competitivo da União Europeia para contratos mais complexos, processo com transparência, estímulo à participação e sigilo do que afete a competitividade das empresas.

É preciso, disse, criar ambiente confiável para as empresas, para não serem acusadas depois de direcionamento – e que seja seguro também para os agentes públicos. Considera isso um pequeno ponto que deve ser resolvido e destravar as contratações.

Outras agendas são mais complexas. Brasil vive muitas emergências econômicas e sempre lidou com elas por meio de medidas provisórias, que não podem mais ser reeditadas (o Plano Real, lembrou, não poderia ter valido pela nova regra – valeu-se de MP reeditada uma centena de vezes). Veto à reedição foi aposta em que não se viveria de novo situação de emergência.

Lição de casa que não foi feita, segundo Perez, foi a reforma partidária, não apenas por culpa do Congresso. O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a cláusula de barreira, que tinha sido um corte na carne feito pelo Congresso. A atual legislação incentiva criação de partidos e prejudica a governabilidade.

Conta a ser feita algum dia é em relação à explosão em torno dos direitos fundamentais que devem ser providos pelo Estado, de acordo com a Constituição de 88. “Temos que discutir o que o Estado vai bancar. Só a Previdência Social tem déficit de R$ 80 bilhões por ano. São 8 Lava Jatos por ano!”


TAV poderá gerar 65 mil empregos, diz associação de empresários

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

A Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) estima que 65 mil empregos serão gerados com a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV). A informação foi dada nesta segunda-feira (18), pelo presidente da entidade, Luciano Amadio, durante seminário que discutiu o assunto na Fiesp.

Contudo, ele fez um alerta de que será necessária maciça formação de mão de obra para o projeto assim que for definido o vencedor da licitação, programada para ocorrer no dia 29 de julho. “Será preciso um grande programa de formação para as várias frentes de trabalho que serão abertas ao longo dos 510 quilômetros da obra”, pontuou.

O consenso entre representantes do setor é de que o TAV proporcionará maior desenvolvimento regional. “Um sistema de alta velocidade é rápido, seguro, limpo e reordena o desenvolvimento regional e urbano”, ressaltou o presidente da Agência de Desenvolvimento de Trens Entre Municípios (AD-Trem), Guilherme Quintella.

Vicente Abate, da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), disse que apoia integralmente o projeto do trem-bala e que a tecnologia necessária para o projeto “é passível de ser fabricada no Brasil”.

Média velocidade para trem Rio-SP é discussão inócua, diz ANTT

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, refutou nesta segunda-feira (18) qualquer possibilidade de discutir a construção de infraestrutura para operação de trens de média velocidade na ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo. A proposta é lançada por críticos do projeto original do Trem de Alta Velocidade (TAV) com a justificativa de baratear o custeio da obra.

“Hoje se alardeia que a média velocidade é mais barata sem se aprofundar em estudos técnicos”, rebateu Figueiredo. Ele participou da abertura de seminário sobre o TAV Rio-SP na sede da Fiesp, na capital paulista.

O diretor da ANTT disse não fazer “o menor sentido” discutir média velocidade. “Se fizer para média, em cinco anos estaremos arrependidos e teremos de fazer outra [ferrovia]. Mas se construirmos uma infraestrutura física que contemple velocidades maiores, o investimento é definitivo, e a diferença de custo é desprezível”, defendeu.

Modelo de concessão

O leilão para licitação está marcado para 29 de julho, após dois adiamentos. A obra é orçada em R$ 33 bilhões. O setor público investirá 10% desse valor e financiará R$ 20 bilhões ao consórcio vencedor, que deterá a concessão por 40 anos.

Segundo a ANTT, caso a obra fique mais cara, o único prejuízo será o do investidor. “Se estourar orçamento, o risco que o concessionário assume é cair o faturamento, de 10,5% para 7,5%. O governo não vai suportar isso”, garantiu Bernardo Figueiredo.

Ele disse ainda que, no caso de haver frustração de receita nos 10 primeiros anos da concessão, o governo se propõe a flutuar o prazo de amortização do financiamento e a taxa de juros, até que a manobra represente R$ 5 bilhões de subsídio adicional.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, lembrou que o Brasil ainda está discutindo a construção dos primeiros 500 quilômetros de TAV, enquanto a China já tem 3 mil quilômetros de malha para alta velocidade e terá 13 mil até 2016.

“Nós não podemos aceitar essa discussão medíocre, ficar na dúvida se vale a pena ou não ter um trem. O Brasil demanda tudo, porque já está parado há muito tempo. Temos que pensar do tamanho do país e parar de ter medo de crescer”, afirmou Skaf.

O projeto do TAV prevê algumas paradas obrigatórias, principalmente no lado paulista. As conexões regionais da capital até São José dos Campos, Campinas e entre os aeroportos de Viracopos e Cumbica são tidas como fundamentais para desafogar o tráfego no Estado.

O secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, declarou total apoio do governo paulista ao projeto e descartou rivalidades partidárias.

“Quando ouvimos que 70% do gasto do TAV será com infraestrutura, e que servirá também para as ligações regionais, como o governo de São Paulo vai ser contra isso?”, questionou. “Fazer mais do mesmo não basta para nós. Temos que pensar 30 anos à frente”, defendeu o secretário paulista.

Júlio Lopes, secretário dos Transportes do Estado do Rio de Janeiro, também manifestou apoio ao projeto ferroviário de alta velocidade. “Fazer uma via que condene o nosso trem à média velocidade não condiz com o paradigma de mobilidade que precisaremos para a nossa megalópole”, reforçou.

Demanda firme

O eixo Rio-São Paulo abriga cerca de 50 milhões de habitantes em um trecho de 500 quilômetros, o que, na visão do governo federal, torna o projeto especialmente atraente aos olhos de investidores externos. A demanda estimada na ligação direta é de 10 milhões de passageiros por ano, e nas ligações regionais, 20 milhões. Ao final dos 40 anos, esse total poderá chegar a 100 milhões de passageiros anuais.

Estudo do Construbusiness alerta vulnerabilidade de obras públicas

Agência Indusnet Fiesp

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José Carlos de Oliveira Lima, diretor-titular do Deconcic. Foto: Kenia Hernandes

A Fiesp lançará, no dia 29 de novembro, a 9ª edição do Construbusiness. Neste ano, o evento traz propostas com foco na habitação e infraestrutura para até 2022. Os estudos com os levantamentos setoriais ficarão a cargo da Fundação Getúlio Vargas e da LCA Consultoria.

Dados preliminares das entidades avaliaram que, apesar das boas condições macroeconômicas que favorecem o desenvolvimento sustentável, o País ainda carece de algumas condicionantes para dar continuidade ao crescimento econômico.

“Não se trata mais de um projeto de governo, mas sim de Estado. Um projeto que vai além das obras necessárias à realização da Copa do Mundo e da Olimpíada”, argumentou José Carlos de Oliveira Lima, diretor-titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp que completou: “Precisamos estar alertas às oportunidades para melhor conduzir o Brasil”.

Dentre os entraves na habitação, a versão preliminar dos relatórios aponta:

  • Crescimento da demanda por mão de obra maior do que oferta;
  • Elevação do custo de mão de obra;
  • Perfil de crescimento sem grandes aumentos globais de produtividade;
  • Risco de desindustrialização ou desintegração em alguns setores;
  • Energia mais cara para a produção.Dentro do foco em infraestrutura, os estudos apontam gargalos como:
  • Baixa qualidade dos projetos existentes, por falta de planejamento;
  • Paralisação das obras: insegurança jurídica;
  • Maior independência das agências reguladoras;
  • Falta de planejamento provoca tanto escassez de projetos quanto diminuição do estoque atual;
  • A falta de um tratamento mais uniforme e transparente para o licenciamento ambiental;
  • Informações insuficientes ou mal especificadas nas licitações;
  • Necessidade de aceleração do processo de universalização do saneamento: água, esgoto, drenagem resíduos sólidos. O estudo apontou que 23 milhões residências ainda carecem de acesso ao esgoto.

Riscos

O dirigente da Fiesp ressalta que apesar de o País apresentar um menor grau de vulnerabilidade, ainda amarga as últimas posições em eficiência da infraestrutura doméstica. Dados do World Economic Forum mostram que o Brasil, num ranking de 22 países, está na 18ª colocação geral.

Em rodovias e ferrovias, a eficiência brasileira fica no penúltimo lugar, ao lado da Colômbia. Em portos, o Brasil está na lanterna. O único destaque positivo, em uma comparação internacional, é a qualidade da oferta de energia, onde aparece na 12ª posição.

Para Oliveira Lima, as propostas do Construbusiness podem elevar o ranking brasileiro e colocar o País entre os cinco mais eficientes em infraestrutura, próximo ao Japão e Coréia do Sul. “Se conseguirmos eliminar a ineficiência pública, até 2022 conseguiremos elevar a posição brasileira”, concluiu o diretor da Fiesp.