O Homem de La Mancha: temporada atraiu 121,1 mil pessoas em 276 apresentações

Isabela Barros

A ficha ainda não caiu. Também pudera: soberano dos palcos do Teatro do Sesi-SP entre os dias 03 de setembro de 2014 e 28 de junho de 2015 como o protagonista de O Homem de La Mancha, Cleto Baccic tem tão viva a presença do musical em sua carreira que diz não estar com saudade. Para ele, “tudo ainda está tão forte” que ele se sente “de folga, com espetáculo amanhã”. Ao todo, foram 276 apresentações, com um público total de 121.135  pessoas. Uma temporada que vai deixar saudosos elenco, organizadores e público.

“São muitas as lembranças”, diz Baccic. “A mais importante delas é ter visto o Teatro do Sesi-SP lotado todos os dias”.

Eleito o melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2014, o intérprete de Miguel de Cervantes/D.Quixote cita a cena com o duque, na qual Cervantes fala sobre as suas experiências, como uma de suas prediletas. “Era quando ele contava o quanto já viveu e sofreu por seus ideais”.

Baccic: emoção pelo teatro lotado todos os dias. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

O Homem de La Mancha foi mais uma iniciativa do projeto Teatro Musical, de formação de atores e público, promovido pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

De acordo com a gerente de operações culturais da instituição, Alexandra Miamoto, a montagem foi especial, entre outros motivos, por ter sido a adaptação de um texto famoso feita segundo a realidade brasileira por Miguel Falabella.

Tanto que recebeu, além do prêmio de Baccic, o título de Melhor Musical também pela APCA, Melhor Espetáculo pelos críticos da Folha de S. Paulo e o Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Espetáculo de Teatro Musical. As três condecorações foram em 2014.

Depois de assistir a peça “mais de 30 vezes”, Alexandra elege a cena em que o protagonista canta a música tema, “O Sonho Impossível”, como a sua predileta. “Para mim, a cena representava o auge da qualidade técnica e estética daquela produção”, conta.

Entre as reações de carinho do público, ela cita o fato de que a primeira pessoa a chegar na fila para a última apresentação, em 28 de junho, levou um colchão para garantir a sua vaga. Isso aconteceu às 3h30.

 

Saulo Vasconcelos entra no elenco de ‘O Homem de La Mancha’

Agência Indusnet Fiesp

Saulo Vasconcelos nos ensaios para "A Madrinha Embriagada". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp (Arquivo)

Aclamado pela crítica como uma das maiores referências do teatro musical no Brasil, o ator e cantor Saulo Vasconcelos passa a fazer parte do elenco de “O Homem de La Mancha”.

Ele assume o lugar de Fred Silveira, no papel do personagem Pedro.

O último papel de Vasconcelos havia sido no musical “A Madrinha Embriagada”, espetáculo ficou em cartaz no Teatro do Sesi-SP entre agosto de 2013 e junho de 2014. O ator e cantor se destacou em grandes produções realizadas no Brasil, entre elas “O Fantasma da Ópera”, “A Bela e a Fera”, “Aida”, “A Noviça Rebelde”, “Cats”, “Mamma Mia”, “Priscilla a Rainha do Deserto”.

Outra mudança no elenco é a entrada de Rodrigo Negrini no lugar do ensemble Julio Mancini. O ator mineiro esteve em produções como “Hairspray”, “Gypsy”, “A Gaiola das Loucas”, “Aladdin”, “Cabaret” e “Crazy For You”.

Sobre “O Homem de La Mancha”

Sucesso de crítica e de público, a produção – uma iniciativa do Sesi-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – “O Homem de La Mancha” teve sua temporada estendida até 28 de junho. As apresentações, gratuitas, acontecem no Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, 1313

O musical “O Homem de La Mancha” tem direção e versão de Miguel Falabella e texto de Dale Wasserman. A versão mostra a história de Alonso Quijana/Miguel de Cervantes (Cleto Baccic), que, ao chegar em um manicômio nos anos 30, tem seus objetos roubados.

Para reaver o que sumiu, instala-se um julgamento dentro do hospital. Ele propõe fazer sua defesa com uma peça, mostrando a história de Dom Quixote de La Mancha. O elenco inclui nomes como Sara Sarres, Jorge Maya e Guilherme Sant’Anna, entre outros.

Serviço

“O Homem De La Mancha”
Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista
Temporada até 28 de junho
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/740
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias (dias 10 e 25 de cada mês)
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 15h e 19h.
Site: http://www.sesisp.org.br/cultura/teatro/o-homem-de-la-mancha.html

‘O Homem de La Mancha’ é eleito melhor musical no Prêmio Aplauso Brasil

Agência Indusnet Fiesp

O espetáculo “O Homem de La Mancha” foi eleito o melhor musical de 2014 pela votação promovida no site Aplauso Brasil, especializado em teatro. A peça foi escolhida a melhor do ano por 31% do público, que votou pela internet.

O “Homem de La Mancha” faz parte Projeto do Sesi-SP em Teatro Musical, que, além dos espetáculos como “A Madrinha Embriagada”, abre oficinas  de vivência e curso de formação de atores em Teatro Musical. As oficinas proporcionam acesso à linguagem do teatro musical para os alunos da rede Sesi-SP de ensino, complementando seu desenvolvimento cognitivo e motor. Já o curso, implantado em março de 2014, tem duração de três anos com a finalidade de formar atores para o mercado com aulas de canto, dança e interpretação.

A segunda temporada do musical entra em cartaz no dia 14 de janeiro, no Teatro do Sesi-SP.

‘O Homem de La Mancha’ concorre em duas categorias no Prêmio APCA

Agência Indusnet Fiesp

O espetáculo “O Homem de La Mancha”, em cartaz no Teatro do Sesi-SP, foi indicado a duas categorias no Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), um dos mais importantes do teatro brasileiro. O musical concorre a melhor espetáculo e melhor ator, com o protagonista Cleto Baccic.

Os críticos de teatro da APCA se reuniram nesta segunda (24/11) para definir os indicados ao prêmio no segundo semestre. Os selecionados do primeiro semestre foram divulgados em agosto. A votação que vai escolher os ganhadores está programada para o 1º de dezembro.

Frederico Reuter e seu vilão ganancioso em ‘O Homem de La Mancha’

Fernanda Barreira, Agência Indusnet Fiesp

Frederico Reuter interpreta o vilão Dr. Sansão Carrasco. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

De galã a vilão. Essa foi a transição que o ator Frederico Reuter enfrentou entre os musicais “A Madrinha Embriagada” e “O Homem de La Mancha” – espetáculos produzidos pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No primeiro, ele interpretava o romântico e bom moço Roberto, noivo de Jane Valadão (Sara Sarres). Agora, ele vive o Dr. Sansão Carrasco, um médico que tem como único objetivo ficar com a herança de Alonso Quijana/Miguel de Cervantes/Dom Quixote (Cleto Baccic), tio de sua esposa Antônia (Kiara Sasso).

“Meu personagem é legal. É o oposto do que eu tinha em ‘A Madrinha Embriagada’, em que era o galã, o noivo e beijava a mocinha”, explica Reuter.

“Nesse sou o vilão. Ele é mau, é ganancioso, está pouco se lixando para o Dom Quixote. Ele está preocupado com a reputação da família e em como vai fazer – caso o tio de sua esposa morra – para que eles fiquem com todo o dinheiro. Mas é fascinante fazer um vilão. Eu nunca tinha feito. E estou adorando”, diz o mineiro de Teófilo Otoni.

Apesar do desafio, Reuter ressalta o lado positivo de emendar espetáculos com personagens distintos. Assim, pondera ele, fica mais fácil fugir das comparações.

“Seria mais difícil se meu papel fosse de outro galã. Não é fácil sair de um e criar outra partitura para um personagem quando os dois têm características parecidas. No início foi complicado compor o Dr. Sansão Carrasco. O Miguel [Falabella] queria um vilão, mas ao mesmo tempo um canastrão, aquele cara que se acha. Então, a gente foi tentando vários caminhos até acertar.”

Aos 35 anos, Reuter já compõe o hall dos principais atores de teatro musical no Brasil. Antes das produções no Sesi-SP, ele participou da montagem de “Alô, Dolly!”. Foram três trabalhos seguidos, sem férias, que exigiram muito do corpo, da voz e do tempo dele.

“Comecei a ensaiar para ‘A Madrinha’ enquanto encenava ‘Alô, Dolly!’. E o mesmo aconteceu com ‘O Homem de La Mancha’. Estou em frangalhos. Nas segundas-feiras eu não faço absolutamente nada. Não atendo telefone para poupar minha voz. Só falo por Whatsapp”, revela o ator, que admite precisar de um período de descanso ao final da temporada de “O Homem de La Mancha”.

“Por outro lado, a gente que é viciado em palco se delicia com a primeira semana de férias. Na segunda, já começa a sentir falta.”

Uma grande família

Reuter fala sobre a intimidade criada entre o elenco do musical, muito diferente do ambiente de televisão, onde ficou conhecido em duas novelas da Rede Globo: “Negócios da China” e “Aquele Beijo”.

“Na televisão você não cria essa intimidade, porque grava com o seu núcleo e vai embora. É gostoso, mas é muito impessoal. As pessoas perguntavam: ‘como é trabalhar com o fulano?’ e eu nunca tinha visto a pessoa até o final da novela. No teatro não tem isso. O legal do teatro é que a gente ensaia às vezes 10 horas em um dia, seis vezes por semana. Então, com uma semana, você já tem uma intimidade de amigos de anos. Porque fica 24 horas por dia se expondo, criando personagens, levando esculacho”, compara.

“E o elenco de ‘A Madrinha Embriagada’ foi maravilhoso. A gente se deu super bem, todo mundo se adorava, foi muito bom. E aí mudamos para ‘O Homem de La Mancha’ e não há uma sensação de que mudou de trabalho, parece que é a mesma coisa. E o Miguel é muito bem-humorado. Ele agrega o elenco e não tem aquela postura de diretor que chega, dirige e vai embora. Ele chega, conta caso, zoa todo mundo, coloca apelido na galera. Então, já vira um familhão”,

Dom Quixote brasileiro

Para Reuter, a adaptação da obra de Miguel de Cervantes feita por Miguel Falabella é genial, porque, pela primeira vez, tira a tradicional história passada na Espanha, durante a época da Inquisição, para a realidade brasileira.

“Dessa vez eu achei que o Miguel se superou. Foi incrível adaptar ‘O Homem de La Mancha’ para um manicômio do Rio de Janeiro na década de 30, e ter esses elementos estéticos do Bispo do Rosário, que era um esquizofrênico, mas um artista genial. Esteticamente ficou lindo e não deixa de trazer uma brasilidade. Ele criou uma coisa única, criou o nosso ‘O Homem de La Mancha’, que é diferente do da Broadway, que é diferente de todos, disse.

Ao ser questionado pela reportagem sobre o que mais o encanta no espetáculo, Reuter destaca as características da personalidade do personagem principal.

“Eu acho que o que mais comove é a forma idealizada como Dom Quixote vê o mundo. Hoje em dia a gente não consegue mais enxergar o mundo assim. A gente tem senso de realidade. E ele consegue ver o que está por trás da máscara. A Aldonza, por exemplo, que no espetáculo é uma prostituta e uma mulher que ninguém respeita, ele consegue visualizar como ela é por trás daquela imagem –
apenas uma moça. A vida a transformou, mas sua essência não é essa. Dom Quixote vê um mundo que não existe, mas que todo mundo gostaria que existisse.”

Cultura para todos

Ao falar sobre a iniciativa do Sesi-SP, que oferece gratuitamente espetáculos de teatro musical de qualidade, Reuter não poupa elogios.

“A iniciativa do Sesi-SP é maravilhosa. O público de teatro vem diminuindo e o que sobrevive são os musicais. A música toca muito melhor do que o texto. Tem número de balé, tem os cantores com solos e números difíceis e isso emociona. Trazer e manter um espetáculo desse tipo é muito caro e isso acaba sendo repassado para o público. Então, é fenomenal um musical de graça para a população com essa qualidade, com essa produção, com os atores, com direção e adaptação de Miguel Falabella. Você vê pessoas que nunca tinham ido ao teatro e elas ficam encantadas. Isso vai formando novas plateias.”

Serviço

“O Homem De La Mancha”

Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista

Estreia: 13 de setembro
Temporada até 21 de dezembro
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/7406
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias a partir do dia 25 de agosto.
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 19h.

Guilherme Sant’Anna e a lucidez de ser o Governador em ‘O Homem de La Mancha’

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

São mais de sete quilos de figurino, fora a responsabilidade de interpretar um dos personagens mais importantes do musical “O Homem de La Mancha”. Mesmo assim, participar da montagem no papel de Governador está bem longe de ser um fardo para o ator Guilherme Sant’Anna.

“O espetáculo tem uma mensagem muito positiva. Ao contrário do que acontece com algumas peças, que até prestam um desserviço, essa faz refletir, pensar, instiga as pessoas e resgata valores. É um presente para quem faz e para quem assiste”, declara o melhor ator de 2005 segundo prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) por seu trabalho em “A Mandrágora” (2004-08).

Guilherme Sant'Anna: “Procurei compor o personagem com uma certa lucidez e, de repente, ele revira os olhos e entra ‘numa’”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

“É um trabalho muito prazeroso, pela maneira que o Miguel [Falabella] conduziu e como o elenco foi escolhido. Tem uma química boa entre as pessoas. A gente troca muito durante os ensaios. Durante a peça, sente uma energia e uma sintonia entre as pessoas. Tanto que no final o público se emociona bastante.”

O convite para participar do musical veio de pessoas envolvidas com o projeto de Teatro Musical do Sesi-SP, que já conheciam o trabalho de Sant’Anna, que atua desde 1982, como diretor e preparador de atores em teatro e televisão.

“Cleto Baccic e Saulo Vasconcelos foram meus alunos. E quando sugeriram meu nome, Miguel Falabella ficou agradavelmente surpreso porque começamos no teatro juntos”, relembra o ator formado em Artes Cênicas e Pós-Graduado em Arte Integrativa.
“Com a oportunidade de nos encontrarmos e fazermos um trabalho desse porte, ele ficou felicíssimo. E foi um reencontro muito emocionante.”

Ao saber que Arthur Bispo do Rosário (1911-1989) era a inspiração para o Governador recriado por Falabella, o ator partiu para a pesquisa. “Fui ler tudo que eu conseguia a respeito do Bispo, livros, teses, análises psicológicas”, diz Sant’Anna, que usou muitos elementos da pesquisa na construção do personagem.

“Com a genialidade e a loucura caminhando juntas, o Bispo mandava mais do que os médicos na Colônia Juliano Moreira [no Rio de Janeiro]. Ele era respeitadíssimo e muito ensandecido. Para produzir sua obra, era inspirado por um estado alterado da mente. Procurei compor o personagem com uma certa lucidez e, de repente, ele revira os olhos e entra ‘numa’”, explica.

Além dos paradoxos de gênio e louco, Bispo carregava também a agressividade e sensibilidade. “Procurei não fazê-lo agressivo, mesmo sabendo que ele foi marinheiro e boxeur. Ele tem uma firmeza, mas também uma amorosidade, uma sensibilidade, que aparecem em sua obra.”

Preparação

Guilherme Sant'Anna: uma das funções do teatro é estimular as pessoas a procurar, ampliar seus horizontes e sensibilizar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Antes de entrar no palco, o ator investe em preparação de voz e corporal. “Tenho procurado reforçar a parte escapular, porque o manto que eu uso pesa sete quilos. E ele vem em cima de um fardão, de uma camisa e de uma camiseta, para não suar direto no figurino. Isso estimula meu corpo a agir de uma outra forma e ter força para sustentar tudo aquilo. É uma responsabilidade física e moral, sustentar uma imagem de poder com essa traquitana toda.”

Entre as suas cenas preferidas do espetáculo estão as com a personagem de Sara Sarres, a Aldonza/Dulcineia. “Tenho um carinho especial por uma que eu faço com a Aldonza, que ela canta uma música perguntando “o que ele viu em mim?” e eu tiro ela do chão, mostrando que ela é alguém. Para mim, é algo muito forte”, conta ele, que cita ainda uma cena que seu personagem não aparece.

“Acho lindo quando a Aldonza diz para o Dom Quixote “olha pra mim, homem!” e ele responde “eu já tenho você no meu coração”. Porque é mais importante a imagem que ele tem dela do que a realidade. Ele não precisa olhar para ela para saber quem ela é, porque é mais interessante a ilusão.”

Ampliando horizontes

Para Sant’Anna, o texto é o grande diferencial de “O Homem de La Mancha”.

“É muito bom poder levar Cervantes, que o clássico dos clássicos, para um público que não tem essa condição. Muitas pessoas me dizem que nunca leram Dom Quixote e depois da peça foram buscar o livro. Essa é uma das funções do teatro: estimular as pessoas a procurar, ampliar seus horizontes e sensibilizar a partir daquilo.”

O ator destaca ainda o fato de o espetáculo ser oferecido gratuitamente. “É mentira dizer que as pessoas só gostam do que passa na televisão. Toda vez que você oferece coisas boas de forma acessível, o público assimila e quer mais”, argumenta.

“O Sesi-SP desde sempre forma público, ao oferecer espetáculos gratuitos. Quantas pessoas já não passaram por aqui nos 50 anos de teatro e tiveram a oportunidade de ver um espetáculo? É um privilégio estar aqui mais uma vez, com um espetáculo como esse.”

Ivan Parente e seu Padre com toques de humor em ‘O Homem de La Mancha’

Fernanda Barreira, Agência Indusnet Fiesp

Ter que se conter. Esse é o maior desafio enfrentado por Ivan Parente ao interpretar o papel do Padre no espetáculo musical “O Homem de La Mancha”, em cartaz no Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo, o Teatro do Sesi-SP.

Rotulado pelo amigo e diretor da peça Miguel Falabella como “palhaço”, o ator que se define como hiperativo e expansivo, precisa controlar as emoções ao soltar a voz e encenar um personagem sério, introspectivo e recatado.

Ivan Parente interpretando o papel de Padre em "O Homem de La Mancha". Foto: Beto Moussali/Fiesp

 

No entanto, Parente foi orientado pelo próprio Falabella a usar toques de humor na composição do Padre, afinal de contas, essa é uma de suas marcas registradas. Inclusive, foi com o papel cômico de o Homem da Poltrona, na peça “A Madrinha Embriagada”, que ele foi indicado pela primeira vez ao Prêmio Bibi Ferreira, na categoria melhor ator.

Parente traça um paralelo entre as tramas e seus protagonistas. Para ele, embora “A Madrinha Embriagada” seja uma comédia pastelão e “O Homem de La Mancha” tenha como objetivo levar o público à reflexão, os dois espetáculos trabalham com o imaginário e têm como foco principal a fantasia.

Sobre os personagens, ele destaca as angústias e devaneios de cada um. “Apesar de ser um personagem cômico, o Homem da Poltrona era também um solitário. Ao mesmo tempo em que construía uma relação divertida com a plateia, ele transparecia um ar de tristeza e melancolia e usava seu musical predileto para fugir das angústias. Já Dom Quixote é um homem com dramas reais, que busca na sua loucura e na ilusão uma forma de resolver os problemas”, diz o ator que ficou conhecido por integrar o grupo Teatro Mágico e pela atuação em espetáculos como “Cazas de Cazuza”, “Ópera do Malandro”, “Les Misérables” e “Godspell”.

O dia a dia de um artista de musical

Sobre emendar dois espetáculos musicais, Ivan Parente ressalta o quanto os artistas são exigidos nesse tipo de produção. “Precisamos estar 100%. Voz, corpo, tudo tem que estar perfeito. Por isso estamos sempre na fisioterapia, precisamos descansar a voz, fazer aquecimentos, ensaiar muito. É um processo bastante desgastante. Mas quando a gente recebe a energia do público como resposta ao nosso trabalho, nos renovamos.”

Por outro lado, ele destaca como ponto positivo trabalhar novamente com parte do elenco que também esteve presente em “A Madrinha Embriagada”. Além da intimidade, a afinidade entre eles colabora para um maior entrosamento no palco. Parente ressalta ainda a admiração que existe entre os atores. “A base do nosso relacionamento aqui é respeito. Convivemos muito com pessoas que admiramos.”

História e emoção

Ao falar sobre o enredo de “O Homem de La Mancha”, Parente define como excepcional o trabalho de adaptação realizado por Miguel Falabella. “Trazer a história do Bispo do Rosário, a colônia onde ele ficou internado no Rio de Janeiro, ou seja, incluir uma brasilidade à narrativa de Dom Quixote deixou a trama ainda mais rica. Isso porque estamos falando de uma das maiores obras da literatura de todos os tempos”.

Apesar de contido, Ivan Parente mantém traços de humor em sua interpretação. Foto: Beto Moussali/Fiesp

É no final do espetáculo, segundo ele, que está o trecho mais tocante por reconstruir o sentimento de fé tanto dos personagens como do público. “Dom Quixote mostrou aos loucos que era possível ter uma nova realidade. Então, a personagem Aldonza/Dulcineia [interpretada por Sara Sarres] canta ‘Um Sonho Impossível’ e renova mais uma vez a esperança de cada um”.

Para Parente, o Sesi-SP dá uma oportunidade única para quem não tem condições de frequentar um teatro. “No Brasil, educação e cultura são artigos de luxo, não um direito de todos. E o Sesi-SP está fazendo algo único, oferecendo um espetáculo de qualidade para todas as pessoas”, exalta ele ao citar a iniciativa da entidade de produzir e disponibilizar gratuitamente o teatro musical para a população.

“Você ver pessoas que jamais teriam a oportunidade de assistir a um espetáculo como esse, com essa qualidade, com uma produção de primeira, uma história clássica, é único. Ao sair da peça e conversar com o público eu vejo o agradecimento nos olhos deles e isso me comove. Eu só espero que o Sesi-SP continue incentivando a apresentação de musicais desse tipo e de graça para sempre”, completa.

Sara Sarres e a beleza de ser Dulcineia em ‘O Homem de La Mancha’

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Quando soube que seria uma das protagonistas de “O Homem de La Mancha”, espetáculo em cartaz no Centro Cultural Fiesp até 21 de dezembro, Sara Sarres se viu diante de um ponto de inflexão. “Há muito tempo eu não fazia um drama”, explica a atriz.

De fato, Sara vinha de uma sequência de três comédias (“A Família Adams”, “Shrek” e “A Madrinha Embriagada”) e sua participação em musicais como “Les Misérables”ou “West Side Story”, segundo ela, tinha um grau de exigência, como atriz, inferior ao do papel que assumiria nesse clássico baseado na obra de Miguel de Cervantes.

“Não tinha tanto texto, não tinha tanta explosão de emoção”, compara.

Sara Sarres: “O texto traz coisas tão lindas. A gente chega num momento da vida em que, de repente, volta a falar de sonhos, de possibilidades, de sonhos impossíveis, de ética, de amor.” Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Para compor não uma, mas duas personagens (Aldonza/Dulcineia), ela precisou estudar. “Tive que resgatar em Stanislavski, nas coisas que eu estudei, voltar aos livros, às referências.”

Isso porque, diz Sara, é impossível um ator limitar-se à técnica em um texto como o da adaptação de Miguel Falabella para o original de Dale Wasserman. “Tem que buscar a verdade. Tenho como meta buscar a verdade e sair da forma em qualquer trabalho, seja drama, seja comédia ou qualquer gênero. Mas isso foi muito mais exigido pelo Miguel [Falabella, também diretor do espetáculo]. A gente não podia dar uma frase que saísse um pouco dura ou que saísse um pouco calculada. Ele batia a mão e parava. ‘Quero verdade, me tragam verdade. Leiam o texto, vão pra casa, estudem’ [narra ela com a voz do diretor]. E isso foi muito bom. Porque foi um motor para todos. E isso se reflete e toca o público de uma forma diferente.”

Atriz vive Aldonza no manicômio. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Além do trabalho com Falabella, Sara pesquisou muito. “Eu gosto de mergulhar, de ver tudo que já foi feito, até porque sou muito fã de musical”, confessa. “Ator tem que estar sempre se reciclando. E como um ator se recicla? Assistindo. Então, gosto de assistir tudo: todas as versões, todas as montagens, gravações que já fizeram. Acho que tudo constrói, tudo contribui para o que você vai tentar buscar de melhor.”

E o melhor é um espetáculo que vem lotando o Teatro do Sesi-SP ao contar a história de Alonso Quijana (Cleto Baccic), que chega a um manicômio brasileiro nos anos 30 apresentando-se como Miguel de Cervantes, poeta, ator de teatro e coletor de impostos. Ele é abordado pelo Governador (Bispo do Rosário), que comanda os internos do hospital. Para dar a Cervantes a oportunidade de reaver um manuscrito tomado pelos internos, o Governador instala um julgamento. Cervantes organiza sua defesa convidando os loucos a encenarem com ele uma peça de teatro em que encarna o cavaleiro errante Dom Quixote. É aí que conhece Dulcineia (Sara Sarres), como ele vê a sofrida e amargurada prostituta chamada Aldonza.

Sara Sarres: Aldonza não acha possível que um homem, o personagem de Cleto Baccic, seja capaz de amá-la como ela é. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Para reforçar a caracterização, Sara usa recursos distintos em seu canto . “Tentei imprimir na Aldonza/Dulcinéia, musicalmente, essa dualidade. Então, enquanto ela se sente Aldonza, canta de um jeito; quando se transforma e se aceita Dulcineia daquele homem, ela canta de outro. E as pessoas têm notado isso.”

Mas o que mais chama sua atenção no texto é a possibilidade de falar de sonhos impossíveis.

“O texto traz coisas tão lindas. A gente chega num momento da vida em que, de repente, volta a falar de sonhos, de possibilidades, de sonhos impossíveis, de ética, de amor. Ele tem mensagens muito fortes e muito bonitas. Acho que isso acaba tocando – não só a mim, mas a todo o elenco – de buscar essa transformação, de acreditar mais que é possível sonhar. Que, sim, que as coisas, por mais difíceis que pareçam, podem acontecer. Por que não? Sonhar é só primeiro passo. Eu acho que estou carregando esse lema comigo um pouquinho.”

No camarim de Sara Sarres, imagens de Paulo Autran e Bibi Ferreira extraídas de uma revista dos anos 70. Foto: Juan Saavedra/Fiesp

O amor quixotesco por Dulcineia, na visão de Sara, tem um simbolismo que permanece válido. “Ela reluta muito que ela pode ser amada. A mulher contemporânea sofre um pouco isso também, a busca do amor verdadeiro, de se sentir amada, de se sentir querida. Hoje é tudo tão efêmero, com a velocidade das redes sociais, a informalidade… Não existe mais o galanteio, não existe mais o romantismo”, observa. “E é bonito isso: como ela reluta, como ela não acha possível que um homem seja capaz de olhar para ela e ver beleza, juventude, inocência e amá-la como ela é. Ela se pergunta o porquê. E acho que hoje a gente também passa um pouco por isso. É bem atual do universo feminino.”

Viver na pele um ícone da literatura é um presentão, considera a atriz. Sobretudo por ter sido um papel de um dos grandes nomes do teatro brasileiro, Bibi Ferreira. “Fiz uma pesquisa enorme da Bibi, queria ouvir a voz dela”, revela a atriz, que em seu camarim tem algumas fotos da diva recortadas de uma edição da finada revista Manchete, ainda da época da montagem anterior de “O Homem de La Mancha” (1972) estrelada por Bibi e Paulo Autran.

Ao conversar com a reportagem, que tinha assistido a uma das primeiras exibições do musical, Sara incentiva uma segunda conferida. “O espetáculo sempre amadurece. Ele é orgânico, vivo. Teatro é vivo. Cada dia é um dia, cada sessão é uma sessão, cada público é um público e a troca com o público existe, além da troca entre os atores. Toda semana temos uma reunião para apontamentos em que ele [o diretor cênico associado Floriano Nogueira] fala: ‘Isso está bom, isso está caindo a energia, isso está crescendo demais, segurem a onda…’ Esses temperinhos, a cada semana, vão mudando. É interessante. Como fã de teatro musical, gosto de assistir às minhas peças favoritas na estreia, no meio da temporada e no fim. E normalmente eu sempre observo grandes mudanças.”

Sara Sarres: Miguel Falabella não quis atuação meramente técnica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

O imenso sucesso no Teatro do Sesi-SP tem como consequência o aumento do assédio do público, ansioso por cumprimentar o elenco ao final de cada sessão – um simples aperto de mão, abraços, elogios e os onipresentes selfies. “Normalmente, em teatro musical, você fica tão caracterizado que, quando você sai do teatro, não existe muito desse reconhecimento. Mas as pessoas ficam esperando porque já assistiram várias vezes. E a gente fica muito feliz.”

Mas nada se compara à alegria dos atores com a reação de crianças e adolescentes nas sessões escolares – normalmente realizadas às quintas e sextas no horário da tarde. “É engraçado porque ao final do espetáculo eles têm uma explosão de aplausos completamente diferente. A grande maioria está vendo teatro musical pela primeira vez. É uma explosão que arrepia.”

Serviço

“O Homem De La Mancha”

Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista

Estreia: 13 de setembro
Temporada até 21 de dezembro
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/7406
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias a partir do dia 25 de agosto.
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 19h.

Crítico do R7 considera ‘O Homem de La Mancha’ o musical do ano

Agência Indusnet Fiesp

Sara Sarres e Cleto Baccic em trecho do espetáculo "O Homem de La Mancha". Foto: Beto Moussali/Fiesp

 

Em crítica publicada no domingo (19/10), Miguel Arcanjo Prado, membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e editor de Cultura do portal R7, do grupo Record, classificou o espetáculo “O Homem de La Mancha”, uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), como o melhor musical do ano.

“O musical ‘Homem de La Mancha’ de Falabella é redondo, bem produzido. Além de ser puro entretenimento, traz consigo um discurso político inquietante e questionador da sociedade na qual vivemos. Para completar, conta com atuações memoráveis tanto no quesito artístico quanto técnico”, afirma Prado, que ainda ressalta a vantagem de o acesso à peça ser gratuito.

O crítico faz elogios pontuais ao elenco, orquestra, direção, figurino, coreografia e luz. “O ‘Homem de La Mancha’ é uma produção que mostra o nível de excelência conquistado pelo teatro musical nacional, que nada fica a dever para qualquer outro feito no exterior. Ele só precisa de apoio. De gente que acredite que é possível. E mostra isso ao fazer um clássico mundial com nossa pitada brasileira em um resultado de qualidade inquestionável”, completa.

>> Leia a crítica na íntegra no portal R7

Jorge Maya e a coincidência de reviver um mito em ‘O Homem de La Mancha’

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Para construir o seu Sancho Pança, personagem que interpreta no musical “O Homem de La Mancha”, Jorge Maya preferiu não ver outras montagens. “Não gosto de ver para que não me contamine e não enrijeça o que está sendo proposto”, conta.

Sua opção foi elaborar o personagem com os companheiros de palco, com a direção musical e geral e ouvindo o feedback de quem acompanhou os ensaios. “Gosto de estar com a cabeça completamente aberta para pode ir construindo.”

Jorge Maya (à direita), fiel escudeiro do protagonista Cleto Baccic (Dom Quixote/Miguel de Cervantes). Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Mas ele não nega que Grande Otelo – responsável pelo Sancho da outra montagem brasileira (1972/74) – teve influência em sua carreira.

“Já fiz muitos personagens que o Grande Otelo fez. No espetáculo ‘Teatro Brasileiro 2’, além de vários personagens que o Otelo já tinha feito durante a carreira toda, eu interpretava o próprio Otelo no Cassino da Urca”, lembra Maya.

E então veio o convite para o espetáculo em cartaz no Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo, o Teatro do Sesi-SP. “São as coincidências que não acho tão coincidências assim. Meu temperamento de ator tem muito a ver com o Otelo mesmo. E assim também presto uma homenagem a esse ator extraordinário.”

O convite veio do diretor do espetáculo, Miguel Falabella. Carioca, Maya viajou para São Paulo, onde fez a audição e “ganhou” o Sancho Pança.

“Tinha acabado de gravar a novela ‘Jóia Rara’ na TV Globo e estava com outras perspectivas. Era uma coisa que jamais imaginaria que fosse acontecer nesse momento. Mas considero esse trabalho um presente”, declara o ator, que já havia trabalhado com Falabella em duas novelas e no espetáculo “Gaiola das Loucas”.

“Confio muito no que ele pode extrair de mim.”

Jorge Maya: mais um personagem vivido por Grande Otelo. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Fonoaudiólogo, preparador vocal e professor de canto, Jorge Maya é um fã de teatro musical. “É um gênero maravilhoso. Tem tudo a ver com o brasileiro, porque somos um povo extremamente musical. Todas as nossas comemorações, nossas festividades, estão permeadas pela música”, afirma ele, que elogiou a iniciativa do Sesi-SP.

“O teatro musical está crescendo muito e precisando capacitar mais profissionais. Por isso, o grande mérito desse projeto é que ‘O Homem de La Mancha’ não é só uma peça para mostrarmos nosso valor artístico. É um projeto que embarca a formação de novos atores, com a escola profissionalizante, e de novos públicos”, diz.

“É um projeto de grande relevância e uma oportunidade maravilhosa. Estou muito feliz por fazer parte disso.”

Maya também destacou a participação do público para os momentos de emoção do espetáculo. “A gente vê pessoas muito emocionadas, agradecidas por estar aqui. Fico impressionado com a energia que eles passam pra gente.”

“É incrível poder mostrar um espetáculo dessa qualidade para todas as pessoas. Isso é um marco, uma coisa que nunca vivi na minha carreira. Fazer um trabalho com essa equipe, em um padrão altíssimo e de graça é maravilhoso.”

Momento em que personagem vivido por Cleto Baccic apresenta-se como Miguel de Cervantes, na companhia de seu criado, Sancho. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Para ele, o texto de Cervantes é o que traz a maior emoção para quem assiste. “O teatro tem como tradição ser uma arte transformadora. E esse texto representa isso na sua forma total, porque é muito emocionante e muito oportuno para o que estamos vivendo hoje, um mundo que precisa reavaliar os valores.”

O ator também fala da discussão do conceito de loucura que o espetáculo propõe. Um dos momentos mais emocionantes do espetáculo, para Maya, é a parte final. “No quarto final, fico bem emocionado, porque começam a ser ditas coisas que têm a ver com o que eu penso e me questiono. Do momento em que o Quixote pergunta ao Duque: ‘o que é a loucura?’ até o fim, é muito emblemático para mim.”

“Estamos vivendo uma grande loucura. Sabemos que não podemos mais desequilibrar a natureza, mas as pessoas continuam. A corrupção é um alicerce da nossa cultura. Então, o que é a loucura? O que é ser ‘são’? É sobre isso que o espetáculo fala. Por isso toca tanto o coração das pessoas.”

Na loucura do Quixote, ele tem a companhia fiel de Sancho, que resgata valores importantes como a amizade.

“Ele embarca na mesma viagem do Quixote porque tem o valor da pureza, da amizade, do humanismo. Ele gosta do Quixote sem interesse. As pessoas precisam realmente reaver a vida delas nesse contexto que a gente está vivendo de muita loucura.

Serviço

“O Homem De La Mancha”
Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista
Temporada até 21 de dezembro
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/7406
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias a partir do dia 25 de agosto.
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 19h.

Alunos de escolas públicas se emocionam no musical ‘O Homem de La Mancha’

Fernanda Barreira, Agência Indusnet Fiesp

Centenas de alunos de escolas públicas do Estado de São Paulo tiveram o privilégio de assistir a uma sessão exclusiva e gratuita do espetáculo musical “O Homem de La Mancha”, na tarde desta quinta-feira (25/09), no Teatro do Sesi-SP.

Aplausos de pé, assovios e até lágrimas marcaram a apresentação, que, para muitos dos jovens, foi uma experiência inédita. É o caso do estudante Álvaro Coelho Jesus, de 13 anos, que nunca tinha assistido a um musical. “A iniciativa é interessante porque ajuda a gente a entender como é o teatro. Eu já conhecia a história de Dom Quixote, mas gostei muito da adaptação.”

Alunos Álvaro Coelho Jesus (atrás) e Vinícius Kenji (frente) e a professora Solange Moreira (centro) após o espetáculo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O musical, com versão e direção de Miguel Falabella, conta a história de um homem que, ao ser internado em um hospício, diz ser Miguel de Cervantes.

Abordado pelo “Governador”, homem que comanda os internos, Cervantes tem seus pertences roubados, inclusive um de seus manuscritos. Para reaver o objeto, Cervantes se defende convidando os internos a encenarem uma peça, em que ele assume o papel de Dom Quixote de La Mancha.

Ao final do espetáculo, alguns alunos tiveram a oportunidade de conversar com parte do elenco, inclusive com o protagonista, Cleto Baccic, que falou sobre a emoção de levar cultura para crianças e adolescentes, especialmente aquelas que não possuem muitas oportunidades. “Ver a alegria de vocês em presenciar algo novo é indescritível. Isso nos motiva de forma única”, disse o ator.

Atores Frederico Reuter, Jorge Maya, Cleto Baccic e Ivan Parente (da esquerda para a direita) conversam com os alunos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Essa iniciativa também foi destacada positivamente pela professora de artes Solange Moreira da escola estadual Justiniano Rezende Silva, no município de Suzano (SP). “A experiência de poder trazer os alunos para vivenciar o que é um teatro profissional é ótima. Isso vai ajudar muito nas aulas, nas discussões, nos jogos teatrais. O que eu acho muito importante também é a aproximação deles com a arte. Viver esses momentos culturais, porque onde a gente mora não tem muito incentivo. Que bom que a gente pode vivenciar isso graças ao Sesi-SP.”

Vinícius Kenji, de 13 anos, comemorou seu aniversário ao lado dos seus colegas assistindo ao musical e garantiu que não poderia haver melhor presente. “A peça foi muito boa. Dom Quixote é um herói louco, mas com muito carisma e cativa a plateia. Até me emocionei durante o musical. Foi ótimo.”

Serviço
“O Homem De La Mancha”
Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista
Temporada até 21 de dezembro
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/7406
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias a partir do dia 25 de agosto.
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 19h.

Cleto Baccic e o desafio de interpretar ‘O Homem de La Mancha’

Ariett Gouveia e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Seja como Miguel de Cervantes, Alonso Quijana ou Dom Quixote de La Mancha, Cleto Baccic encara com emoção o desafio de protagonizar “O Homem de La Mancha”, segundo musical realizado pelo projeto de Teatro Musical do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

“É um texto que toca muito a gente, porque faz pensar no nosso crescimento, na nossa vida. Há situações com as quais você se identifica imediatamente”, diz o ator, que lembra o começo das leituras da peça. “Só de ler o texto, eu me debulhava em lágrimas. Até conseguir me distanciar para passar a atuar e não sentir.”

Motivos para se emocionar não faltam. Uma razão especial para Baccic são os companheiros de elenco. “O Guilherme Sant’Anna, que interpreta o ‘Governador’ nesse espetáculo, é uma pessoa superespecial para mim, já foi meu professor. É uma honra poder estar no palco com ele. Eu me emociono verdadeiramente nesse espetáculo em vários momentos por ter pessoas tão queridas comigo.”

Baccic: “É um texto que toca muito a gente, porque faz pensar no nosso crescimento, na nossa vida.” Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Mas há um componente ainda mais especial em “O Homem de La Mancha”. Diferente da comédia “A Madrinha Embriagada”, em que ele divertia a plateia na pele do amante argentino Adolpho, o novo musical propõe reflexões ao público.

“‘A Madrinha’ era muito mais solar. Era uma diversão, gargalhada em cima de gargalhada. ‘O Homem’ é denso o tempo inteiro. E, como Quixote ou Cervantes, nada é engraçado para mim. O espetáculo tem piada, mas o meu personagem é pesado”, diz o protagonista, que já atuou em montagens brasileiras de musicais da Broadway como “Cats”, “Mamma Mia” e “South American Way”.

“A genialidade de Bispo, de Cervantes e de Miguel Falabella faz com que a gente se veja protagonista de nossas loucuras. Porque o Bispo em sua loucura também tinha seu momento de lucidez. E quem nunca”, questiona Baccic, “vai deitar no travesseiro e sofre porque o telefone não toca, por causa do chefe carrasco, do salário que não dá para fechar o orçamento e de pequenas coisas do mundo real que nos fazem querer sair e acessar nossa porta da loucura?”.

Diante do espelho

Por isso, na opinião do ator, o momento mais difícil do espetáculo é a cena dos espelhos. “É o momento do choque da realidade, onde você encara que não adianta se agarrar no travesseiro que o dia vai nascer. Tuas amarguras, alegrias, vitórias ou derrotas, vão estar ali.”

Baccic: um protagonista denso o tempo inteiro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Baccic: um protagonista denso o tempo inteiro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Outro motivo de muita emoção para o ator é a responsabilidade de interpretar o mesmo papel que já foi de um dos maiores nomes do teatro brasileiro, o ator Paulo Autran (1922-2007), protagonista da montagem que ficou em cartaz entre 1972 e 1974.

“Paulo Autran sempre foi meu grande ídolo e uma referência para mim, sempre vai ser. É uma responsabilidade gigantesca. Mas também é de um prazer imenso encenar um espetáculo tão emblemático. Espero que, onde ele esteja, aprove o que eu estou fazendo.”

Construção do personagem

Para construir um personagem tão denso, Baccic conta que se guiou pelo texto. Evitou ver outras versões da peça para não se influenciar pelas atuações de outros atores. “Sempre me guio pelo texto original – no caso, a tradução do Miguel. Acredito que quando o autor escreve, ele desenha o personagem. Claro que a gente vai descobrindo aos poucos um trejeito ou uma forma de agir. Mas me preocupo em ler o texto com cuidado e ver o que ele diz sobre o papel.”

Assim, foi durante os ensaios que o personagem foi se desenvolvendo, com a ajuda do diretor cênico, da coreógrafa e do diretor Miguel Falabella. Um tique nervoso de Cervantes, por exemplo, surgiu após um pedido de Falabella. Buscando algo sutil, o ator decidiu adotar trejeitos com os dedos da mão esquerda. Só depois descobriria que, coincidentemente, o autor espanhol realmente teve um problema nessa mão.

Projeto em Teatro Musical

Baccic também se emociona ao falar do Projeto Educacional em Teatro Musical feito em parceria com o Sesi-SP. Além dos dois musicais (“A Madrinha Embriagada” e “O Homem de La Mancha”), a iniciativa envolve também oficinas de vivência e um curso profissionalizante de três anos de duração – a primeira turma começou as aulas em março deste ano.

“É um momento mágico, em que o Teatro do Sesi-SP faz 50 anos, sempre aberto para a população, com essa grandiosidade, com esse investimento que a entidade faz para entregar cultura às pessoas”, declara Baccic, que acredita ter cumprido um dos principais objetivos do projeto: a formação de público.

“Há muitas pessoas que vieram assistir ‘A Madrinha’ que não tinham condições de pagar para assistir a uma peça de teatro. Imagine, então, um musical, que costuma ter ingressos ainda mais caros. Costumo cumprimentar as pessoas depois do espetáculo e vejo como cada apresentação é importante para elas”, conta o ator, que acredita que, por ser mais emotivo, “O Homem de La Mancha” vai tocar de forma mais forte o público.

“É muito especial ver a simplicidade nos olhos dessas pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ver um musical, o quanto elas se entregam e se apaixonam. Espero poder partilhar com elas o amor que eu sinto por esse projeto.”

Serviço

“O Homem De La Mancha”

Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista

Estreia: 13 de setembro
Temporada até 21 de dezembro
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/7406
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias a partir do dia 25 de agosto.
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 19h.

Miguel Falabella faz referência a Bispo do Rosário em ‘Homem de La Mancha

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Falabella: com "Homem de la Mancha", diretor faz seu segundo espetáculo no Teatro do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para montar a versão de “O Homem de La Mancha”, espetáculo que estreia sábado (13/09) no Teatro do Sesi-SP, o diretor Miguel Falabella foi buscar inspiração na história do artista plástico sergipano Arthur Bispo do Rosário (1911-1989).

“Resolvi fazer o ‘Homem de La Mancha’ na Colônia Juliano Moreira, nos anos 1930, com toda a estética do Bispo do Rosário”, explica Falabella ao falar

“Então vai ser toda uma experiência junto com o musical e isso vai ser muito legal”, explica Falabella sobre a nova produção, resultado de uma realização do Serviço Social da Indústria do Estado de São Paulo (Sesi-SP) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Diagnosticado com esquizofrenia logo que chegou à Colônia, onde ficou por mais de 50 anos, Bispo do Rosário entendia ter uma missão: apresentar o mundo a Deus no dia do Juízo Final. Para isso, dedicou-se a produzir bordados, a mumificar objetos e a construir painéis abstratos com objetos do cotidiano. A obra do artista já foi exibida em dezenas de exposições no país, incluindo mostras em Nova York e Londres.

Para Falabella, o que há de melhor em atuar como diretor em teatro musical é justamente a possibilidade de fazer a sua leitura. “Cada tem sua própria viagem. E quando bem feitas, elas chegam ao coração do público”, conta o ator e diretor.

É o que ele faz na montagem que fica em cartaz até 21 de dezembro no Teatro Sesi-SP. Falabella faz referência a Bispo do Rosário para caracterizar o “Governador” – no texto original um preso da Inquisição que comanda os outros presos.

Na versão, ele comanda outros internos da Colônia Juliano Moreira no final dos anos 30, quando um novo paciente é anunciado para internação e apresenta-se como “Miguel de Cervantes”, poeta, ator de teatro e coletor de impostos, que chega acompanhado de seu criado, Sancho.

Ele é abordado pelo então “Governador”, que, com ajuda do grupo, ataca seus pertences e lhe subtraem suas poucas posses. Cervantes, no entanto, fica preocupado apenas com um manuscrito, que é arremessado entre eles.

Para dar a Cervantes a oportunidade de reaver o objeto, o “Governador “instala um julgamento. E para apresentar sua defesa, Cervantes convida os internos a encenar com ele uma peça de teatro.

Guilherme Sant'Anna vive o Governador, inspirado em Bispo do Rosário. Ao lado, o ator Cleto Baccic encarna Miguel de Cervantes. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

O “Homem de La Mancha” faz parte Projeto do Sesi-SP em Teatro Musical, que, além dos espetáculos como “A Madrinha Embriagada” (também dirigido por Miguel Falabella), abre oficinas  de vivência e curso de formação de atores em Teatro Musical. As oficinas proporcionam acesso à linguagem do teatro musical para os alunos da rede Sesi-SP de ensino, complementando seu desenvolvimento cognitivo e motor. Já o curso, implantado em março de 2014, tem duração de três anos com a finalidade de formar atores para o mercado com aulas de canto, dança e interpretação.


Serviço

“O Homem De La Mancha”
Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista
Estreia: 13 de setembro
Temporada até 21 de dezembro
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/7406
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias a partir do dia 25 de agosto.
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 19h.

Miguel Falabella: ‘A Madrinha Embriagada’ foi um momento especial para todos nós’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em noite de emoção no palco e na plateia, com direito a muitos aplausos em cena aberta, chegou ao final, neste domingo (29/06), a temporada do musical A Madrinha Embriagada no Teatro do Sesi-SP, na capital paulista. O espetáculo, montado com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), estreou em agosto de 2013 e teve 325 apresentações gratuitas, com público de 150 mil pessoas.

A Madrinha Embriagada foi um momento especialíssimo na vida de todos nós”, afirmou o diretor da peça, Miguel Falabella, no palco, ao final da apresentação. “O teatro musical chega com mais facilidade que outros gêneros ao coração das pessoas”.

Falabella: “O teatro musical chega com mais facilidade que outros gêneros ao coração das pessoas”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Falabella: “O teatro musical chega com mais facilidade ao coração das pessoas”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Falabella agradeceu o empenho do elenco, da equipe técnica e do então presidente da Fiesp e do Sesi-SP, Paulo Skaf, pelo apoio para a realização do projeto.

Presente à última sessão da temporada, uma das autoras das músicas e letras do musical, uma adaptação de The Drowsy Chaperone, Lisa Lambert, fez questão de registrar a sua admiração pela montagem brasileira comandada por Falabella. “Essa foi a performance mais emocionante que eu já vi do espetáculo”, afirmou Lisa. “Nunca fui tão tocada pela peça quanto esta noite”.

Para a superintendente do Sesi-SP, Débora Botelho, a expectativa de é que o musical seja “o primeiro de muitos” a ser montado com o apoio da instituição e da Fiesp. “Vocês são todos brilhantes”, elogiou.

Débora: que 'A Madrinha Embriagada seja o primeiro de muitos musicais montados com o apoio da Fiesp e do Sesi-SP. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Débora: que 'A Madrinha Embriagada seja o primeiro de muitos musicais montados com o apoio da Fiesp e do Sesi-SP. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Outro que não conteve a emoção foi o diretor geral de produção e intérprete do personagem Aldolpho, Cleto Bacicc. “Foi muito bom participar de um projeto de cunho social e cultural com essa qualidade e com 150 mil ingressos distribuídos gratuitamente”, disse. “Sem falar que os embriagados nos surpreenderam com todas as suas participações”, afirmou ele numa alusão aos fãs da peça, que lotaram o Teatro do Sesi-SP e cantaram muitas canções, de cor, com os atores.

Um doce para O Homem da Poltrona

Além de palavras de carinho ao elenco e muitos aplausos em cena aberta, até mesmo de pé, em alguns momentos, os fãs do espetáculo surpreenderam os artistas com iniciativas como a entrega de um doce para Ivan Parente, que interpreta o Homem da Poltrona, numa das cenas. O ator devorou o mimo na hora.

Ao final da apresentação, os “embriagados” entregaram presentes a todos os integrantes do elenco, que também receberam flores da produção.

Com o palco lotado por todos os envolvidos na produção, incluindo as mais variadas equipes técnicas, como a de fisioterapeutas, Falabella fechou a noite com um convite: “Em setembro, teremos O Homem de La Mancha aqui no Teatro do Sesi-SP”, contou ele, animado com o seu próximo projeto de teatro musical a ser viabilizado com o apoio da indústria paulista.

Falabella, ao centro, com o elenco e a equipe técnica de 'A Madrinha Embriagada': noite de emoção. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Falabella, ao centro, com o elenco e a equipe técnica de 'A Madrinha Embriagada': emoção. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Inscrições abertas para as audições de ‘O Homem de La Mancha’, nova peça do Sesi-SP

Agência Indusnet Fiesp

O Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) está com inscrições abertas para atores interessados em participar das audições que selecionam o elenco de “Homem de la Mancha”.

O espetáculo, com versão e direção de Miguel Falabella, ficará em cartaz por 16 meses, de 3 de setembro de 2014 a 20 de dezembro de 2015, no Teatro do Sesi-SP, na Av. Paulista.

A montagem faz parte do Projeto Educacional Sesi-SP em Teatro Musical, que tem como uma de suas diretrizes a formação de público para o gênero.

O ensaio do elenco ocorrerá de 16 de junho a 30 de agosto de 2014.

>> Mais informações

Sesi-SP anuncia nova montagem do musical ‘O Homem de La Mancha’

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

Miguel Falabella é o diretor da nova montagem do musical 'O Homem de La Mancha', que estreia no dia 03/09, no Teatro do Sesi-SP. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Durante o espetáculo que marcou o início do curso de formação de atores em Teatro Musical do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), na noite de segunda-feira (24/03), no Teatro do Sesi-SP, o presidente da instituição e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, informou que “O Homem de La Mancha”, musical baseado na obra de Miguel de Cervantes e dirigido por Miguel Falabella, é o novo espetáculo a ser lançado pelo Sesi-SP, com estreia no dia 03 de setembro. A peça entrará em cartaz para substituir “A Madrinha Embriagada”, que encerra a temporada em 29/06.

“Haverá uma nova estreia no dia 03/09, um novo musical: ‘O Homem de La Mancha’. Esta será a oportunidade para mais de 200 mil pessoas assistirem a um musical, em uma das 443 apresentações dos 16 meses em cartaz”, afirmou o presidente ao parabenizar a todos pelo espetáculo da noite. “O curso de formação de atores era um sonho e hoje já é uma realidade. A noite de hoje é inesquecível.”

Depois do sucesso de "A Madrinha Embriagada", presidente da Fiesp e do Sesi-SP anuncia novo musical. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

O presidente das entidades lembrou, também, que o Sesi-SP dá a 150 mil pessoas – até o final da temporada – a oportunidade de assistir a um musical gratuitamente ao longo do último ano. “Muitas dessas pessoas nunca tinham tido a oportunidade de assistir a um musical, que não é barato. E o Sesi-SP proporcionou isso”, disse.

O ator e diretor Miguel Falabella mostrou-se animado com a nova parceria. “É uma honra e alegria, no palco do Teatro do Sesi-SP – onde fui tão feliz com ‘A Madrinha Embriagada’ –, montar ‘O Homem de La Mancha’, que é um dos musicais mais bonitos da história dos musicais norte-americanos. Um clássico com grandes canções que todo mundo conhece e já ouviu”, afirmou.

O “O Homem de La Mancha” (no original, Man of La Mancha) é um musical escrito por Dale Wasserman, com música de Mitch Leigh e letras de Joe Darion, baseado em Don Quixote, obra de Miguel de Cervantes. Na Broadway, o musical foi apresentado pela primeira vez em 1965, teve 2.329 apresentações e ganhou cinco prêmios Tony. A canção “The Impossible Dream” tornou-se um clássico, interpretado por nomes como Frank Sinatra e Elvis Presley.

No Brasil, a adaptação da peça estreou em 1972 no Teatro Municipal de Santo André, contando com a participação dos atores Paulo Autran, Bibi Ferreira e Dante Rui nos papéis de Dom Quixote, Dulcinéia e Sancho Pança, respectivamente. A peça, então, foi dirigida por Flávio Rangel, que traduziu o texto ao lado de Paulo Pontes. Chico Buarque de Holanda e Ruy Guerra fizeram a versão adaptada das canções para o português.