Iniciativas Sustentáveis: Ô Amazon Air Water – Inovação e sustentabilidade

Por Karen Pegorari Silveira

Os momentos de crise têm surgido como oportunidade para empresários criativos promoverem negócios sociais e produtos inéditos, assim como ocorreu na região sudeste com a escassez hídrica, em que empresas precisaram lançar mão de novas formas de trabalhar com reuso e reaproveitamento de água para manter a produção e o funcionamento normal das plantas fabris e não perder contratos.

Da mesma forma também aconteceu com os empresários brasileiros, que investiram em muita pesquisa para desenvolver uma forma de retirar água da umidade do ar e torná-la própria para o consumo humano por meio de processos de condensação, osmose reversa, filtragem e remineralização. O resultado é inédito e o produto criado é a água Ô Amazon Air Water, que além de única, será uma água rara.

 Sua comercialização será em garrafas de vidro, material infinitamente reciclável, de 250 ml e 750 ml, com produção inicial de 6 milhões de garrafas por ano. Para efeito de comparação, a marca francesa Evian produz 3 bilhões de garrafas ao ano. O plano de negócio dos fundadores prevê que a produção passe para 12 milhões de garrafas por ano até 2018 e para 60 milhões até 2022. A tampa da garrafa foi desenvolvida e patenteada especialmente para esse produto. A biotampa é produzida com um polímero a base de amido de milho que se decompõe no meio ambiente em condições de compostagem sem deixar resíduos. Todas terão ainda um código cuja leitura com smartphones permitirá mapear o local de seu consumo. Está sendo desenvolvido também um aplicativo social que disponibilizará todas as informações em tempo real, em um mapa-múndi no site do empreendimento. A Ô Amazon Air Water lançará anualmente safras especiais em que serão colocadas sementes de plantas dentro de cada biotampa. As sementes usadas serão selecionadas entre plantas nativas dos países para os quais essas safras especiais serão exportadas.

 O sócio e presidente da empresa, James Figueiredo Júnior, nascido e criado no estado do Amazonas, diz que com a implementação deste empreendimento socioambiental, a inovação será completa. “Diferentemente das empresas que conhecemos atualmente, nós seremos a primeira a iniciar uma atividade econômica plantando árvores, a primeira a engarrafar água do ar, a primeira a utilizar matéria prima inesgotável, que se recompõe instantaneamente, e a primeira a adotar uma biotampa que se decompõe na natureza sem deixar resíduos e carrega em seu interior sementes que levarão vida a todos os lugares do mundo em que nosso produto for consumido”, avalia.

As instalações da indústria ficam na cidade de Barcelos, no estado do Amazonas, às margens do Rio Negro. Com 26 mil habitantes, a cidade abriga o maior arquipélago fluvial do planeta. O município fica a 656 km da capital do estado, Manaus, por via fluvial e é o segundo maior do Brasil em área territorial, atrás somente de Altamira, no Pará. A estação de produção de água vai utilizar a edificação de uma antiga fábrica de palmito, numa área de floresta de 1,75 milhão de metros quadrados. Em junho do ano passado, a Câmara Municipal de Barcelos aprovou um projeto de lei que prevê a concessão por 30 anos, renováveis por mais 30, do uso do terreno para a Ô Amazon Air Water. Serão instaladas inicialmente três máquinas importadas da China, duas com capacidade de 5 mil litros por dia e outra de 500 litros/dia. As máquinas chegarão a Barcelos em junho deste ano e o primeiro lote de água será produzido no mês de julho.

Segundo os empresários, nesses quase 2 milhões de metros quadrados da concessão, a preservação da floresta será total, nenhuma árvore será derrubada na operação. No entorno da edificação, hoje desmatado, serão plantadas novas árvores. O impacto da produção de água na umidade relativa da região é nulo. Segundo dados do Inpe e do Inpa, a quantidade anual de chuva na bacia amazônica é de 15 quatrilhões de litros por ano. Desse total, 25% é evaporado, 25% é escoado para os rios e 50% é transpirado pelas árvores para a atmosfera. Ou seja, a floresta joga anualmente na atmosfera 7,5 quatrilhões de litros de água por transpiração das árvores. Isso significa mais de 20 trilhões de litros de água por dia. Quando, em 2022, a Ô Amazon Air Water atingir sua capacidade máxima de produção de água a partir da umidade do ar, precisará de 660 mil anos para produzir o que a floresta transpira num único dia. A indústria se preocupou em trabalhar apenas com matriz energética 100% solar e as placas serão instaladas no teto da produtora.

Os fundadores divulgam também que um fundo de investimento será criado com R$ 1 de cada garrafa vendida para fomentar novas iniciativas sustentáveis na região, com a condição de que elas também pressuponham preservação total da floresta. No auge da produção, o fundo pretende arrecadar R$ 60 milhões por ano. Também prometem construir na cidade um polo cultural com museu e centro de atividades artísticas, esportivas e digitais.

Apesar da enorme quantidade de água existente na Amazônia, o acesso à água potável não é fácil. Com o empreendimento, anualmente serão distribuídos 180 mil litros de água pura gratuitamente, própria para o consumo, à população de Barcelos mais vulnerável a esse problema. E ainda serão gerados 120 empregos diretos para a população local.

Para chegar a Manaus, as garrafas da Ô Amazon Air Water serão levadas pelos barcos-recreio, que fazem o trajeto entre Barcelos e a capital do estado três vezes por semana. Tudo o que é consumido em Barcelos chega nesses barcos, que retornam vazios. A produção utilizará esses espaços ociosos.

De acordo com o CEO da empresa, James Figueiredo Júnior, o investimento para implementação do projeto é de aproximadamente R$ 30 milhões. “Entre recursos próprios e recursos de fomento e a partir de 2016, a expectativa é de 450 milhões de euros em lucros nos próximos 10 anos”, conta Figueiredo Jr.

Do total produzido pela Ô Amazon Air Water, a maior parte será destinada à exportação, cujos recursos serão investidos no Brasil. A Ô Amazon Air Water é um produto de luxo, pertencente à categoria de águas finas. O preço sugerido para o consumidor final da garrafa de 250 ml será de 6,50 euros, e o da de 750 ml, de 9,5 euros. O produto também será oferecido em pontos específicos do Brasil. Uma flagship da marca será aberta em São Paulo para cuidar da distribuição local e também para oferecer outras águas finas existentes no mercado mundial – no site finewaters.com é possível conhecer as principais. Haverá ainda comercialização da Ô Amazon Air Water pelo site do empreendimento para qualquer lugar do mundo. Na Europa, o produto chegará pelo porto de Roterdã, na Holanda. De um total de 2 mil potenciais revendedores, foram mapeados 200 pontos de venda considerados ideais, em 20 cidades de 12 países europeus. A distribuição nos Estados Unidos começará até 2018 e toda a operação no país será via Miami. A partir de 2022, a distribuição será no mercado mundial. Ao consumidor da Ô Amazon Air Water será oferecida a oportunidade de degustar uma água única no mundo, feita a partir do ar mais puro do planeta, e também a chance de contribuir para a preservação da floresta e o desenvolvimento sustentável da região.

O sócio fundador e presidente do Conselho da Ô Amazon Air Water, Cal Junior, que também é filho de amazonense, diz que empreender no coração da Floresta Amazônica é uma experiência de vida. “Queremos levar muito dessa experiência ao consumidor. Queremos que ele saiba que não está apenas consumindo uma água única no mundo, feita de uma maneira inédita, a partir do ar mais puro do planeta. Tão importante quanto isso é ele ter consciência de que está ajudando a preservar um dos maiores tesouros da humanidade, a Amazônia”, alerta Cal.

O CEO, James Figueiredo Jr, diz ainda que eles estão muito confiantes com o mercado europeu. “Ainda em 2015 entregaremos no velho mundo as primeiras 500 mil garrafas, com um faturamento de 2,4 milhões de euros”, explica.

Sobre a Ô Amazon Air Water

O embrião da Ô Amazon Air Water surgiu em 2009, quando os empreendedores Cal Júnior, Paulo Ferreira, Ricardo Rozgrin e James Figueiredo passaram a pesquisar e desenvolver a tecnologia AWG (Atmosferic Water Generator), que consiste em retirar água da umidade do ar.