Epidemia de obesidade no País pode reduzir esperança de vida em 10 anos, diz especialista

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A preocupação atual entre os especialistas em saúde e educação no Brasil deixou de ser apenas com a desnutrição infantil, afirmou nesta terça-feira (21) o professor-titular do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Claudio Leone. O alerta está voltado para o elevado índice de sobrepeso e obesidade, doenças que podem encurtar a expectativa de vida do brasileiro.

Durante palestra sobre transição nutricional e doenças crônicas para o 1º Fórum Internacional da Alimentação e Nutrição Escolar Sesi-SP, Leone destacou uma pesquisa realizada com mais de 1.500 crianças de creches filantrópicas de Santo André, Grande São Paulo.

O estudo produzido entre 2001 e 2002 revela que tanto para peso e idade quanto para Índice de Massa Corpórea (IMC) há menos crianças desnutridas. Em contrapartida, existe um excesso de peso em mais de 25% do total apurado, o equivalente a uma criança em cada quatro. “Isso é um dado alarmante se considerarmos o nível socioeconômico dessa população.”

No Canadá, um levantamento feito em 2003 apontou um crescimento de 40% do sobrepeso ou obesidade em crianças com idade escolar, acrescentou o professor da USP.

“Em breve, a esperança de vida hoje tão comentada vai diminuir. Se essa epidemia continuar nesses moldes, vamos ter nos próximos anos uma esperança de vida 10 anos a menos da que se espera hoje”, alertou Leone durante palestra para mais de 400 pessoas, entre elas nutricionistas, educadores e especialistas, no Teatro do Sesi São Paulo.

Atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é de 73 anos, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Transição nutricional

Segundo Leone, nos últimos 15 a 20 anos ocorreram algumas mudanças que englobam o crescimento econômico sustentado e políticas de governo que contribuíram para um cenário de obesidade e sobrepeso acima da taxa da desnutrição.

O professor explicou que essa fase da transição nutricional no mundo globalizado se traduz no aumento do consumo de alimentos processados, além do salto na tecnologia, sugerindo atividades de lazer e trabalho muito mais sedentárias. “Dentro disso começa a surgir a obesidade.”

“Vão ocorrer os mesmos 15 a 20 anos para que essa transição nutricional seja revertida ante o quadro de sobrepeso e obesidade. Estamos criando gerações que terão um encurtamento de vida”, acrescentou o palestrante.