Associação Brasileira de Nozes e Castanhas e Frutas Secas é lançada na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Foi lançada oficialmente, na manhã desta terça-feira (18/09), na sede da Fiesp, em São Paulo, a Associação Brasileira de Nozes e Castanhas e Frutas Secas (ABNC). A novidade foi anunciada no VII Encontro Brasileiro de Nozes e Castanhas . O evento foi organizado pela Divisão de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio (Deagro) da federação.

Participaram da abertura do encontro o vice-presidente do Ciesp e diretor titular da divisão sobre esses alimentos no Deagro, José Eduardo Mendes Camargo, e o diretor titular do departamento, Roberto Ignacio Betancourt.

Camargo, que também é presidente da ABNC, destacou as propriedades nutritivas das nozes e castanhas e a alta rentabilidade desses produtos. “São alimentos saudáveis e fitoterapêuticos”, disse. “Temos tudo para incluir as nozes e castanhas na balança do agronegócio, para somar”.

A nova associação vai promover a produção e a venda desses itens.

No Brasil, a castanha do Pará é produzida na região Norte do país, a de Caju, no Nordeste, a de baru, no Centro-Oeste, noz pecã, no Sul, e noz macadâmia, no Sudeste. Enquanto o Brasil ainda está em processo de desenvolvimento no cultivo dessa cultura, a China e os EUA experimentaram, entre 2016 e 2017, o maior crescimento da produção de nozes em relação à média dos últimos dez anos; 96% e 41%, respectivamente, segundos dados do International Nut and Died Fruit Council (INC).

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

Camargo, à esquerda, e Betancourt: maior participação na balança comercial. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Divisão de Nozes e Castanhas da Fiesp divulga data do VI Encontro Brasileiro e II Latino Americano “Nozes para a Vida”

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp 

A divisão de nozes e castanhas do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgou, nesta terça-feira (30/05), durante reunião plenária, a data  do VI Encontro Brasileiro e II Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas “Nozes para a Vida”. O evento, que acontecerá em 16 de outubro, tem o objetivo de reunir grandes entidades do setor e representantes mundiais dessa área, para discutir o panorama mundial das nozes e castanhas, as perspectivas do setor e o papel do Brasil nesse cenário.

“Fomentar a cadeia de nozes e castanhas tem sido nosso trabalho diário. Não precisamos só abrir mercados para essa cultura, mas estimular pessoas a entrarem nele”, destaca José Eduardo Mendes de Camargo, diretor da divisão.

Mais castanhas e nozes na mesa dos brasileiros em 2017

Agência Indusnet Fiesp 

A Divisão de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) organizou uma reunião com empresários do setor nesta semana para planejar as ações da área em 2017.

Uma das iniciativas previstas é a realização do sexto workshop sobre essa cadeia do agronegócio. O objetivo, segundo José Eduardo Mendes de Camargo, diretor da divisão, é estimular a produtividade e a participação desses alimentos na mesa dos brasileiros.

Segundo informações da divisão, em 2015  o Brasil exportou US$ 135 milhões em nozes. No Chile, esse valor foi de US$ 300 milhões no mesmo período, com um aumento de vendas externas de 15 vezes nos últimos dez anos. Os números apontam o potencial de crescimento da área no Brasil.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

A reunião da Divisão de Castanhas e Nozes do Deagro: workshop e aumento do consumo. Foto: Cristina Carvalho/Fiesp


Saúde, agilidade e sabor: indústria de alimentos avança com o uso de castanhas e nozes em seus produtos

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de alimentos nunca usou tantas castanhas e nozes no preparo dos seus produtos. Uma opção que já estimula e tende a estimular ainda mais a produção desses itens no Brasil. Para debater o tema, foi realizado painel sobre o assunto, na  tarde desta segunda-feira (29/08), no V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas. O evento foi realizado na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), na capital paulista.

No caso da fabricante de pães Wickbold, os chamados nuts entram principalmente em linhas como aquelas 100% integrais, que levam ingredientes como castanha de caju, do Pará e até noz pecan. “Queremos oferecer produtos saborosos, mas que tragam algum benefício para os consumidores”, explicou a gerente de Suprimentos da empresa, Márcia Lopes.

A castanha de caju é, entre os nuts, o item mais usado pela Wickbold. A empresa tem seis unidades fabris no Brasil, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Para acompanhar o fornecimento de matéria-prima, a fabricante tem um projeto com comunidades extrativistas na Amazônia, batizado de Projeto Xingu. A ideia é negociar diretamente com esses fornecedores, que também passam a conhecer o trabalho de fabricação dos pães. “Queremos fazer esse trabalho de base com a cadeia produtiva, ajudar essa cadeia a prosperar”.

Para o moderador do debate, o diretor da Tradal Adrian Franciscono, a experiência da WickBold mostra que até empresas tradicionais conseguem evoluir propondo novos produtos a partir das castanhas. “Com um pouco de imaginação a gente consegue apresentar novidades”, afirmou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

O debate com representantes da indústria de alimentos: ser criativo com castanhas e nozes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ao natural

Também consumidora das castanhas e nozes em seus produtos, a Mãe Terra, de 1979, se denomina a primeira empresa de produtos naturais do Brasil, com uma linha com 120 itens. “Trabalhamos num mercado que cresce 40% ao ano no país”, disse Marcela Scavone, gerente de Suprimentos da Mãe Terra. “Não usamos conservantes, aromas e corantes artificiais, mesmo sendo uma indústria”.

Segundo Marcela, o desafio é produzir alimentos para pronto consumo que sejam 100% naturais, com biscoitos e salgados feitos com alimentos orgânicos. E os mixes de nuts e frutas secas, por exemplo. “Não estamos falando de ser ou não natureba, mas de um negócio mesmo”, afirmou. “Espero muito que esse encontro na Fiesp cresça a cada ano”.

Saudável e rápido

Representante da Mintel, empresa de pesquisa de mercado, Naira Sato apontou tendências para a indústria de alimentos que envolvem os nuts.

Segundo ela, tudo passa pelo conceito de vida conveniente e agilidade, mas sem deixar de valorizar o fator saúde. “Cerca de 38% dos brasileiros dizem que cozinhar toma muito tempo”, explicou. “Por isso é interessante investir nos chamados ‘atalhos da cozinha’, como kits que permitem fazer refeições a partir de itens pré-prontos, deixando a preparação mais rápida”, disse. “No caso das castanhas e nozes,  pode ser usado um mix de salada com nuts, por exemplo”.

Também ganham força os lanches ou snacks para usar uma expressão do inglês. “São opções para comer em trânsito, de consumo fácil e rápido. Melhor ainda se trouxerem sensação de saciedade e forem saudáveis”, disse Naira. “Mais uma vez, a noção de velocidade aliada à saúde”.

Segundo ela, 83% dos consumidores brasileiros acham que vale a pena gastar mais com alimentos saudáveis. “Os fabricantes estão trabalhando para entregar produtos menos artificiais”, explicou. “A indústria precisa apresentar soluções”.

E por falar em soluções, de acordo com o vice-presidente do Ciesp e diretor de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro), José Eduardo Camargo, a federação estuda fechar parcerias com órgãos internacionais para ações de estímulo à produção dos nuts no Brasil e na América do Sul.


Potencial de crescimento na América do Sul é destaque em evento sobre nozes e castanhas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino-Americano de Nozes e Castanhas, realizado nesta nesta segunda-feira (29/8) na Fiesp, teve como primeiro painel “Potencial do Mercado Latino Americano”. Ricardo Engelmann, da Engelmann & Cia S.R.L, falou sobre a experiência da Argentina na produção de nozes e castanhas. Faltam dados confiáveis sobre a produção no país, esclareceu no início de sua apresentação. Produção anual de nozes com casca na Argentina, de 15.000 toneladas, representa forte crescimento em relação às 10.000 toneladas produzidas em 2008. São exportadas 3.000 toneladas por ano, total que praticamente dobrou nos últimos três anos. De amêndoas, são 1.000 a 1.500 toneladas (sem casca) por ano, e há a importação de perto de 2.500 toneladas.

No consumo, o primeiro item são as nozes, seguidas pelas amêndoas (juntas, respondem por 80% do consumo) e pela castanha de caju. São 10.000 toneladas de frutas secas sem casca por ano no país.

Importam principalmente do Brasil a castanha de caju. Ressaltou que o novo governo derrubou barreiras a sua importação.

Macadâmia, importada pela primeira vez em 2009, ainda não é muito conhecida nem por produtores. Pistache deve continuar crescendo, e já tem 1.000 hectares plantados.

Para a noz pecan, que considera de grande potencial, há 6.000 hectares plantados, dos quais 25% em produção, de cerca de 900 toneladas por ano.

Santiago Maldonado, da Biko, apresentou dados sobre o Equador. O país está em transição, explicou. A área plantada de macadâmia caiu de 250 para 150 hectares, com produção em queda de 20.000 toneladas em kernel para 19.000. Problemas com o prazo de investimento e com a concorrência do cacau levaram à diminuição. Ressaltou que houve ganhos de produtividade, que há novos produtores pequenos entrando no mercado e que a demanda é maior que a produção. E está em crescimento, graças ao maior conhecimento das pessoas a respeito de seus benefícios.

A tarifa de 45% para importação de frutas secas (válida até 2017) e a cobrança de 5% de imposto sobre saída de capital desestimulam o investimento.

Beatriz Camargo, responsável pelo mercado latino-americano da Green & Gold, que representa produtores de macadâmia, e diretora da Divisão de Nozes e Castanhas da Fiesp, mostrou dados da produção brasileira, liderada por castanha de caju (33.000 toneladas), seguida pela castanha-do-pará (3.465 toneladas), macadâmia (1.500 toneladas), pecan (1.400) e baru (100). Ressaltou que se espera a plantação adicional de 500 hectares por ano de macadâmia e de pecan, o que deve levar a mudanças no share nos próximos anos.

Em 2015 a exportação foi de US$ 153 milhões, contra importação de US$ 136 milhões.

Camargo falou sobre os mercados potenciais para os produtos, entre eles o dos mixes de castanhas, seguindo a tendência dos EUA. Crescimento de lojas especializadas, com produtos visando à saúde, incentivam o consumo de nozes. Problema provocado pela crise é a redução da renda da classe média, explicou.

Além do consumo pela indústria, produtos com nozes atraem consumidores em busca de saúde. Potencial também em cosméticos. Para exemplificar, exibiu uma diversidade de produtos com nozes e castanhas lançados em 2015, de leite de castanhas a panetones.

José Agustín Ribera, da Cadexnor, explicou que a Bolívia é um dos países que têm a presença natural da castanha-do-brasil. Norte do país tem mais de 100.000 km² de terras propícias à castanha, disse. Substituiu o látex e ganhou importância socioeconômica na Bolívia, que é o maior exportador do produto no mundo. Ela representa 75% da atividade econômica do Norte do país. Ressaltou também a importância da produção para a população indígena e camponesa da Bolívia. E destacou a importância para o ambiente da produção, porque as árvores são protegidas.

A Inglaterra (32% das vendas) e os Estados Unidos (31%) lideram entre os importadores do produto boliviano. Nos últimos cinco anos (2011 a 2015) houve salto de US$ 148 milhões para US$ 192 milhões no valor exportado.

Ribera disse que a Bolívia procura parceiros para a venda fracionada, de modo a aumentar o valor do produto vendido (de US$ 0,0009 por grama para US$ 0,0027). A diferença de valor seria de US$ 308 milhões por ano. Defende a união de produtores para lançar itens como barras enriquecidas com castanhas e mixes de castanhas, para maior valor agregado. Ribera também revelou que o país terá em 2017 evento para comemorar o ano internacional da castanha.

Patrício Queiroz, diretor da Promoex, conduziu o painel e destacou que o mercado é pulsante, crescente e estimulante, à espera de um impulso.

Siegfred Von Gehr, diretor e embaixador do INC para o Chile, disse que é claro que em seu país, tendo há muitos anos economia estável e previsível, possibilitou o investimento agrícola, necessariamente de longo prazo. A entrada da China no mercado internacional, com o grande aumento do poder aquisitivo de sua classe média, também provocou aumento da demanda. O país é visado por quem planta no Chile. Outro fator importante é o grande número de acordos comerciais firmados pelo Chile, que exporta para países que representam 84% do PIB mundial.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

“Potencial do Mercado Latino-Americano” foi tema de painel no encontro de nozes e castanhas na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Abertura de mercado para as nozes e castanhas do Brasil em debate na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de abrir mercado para as nozes e castanhas.  Para debater as potencialidades nesse campo, foi realizado, nesta segunda-feira (29/08), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em São Paulo, o V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas.

“Mais do que um encontro, aqui temos o sonho de transformar essa atividade, vista por muitos como de fundo de quintal, em negócio”, disse o vice-presidente do Ciesp e diretor de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro), José Eduardo Camargo. “O potencial é muito grande”.

Também presente à abertura do evento, o presidente do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Fiesp, João de Almeida Sampaio Filho, lembrou da participação de Camargo num evento do setor, há alguns anos. “Na época, havia uma sensação de euforia em vários setores, como algodão e eucalipto, por exemplo. Todo mundo citando boa rentabilidade de produção em sua área”, disse. “Quando o Camargo levantou a mão e contou o que estava acontecendo com as nozes e castanhas, todos ficaram quietos. São muitas as oportunidades”, explicou.

Para Sampaio Filho, há espaço para novas culturas em São Paulo.  “Olhamos muito para a soja e para a laranja, mas cabe diversificação”, afirmou. “As castanhas e nozes têm tudo para emplacar no estado, pois aqui temos gente preparada para produzir e mercado consumidor”.

>> Ouça boletim sobre o encontro de nozes e castanhas

Nessa linha de oportunidades, foi apresentado um panorama dos destaques nacionais na área.

Representante da Pecanita Agroindustrial, do Rio Grande do Sul, Claiton Wallauer destacou a produção da noz pecan. “A noz pecan ainda é pouco conhecia no Brasil”, disse. “A nossa meta é trazer cada vez mais renda para o pequeno agricultor, assumir o desafio da sustentabilidade do campo”, explicou.

Segundo Wallauer, o crescimento da produção, no caso da pecan, é de 500 a 600 hectares por ano em novas áreas de cultivo.

A floresta em pé

Gerente de Desenvolvimento do Ciex do Amazonas, Daniel Benzecry destacou a produção de Castanha do Brasil ou do Pará.

“A castanha do Brasil é o principal produto ecologicamente amigável que se conhece hoje, a maior fonte de renda do interior do Amazonas”, disse.

De acordo com Benzecry, a coleta da castanha depende da floresta, da preservação das árvores. “Quem trabalha com castanha do Brasil tem interesse de manter a floresta em pé”, explicou.

Uma curiosidade: a Bolívia, dona tem 70% da produção mundial, segundo números de 2015, é uma grande compradora da castanha do Brasil. “Cerca de 90% da castanha com casca que sai do Brasil vai para a Bolívia e para o Peru, com 17 mil toneladas exportadas por ano para os dois países”, disse. “Assim temos uma ideia do nosso potencial, do quanto nós podemos processar aqui”.

As possibilidades são grandes também quando o assunto envolve macadâmia. Segundo Ricardo Picard, da Tribeca Agroindustrial e Comercial, do Rio de Janeiro, a noz representa 2% das vendas mundiais da área. “Temos experiências boas no Brasil, onde pequenas e médias empresas podem ter um bom retorno a médio prazo, com a produção podendo durar 70 anos”.

A macadâmia é originária da Austrália e o consumo do alimento no Brasil é de três gramas por pessoa por ano.

Com vocês, o baru

Diretor comercial da Flora do Cerrado, de Goiás, Peter Oliveira é um entusiasta do baru, castanha extraída do fruto de uma árvore, o baruzeiro, considerada um símbolo do cerrado brasileiro.

“O baru vem ganhando espaço, é uma joia do cerrado”, disse. “Entre os benefícios para quem consome o produto estão o fato de que ele é antioxidante, rico em cálcio, fósforo e manganês, ajudando a combater a anemia e sendo capaz de fortalecer os ossos”.

Hoje, há produção do baru nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

O exemplo do Chile

Do Centro Oeste brasileiro para o Chile, a experiência do país na produção de nozes foi apresentada pelo diretor embaixador para o Chile do International Nut and Died Fruit Council (INC), Siegfried Von Gehr.

Os chilenos conseguiram elevar as suas exportações do produto de US$ 20 milhões para US$ 300 milhões em dez anos. Hoje, o país é dono de 6% da produção mundial de nozes e de 11% das exportações.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

A abertura do encontro na manhã desta segunda-feira na Fiesp: potencial grande de crescimento. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Vendemos para o exterior 90% da nossa produção”, explicou Gehr. “Somos um país pequeno, com 18 milhões de habitantes, não conseguimos consumidor tudo”.

As explicações para o bom desempenho na área? Uma combinação de clima e vontade do governo e da iniciativa privada. “Temos um clima mediterrâneo na zona central do Chile, muito propício à agricultura”, disse Gehr. “E incentivamos a produção de muitas formas, como a partir de uma lei que só permite a venda de alimentos saudáveis, como frutos secos e sementes, nas escolas chilenas”, afirmou. “Combatemos a obesidade infantil e valorizamos o consumo desses alimentos”.

Para o presidente do Datagro, Plínio Nastari, o Chile “deve servir de inspiração para o Brasil”. “O crescimento médio no consumo das nozes e castanhas no mundo está entre 6% e 8% ao ano”, disse. “Temos espaço para crescer”.

O Brasil exportou US$ 150 milhões em castanhas e nozes em 2015, sendo a castanha de caju o principal item nacional a ser vendido lá fora. “Não estamos falando de produtos exóticos, mas de alimentos com alto potencial de negócios”.

‘Temos muito o que crescer’, afirma 3º vice-presidente do Ciesp sobre mercado de nozes e castanhas no Brasil

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O potencial de mercado é enorme. Basta parar e observar que, assim como você, mais pessoas incluem, todos os dias, as nozes e castanhas como opção saudável de alimentação. Uma escolha que, do campo à mesa, tem tudo para ganhar força no Brasil. Para debater o assunto e apresentar os exemplos das empresas e as mais recentes pesquisas acadêmicas na área, será realizado, nesta segunda-feira (29/08), o V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas. O evento será na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), na Avenida Paulista, das 8h às 15h30.

“Em 2015, o Brasil exportou US$ 135 milhões em nozes. No Chile, esse valor foi de US$ 300 milhões”, afirma o 3º vice-presidente do Ciesp e diretor de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro), José Eduardo Camargo. “Temos muito o que crescer: no Chile, o aumento das vendas externas foi de 15 vezes nos últimos dez anos”.

Para exemplificar o que diz, Camargo conta que, somente no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, as exportações de nozes foram de US$ 7,2 bilhões em 2015. “Podemos abrir mercado, criar uma nova fonte de negócios para o Brasil”.

Segundo ele, para chegarmos lá é preciso que exista uma união entre “os agricultores, os industriais e o governo”. “Segundo o International Nut and Died Fruit Council (INC), o crescimento anual de nozes e castanhas é de 8% em todo o mundo, com um aumento de preço em dólares de 400% nos últimos dez anos”, afirma.

Além disso, a indústria de alimentos cada vez mais usa esses itens em seus produtos, como pães e biscoitos, por exemplo.

Participação Internacional

Nessa linha de expansão, o V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas receberá empresas brasileiras e da Argentina, Bolívia, Chile e Equador.

Nos painéis de debates, destaque para a experiência chilena, o potencial de mercado na área na América Latina, produtos e distribuição e ações bem-sucedidas de empresas produtoras.

Para saber mais sobre o evento, só clicar aqui.

Diretor da Fiesp participa na Califórnia de evento do setor de nozes e castanhas

Agência Indusnet Fiesp

O diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro), José Eduardo Camargo, participou do encontro anual de embaixadores do International Nuts Council (INC), realizado entre 30 de maio e 1º de junho de 2016, em San Diego, na Califórnia (EUA).

Camargo apresentou os trabalhos da divisão e discursou sobre a produção de nozes e castanhas no Brasil. Ao todo, 1.415 empresários de 60 países participaram do evento, que discutiu as principais tendências do setor.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

José Eduardo Camargo, diretor do Deagro, durante apresentação sobre produção brasileira no International Nuts Council. Foto: Divulgação

Fiesp reúne indústria de alimentos, cosméticos e fármacos com produtores de nozes e castanhas

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Doces, bolos, pães, sorvetes, brigadeiros, granola e produtos saudáveis como farinhas sem glúten, pastas energéticas, barras de cerais e azeites. Mas também cremes para o corpo, cabelo, óleos hidratantes e para ingestão que auxiliam e promovem a saúde. São inúmeras as formas de utilização e consumo das nozes e castanhas produzidas no Brasil e, por isso, o Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), por meio da sua divisão que representa o setor, realizou nesta quarta-feira (18/5) um café da manhã para promover a divulgação e aproximação entre produtores e sindicatos variados.

Na ocasião, representantes das castanhas de baru, do-pará, macadâmia e pecã apresentaram seus produtos, formas de utilização e consumo e, principalmente, as propriedades nutricionais que tanto fazem das oleaginosas uma opção de alimentação saudável.

Presente no encontro, Michelle Martins Bedolini, especialista em nutrição da Gerência de Promoção da Saúde do Sesi-SP, explicou que esse grupo de alimentos é capaz de fornecer energia, combater radicais livres (que promovem o envelhecimento) e também é fonte de proteínas, vitaminas e minerais. “Além disso, já há estudos que indicam que o consumo de nozes e castanhas pode combater o diabetes e até auxiliar a prevenção de Alzheimer”, comenta. “Esse grupo de alimentos é utilizado até em tratamentos para fumantes que querem abandonar o hábito, uma vez que a sensação de saciedade promovida pela ingestão ajuda a combater a ansiedade.”

Contudo, os benefícios dessas culturas não se limitam à saúde. Financeiramente, tornar-se um produtor de macadâmia, por exemplo, pode trazer rentabilidade para o agricultor.

O presidente da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, José Eduardo Camargo, conta que os produtores de cana que não poderão mais cultivar a planta devido à declividade de seus terrenos podem substituí-la pelas árvores de macadâmia. Apesar da demora para a primeira colheita – que pode demorar de 5 a 7 anos – o produto tem uma demanda futura promissora.

“Tomamos como o exemplo nosso vizinho Chile. Em dez anos eles aumentaram sua produção em mais de 15 vezes”, exemplifica. “Hoje conseguimos exportar US$ 135 milhões em nozes. Se fizermos o mesmo, esse número passa para US$ 2 bilhões, e nosso produto passará a figurar na lista dos ’10 mais’ da pauta exportadora. É muito significante.”

Para criar uma pasta de baru, semelhante ao creme de amendoim popular nos Estados unidos, Peter Oliveira, representante do babaçu e do baru, conta que sua empresa fez uma pesquisa e descobriu que toda a produção brasileira anual não seria capaz de suprir um único dia de consumo dos norte-americanos. “Há muito potencial para crescer. E além de economicamente viável a produção envolve todo um trabalho social e ambiental. Praticidade e sustentabilidade são pontos fortes para o crescimento de desenvolvimento das nozes no Brasil.”

A produção de nozes e castanhas no Brasil é dividida, praticamente, desta maneira: castanha-do-pará no Norte, de caju no Nordeste, baru no Centro-Oeste, macadâmia no Sudeste e pecã no Sul.  Porém, de acordo com os especialistas, o produtor precisa de mais estímulos para poder atender a demanda, que não para de crescer.

Como o estímulo à exportação é necessário para o máximo aproveitamento do mercado, o evento contou ainda com a participação do gerente do escritório paulista da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Gustavo Bueno Norberto, que explicou quais os meios e exigências para inserir um produto no mercado internacional, além de apresentar as plataformas da agência que podem auxiliar as empresas nessas questões.

Conheça as nozes e castanhas apresentadas

Pecã

Originária do Sul dos Estados Unidos, a noz pecã possui baixo conteúdo de ácido graxos e alto nível de vitaminas e moléculas bioativas. É geralmente consumida in natura, barras de cereais, doces e pães. Cleiton Afonso Wallauer, representante da cultura, conta que a empresa já está fazendo testes para o encapsulamento do óleo da noz. “Dessa forma é possível que o consumidor tenha mais comodidade para levar para academia ou o escritório todos os benefícios do produto.”

Ele também conta que hoje, no Brasil, é possível plantar cerca de cem árvores por hectare, que podem render de 1.500 a 2.000 quilos do produto final.

Castanha-do-pará

É um fruto com alto teor calórico e proteico. Além disso, contém o elemento selênio, que combate os radicais livres e que muitos estudos recomendam para a prevenção do câncer. Como o próprio nome diz, é proveniente do Norte do Brasil e, apesar da comercialização ser predominantemente proveniente da cultura extrativista, já há fazendas que adotam o cultivo da árvore.

É o que diz a produtora Ana Luiza Vergueiro. “Reconstruímos totalmente a área de pasto da empresa para poder abrigar as castanheiras.” Além da benesse ambiental, ter uma área de produção fixa, ela diz, é importante para controlar o nível de selênio do fruto, uma vez que “seus índices são influenciados pelas características do solo”.

Macadâmia

Esta noz foi descoberta pelos aborígenes da Austrália e levada ao Havaí pelos exploradores europeus. Hoje, o país de origem continua sendo o maior produtor, junto com a África do Sul, que promoveu a produção da cultura ao longo das décadas. O Brasil é o sétimo maior produtor mundial, e quase toda sua produção é utilizada pelas indústrias de alimentos e cosméticos.

A representante do setor, Beatriz Camargo, explica que há “estilos” do produto que são utilizados de acordo com a função que irá ter no alimento. “Para se comer pura ou coberta de chocolate, por exemplo, usamos a noz inteira, maior e arredondada. As menores e em filetes são geralmente utilizadas em cookies e bolachas. Daí temos moída para pastas e cremes, para a indústrias de sorvetes, por exemplo, ou em óleo, para cosméticos.”

Dentre as propriedades funcionais da macadâmia estão o poder antioxidante e o aumento do “bom” colesterol (HDL).

Baru/babaçu

Menos conhecido entre as castanhas, o baru tem experimentado uma ascensão exponencial. Edson Cunha, representante do setor, viu sua produção aumentar 60 vezes em apenas quatro anos. “Nossa capacidade inicial era de uma tonelada por ano. Hoje, conseguimos atingir a marca de 60 toneladas/ano.”

Matéria-prima de bolos, brigadeiros, pastas cremosas e até mesmo farinhas que auxiliam a redução da gordura abdominal o Baru é encontrado predominante em Goiás, mas também é possível cultivá-lo em outras áreas de cerrado, como Minas Gerais.

“Ficamos surpresos com tamanha aceitação dos produtos em tão pouco tempo”, alegra-se Cunha, que destaca ainda os efeitos da castanha na saúde. “Pudemos constatar que uma única barra de cereal com baru é suficiente para evitar a anemia em crianças. Além de ser deliciosa.”

Em agosto, a Fiesp vai sediar o I Encontro Latino-Americano de Nozes e Castanhas.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

Reunião na Fiesp entre produtores de nozes e castanhas e sindicatos dos setores de alimentos, fármacos e cosméticos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Encontro na Fiesp traça panorama do setor de nozes e castanhas

Alice Assunção e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Mario Sergio Cutait, diretor titular do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, abriu nesta segunda-feira (5/10) o VI Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas destacando o tamanho do público –cerca de 260 pessoas—e listando as prioridades do setor do agronegócio: tributos, assuntos regulatórios e crédito, que tem feito os produtores sofrerem. Cutait disse também que há uma preocupação muito grande com a imagem do setor de alimentos, especialmente os industrializados. “Estamos no meio de uma guerra”, afirmou, defendendo o trabalho de esclarecimento nas escolas “sobre o que é alimento saudável, o que é alimento seguro”.

O diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, José Eduardo Mendes Camargo, apresentou números das nozes e castanhas no Brasil e no mundo (um mercado de US$ 35 bilhões, que cresce de 6% a 8% ao ano). Como exemplo do potencial de crescimento do setor, apresentou o Chile, que em 10 anos passou de US$ 20 milhões para US$ 300 milhões em exportações de nozes e castanhas. Lembrou também que a proibição de queimadas nas plantações de cana deve liberar áreas em encostas para outras culturas, com bom potencial para a noz macadâmia.

Castanha de caju, castanha brasileira (ou do Pará), noz macadâmia e noz pecan são os produtos exportados pelo Brasil, explicou Camargo. A seca tem prejudicado a castanha de caju nos últimos anos, mas há bom potencial de crescimento. Em relação à castanha brasileira, a novidade é que ela passou a ser cultivada. A castanha de baru também foi citada pelo diretor, pelo crescimento de sua produção.

Com exportação anual de US$ 133 milhões e importação de US$ 123 milhões, o mercado brasileiro de nozes e castanhas tem grande potencial de crescimento, afirmou Camargo, lembrando que esses produtos têm qualidades nutricionais, são sustentáveis e têm alta rentabilidade. Para ajudar nisso, o setor precisa de mais pesquisa e desenvolvimento, para aumento de produção e produtividade, comprovar as propriedades como alimento funcional (como já ocorre em outros países) e na indústria de cosméticos.

>> Ouça reportagem sobre o Encontro de Castanhas e Nozes

>> Clique aqui e veja as apresentações dos palestrantes do encontro 


Depois de Silvia Helena Carabolante, diretora da Unidade de Formação Profissional do Senai Barra Funda fazer uma apresentação sobre a instituição, Camargo lembrou que graças ao Senai o Brasil venceu a WorldSkills São Paulo 2105, a olimpíada mundial da formação profissional.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540174326

Mario Sergio Cutait e José Eduardo Mendes Camargo no encontro sobre nozes e castanhas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Bem-estar amazônico

O primeiro painel do evento, com o tema Inovação & Design, foi moderado por Matheus Borella, diretor do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp. Ele lembrou que inovação é essencial para quem quer se desenvolver.

Gerson Pinto, vice-presidente de Inovação da Natura, falou sobre a importância do tema na empresa, que dedica 3% de sua receita líquida à pesquisa e desenvolvimento e tem 68% de sua receita oriunda de produtos lançados há dois anos ou menos. São 280 pessoas diretamente envolvidas em P&D e inovação, além de 200 parceiros externos.

O representante da Natura usou nova linha de cosméticos à base de manteiga de murumuru, lançada em setembro, para exemplificar como a empresa inova usando matéria-prima da Amazônia. Explicou que o murumuru é fruto de uma palmeira alta e cheia de espinhos e que a Natura estudou suas características e comprovou afinidade com a fibra do cabelo.

Gerson Pinto disse que há grande oportunidade de crescimento para nozes e castanhas em cosméticos. Lembrou que esse mercado é muito grande, com o Brasil ocupando o terceiro lugar no mundo, atrás de EUA e Japão.

Eduardo Weinsberg, presidente da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes, propôs o trabalho conjunto de seu setor com o de nozes e castanhas. Explicou que ambos sofrem no Brasil com problemas culturais. Sorvetes não são consumidos no frio; nozes e castanhas são coisa de festas natalinas, lembrou. Defendeu que a mudança cultural seja feita com as crianças e falou sobre proposta de parceria envolvendo Sesi e Senai para distribuição, como merenda escolar, de sorvetes preparados com frutas brasileiras, nozes e castanhas, enriquecidos com vitaminas e cálcio, com baixo teor de açúcar e gordura.

Pesquisa & Desenvolvimento

Ana Luiza Vergueiro, diretora da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, moderou o segundo painel do encontro. Lembrou que a expectativa de vida é crescente e que é preciso oferecer qualidade de vida para as pessoas, o que inclui alimentos adequados, no que a ciência tem importante papel.

E foi exatamente de ciência, à base de pesquisa exaustiva, que falou Silvia Cozzolino, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Ela estuda a castanha do Brasil, importante fonte de selênio. Explicou que a substância tem papel essencial no organismo, potencializando o sistema imunológico, participando do sistema antioxidante e do metabolismo dos hormônios da tireoide.

Citou estudos que mostram efeitos positivos do consumo de uma castanha do Brasil por dia em pacientes com Alzheimer com comprometimento cognitivo leve e no sistema imunológico de pacientes submetidos a hemodiálise.

Também falou sobre uma avaliação da dieta dos brasileiros que identificou deficiência no consumo de selênio em São Paulo, tornando o Estado um dos mais beneficiados pelo consumo de castanha do Brasil como fonte de selênio.

No mundo, China e Nova Zelândia apresentam deficiência no consumo de selênio, disse Cozzolino.

No mesmo painel, Luiz Madi, diretor geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital – vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo), lembrou a parceria com a Fiesp na publicação do Brasil Food Trends 2020, que identificou cinco grupos de tendências de consumo:

Sensorialidade e Prazer: alimentos premium, étnicos, gourmet etc.

Saudabilidade e Bem-estar: produtos light/diet, energéticos, fortificados etc.

Conveniência e Praticidade: pratos prontos, produtos para micro-ondas etc.

Confiabilidade e Qualidade: garantia de origem, selos de qualidade etc.

Sustentabilidade e Ética: embalagens recicláveis, selos ambientais etc.

Pesquisa posterior mostrou a prioridade dada a Conveniência e Praticidade. Madi explicou que nozes e castanhas atendem a esse requisito – como, aliás, a todos os outros, o que lhes dá grande potencial no mercado.

Citou como exemplos de oportunidades a mistura de nozes a outros produtos, leite e óleo de castanhas.

Luiz Alberto Colnago, pesquisador da Embrapa Instrumentação, explicou as tecnologias disponíveis para produtores e processadores de castanhas e nozes. Entre elas, testes não invasivos e de alta velocidade para determinação de teor e qualidade de óleo por exemplo de castanhas, úteis para melhoramento genético e controle de qualidade. Também usou como exemplo avaliações de velocidade de secagem e resfriamento de sementes na torra.

Colnago disse que há estudos sobre revestimento de nozes e castanhas com filme comestível, para aumentar seu prazo de validade graças à diminuição da absorção de oxigênio e de umidade.

Feitiço no ar

O consumidor passa perto de um quiosque de Nutty Bavarian no shopping, sente o cheiro das castanhas e nozes e resolve comprar. Assim descreveu Adriana Miglorancia, presidente da marca com mais de 900 pontos de venda no mundo, como o consumidor prefere um cone com um mix de nozes a um sorvete vendido no mesmo lugar, a um preço menor. Ela participou do evento do encontro na Fiesp no painel Da ideia à execução.

“A realidade é que um grande número de consumidores vai pelo impulso. Sente o cheiro e compra porque é gostoso. Concorrer com um quiosque do McDonalds é difícil, mas se tiver fluxo de pessoas, está valendo”, disse Adriana.

Segundo a presidente da marca no Brasil, a rede de franquias da Nutty Bavarian consome até uma tonelada de nuts (conjunto de nozes, castanhas e outras oleaginosas) por dia.

Ela afirmou que a marca conseguiu alcançar, com o passar do tempo, o consumidor brasileiro fora de épocas tradicionais de consumo de nuts, como o período de festas de fim de ano.

“No Brasil, até 1996, nuts eram consumidas quase exclusivamente no Natal. Mas estamos conseguindo apresentar um produto que vai além do ingrediente para o bolo de Natal.”

Câmbio

O sócio-diretor da Tradal Brazil, Adrian Franciscono, também participou do encontro na Fiesp. A empresa dele é a fornecedora de matéria-prima para a Nutty Bavarian. Um dos desafios da companhia, explicou, é minimizar os impactos da variação cambial no franqueado.

“Trabalhamos com várias nuts de diferentes safras, e cada uma sofre influência do clima. Além disso, o câmbio também influencia bastante. Mas a gente faz um trabalho constante para que o franqueado não sinta. Mexemos apenas quando é extremamente necessário”, disse Franciscono. Ele ponderou, no entanto, que a valorização do dólar ajuda, por outro lado, “os produtos fabricados no Brasil e exportados”.

Nuts no supermercado

O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e diretor de Relações Governamentais do Grupo Pão de Açúcar, Marcio Milan, também participou do painel sobre oportunidades de negócios.

Ele se colocou à disposição dos produtores e empresários do setor para incentivar o consumo de nuts nos supermercados.

“Antes tínhamos oportunidade de vender as nozes só no final do ano. E houve uma evolução nos últimos anos. Podemos discutir e ver como podemos ajudar essa cadeia a se desenvolver ainda mais”, disse Milan.

O presidente do Conselho Superior de Inovação de Competitividade da Fiesp, Rodrigo Rocha Loures, encerrou o ciclo de painéis desta segunda-feira, que teve o título Nuts – Nutra seu Corpo, Alimente sua Alma.

“Não tenho dúvida do potencial das nuts para atender os desafios sociais, econômicos e de saúde do Brasil”, disse Loures, que é fundador da Nutrimental, fabricante das barras de cereais Nutry.

Divisão de Nozes e Castanhas da Fiesp faz primeira reunião

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A Divisão de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou sua primeira reunião nesta quarta-feira (13/5). O grupo pretende consolidar informações do setor, estimular o crescimento do mercado no país e apoiar pesquisas para o segmento agrícola.

“Vamos começar a trabalhar estatísticas e divulgar propriedades nutritivas e terapêuticas das nozes. E promovê-las junto aos consumidores”, disse José Eduardo Mendes de Camargo, diretor da divisão que iniciou os trabalhos este ano.

Na avaliação de Camargo, a criação da divisão contribui para a expansão da produção de nozes no Brasil “como uma boa alternativa de negócios”.

Ele acrescentou que a divisão deve perseguir algumas bandeiras como a abertura tarifária, certificação de produtos e pesquisas para o campo da saúde.

Oportunidades para castanhas, nozes e frutas secas apresentadas na Fiesp

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Saúde, alimentos nutritivos, tendências de mercado e preocupação com a alimentação foram temas discutidos no III Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas, realizado nesta segunda-feira (28/04) na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). O evento teve como objetivo aproximar os profissionais da cadeia produtiva do setor e apresentar informações, pesquisas, dados e tendências de consumo no Brasil e no mundo.

José Eduardo Camargo, presidente da Associação Brasileira De Noz Macadâmia (ABM) e vice-presidente do Ciesp destacou o momento que o Brasil está vivendo, que seria uma prova do desenvolvimento do país. “Nosso potencial está crescendo muito, a ponto de os produtores brasileiros não terem condições de atender o mercado dado o crescimento de 15% de um ano para o outro”, afirmou Camargo.

Camargo: “Nosso potencial está crescendo muito”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Camargo: “Nosso potencial está crescendo muito”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, falou sobre a importância das castanhas, nozes e frutas secas para a saúde, já que esses são alimentos altamente nutritivos. “Quando falamos em nozes e castanhas, estamos falando de saúde e alimentação benéfica. Consumir esses alimentos é consumir saúde”, explicou. Fernandes apontou ainda que, mesmo com esse crescimento de mercado, a maior parte dos produtos que consumimos ainda é importada.

Indústria de cosméticos

O uso de determinados alimentos na indústria de cosméticos foi a pauta discutida por Inocência Manoel, da Inoar Cosméticos. Inocência citou a tendência do agronegócio em usar a macadâmia, que, segundo ela, pode ser considerada a mais “nobre das castanhas e nozes”. Isso por conta dos benefícios da macadâmia para o organismo e para os cabelos.

Em relação ao agronegócio no Brasil, Cesário Ramalho da Silva, produtor rural e membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), apontou que o agronegócio representa 30% do PIB brasileiro. “O agronegócio no Brasil é formado pelo pequeno, médio e grande proprietário. Existe espaço para todos”, disse.

Indústria de alimentos

Claiton Afonso Wallauer, da empresa Pecanita, do Rio Grande do Sul, abordou a tendência do mercado de buscar alimentos mais saudáveis para lanches e refeições completas. Um cenário no qual as frutas secas entram como opção de alimentos funcionais. “Alimentos que produzem efeitos benéficos à saúde, além de suas funções nutricionais básicas, têm sido cada vez mais procurados pela população”, afirmou.

O III Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas: possibilidades no agronegócio e na indústria de cosméticos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O III Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas: possibilidades no agronegócio e na indústria de cosméticos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Wallauer apresentou estudos que mostram os benefícios das nozes e das frutas secas, como a redução significativa de doenças ligadas ao coração,  com queda de 30% no número de  infartos, derrames e mortes. O palestrante também reforçou a tendência de aumento do consumo de produtos mais saudáveis.

Oriente Médio é mercado acessível para indústria de alimentos do Brasil, diz gerente de empresa dos Emirados Árabes

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

II Encontro Internacional de Castanhas e Nozes - Ivan Moraes. Foto: Everton Amaro

Ivan Moraes, gerente da Rafi Agrifoods Internacional. Foto: Everton Amaro

Por não ter uma oferta generosa de recursos naturais como o Brasil, países do Oriente Médio investiram em obras de infraestrutura para receber alimentos importados de outros países e suprir a forte demanda na região por comida.

A condição desses países se configura como uma oportunidade de mercado para um segmento da indústria brasileira de alimentos: a produção de nozes e castanhas.

A avaliação é de Ivan Moraes, gerente da Rafi Agrifoods Internacional, empresa de alimentos dos Emirados Árabes, ao participar do II Encontro Internacional de Castanha, Nozes e Frutas Secas, evento realizado na manhã desta quarta-feira (08/05) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Os portos da região têm excelente infraestrutura. Jebel Ali, por exemplo, está entre os cinco portos mais movimentados do mundo”, disse Moraes sobre o porto de Dubai, que abriga ao menos 5.500 companhias que prestam serviços para mais de 120 países.

Outro aspecto que pode representar oportunidade de mercado para o produtor brasileiro é o olhar atento à alimentação por parte do povo e de governos da região, acrescentou Moraes.

“Em se tratando de alimento, os governantes viabilizam e facilitam o acesso a comida, principalmente para a população mais carente. É muito pouco provável você ver alguém passar fome lá”, contou.

Cultura

Moraes afirmou que refeições fartas são hábito da população do Oriente Médio, onde as famílias costumam ser numerosas. Além disso, a censura a costumes ocidentais como beber acompanhado por amigos  faz com que as reuniões sociais sejam acompanhadas de mesas fartas.

“Na Arábia Saudita, por exemplo, é proibido cinema, a mulher não pode dirigir, é proibido [o consumo de] álcool. Então as pessoas se reúnem com muita facilidade e o grande prazer deles é comer”, disse Moraes. “Come-se muito no Oriente Médio.”

O consumidor árabe dá preferência para embalagens maiores, afirmou o gerente. “É muito comum encontrar pacote de arroz de 20 quilos no supermercado.”

Ele explicou que a população dessa região é receptiva a novidades desde que o produto respeite as exigências do mercado Halal, formado por mulçumanos que consomem apenas produtos industrializados que seguem os padrões da lei islâmica.

Segundo Moraes, os produtos devem ser preparados com ingredientes puros e limpos, isentos de qualquer tipo de droga e álcool e sem origem animal.