Educadores debatem a relação dos jovens com o mercado de trabalho

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Professores, educadores de organizações da sociedade civil e profissionais que trabalham com jovens em situação de vulnerabilidade estiveram nesta segunda-feira (30/09) na reunião técnica “O Jovem e o Mercado de Trabalho”. O encontro foi organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e o Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“O Sesi-SP e o Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo] têm os olhos voltados para esses jovens e sua relação com o mercado de trabalho”, disse o diretor de Educação e Cultura do Sesi-SP, Fernando Carvalho, na abertura da reunião. “As habilidades básicas que foram ensinadas na educação básica não são as mesmas exigidas pelo mercado de trabalho. E é nosso papel entender esse processo e, de alguma forma, melhorar.”

 

Consultor Ricardo Martins apresenta o estudo 'Educação para o Mundo do Trabalho'. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

O professor e consultor legislativo Ricardo Martins, mestre em Educação pela Fundação Getúlio Vargas (RJ) e doutor em Ciência Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fez uma palestra em que apresentou dados educacionais e o perfil do jovem que não estuda e não trabalha, chamado de “nem-nem”.

Ao mostrar os números do Produto Interno Bruto (Brasil é o 7º), do Índice de Desenvolvimento Humano (Brasil é o 84º) e dados educacionais do Brasil (país é o 53º entre os 65 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o professor falou sobre a importância da educação para a modernização e a competividade dos setores econômicos.

“Temos uma economia pujante, mas com alguns fatores que dificultam para que a gente continue se desenvolvendo de maneira justa e que contemple toda a sociedade. A questão básica são os problemas educacionais, que, no futuro, vão causar entraves sociais e econômicos para o país.”

Ações como a mudança curricular, a valorização do professor, a melhoria da gestão e da infraestrutura das escolas são algumas das propostas apresentadas para mudar a situação da educação brasileira. No entanto, lembrou o professor, só teriam resultados a médio e longo prazo.

“Essa garotada que está na escola hoje, ou fora dela, tem direito a ações do poder público e da sociedade civil organizada, que lhes dê condição de promoção. Essa é nossa preocupação”, declarou o professor, que citou como ações imediatas possíveis a identificação das causas que levam os jovens a deixar a escola, a avaliação de suas competências, a oferta de cursos de qualificação profissional com financiamento do Pronatec [Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego] e aulas de reforço de português e matemática.

Após a palestra, os participantes se reuniram em grupos para debater sugestões de ação em curto e médio prazo com a finalidade de aproximar o jovem “nem-nem” para o mundo da escola e do trabalho.

Os trabalhos vão colaborar com as ações educacionais do CNI e da Fiesp, por meio do Sesi-SP e do Senai-SP.