INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: MALWEE – SUSTENTABILIDADE NA CADEIA DE VALOR

Por Karen Pegorari Silveira

A meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sugere que é preciso tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas, e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas.

Esta também é uma preocupação da indústria têxtil Malwee, que atua em um segmento com diversas denúncias de trabalho análogo ao escravo, e tenta fugir deste problema atuando de forma responsável e sustentável.

No Brasil, a empresa contabiliza 2.747 fornecedores, e desse total, 190 (6,9%) são empresas que atuam como prestadores de serviço para o processo de costura e acabamento das roupas. Essas confecções, importantes para a manutenção da capacidade produtiva e competitividade, caracterizam-se por serem empresas de pequeno porte com uso intensivo de mão de obra, o que amplia o risco de ocorrerem situações de não conformidade com a legislação trabalhista e os princípios de respeito e garantia dos direitos humanos.

Dessa forma, um dos maiores investimentos da Malwee, dentro do Plano 2020, é o fortalecimento das políticas internas para assegurar que as facções cumpram estritamente todas as regulamentações legais do País, bem como a criação de novos mecanismos de controle para impedir a ocorrência de práticas que estejam em desacordo com seus valores e compromissos.

Em todas as confecções eles realizam avaliações presenciais por meio de visitas das inspetoras de qualidade, que analisam a qualidade das peças e se pode estar ocorrendo quarteirização do processo pelo fornecedor. Analistas internos da empresa também checam o recolhimento das guias de INSS e FGTS dos fornecedores. No último ano, um caso de irregularidade foi identificada e a Malwee optou pela rescisão do contrato de fornecimento.

Em 2015 a empresa iniciou um programa formal de auditoria nas confecções e formou uma equipe própria para a realização dessa tarefa de avaliação dos fornecedores. Também passaram a exigir a certificação no programa desenvolvido pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), que auxilia no monitoramento das boas práticas de responsabilidade social e relações de trabalho no setor de moda. No último ano, 61% das contratadas já estavam certificadas pela ABVTEX – em março de 2014, eram apenas 10,8%. Além disso, novos fornecedores contratados pela empresa receberam o prazo de, no máximo, dois meses para adequarem-se e conseguirem a certificação.

Segundo informações divulgadas no Relatório de Sustentabilidade da empresa, entre os fornecedores instalados no país, o Grupo Malwee avalia que existe um baixo risco de violação dos direitos de associação dos trabalhadores a sindicatos e entidades representativas de classe. Contudo, trabalham com fornecedores terceirizados instalados em países como Bangladesh, China, Índia, Vietnã e Peru, nos quais os controles sobre a garantia desses direitos ainda são reduzidos. Para diminuir esse risco, solicitam desses fornecedores a concordância, por escrito, com o Código de Ética para fornecedores, disponível nos idiomas português e inglês.

O desenvolvimento do Plano 2020 também inclui o Programa de Avaliação de Fornecedores, que permite a avaliação dos parceiros de acordo com critérios de desempenho ambiental e social. O Programa prevê a realização de auditorias e a checagem da documentação, gerando relatórios periódicos com o nível de conformidade dos fornecedores. O programa também está preparado para permitir o monitoramento, praticamente em tempo real, do desempenho dos parceiros em relação aos indicadores de avaliação estipulados no planejamento estratégico. A meta da Malwee é que até 2020 todos os fornecedores estejam inseridos e avaliados.

Segundo Taise Beduschi, gestora de Sustentabilidade da Malwee, “Além de trabalhar em prol do bem-estar dos nossos colaboradores e, por meio de auditorias, assegurar que nossos prestadores de serviço no processo produtivo ofereçam condições de trabalho dignas a seus colaboradores, um programa como esse nos ajuda a dar a visibilidade necessária sobre a importância deste assunto e, assim, conscientizar outras companhias sobre a necessidade de adotar práticas sustentáveis em nosso setor”, afirma.

Sobre o Grupo Malwee

Com 48 anos de existência e 6 mil colaboradores, a Malwee é uma das principais empresas de moda do Brasil e realiza a gestão das marcas: Malwee, Malwee Kids, Carinhoso, Puket, Scene, Enfim, Wee!, Liberta, Zig Zig Zaa. O Grupo conta com 6 unidades fabris, 20 mil pontos de vendas multimarcas e mais de 280 lojas monomarca.

 

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: CATERPILLAR – INCLUSÃO INTEGRAL

Por Karen Pegorari Silveira

Segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2015, divulgada pelo Ministério do Trabalho, 403,2 mil pessoas com deficiência atuam formalmente no mercado de trabalho, correspondendo a um percentual de 0,84% do total dos vínculos empregatícios.

Esse aumento progressivo da participação nos últimos anos, de 0,77%, em 2014, e 0,73% em 2013 reflete o pensamento de companhias, como a Caterpillar, que apostaram na diversidade e inclusão de pessoas com deficiência (PcD), e ainda colaboram para o alcance da meta 8.5 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que sugere alcançar o emprego pleno, produtivo e o trabalho decente para todas as mulheres e homens, inclusive para os jovens e as pessoas com deficiência, além de remuneração igual para trabalho de igual valor até 2030.

Para receber os PcD, a empresa realizou todas as adequações necessárias e customizou os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) considerando as características individuais e fornecendo o equipamento de acordo com cada necessidade/deficiência. Além disso, a empresa criou campanhas, treinamentos, comitês, semanas temáticas, informativos internos e externos, rodas de conversa e mídias sociais para falar sobre o assunto.

A Caterpillar disponibiliza por exemplo, o “Curso de Libras” (desde 2014) para líderes e funcionários que têm contato direto com os funcionários surdos que além de facilitar a comunicação, integra todos no ambiente de trabalho.  Também criou (desde 2015) a “Oficina da Comunicação” que atua no desenvolvimento da comunicação dos funcionários surdos ou com perda auditiva.

Essas iniciativas fazem parte do programa “JUNTOS, Ser Diferente é Somar” e têm como base as pesquisas aplicadas periodicamente (1- com todos os funcionários, 2- com a liderança, 3- com os funcionários com deficiência), nos atendimentos realizados por equipe multidisciplinar (individual e/ou em grupo), no mapeamento das deficiências por áreas de atuação e nos apontamentos feitos pelo Comitê de Diversidade e Inclusão.

Segundo a empresa, para garantir a execução de todas as etapas do programa, desde 2015 foi incluído na estratégia de RH, um indicador para o acompanhamento do percentual de aceitação da pessoa com deficiência pela liderança da organização. Três treinamentos foram aplicados em 2016: 1) “Gerenciando a inclusão” para supervisores e líderes operacionais 2) “Preconceitos Inconscientes” para diretores e gerentes e uma segunda versão do “Preconceitos Inconscientes” para o público administrativo.

A Caterpillar Brasil foi eleita pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência a melhor empresa para trabalhadores com deficiência, na terceira edição do prêmio, que visa ampliar a visibilidade das boas práticas de inclusão profissional adotadas por empresas do Estado de São Paulo.

A pesquisa avaliou diversos quesitos, como a promoção da política dos direitos da pessoa com deficiência, igualdade de oportunidades, nível de sustentabilidade dos projetos e condições materiais e psicológicas; além do cumprimento da legislação sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência

Segundo Caio Orlandini, supervisor de Recursos Humanos, “A inclusão de pessoas com deficiência é, acima de tudo, uma oportunidade conjunta. A oportunidade de as pessoas com deficiência exercerem uma atividade digna com autonomia e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para empresa na conscientização de seus funcionários e na diversificação da sua força de trabalho, gerando inovação e resultados”, comenta Orlandini.

A companhia também apoia projetos e entidades nas comunidades onde tem operações, sendo considerada uma das principais colaboradoras do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUMDECA) em Piracicaba. Em parceria com este trabalho, o programa “JUNTOS: Ser Diferente é Somar, propõe foco nas iniciativas de apoio para a inclusão e desenvolvimento da pessoa com deficiência com ações que transcendem os muros empresariais.

Há ainda a parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Piracicaba – AUMA – e a entidade Espaço Pipa através do FUMDECA, financiando 100% do projeto AME (Artes, Música e Esportes), que trabalha no desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas em pessoas com Síndrome de Down e com a APAE que promove a inclusão de deficientes intelectuais (adicional à cota).

Sobre a Caterpillar

A Caterpillar possui funcionários com deficiências em diversos cargos, de diferentes áreas. Hoje a empresa conta com 45 tipos de cargos entre os funcionários com deficiência física, auditiva, intelectual e visual, destes, 33 são operacionais e 12 administrativos, onde o maior número se concentra na área de Logística. Na fábrica de Piracicaba (SP), onde se concentra a maior quantidade de funcionários, a empresa conta com 163 profissionais com deficiência e reabilitados e no Brasil somam-se 180.

ARTIGO: INDÚSTRIA, DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TRABALHO DECENTE


Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Hélio Zylberstajn

O tempo em que se acreditava que o desenvolvimento econômico traria automaticamente o aprimoramento social já passou. Hoje, se entende que é preciso e é possível buscar as duas dimensões de desenvolvimento simultaneamente. Passou o tempo também da negligência em relação ao meio ambiente. Hoje, se tem plena consciência da escassez e da finitude dos recursos naturais e portanto da necessidade de evitar que se atinja um ponto de não retorno na preservação do clima e do ambiente do planeta.

O programa Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representa o consenso entre os países membros da ONU para a busca do desenvolvimento socialmente e ambientalmente sustentável. Propõe uma lista de 17 metas a serem atingidas pelo conjunto de todos os membros até 2030. São todas importantes e se baseiam no princípio do triple bottom line: o desenvolvimento econômico deve compatibilizar sustentabilidade econômica, preservação do meio ambiente e desenvolvimento social. É pouco provável que o mundo consiga atingir as metas propostas, no prazo definido. Mas o programa terá cumprido um papel relevante se um grande número de países tiver caminhado na direção desejada.

O objetivo deste texto é discutir em que medida a Indústria pode contribuir para o atingimento de um dos 17 objetivos, o ODS 8, que propõe: “Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.” O Programa ODS desdobra o ODS 8 em 10 objetivos operacionalizados, que são listados resumidamente.

8.1. Crescimento de 7% ao ano do PIB

8.2. Crescimento da produtividade

8.3. Apoio à produção, à geração de emprego decente, ao empreendedorismo, à criatividade e inovação, e incentivo à formalização e ao crescimento das micro, pequenas e médias empresas, inclusive por meio do acesso a serviços financeiros.

8.4 Melhorar a eficiência dos recursos globais no consumo e na produção, e empenhar-se para dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental.

8.5 Alcançar o emprego pleno e produtivo e trabalho decente e remuneração de igual valor para todos os trabalhadores e todas as minorias.

8.6 Reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação, até 2020.

8.7 Erradicar o trabalho forçado e o trabalho infantil.

8.8 Proteger os direitos trabalhistas e promover ambientes de trabalho seguros e protegidos para todos os trabalhadores, incluindo os trabalhadores migrantes, em particular as mulheres.

8.9 Implementar políticas para promover o turismo sustentável.

8.10 Promover o acesso aos serviços bancários, financeiros, e de seguros para todos.

8.a. Ampliar o acesso dos países de menor desenvolvimento aos fluxos de comércio internacional.

8.b Implementar uma estratégia global para o emprego dos jovens.

É uma lista ampla e ambiciosa, que reafirma os princípios defendidos pela OIT. Em alguns casos, propõe sem quantificar. Em outros, ambiciona “erradicar” os problemas. Em um caso, exagera claramente na quantificação (crescimento anual do PIB à taxa de 7% ao ano, item 8.1). A maior parte dos objetivos da lista propõe a adoção de políticas públicas, que dependem obviamente, de iniciativas governamentais. Haveria algum objetivo para o qual a Indústria poderia contribuir, independentemente de iniciativas do governo? Penso que sim.

Um dos problemas mais graves do mercado de trabalho é o desemprego de jovens. Os jovens são mais vulneráveis ao desemprego por diversas razões, e isso vale para todos os países. A falta de oportunidades para jovens os coloca em situações de alto risco para o crime, a violência e inclusive para a militância política extremamente contestadora e até mesmo para o terrorismo. Não é coincidência que na lista acima, esta questão aparece duas vezes, ambas grifadas (8.6 e 8.b).

Penso que Indústria no Brasil tem recursos e conhecimento para aliviar este gravíssimo problema. Cada indústria ou grupo de industrias poderia “adotar” uma ou mais escolas de nível médio e, por meio de convênios com o SENAI e outras instituições, oferecer programas de aprendizagem. As escolas continuariam a oferecer os conteúdos acadêmicos, e, duas ou três vezes por semana, os alunos aprenderiam uma profissão nas empresas conveniadas, tendo os supervisores destas como instrutores. O Senai e as outras instituições de ensino profissional ofereceriam apoio técnico às escolas e aos supervisores-instrutores. Para completar, as empresas participantes se comprometeriam a efetivar os aprendizes, contratando-os por período determinado (6 meses ou um ano).

Um programa desse tipo ofereceria às empresas a mão-de-obra qualificada que elas precisam, sob medida, pois teria sido treinada pelos seus próprios supervisores. A probabilidade de inserção dos alunos na empresa e/ou no mercado seria muito grande, bem maior do que os egressos das escolas tradicionais, que oferecem conteúdos apenas acadêmicos.

Aumentar a chance de jovens se colocarem produtivamente no mercado de trabalho seria um resultado de grande impacto social e constituiria uma contribuição relevante ao alcance da Indústria. A inciativa poderia ser implantada em um pequeno número de escolas, para se fazer um teste. Se bem sucedido, o teste poderia ser ampliado para o setor como um todo e certamente induziria o governo e outros setores a participar. A Indústria teria então dado uma contribuição importante para o atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

*Hélio Zylberstajn é professor da FEA/USP, Coordenador do Projeto Salariômetro, membro do Conselho Superior de Estudos Estratégicos e do Conselho Superior de Relações do Trabalho, da Fiesp.

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINDIGRAF – PARCERIAS PELA EDUCAÇÃO


Por Karen Pegorari Silveira

Segundo a Unesco, no século 21 a educação deixa de ser um mero instrumento de transmissão de informação e passa a ter a responsabilidade de fomentar valores e habilidades.

Por isso entidades do setor industrial também apoiam a melhoria da educação através de programas que beneficiam milhares de crianças, como é o caso do Sindicato da Indústria Gráfica do Estado de São Paulo, o SINDIGRAF.

Criado em 2005, pelo SINDIGRAF-SP e ABIGRAF-SP, o Projeto Bibliotecas já inaugurou 22 bibliotecas em todo o Estado nestes 12 anos de atividade. O projeto é realizado em parceria com as Prefeituras Municipais, que cedem espaços reformados para equipar com computadores e uma extensa variedade de livros, selecionados pela Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Em 2017 ultrapassaram a marca de mais de 25 mil livros doados, sempre com o apoio das Seccionais Ribeirão Preto e Bauru da ABIGRAF-SP, fundamentais para a escolha das cidades que recebem as novas Bibliotecas. São milhares de livros, cadernos, cartilhas, entre muitos outros materiais para a formação dos brasileiros.

Segundo o presidente do SINDIGRAF-SP, Levi Ceregato, “Como a entidade representa uma indústria forte e presente no cotidiano, acreditamos que é nosso dever ir além da produção. Temos que apoiar o desenvolvimento educacional, e por isto criamos, em parceria com a ABIGRAF-SP, o Projeto Bibliotecas, ação que visa revitalizar bibliotecas no Estado de São Paulo, premiando alunos que se destacam por meio da leitura”, diz.

Outro projeto da entidade é o Cartão Material Escolar um cartão de débito disponibilizado pelas Prefeituras aos pais de alunos matriculados na rede pública. É uma solução que auxilia na redução de desperdício de recursos na educação, fomenta a economia de Estados e Municípios e fortalece o comércio local, além da geração de empregos e renda. Atrelado a estes benefícios econômicos, o Cartão Material Escolar, aumenta a satisfação e motivação dos alunos da rede pública, por terem liberdade de escolher o seu próprio material.

Entre as vantagens citadas pela entidade estão a eliminação das licitações, o aumento da autoestima do aluno, que pode escolher o seu próprio material, o fomento a economia dos municípios, uma vez que os recursos financeiros permanecem na região, a geração de empregos no comércio local e nas papelarias, eliminação dos atrasos na entrega do material escolar para os alunos, e uma das questões mais importantes: o resgate do envolvimento da família na educação das crianças.

Há também os Seminários de Educação – Escolar Office Brasil, criado em 2013 com o objetivo de promover a formação de professores e educadores de redes públicas e privadas, de forma gratuita, durante a feira Escolar Office Brasil, que chega a sua 31º edição.

A ação conta ainda com a curadoria do Instituto Cultural Lourenço Castanho (ICLOC), e a cada edição aborda temas relacionados à transformação na escola, tendências, gestão escolar entre muitos outros. Na edição que acontecerá no dia 25 de julho de 2017, no Expo Center Norte, estão pré-inscritos mais de 1800 participantes.

Conheça mais ações do Sindicato, acesse – www.sindigraf.org.br

 

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: TELEFÔNICA VIVO – EDUCAÇÃO DISRUPTIVA

Por Karen Pegorari Silveira

O setor educacional é um dos que mais receberam aporte de Investimento Social Privado. Dados da pesquisa BISC 2016, que tem como objetivo fazer o acompanhamento anual dos investimentos sociais privados no Brasil, revelam que a educação recebeu mais de 800 milhões no ano de 2015, período base da pesquisa. Esta informação vai ao encontro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especificamente a meta 4, que promove o aumento do acesso à Educação de Qualidade.

A Fundação Telefônica Vivo também apostou seus investimentos na educação, especialmente em modelos inovadores, com o objetivo de incentivar o uso de tecnologias digitais de aprendizagem através do programa Inova Escola. A Fundação acompanha seis escolas públicas no país, que integram o restrito grupo de 4% das unidades escolares com conexão do país – EMEF Desembargador Amorim Lima (SP), Presidente Campos Salles (SP), EM André Urani (RJ), EMEF Zeferino Lopes (RS), EM Manoel Domingos (PE) e a EMEF Maria Luiza Fornasier Franzin (SP).

Desde 2012, o Inova Escola visa impulsionar processos educacionais diferenciados nas escolas do campo, disponibilizando infraestrutura tecnológica, formação docente, metodologias inovadoras de ensino e aprendizagem, além de conteúdo diversificado sobre e para a educação do campo. O programa conta com duas grandes frentes de atuação: a oferta de cursos para os professores do campo na plataforma Escolas Conectadas; e a implementação de escolas laboratório para a experimentação de tecnologias digitais, que utilizam novas tecnologias em diferentes formatos e contextos educacionais. Entre os diferenciais do projeto, destacam-se a formação de professores “sob medida” e co-criada de acordo com as necessidades do contexto de cada escola com o objetivo de inovar práticas pedagógicas antenadas com o século XXI, com uso de tecnologias e plataformas de aprendizagem; encontros bimestrais de integração entre docentes dessas escolas para troca de experiências; e avaliação externa em parceria com a UNESCO. O projeto proporciona ainda upgrade na infraestrutura tecnológica das escolas acompanhada de formação para professores para uso qualificado; escolas com práticas mais inovadoras, com trabalho colaborativo; novo papel do professor; trabalho por projetos; menos aulas expositivas; avaliação formativa, entre outros; sistematização das experiências dessas escolas para inspirar outras escolas e redes de ensino a inovarem; desenvolvimento de competências do século XXI em estudantes e professores como, por exemplo, comunicação, colaboração e criatividade; além das competências básicas de língua portuguesa e matemática.

A Fundação tem, ainda, a publicação Inova Escola com práticas inovadoras de educação, voltado para professores, educadores e gestores escolares. O material, que conta com o apoio do Instituto Natura, e parceria com o LABi (Laboratório de Inovação Educacional), apresenta uma coletânea de casos bem-sucedidos de inovação educacional, além de orientações e evidências de transformações em mais de 30 escolas nacionais e internacionais, incluindo as que integram o projeto Inova Escola. A publicação traz seis conceitos principais, identificados após a análise dos casos pesquisados: Personalização – o cada estudante é único e merece a chance de traçar o próprio caminho de aprendizagem; Projeto de vida – o estudante deve ter espaço e apoio para dedicar-se aos seus interesses e objetivos de vida; Papel do professor – o professor é uma das inúmeras fontes de conhecimento dos alunos e seu papel precisa ser repensado; Recursos tecnológicos – a tecnologia já é parte da realidade dos alunos e nosso papel é trazê-la como aliada e ferramenta para a aprendizagem; Espaços diferenciados – a sala de aula não precisa estar organizada ao redor do professor, mas ser repensada de forma a facilitar a aprendizagem; Gestão inovadora – os profissionais da escola não são os únicos responsáveis pela aprendizagem dos jovens.

Outro projeto da empresa, é a Escola Digital, uma plataforma gratuita voltada para alunos, educadores e redes de ensino, acessada por redes estaduais, municipais, escolas públicas e privadas de todas as regiões do Brasil desde 2013. Iniciativa do Instituto Inspirare, Instituto Natura e Fundação Telefônica Vivo, é um projeto que coloca a tecnologia como aliada do aprendizado e da igualdade de oportunidades na educação.  São 18 mil conteúdos pedagógicos digitais, com indicações de vídeos, games, animações, videoaulas, infográficos e mapas categorizados por disciplina, série, tema, tipo de mídia e idioma. Na plataforma, as disciplinas da educação básica são passadas por meio de vídeos, infográficos, mapas, jogos, simuladores e e-books, separados por série escolar, tema, idioma e nível de acessibilidade para pessoas com deficiência. A Fundação Telefônica Vivo também tem parceria com secretarias estaduais e municipais de educação, para que a rede pública customize a plataforma e a iniciativa funcione como apoio das práticas pedagógicas. Hoje, o Escola Digital já foi customizado por 31 Secretarias de Educação, entre elas os Estados de Acre, Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Pará, Paraíba Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

O Profuturo Aula Digital, lançado em abril deste ano em parceria com a prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) da cidade é uma iniciativa global da Fundação Telefônica, que visa melhorar as oportunidades das crianças na África, Ásia e América Latina, incorporando a inovação nas escolas por meio da tecnologia e de novas metodologias de ensino e aprendizagem. Desenvolvido no Brasil exclusivamente pela Fundação Telefônica Vivo, o projeto é baseado em quatro pilares: Formação de professores, Conteúdos Pedagógicos Digitais, Equipamento Tecnológico e Acompanhamento na escola. O ProFuturo Aula Digital visa formar e acompanhar 700 educadores da rede municipal de ensino, desenvolver conteúdos educativos digitais e oferece às unidades de ensino dispositivos tecnológicos, com o objetivo de facilitar o acesso de crianças de entornos vulneráveis à tecnologia e à uma educação mais inovadora. A ação é pioneira no Brasil, mas já acontece em outros países. Mais de 30 mil alunos, do 1° ao 3° ano do Ensino Fundamental, de 140 escolas municipais de Manaus, serão beneficiados com o Profuturo Aula Digital. Há também o Escolas Conectadas, um programa de formação online que oferece cursos certificados a educadores de todo o país. Desenvolvido pela Fundação Telefônica Vivo, a plataforma oferece cursos gratuitos com conteúdo e metodologias inovadoras, além de cultura digital, praticas pedagógicas diferenciadas e o auxílio da tecnologia nas atividades em sala de aula. O projeto contempla cursos com carga horária variáveis (de 5h a 40h), formações mediadas por especialistas, flexibilidade para o educador escolhe o melhor dia e horário para estudar e certificação – a partir de 30 horas cursadas, o professor recebe certificação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS. Em 2016, foram certificados cerca de 7.913 mil educadores, impactando indiretamente a mais de 174 mil estudantes da rede pública de escolas do Brasil. Exemplos de cursos oferecidos: “Educação para Todos: promovendo uma educação antirracista”, “Resolução de problemas para além das aulas de matemática”; “Escola para todos: inclusão de pessoas com deficiência”, “Escola na nuvem: ferramentas gratuitas de produção online”.

De acordo com Americo Mattar, diretor presidente da Fundação Telefônica Vivo, “O objetivo da Fundação Telefônica Vivo ao desenvolver os projetos é romper as barreiras do ensino tradicional e permitir uma educação mais disruptiva, personalizada e em linha com os avanços tecnológicos para elevar o nível educacional do País. Por isso, desenvolvemos projetos com foco nos professores e alunos, presenciais e a distância, para o público do campo e da cidade, além de diferentes vídeos e publicações gratuitas que mostram o que temos aprendido com essas experiências e podem ser replicadas em escolas com diferentes perfis”, afirma.

Sobre a Telefônica Vivo

Um dos maiores grupos de comunicação, informação e entretenimento do mundo, presente em 21 países com mais de 125 mil colaboradores. No Brasil suas atividades começaram em 1998, e hoje oferece serviços como banda larga fixa e móvel, voz, ultra banda larga, TV e TI.

Fiesp e Ciesp encerram Semana do Meio Ambiente com discussão sobre os ODS da ONU

Tássia Almeida e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Semana do Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp chegou ao fim na tarde desta quinta-feira (8/6), com uma discussão sobre as indústrias e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODS. O tema foi apresentado com o intuito de compartilhar perspectivas do setor industrial brasileiro em relação aos objetivos, além de promover o envolvimento das empresas brasileiras e apontar os possíveis caminhos para o cumprimento da Agenda 2030, fundamental para a prosperidade das pessoas e do planeta.

Durante a abertura do evento, Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Meio Ambiente, relembrou os principais assuntos debatidos ao longo da Semana que teve início na segunda-feira (5 de junho), e destacou que foi uma programação com bastante conteúdo e recorde de público.

“Chegamos ao quarto dia de evento, e em todos os dias tivemos um público bastante atuante, presente e ativo. Isso mostra a importância dos temas que a gente se propôs discutir”, reforçou a diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores), Grácia Fragalá. Ainda segundo ela, o seminário sobre os ODS é um convite para participar de um dos principais debates do século. “Acho que a gente se coloca diante de uma situação extremante desafiadora. Quando a gente conhece os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável tem em vista 169 metas”, pontuou. “Olhando para cada um destes objetivos, observamos que esta agenda inclui os grandes desafios que a sociedade global enfrenta”, completou Grácia. A diretora do Cores defende que as empresas, principalmente as que adotam comportamentos socialmente responsáveis, são importantes agentes de transformação do desenvolvimento econômico, social e ambiental. “Elas podem até ser consideradas o principal motor para mudança que desejamos no mundo”, concluiu.

“Mais do que conhecer as metas e os objetivos, é importante que coloquemos tudo isso em prática. O objetivo dessa semana e deste evento é que aqueles que ainda não conhecem tenham um impulso, uma energia para colocar a ‘mão na massa’”, disse o diretor de Responsabilidade Social do Ciesp, Vitor Seravalli. Ele ainda comentou que “muitas instituições e empresas já mostram evidências da competência da sustentabilidade em seus negócios”. Estes exemplos e práticas empresariais foram apresentados nos painéis como uma oportunidade de mostrar para a sociedade os caminhos que estão sendo construídos. Vitor acredita que a indústria será cada vez mais inclusiva, resiliente e atenta à inovação para a sustentabilidade.

O vice-presidente do Ciesp e presidente da ABIT/Sinditêxtil-SP, Rafael Cervone, comentou sobre a evolução que o setor industrial tem vivido nos últimos anos. “Quando comecei na indústria nos anos 80 vi uma realidade, uma consciência e um comprometimento diferente do que é hoje. A gente comprava máquina para ganhar eficiência produtiva, hoje a gente avalia o consumo de energia, calor, como a gente pode aproveitar, reutilizar. Hoje a cabeça é outra, mas é claro que temos muita coisa para evoluir”, disse. Cervone lembrou que 10 anos atrás, para produzir um quilo de tecido denim para calça jeans era necessário usar 100 litros de água. “Hoje usamos 7 litros e fazemos o acabamento a laser”, afirmou.

Ao fim da abertura, André Oliveira, presidente da Rede Brasil do Pacto Global e CCO da Basf América do Sul, parabenizou e agradeceu à Fiesp e ao Ciesp pela “iniciativa de promover debates de altíssimo nível”.

O protagonismo brasileiro

No primeiro painel do dia, “O protagonismo brasileiro”, Barbara Dunin, assessora da Rede Brasileira do Pacto Global, apresentou como o Pacto Global tem trabalhado a agenda de ODS e abordou o papel das empresas nos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) x ODS. Lançado em 2000 por Kofi Annan, o Pacto Global tem mais de 12.000 signatários, sendo 9.000 empresas, e é considerado a maior iniciativa voluntária de cidadania corporativa do mundo.

Na sequência, Cristiana Pereira, diretora Comercial e de Desenvolvimento de Empresas da B3, falou sobre o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), um índice que mede o retorno médio de uma carteira teórica de ações de empresas de capital aberto e listadas na B3 com as melhores práticas em sustentabilidade.

O segundo painel explorou “O papel e o compromisso das entidades do setor produtivo”, com participação de Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital – Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon – SP e Luiza Lorenzetti, que atua na área de Sustentabilidade e Inovação da Abit/Sinditêxtil.

Por fim, o terceiro painel apresentou “O papel e o compromisso das empresas brasileiras”, com apresentações de Emiliano Graziano, gerente de Sustentabilidade para a América Latina – Basf, Lena Peron, da indústria de cosméticos Feito Brasil, e Raquel da Cruz, da Feitiços Aromáticos.

No último dia da Semana do Meio Ambiente, os ODS foram destaque. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Gestão empresarial, sustentabilidade e seus desafios

“Não se pode mudar o que não se conhece e é fundamental compartilhar esse conhecimento com as micro e pequenas empresas. Os aspectos globais têm impacto nos negócios locais e é preciso traduzir esses conceitos”, disse Marlúcio de Souza Borges, diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, ao abrir os trabalhos da mesa-redonda sobre gestão empresarial, sustentabilidade e seus desafios.

As empresas enfrentam, em termos de meio ambiente, excesso de burocracia, que não facilita o desenvolvimento sustentável, pois as normas estão voltadas para a fiscalização e a penalização, repercutiu Walter Lazzarini Filho, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema). Ao citar o Fórum Econômico Mundial de Competitividade da Indústria, Lazzarini lembrou o alto peso da carga tributária, da ordem de 36% do PIB nacional, o que leva as empresas a dispender 2.600 horas por ano somente para o pagamento de impostos. As empresas têm interesse em cuidar da água, insumo importante, e o fato de 66% das empresas brasileiras usarem energias renováveis (fonte: Anuário Análise de Gestão Ambiental, 2013) dão a dimensão do compromisso assumido pela indústria, pontuou.

A sustentabilidade guarda relação direta com a própria sustentabilidade industrial, segundo Arlindo Philippi Jr. (Instituto de Estudos Avançados & Faculdade de Saúde Pública-USP). Ele criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que rompeu com o acordo climático global, mas tal fato não encontrou ressonância nas empresas lá instaladas, que se comprometeram a dar continuidade ao pacto. Os EUA são o segundo maior poluidor do planeta, perdendo apenas para a China – que se mantém no Acordo de Paris.

Ainda sobre o acordo climático, Aron Belink (FGV EAESP), defendeu a precificação do carbono nos debates em torno das opções estratégicas para o controle da mudança climática. “Será inevitável e é preciso nos prepararmos para não sermos pegos de surpresa”, disse. Segundo enfatizou, “as empresas precisam ter consciência da sua responsabilidade ambiental, e estamos construindo instrumentos para atender essa agenda. A Agenda 2030 não se resume aos 17 ODS, eles devem ser compreendidos integralmente e indivisivelmente, e não interpretados de forma separada pelas empresas”.

Gabriel Petrus (diretor-executivo do ICC Brasil) lembrou que guias e documentos direcionam diversas agendas para nortear as empresas e defendeu as políticas públicas para que se estabeleça uma economia verde, pois o setor corporativo abraçou a causa.

Na opinião de Sônia Karin Chapman (diretora da Chapman Consulting), é preciso reaprender a fazer negócios e consumir conscientemente. Ela citou os setores que concentram os maiores desafios em termos ambientais: papel e celulose, plásticos, cosméticos e agronegócio. “É preciso promover o olhar sistêmico sobre a cadeia de valor e o ciclo de vida dos produtos”, disse, explicando também que só se consegue gerenciar o que é possível mensurar.

A Ambev trouxe seu exemplo: reaproveita 99% de seus resíduos, gerando ganhos em termos econômicos, enfatizou Beatriz Oliveira, gerente corporativa, que explicou a preocupação com o redesenho de embalagens e a redução do pós-consumo, a preocupação com as energias renováveis e alterações climáticas, pois a água é 90% de sua matéria-prima. E faz “todo o sentido preservá-la”. Por isso, dá-se atenção também às bacias hidrográficas, e as ações desencadeadas desde 2003 pela empresa já reduziram em mais de 40% o consumo de água em seu processo.

Marcelo Drügg Barreto Vianna (docente MBA de Gerenciamento de Facilites da Poli-USP), tratou da gestão da sustentabilidade e gestão do risco com maior ênfase nos processos de conscientização, capacitação e educação. “A governança é aderente ao princípio da precaução”, disse, visão coincidente com a da procuradora Sandra Akemi Shimada Kishi (da procuradoria regional da República da 3ª região).

Kishi está à frente do projeto Qualidade e conexão água do Ministério Público Federal. “A crise hídrica não acabou. A água permeia todos os ODS”, disse. Ao tratar da hipervulnerabilidade atual, afirmou que houve um retrocesso e há uma relação intrínseca entre Lei Anti-Corrupção e gestão. É preciso facilitar o processo de informação, incrementar a transparência que é, inclusive, uma previsão legal, e o regime de integridade é exigência da lei.

Criticou a potabilidade da água e destacou o direito humano ao seu acesso. Também enfatizou a necessidade de novos Planos de Segurança da Água (PSA), como indicadores de saúde pública, mas não os planos das concessionárias, e sim novos PSAs dentro de cada bacia hidrográfica, em seus limites locais, estaduais e nacional.

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: BASF – INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

Por Karen Pegorari Silveira

Segundo dados do Estudo “Integração dos ODS na Estratégia Empresarial”, elaborado pelo Comitê Brasileiro do Pacto Global, metade das 21 empresas pesquisadas já considera os ODS como referência em suas atividades cotidianas para a condução dos negócios, seja na gestão, seja na estratégia. E outras 20% declaram que usarão os ODS no futuro.

A BASF é uma das empresas que já integra alguns dos ODS em seu negócio, como a meta 9 – investindo em Pesquisa & Desenvolvimento para criar produtos que contribuam cada vez mais com a sustentabilidade. Além disso, a empresa tem metas para o uso de recursos, de gerenciamento de resíduos e de diversidade e inclusão de pessoas, bem como de alcance para projetos de engajamento social.

Buscando equilibrar os pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental), a BASF analisou mais de 60 mil produtos e soluções do seu portfólio e as classificou de acordo com sua contribuição para a sustentabilidade. Só as soluções mais inovadoras, que contribuem de forma significativa para sustentabilidade em toda a cadeia de valor, representaram 27,2% das vendas globalmente (em 2016).

A companhia também apoia globalmente a Organização das Nações Unidas (ONU) na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, na América do Sul, participa das discussões referentes à adoção e às práticas voltadas ao atingimento dos ODS.  No Pacto Global (2000) a BASF ocupa a presidência da diretoria do Comitê Brasileiro do Pacto Global desde 2015 e teve o mandato renovado por mais três anos, em eleições realizadas em 2016. Também participam nos quatro Grupos Temáticos (GTs) criados para aplicar os 10 princípios e implementar os valores do Pacto Global: Anticorrupção; Energia e Clima; Direitos Humanos e Trabalho; Alimentos e Agricultura.

Com relação a gestão energética, o complexo químico de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, é um bom exemplo. Na unidade, a eficiência energética aumentou 40,3% entre 2002 e 2015. Além disso, o consumo de energia elétrica por tonelada produzida foi reduzido em 12,4%, e o de água em 72,7% no mesmo período. Esse resultado foi possível pela aplicação do projeto Triple E (Excelência em Eficiência Energética), que tem como principal objetivo aumentar a competitividade por meio de uma melhor eficiência energética.

Lançado em dezembro de 2015, na América do Sul, o Triple E contribui para as metas ambientais da empresa. Para seu desenvolvimento foi criado um time multifuncional para gestão das ações, que tinha como missão avaliar oportunidades e fomentar melhorias nas práticas para a gestão de energia nos processos. Entre as medidas adotadas está a norma internacional ISO 50001, que auxilia as empresas a estabelecer práticas mais eficientes e modernas no uso desse recurso. A BASF foi a primeira entre as grandes indústrias químicas a receber essa certificação e o complexo químico de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, foi o primeiro da América do Sul.

O objetivo da ISO 50001 é permitir que a organização estabeleça sistemas e processos necessários para melhorar o seu desempenho energético, incluindo a eficiência energética, uso e consumo de energia primária. Na BASF a energia primária corresponde a todo e qualquer tipo de energia utilizada, como a elétrica, de combustíveis, vapor, ar comprimido, etc.

O projeto Triple E apresentou bons resultados e deverá ser colocado em prática em outras localidades, sendo que a ISO 50001 será implementada nas unidades fabris que apresentam maior consumo de energia, como São Bernardo do Campo (SP) e Camaçari (BA), no Brasil, e Concón, no Chile.

O gerente de Sustentabilidade da BASF, Emiliano Graziano, conta ainda que “além dos aspectos econômicos, a redução no consumo de energias possibilita o decréscimo na emissão de gases causadores do efeito estufa, pois menos combustíveis são queimados, por exemplo. Além disso, a aplicação de tecnologias limpas é estudada, como a utilização de painéis solares para aquecimento de água”.

Hoje, na fábrica da BASF em Guaratinguetá são produzidos 1.500 tipos de matérias-primas para as mais diversas aplicações. Trata-se da maior unidade da BASF na América do Sul, com capacidade de produção de mais de 320 mil toneladas anuais de produtos. A planta tem uma área total de 380 hectares (ou 3,8 milhões de metros quadrados), sendo 10% de área fabril e 324 hectares de áreas verdes e reserva ambiental.

Um dos exemplos de aplicação das soluções da BASF que contribuem para a sustentabilidade em outras fábricas é a Casa Granado. Para a construção de sua nova fábrica em Japeri (RJ), a empresa utilizou duas soluções da BASF. Uma delas é o piso de alto desempenho, chamado Ucrete. Além de não conter solvente, a solução tem como principais benefícios a grande resistência química, e mecânica e facilidade de limpeza, características essenciais em uma fábrica que lida com produtos químicos e tráfego de empilhadeiras e carrinhos.

A outra solução são os painéis isotérmicos para sistemas construtivos, que tem como principal atributo o conforto térmico.  O uso do sistema isotérmico substitui vigas, pilares, telhas, tijolos e argamassa por painéis que se encaixam numa estrutura autoportante, que permite construir com mais rapidez, eficiência, economia e maior durabilidade. Por meio de um parceiro, as peças são encomendadas na medida do projeto, garantindo baixa geração de resíduos, com uma taxa de desperdício de apenas 0,5%, o que representa oito vezes menos perdas do que o método convencional. Além disso, não é utilizada água em todo o processo produtivo, desde a fábrica até a instalação no local da obra, reforçando a proposta sustentável da edificação.

Sobre a Basf

Mais de 3920 colaboradores formam a equipe no Brasil, com vendas, de aproximadamente, 2,1 bilhões de Euros. As fábricas da companhia estão localizadas em Guaratinguetá, São Bernardo do Campo, Indaiatuba e Jacareí, todas no Estado de São Paulo. Seu portfólio de produtos vai desde químicos, plásticos, óleo e gás, até a agricultura.

Seminário na Fiesp debate avanços em sustentabilidade no Brasil e União Europeia

Solange Sólon Borges, Patricia Ribeiro e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento sustentável deve ser entendido como oportunidade, e não custo, pois há um círculo virtuoso impulsionado pelas políticas públicas e com a cooperação das empresas europeias, líderes em tecnologia sustentável. A observação de João Gomes Cravinho, embaixador da União Europeia (UE), foi feita na abertura do seminário Responsabilidade Social e Sustentabilidade: experiências Brasil e União Europeia nesta quinta-feira, 3, na Fiesp. Cravinho reforçou que os objetivos abraçados pela sociedade exigem mudanças na forma de pensar em novos modelos de produção e consumo. Para ele, o tema ultrapassa fronteiras e afeta a todos. Por isso, deve unir sociedade, governo e empresas, em seus princípios básicos de boa convivência, para não se trilhar o caminho do conflito.

“No Tratado da União Europeia, o desenvolvimento sustentável e o respeito aos direitos humanos são princípios norteadores e consagrados a serviço do ser humano”, disse o embaixador. Nesse contexto, desde 2014 a União Europeia e 16 outros membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) negociam acordo de bens ambientais cruciais para a proteção e mitigação das alterações climáticas, “o que é interessante para o Brasil. Intensifica-se o crescimento verde e há ganhos em escala com resultados benéficos globais”, pontuou.

Ainda no âmbito internacional, Cravinho lembrou que a UE adotou conjunto de diretrizes sobre a conduta empresarial, e um dos focos é a divulgação dos princípios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acordadas internacionalmente. “Um acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, que ainda está sendo negociado, contará com um capítulo de desenvolvimento sustentável”, revelou  Cravinho.

A importância da realização desse seminário neste momento, em função da recente adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ocorrida na cúpula das Nações Unidas, em setembro, foi lembrada por João Ometto, vice-presidente da Fiesp. Outro ponto coincidente é a realização até 11 de dezembro da 21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), em Paris, na França.

Ao citar parte do esforço brasileiro quanto ao clima – a adoção do Código Florestal e a redução do desmatamento –, Ometto tratou da expectativa de um acordo possivelmente vinculante com metas para redução de emissões de GEE, além de esforços e recursos destinados à mitigação, adaptação e transferência de tecnologia no futuro acordo de Paris. Ometto lembrou que é fundamental tornar as cidades mais inclusivas, em função da mudança climática, e também citou o engajamento da Fiesp em grandes debates, como a Rio+20 e o projeto Humanidade 2012.

Para o empresariado, o futuro vem acompanhado de ações proativas e ligadas à sustentabilidade, garantindo, inclusive, sua competitividade, pontuou Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp. “A Fiesp participa das principais iniciativas governamentais e auxiliou o Governo Federal na construção dos compromissos em relação às mudanças do clima”, disse. A Fiesp conta com uma representação na COP21.

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A importância do papel das organizações empresarias no desenvolvimento sustentável, com o incentivo às boas práticas e à minimização das desigualdades, foi a principal mensagem de Gracia Fragalá, diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp.

No mesmo sentido, “muitas empresas brasileiras já possuem alto índice de sustentabilidade, com indicadores como o ISO 18000, mas há a expectativa de cooperação, principalmente por parte das inúmeras empresas estrangeiras que atuam no Brasil, para que adotem aqui os mesmos critérios utilizados em seus países” de origem, segundo enfatizou a embaixadora Débora Salege, chefe do escritório de representação do Ministério de Relações Exteriores (MRE) em São Paulo.

Thomaz Zanotto, diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), reforçou que o mundo evolui rapidamente para novos padrões de governança global, e o consumidor exige sustentabilidade dos produtos.

No painel “Práticas de Responsabilidade Socioambiental envolvendo stakeholders, um dos cases foi da Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL) Renováveis, empresa de distribuição de energia que revitalizou 101 hospitais filantrópicos, em 83 municípios paulistas, reduzindo a inadimplência do setor de 12% para 3% em três anos. Marcio Severi, diretor de Relações Institucionais, frisou que há cobrança por projetos robustos e de números expressivos, mas a prática é diferente, pois é preciso fazer chegar a missão, valores e visão da empresa aos pequenos lugares. Esse é o desafio.

Na EDP Energias do Brasil, controlada por uma das maiores operadoras europeias no setor energético, que comercializa e distribui energia elétrica, a lição de casa é acompanhar as mudanças ocorridas nos últimos dez anos, afirmou Pedro Sirgado, diretor executivo do Instituto EDP. Ele pontuou que é preciso alinhar o que já se fazia e entender como medir a eficácia de um projeto social.

Adaptação também foi a tônica da avaliação feita por Luciane Rodrigues Pinheiro, diretora de Responsabilidade Social Corporativa da Tractebel. “Há um grande número de comunidades para serem atendidas com necessidades diferentes”, disse, inclusive explicando aos parceiros incentivos fiscais disponíveis que muitos desconhecem.

Já o desafio da Unipar Carbocloro foi abrir a indústria química com o projeto Programa Fábrica Aberta, com o qual se obteve o engajamento dos funcionários que acompanhavam os visitantes. “Houve quebra de paradigma e um salto enorme na cultura da empresa”, disse Airton Antônio de Andrade, gerente industrial, que revelou que hoje há jardins e criadouro conservacionista na planta.

Mesa de abertura do seminário Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Agenda 2030

O painel 2 do seminário teve como tema Integrando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030 – nas práticas empresariais. A mediação ficou a cargo de Barbara Dunin, assessora da Secretaria da rede brasileira do Pacto Global da ONU. Ela lembrou que mais de 700 entidades integram o Pacto Global, que tem como grande missão engajar as empresas nesses grandes objetivos.

Citou frase de João Gomes Cravinho, embaixador da União Europeia, na abertura do seminário: “Aquilo que nos afeta nos une”, o que justifica a existência da Agência.

Afonso Champi, diretor de Assuntos Institucionais para o Brasil e Cone Sul da Ferrero, disse que desde o início dos anos 60 a empresa já se preocupava com questões da responsabilidade social corporativa. Isso está em toda a agenda da Ferrero, que tem 10 grandes metas, como consumo de água e sua redução, o uso de energias renováveis, a busca de parceiros com os mesmos valores para os mesmos temas.

A agenda busca destacar os critérios mais significativos para cada matéria-prima e cada cadeia de valor.  Procuram sempre o desenvolvimento de fornecedores locais. O primeiro dos quatro pilares da estratégia está no produto, da matéria-prima à comunicação responsável e prática comercial responsável. O segundo é a Fundação Ferrero, mais ativa em Alba (Itália), com atividades culturais, educativas e serviços para os funcionários aposentados. Terceiro pilar é social, com a escolha de bolsões de pobreza do mundo, em que ação transformadora faça a diferença. Exemplo é Camarões, na África, com fábrica com os mesmos critérios das outras da Ferrero, trabalhando para ter impacto sobre a comunidade. O quarto pilar é o Projeto Kinder+Sport, que estimula a vida saudável de jovens e adolescentes, que têm influência muito forte sobre suas famílias e comunidade. Tira do sedentarismo as pessoas.

Perguntado sobre medidas de proteção contra desmatamento adotadas pela Ferrero, explicou que a empresa participa de parcerias com outros stakeholders, por exemplo em óleo de palma e cacau. Além de desmatamento, há questões ligadas à mão-de-obra nas regiões de plantio de cacau. Na Amazônia, tendência é plantar cacau em áreas antes usadas por outras culturas. Tenta também identificar as expectativas das comunidades. Ao reunir especialistas, implanta melhores experiências de outras regiões com experiências semelhantes. Há o objetivo de até 2020 ter 60% de seu fornecimento cumprindo as metas. Em óleo de palma, conseguiu desde o ano passado que todo o fornecimento seja certificado.

Antonio Calcagnotto, do setor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Unilever, disse que a empresa prega que todos os setores evoluam no trabalho em prol da sustentabilidade. Citou Paul Polman, CEO da Unilever, que afirma que recursos vão acabar se a preocupação com eles não for de todos.

Explicou que cada uma de suas 20 marcas precisa ter no dia a dia compromisso com pelo menos um dos 17 global goals, promovendo-os em sua missão, desde o início da cadeia.

Como parte de sua apresentação, exibiu dois vídeos sobre as 17 metas. O primeiro tenta atingir consumidores, explicou Calcagnotto, e o segundo mostra o compromisso da Unilever com a preservação das florestas. O mote é que as árvores estão mais seguras na cidade que na mata.

De acordo com Calcagnotto, a Unilever planta uma árvore e a protege a cada pessoa que se engaja com os global goals.

Lembrou que boa parte das doenças de 2 bilhões de pessoas vem de problemas de higiene, justificando projeto que ensina a lavar as mãos.

Desafio posto pelo CEO foi dobrar produção e cortar pela metade impacto ambiental da empresa. Nas fábricas há 100% de reutilização de água, e todos os efluentes são tratados. Inaugurada em agosto, fábrica de Aguaí, a 15ª da Unilever, capta da chuva 100% da água utilizada. Nos produtos, tentam influenciar indústria como um todo a adotar tecnologias que permitam menor consumo de água. Disse que é absurdo ainda se usar tecnologia da década de 90 na fabricação de sabão. “Temos que forçar a mudança via legislação” defendeu, porque via educação é demorado. Citou o exemplo do cinto de segurança de três pontos, adotado por lei nos carros brasileiros. Enquanto o uso do cinto não passou a ser obrigatório e fiscalizado, não houve redução do número de mortes em acidentes de trânsito.

Unilever, por convicção do CEO, cede gratuitamente tecnologia para produção de produtos concentrados para lavagem.

Vai também transferir tecnologia para redução do uso de água na produção ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que poderá ser repassado por ele inclusive para concorrentes da Unilever.

Dunin parabenizou Unilever pela qualidade das peças publicitárias, lembrando que a comunicação é parte essencial das metas.

Rafael Gioelli, gerente geral do Instituto Votorantim, explicou que a entidade funciona como centro de excelência sobre temáticas sociais para as sete empresas de atuação global do grupo. Alinhamento é a vantagem, além da sinergia e da economia de escala. Reflexão feita em 2010 mostrou que associação com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), por ser global, permitiria dirigir esforços. Passou a medir o impacto dos negócios do grupo nas áreas em que atua sobre os ODMs ao longo do tempo. Isso possibilita planejar melhor o que fazer, explicou.

Agenda pós-2015, com mudança de ODM para ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), deu oportunidades para atuação do setor privado se ampliaram fortemente. Não se fala mais apenas de coisas críticas, como acabar com a miséria, mas também melhorar a qualidade da nutrição, disse, e a agenda passa a ser muito mais ampla e mais rica.

Disse que é preciso saber lidar com o poder que a empresa tem sobre algumas das localidades em que opera. Às vezes a Votorantim é único empregador e a maior fonte de tributos. A economia gira em torno da operação, que também concentra pessoas com melhor formação, o que exige cuidado, mas essa assimetria de poder pode ser usada para tentar desenvolver capitais – humano e social, por exemplo.

Segundo Gioelli, o instituto não compete, e sim, fortalece políticas públicas. Citou município do Pará de 40 mil habitantes com R$ 32 milhões de orçamento para Educação. Para a mesma comunidade, Votorantim poderia dispor de R$ 300 mil, o que é pouco para competir, mas ajuda nas políticas públicas. Em 26 municípios há programa de auxílio à gestão, com fornecimento de ferramentas e ajuda no planejamento, por meio da criação de planos municipais. Inclusive leva aos municípios o conceito dos ODS.

Sonia Chapman, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, disse que desafio dado pela posição de maior produtora de polímeros da América Latina é se posicionar como, desde sua fundação, incapaz de fazer as coisas sozinhas. Citou o 17º global goal (Fortalecer os mecanismos de implementação e revitalizar a parceria global).

“Gosto do 17º ODS por mostrar que não se fez o bastante nos ODMs”, declarou. Em sua opinião, haver vertente econômica é fundamental. Comentou parceria lançada na semana anterior pela Rede, relativa à perda de água na distribuição, que normalmente as pessoas desconhecem – da água tratada, em média 40% não chegam ao consumidor. Dezenas de empresas não se conformam com essa situação, e o movimento pede que as pessoas peçam aos futuros prefeitos tratem disso em seus planos de Governo. “Gosto de pensar nos ODS como forma de pensarmos num propósito”, afirmou. Para ela, a humanidade está caminhando como um todo na direção de se perguntar o que está fazendo, o que vai deixar para as próximas gerações.

A Braskem, disse, conhecia previamente as metas por estar entre as que se destacavam entre as líderes das 10 metas do Pacto Global. Empresa sempre teve o cuidado de considerar a realidade do Hemisfério Sul. “Nas discussões sempre havia muita pegada europeia e norte-americana”, explicou. O desafio era mudar isso no inconsciente coletivo, e os objetivos agora aproximam todos. A Braskem fez correlação entre seus 10 macroobjetivos e os 17 global goals, e encontrou enorme coincidência.

O papel das PMEs

“O desafio das micro e pequenas empresas é muito grande quando se trata de sustentabilidade. Ficamos entre o caixa e as ações que têm que ser feitas”, disse o gestor de relacionamento e inovação da Ambiental MS, Sérgio Cintra, durante o terceiro painel do seminário, intitulado A contribuição das PMEs para o Desenvolvimento Sustentável.

“Temos muito problemas com as legislações brasileiras, mas cada empresa precisa ter sua licença ambiental. Existe muita falta de informação, sem contar que o Governo delega ao município. O pequeno sofre demais. O mais importante é agir com sustentabilidade e buscar as certificações”, explicou.

Para Raquel Cruz, diretora da indústria de cosméticos Feitiços Aromáticos, o diferencial competitivo é promover ações sustentáveis, começando pela comunidade. “Temos 20 colaboradores que moram na mesma região onde fica a empresa. Nossa postura é embutir uma cultura de cuidados ambientais, causando um impacto positivo, por meio do conhecimento”, defendeu.

Segundo o diretor da Micro-Química, Cláudio Hanoaka, não adianta brigar com a tendência. É preciso, disse, colocar-se do outro lado, referindo-se à geração Y, que faz várias coisas ao mesmo tempo. “Tendo isso como exemplo, as empresas precisam se reinventar a todo momento, principalmente quando se trata de sustentabilidade.”

Sustentabilidade na multinacional

“Apesar de sermos suecos, estamos aqui para dividir nossas experiências”, enfatizou a diretora regional da Sandvik, Lovisa Curman.

Ela explicou que a empresa tem sede na Suécia, mas possui fornecedores químicos de todos os segmentos e processos. “Para nós é muito importante o pilar da sustentabilidade, pois defendemos o meio ambiente.”

Lovisa contou que a responsabilidade social, a econômica e a ambiental são os pilares da Sandvik e fez um alerta: “se a gente compra um mineral de área de conflito, estamos contribuindo também para este caminho inverso. Temos um código de conduta e sempre fazemos auditorias para encontrar não conformidades. A ideia é de parceria para ajudar a melhorar o ambiente e a gestão da empresa. Não temos a intenção de punir, pois nossa equipe de especialistas dá todo suporte para adequação”, concluiu.

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