INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: TETRA PAK – CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544530119

Por Karen Pegorari Silveira

De acordo com a diretora de Meio Ambiente da Tetra Pak, Valéria Michel, há mais de 20 anos a Tetra Pak investe em educação ambiental. “Acreditamos que a educação fará a diferença na criação de uma cultura voltada para preservação ambiental. Consumidores mais conscientes tomam decisões acertadas no momento das compras e cumprem com o seu papel na realização da coleta seletiva e reciclagem dos materiais”, afirma.

Dessa forma a empresa trabalha, desde 1997, com diversos projetos, como o Cultura Ambiental nas Escolas, em parceria com a Faculdade de Educação da Unicamp – que oferece material didático sobre meio ambiente e abordagem transversal, propondo atividades em diversas disciplinas. O material está estruturado em cadernos para o professor e para o aluno, complementados por vídeos no site. Com o aprimoramento do projeto, a partir de 2001, iniciou-se a realização de oficinas, com o objetivo de mostrar como trabalhar os conteúdos propostos, gerar discussões e alternativas de aplicação nas mais diversas realidades da sala de aula. Em 2009 nasceu o Portal Cultura Ambiental nas Escolas, com conteúdo didático desenvolvido para o projeto e adaptado para internet de modo a se criar um portal de educação ambiental moderno e interativo.

Outros projetos neste sentido são as ações culturais que já instruíram milhões de pessoas em todas as regiões do País nos últimos 10 anos. Em 2015, os projetos itinerantes (Re)ciclo de Cinema, Cena Ambiental e Palco da Reciclagem passaram por 45 cidades. Mais de 88 mil crianças participaram das atividades e, no total, quase 108 mil pessoas assistiram às apresentações.

O Cena Ambiental é um projeto que leva cultura, lazer e consciência sobre o meio ambiente, por meio de um teatro itinerante de fantoches. Em 2015, o projeto esteve em mais de 18 cidades da região Nordeste, levando cultura e educação ambiental para mais de 36 mil crianças. O (Re)Ciclo de Cinema realiza a exibição gratuita de filmes com o objetivo de mostrar a importância e os benefícios da reciclagem para a comunidade. Em 2015, a ação foi realizada em mais de 20 cidades da região Centro-Oeste, atingindo mais de 18 mil alunos. O Palco da Reciclagem é outro programa com peças de teatro interativas que têm como objetivo incentivar a coleta seletiva e levar ao público o conhecimento sobre as cooperativas de catadores de material reciclável. Em 2015, mais de 34 mil alunos foram impactados.

Este ano, 2017, a Tetra Pak conquistou o Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental na categoria Responsabilidade Socioambiental, com outro projeto, o Cuidando do Futuro, que desenvolve líderes para gerir, de forma sustentável, cooperativas de catadores de materiais recicláveis espalhadas pelo Brasil. Por meio de reuniões presenciais com consultores especializados na formação de liderança corporativa, os participantes aprendem desde o papel do gestor, até o processo de tomada de decisão em grupo e identificação de sucessores. Desde 2014, o projeto já capacitou 105 lideranças de 23 cooperativas de 13 municípios de São Paulo.

Segundo a diretora da empresa, Valéria Michel, inicialmente a ação foi criada para desenvolver lideranças nas cooperativas de catadores. “Mas o projeto também eleva a autoestima dos cooperados e os motiva a assumirem posições de maior responsabilidade no dia-a-dia de trabalho. Além disso, por meio do ‘Cuidando do Futuro’ oferecemos uma contribuição para a vida destas pessoas”, afirmou.

Sobre a Tetra Pak

A Tetra Pak é uma empresa multinacional de origem sueca que fabrica embalagens para alimentos. Foi fundada em 1951, na Suécia e está presente em mais de 170 países com cerca de 24 mil colaboradores. Seu nome é a combinação do grego τἐτρα (quatro) com o inglês pack, pacote ou embalagem.

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: GRUPO POSITIVO – APOIO À EDUCAÇÃO PÚBLICA

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544530119

Por Karen Pegorari Silveira

Segundo o documento Repensar a Educação (Unesco, 2016), isoladamente, a educação não pode esperar resolver todos os desafios relacionados ao Desenvolvimento Sustentável, mas uma abordagem humanista e holística da educação pode e deve contribuir para alcançar um novo modelo de desenvolvimento. Nesse modelo, o crescimento econômico deve ser orientado por uma gestão ambiental responsável e pela preocupação com paz, inclusão e justiça social. Os princípios éticos e morais de uma abordagem humanista ao desenvolvimento levantam-se contra a violência, a intolerância, a discriminação e a exclusão. No que se refere à educação e à aprendizagem, significa ir além da estreita visão utilitarista e economista, buscando integrar as múltiplas dimensões da existência humana. Essa abordagem enfatiza a inclusão de pessoas frequentemente discriminadas – mulheres e meninas, povos indígenas, pessoas com deficiência, migrantes, idosos e pessoas que vivem em países afetados por conflitos. Ela requer uma abordagem aberta e flexível à aprendizagem, tanto ao longo da vida quanto em todos os seus aspectos: uma abordagem que ofereça a todos a oportunidade de concretizar seu potencial para construir um futuro sustentável e uma vida digna.

Este também é o pensamento do Grupo Positivo, que através de seus projetos tem por objetivo melhorar a educação pública brasileira apoiando o Programa Arranjos de Desenvolvimento da Educação (ADE), por meio do seu Instituto. Atualmente em 22 municípios de Santa Catarina, os municípios não trabalham mais isoladamente, mas em rede, trocando experiências e buscando solucionar de forma conjunta as dificuldades da área educacional. O Instituto Positivo assumiu o compromisso de apoiar as secretarias municipais de educação a implantarem um modelo estratégico de cooperação.

Os benefícios para os municípios são diversos, com destaque para a troca de experiências intermunicipais, compartilhamento de informações sobre o acesso à programas e a verbas públicas, empoderamento da comunidade e ampliação da participação social, planejamento e realização de projetos conjuntos, além da possibilidade de as ações educacionais não serem interrompidas em função das sucessões de mandatos governamentais.

Para a diretora executiva do Instituto Positivo, Eliziane Gorniak, a empresa reconhece a colaboração como instrumento de transformação e qualificação da educação pública brasileira. “Por essa razão o Instituto apoia grupos de municípios na implantação da metodologia dos Arranjos de Desenvolvimento da Educação – ADE.  O principal objetivo é reunir as organizações não governamentais, as empresas privadas, a academia e o poder público, em especial os profissionais da educação para, juntos, planejarem e implantarem estratégias visando a otimização de recursos e a melhoria do ensino oferecido pelos municípios. A proposta, baseada em metas e indicadores prioritários identificados no território, estimula o trabalho em rede ao mesmo tempo que fortalece a formação contínua de gestores municipais. O diferencial do trabalho é o diálogo, o debate construtivo, a soma e a troca de conhecimentos e o empoderamento de todos os envolvidos”, afirma.

Ao todo existem 422 escolas públicas municipais que atendem a 82.274 estudantes na educação básica. O volume de alunos está assim distribuído: 29.796 alunos nos anos iniciais, 17.223 nos anos finais, 16.430 nas pré-escolas, 13.227 nas creches, 4.302 no EJA e 1.296 na educação especial. Considerando o Ideb, indicador de desenvolvimento da educação básica, a média dos resultados do território nos anos iniciais é de 6,18 e para os anos finais – 3,65.

O Instituto Positivo conduz a realização do diagnóstico educacional e situacional do território, a fim de identificar os principais pontos de atenção para a melhoria da educação dos municípios. Os Secretários de Educação discutem conjuntamente tais indicadores visando a identificação das prioridades para a construção de um plano de ação territorial. O Instituto Positivo tem a função de estimular a formalização de um espaço aberto de debate entre os parceiros do programa, com o objetivo de: Apresentar e debater os resultados obtidos pelo programa; buscar soluções para desafios relacionadas ao atingimento das metas; debater novas ideias e rumos para a sustentabilidade do programa. A longo prazo espera-se a implantação de uma cultura de atuação cooperativa entre Secretários de Educação e suas equipes técnicas; Perpetuação de um espaço formal e suprapartidário para debate; Melhoria dos indicadores de educação; Promoção de iniciativas conjuntas que reduzam custos e ampliem o alcance dos resultados; Promoção de uma política educacional de qualidade para a sociedade; Possibilidade de implantação de consórcios intermunicipais de educação; Continuidade dos projetos constituídos pelo arranjo, mesmo diante de mudanças sucessivas dos governantes.

Outro projeto realizado pelo grupo é o Pense Matemática, um programa desenvolvido pela Positivo Tecnologia Educacional e direcionado a alunos e educadores da Educação Infantil ao Ensino Fundamental 2, que apresenta dinâmicas de aulas para ensinar os alunos a pensar matematicamente. As atividades são baseadas em um conjunto de tecnologias e recursos para serem realizadas em cada série, ao longo do ano letivo, em paralelo ao ensino curricular da disciplina. “O objetivo é despertar a percepção de como a Matemática está presente no cotidiano e sua importância, estimulando os alunos a adquirirem confiança em usar a criatividade para propor diferentes caminhos para resolver problemas”, explica Elaine Guetter, Vice-Presidente da Positivo Tecnologia Educacional.

O Pense Matemática propõe desafios, criação e resolução de problemas, investigações e experimentos de diferentes formas de achar respostas por meio de problemas de codificação, materiais manipuláveis e interativos além do incentivo a participação em concursos e olimpíadas de Matemática. Para os alunos de Educação Infantil, o foco é desenvolver o senso numérico, base para todo o conhecimento matemático, enquanto para estudantes dos ensinos fundamental 1 e 2, as atividades exploram a matemática do cotidiano, com problemas e desafios.

Elaine Guetter comenta ainda que todos podem aprender Matemática. “As pessoas não aprendem do mesmo jeito nem na mesma velocidade. O erro faz parte da construção do conhecimento; é preciso interpretar a sua lógica. Os alunos podem se beneficiar de situações de intercâmbios de ideias e pontos de vista, e o Pense Matemática foi concebido para tornar o aprendizado mais motivador e para preparar os alunos para resolver os problemas do século XXI”. 

Sobre o Instituto Positivo

O Instituto Positivo (IP) foi criado em 2012 e atua como gestor do Investimento Social Privado do grupo Positivo, e desde 2015 passou a instituir como prioridade de ação o fortalecimento e a melhoria da educação básica brasileira.

ENTREVISTA: COMO APOIAR A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE NO BRASIL

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544530119

Por Karen Pegorari Silveira

Natacha Costa, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, sugere como as indústrias podem se envolver na melhoria da educação no Brasil

Para ela, o setor empresarial pode ser interlocutor e apoiador da sociedade civil no monitoramento das políticas de educação, pode ser importante aliado na efetivação do Marco Legal da Primeira Infância, pode favorecer o aleitamento materno e ainda oferecer estrutura para creches, entre outras iniciativas.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

Qual o papel das indústrias no apoio ao ODS 4 – Educação de Qualidade?

Natacha Costa – A indústria necessita do investimento em educação; ela se beneficia da melhoria da educação tanto em seus quadros, quanto em relação à qualidade de vida do conjunto social no qual está inserida. Quando uma indústria atua em determinado território, ela pode e deve investir em atividades de interesse da população local, trabalhando em colaboração com o poder público e agentes da sociedade e também, quando do interesse do território, financiando, por exemplo, a execução de pesquisas, diagnósticos, formações que apoiem a melhoria da educação local.

As indústrias também podem ser interlocutores e apoiadores da sociedade civil no monitoramento e no advocacy por políticas por priorização da educação no investimento público, se responsabilizando, inclusive, por contrapartidas com foco nas políticas educacionais.

Por fim, a indústria deve monitorar a si própria. Ou seja, garantir que suas atividades estejam em consonância com os ODS e com a efetivação do direito educação.

Por que é importante as indústrias colaborarem com a educação na primeira infância de modo que as crianças estejam prontas para o ensino primário?

Natacha Costa – Para que as crianças possam acessar o primário com qualidade, é necessário que tenham tido garantido seu direito à educação infantil. Especialmente na primeira infância é fundamental que as crianças possam acessar políticas integradas de saúde, assistência social, lazer e cultura – para que, assim, possam se desenvolver em todo seu potencial. É fundamental que as crianças possam viver sua infância com dignidade.

Inúmeros estudos identificam que o investimento na primeira infância é fundamental para o desenvolvimento sustentável do país – e que sociedades mais justas e equânimes investiram fortemente na garantia de políticas de primeira infância.

As indústrias podem ser importantes aliadas na efetivação do Marco Legal da Primeira Infância, conquista da sociedade civil e da Frente Parlamentar da Primeira Infância que indica os passos necessários para o desenvolvimento de políticas adequadas aos bebês e crianças, desde a gestação. Para que a Lei seja aplicada de fato é necessária a integração de todos os agentes da sociedade, especialmente na pressão pela qualidade das políticas.

O Marco explicita o interesse já pactuado da sociedade e é um poderoso instrumento de referência também para o investimento social privado e para a própria atuação da indústria. De forma prática, por exemplo, é fundamental que as indústrias atentem para suas políticas de apoio à maternidade e paternidade, garantindo estrutura adequada para que mães e pais possam se dedicar às crianças. Iniciativas de apoio ao aleitamento materno, creches para os filhos dos funcionários e licença paternidade são exemplos importantes de como a indústria pode apoiar a primeira infância.

Quais as vantagens para as empresas que investem na educação e qualificação de seus colaboradores?

Natacha Costa – A inovação – “matéria-prima” do fazer industrial não é gerada espontaneamente. Para inovar, é necessário que haja pesquisa. E para que haja pesquisa, a educação é fundamental. Precisamos qualificar não apenas os trabalhadores, mas ampliar fortemente o acesso ao ensino superior e diminuir as desigualdades educacionais da nossa população. A indústria se desenvolve ao passo que a sociedade se desenvolve, e o desenvolvimento está associado à possibilidade de a população pensar, criar caminhos para sua emancipação, imaginar, pesquisar e consequentemente criar e inovar.

Como as micro e pequenas empresas podem contribuir para que as metas do Objetivo 4 sejam alcançadas?

Natacha Costa – Em primeiro lugar, independente do seu porte, as empresas devem investir em políticas de formação de seus colaboradores, garantir o direito que elas e eles têm à maternidade e paternidade, garantir o direito dos pais a participarem de reuniões nas escolas, de levar seus filhos ao médico sem sanções, etc.

Como um segundo ponto, as pequenas empresas normalmente estão nos territórios – e por isso elas podem e devem se aproximar das escolas da região, atuando como colaboradoras locais, compartilhando seus conhecimentos e se tornando parceiras na promoção de oportunidades de desenvolvimento para os estudantes. São muitas as possibilidades – desde a colaboração com eventos nas escolas (com doação de materiais e recursos, apoio à qualificação da infraestrutura, etc.) até a participação de planejamentos coletivos com a escola para construção de atividades conjuntas, como a criação de um espaço na comunidade para compartilhamento dos projetos dos estudantes, ou com convite para palestrantes e formadores da comunidade, ou ofertando diretamente alguma atividade para os estudantes ou seus familiares.

Qual o item do ODS 4 é o mais importante e que necessita de maior apoio do setor empresarial?

Natacha Costa – Todos os subitens do objetivo 4 estão, em alguma medida, inter-relacionados ao primeiro deles, que preconiza que até 2030, possamos garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e eficazes. Como afirma nossa Constituição, a educação é dever do Estado e da família em colaboração com toda a sociedade.

Para que possamos atingir aos demais subitens, precisamos avançar tanto na garantia do acesso e da qualidade às creches e à pré-escola, quanto qualificar a educação básica. Cada vez mais, precisamos atuar coletivamente para que a educação seja prioridade no investimento público, um projeto de Estado contínuo e comprometido, e uma causa compartilhada por todos os agentes sociais.

Ao mesmo tempo, a indústria pode colaborar diretamente com o subitem 4b. que diz que é necessário ampliar globalmente o número de bolsas de estudo para o ensino superior, incluindo programas de formação profissional, de tecnologia da informação e da comunicação (TIC), técnicos, de engenharia e científicos programas científicos em países desenvolvidos e outros países em desenvolvimento. A indústria pode e deve apoiar a criação de bolsas de estudo que tenham, inclusive, foco na redução das desigualdades educacionais de gênero, étnico-raciais e sociais.

Ao mesmo tempo, as indústrias podem apoiar todos os subitens, por meio do investimento em pesquisa e levantamento de dados, em seminários e debates de interesse sobre a temática e em iniciativas da sociedade civil que tenham como foco o direito à educação pública.