Brasil precisa melhorar taxa de investimento para sair da recessão

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A economia brasileira registrou uma desindustrialização bem mais intensa do que todos os demais países nos últimos 30 anos. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, de 1983 a 2013, a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu de 25,5% para 13,1%, ou seja, o setor perdeu mais de 50% de sua representatividade na economia brasileira – os números foram apurados pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da entidade.

Para reverter esse quadro de profunda desindustrialização, na avaliação do diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, a taxa de investimento do país precisa reassumir a rota de crescimento. As projeções da Fiesp, no entanto, são de que a taxa de investimento pode cair para 17% do PIB ante 18% em 2013.

“A expectativa para o futuro é, principalmente, a volta da confiança para investir. O investimento é fundamental para ativar a economia, aumentar a produtividade”, afirma Roriz.

José Ricardo Roriz Coelho: taxa de investimento do país precisa reassumir a rota de crescimento. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Ainda de acordo com a publicação “O papel da Indústria no desenvolvimento do Brasil e demais países”, o segmento de transformação brasileiro reduziu sua participação do PIB em 12 pontos percentuais desde a década de 1980, sendo a desindustrialização mais profunda, perdendo apenas para a Polônia, que amargou uma perda de 13,6% de participação industrial no PIB daquele país.

A análise também reforça que os países cuja economia mais cresceu nas últimas décadas foram aqueles que apresentam uma expansão da indústria média de 8,15% ao ano, com um crescimento do PIB médio de 6,57% ao ano. Segundo a publicação, esse resultado é 154% superior ao crescimento da indústria de país com baixo crescimento econômico.

“Hoje, o ponto crucial a ser atacado deve ser a possibilidade de o Brasil voltar a investir”, reitera Roriz.

“A nova equipe econômica é um dos vetores que vai fazer com que se volte a ter confiança para o investimento, mas não adianta uma boa equipe se a tributação no Brasil continuar tão alta, os impostos elevados, as taxas de juros continuarem uma das altas do mundo, se a burocracia permanecer como está”, pondera Roriz ao comentar a nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda, Nelson Barbosa para a pasta do Planejamento e manutenção de Alexandre Tombini na presidência do Banco Central.

O documento do Decomtec defende que o agravamento da desindustrialização do Brasil com o passar das décadas se deve, “fundamentalmente” a problemas estruturais. O relatório reitera que o Custo Brasil e a sobrevalorização cambial encarecem o produto nacional em 33,7% frente a produtos importados de países parceiros, ou seja, que correspondiam a 76% da pauta de importação em 2013.

>> Leia na íntegra a publicação do Decomtec da Fiesp