Brasil, China e Índia ajudam a reduzir a pobreza mundial, diz coordenador da ONU

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A pobreza extrema no mundo foi reduzida pela metade em 20 anos, mostrou relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os avanços dos Objetivos do Milênio divulgado ontem. A meta do programa global foi atingida antes do prazo, 2015, e o Brasil, a China e a Índia se destacaram no cumprimento desse objetivo. A  avaliação  é de Jorge Chediek, coordenador-residente do sistema ONU no Brasil. Chediek participou do lançamento da 5ª Edição do Prêmio ODM Brasil na manhã desta terça-feira (02/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Países como a China, a Índia e o Brasil ajudaram muito a atingir os objetivos a nível global”, afirmou Chediek.  Segundo o Relatório Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2013, a pobreza extrema no mundo diminuiu de 47% em 1990 para 22% em 2010, o equivalente a 700 milhões de pessoas a menos em condições de extrema miséria.

Chediek: empenho para a diminuição da pobreza no mundo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Chediek: pobreza extrema passou de 47% em 1990 para 22% em 2010 . Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O coordenador da ONU também alertou que o mundo precisa avançar mais em serviços de saúde. “Poderíamos praticamente eliminar a expansão da epidemia do HIV”.

No final de 2011, 8 milhões de pessoas estavam recebendo terapia antirretroviral para o HIV nas regiões em desenvolvimento. A meta  de acesso universal à terapia antirretroviral continua possível de ser realizada até 2015 se as tendências atuais forem mantidas.

Entre 2000 e 2010, a taxa de mortalidade por malária caiu mais de 25% em nível global. Assim, conforme os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, foi possível evitar a morte de mais de 1 milhão de pessoas durante este período.

Novos desafios

Com o desenvolvimento das sociedades, o mundo ganhou novos desafios, um deles é a mobilidade urbana, avaliou Chediek. Para resolver os problemas decorrentes da desenfreada urbanização nas cidades do mundo, o coordenador da ONU propõe um planejamento de metas para depois de 2015, prazo estabelecida pelo órgão para a conclusão dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Brasil avança no cumprimento das metas do milênio

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta segunda-feira (6), na Fiesp, que os objetivos do milênio são essenciais para o desenvolvimento do Brasil.

A declaração foi dada ao avaliar os avanços do governo brasileiro nos projetos de políticas públicas, durante seminário que discutiu os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) no Brasil e no mundo e seus desafios.

Para Coutinho, o Brasil apresentou bons exemplos de políticas públicas, com destaque para os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e de reajuste do salário mínimo, decisivos para reduzir os impactos da crise econômica mundial na economia do País e estimular a criação de quase um milhão de empregos formais, em 2009.

“Os projetos de política social foram um dos sustentáculos do mercado interno e uma ferramenta eficaz para vencer a crise”, pontuou o economista.

Cumprimento dos ODMs

Rodrigo da Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Paraná e secretário-executivo do Movimento Nacional pela Cidadania Solidariedade, apresentou o “Movimento Nós Podemos Paraná”, criado em 2006, que objetiva mobilizar a sociedade sobre a importância do cumprimento do ODMs.

O projeto conta com 100 mil voluntários e foi ampliado para todos os 5.565 municípios brasileiros. “A articulação entre os setores privado e empresarial, o governo e a sociedade civil foi decisivo para o sucesso do projeto”, analisou Loures.

Para Delfin Go, autor, líder e gerente do “Relatório Global Monitoring Report 2010”, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, os países em desenvolvimento foram menos afetados pela crise, comparados às nações industrializadas. E isso graças aos investimentos em projetos de geração de renda para comunidade carente, que impulsionaram o crescimento das vendas no mercado interno.

Exemplo do Brasil

Na opinião do especialista, representantes de países da África Subsaariana – umas das regiões mais pobres do mundo – podem aprender com o Brasil a elaborar um projeto eficaz de política assistencial que reduza os índices de extrema pobreza da população e, dessa forma, permitam o cumprimento das metas do milênio.

“O Brasil mostra que é possível registrar progresso econômico e social, reduzir a desigualdade num contexto democrático é extraordinário”, afirmou Jorge Chediek, coordenador residente do Sistema ONU e representante residente do PNUD no Brasil, durante sua apresentação.

Chediek elogiou o projeto Bolsa Família, considerado pela ONU um projeto de referência mundial, adotado por outros países como a Filipinas e o Peru.

Luiz Soares Dulci, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, acredita que o País cumprirá, dentro do prazo, todas as metas do milênio.

Dulci lembrou que os investimentos do governo brasileiro em programa de geração de renda, aumento do salário mínimo, crédito consignado, entre outras ações, foram decisivos para a redução dos índices de pobreza da população e o crescimento da economia local.

“Os 13 bilhões de reais investidos no Bolsa Família contribuíram para alavancar a economia local e estimular o fortalecimento do mercado interno”, ressaltou.

Metas do milênio

Os ODMs são metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Cúpula do Milênio de 2000, em Nova York, quando líderes de 189 países oficializaram um pacto para priorizar a eliminação da fome e da extrema pobreza até 2015.