Oportunidades para castanhas, nozes e frutas secas apresentadas na Fiesp

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Saúde, alimentos nutritivos, tendências de mercado e preocupação com a alimentação foram temas discutidos no III Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas, realizado nesta segunda-feira (28/04) na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). O evento teve como objetivo aproximar os profissionais da cadeia produtiva do setor e apresentar informações, pesquisas, dados e tendências de consumo no Brasil e no mundo.

José Eduardo Camargo, presidente da Associação Brasileira De Noz Macadâmia (ABM) e vice-presidente do Ciesp destacou o momento que o Brasil está vivendo, que seria uma prova do desenvolvimento do país. “Nosso potencial está crescendo muito, a ponto de os produtores brasileiros não terem condições de atender o mercado dado o crescimento de 15% de um ano para o outro”, afirmou Camargo.

Camargo: “Nosso potencial está crescendo muito”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Camargo: “Nosso potencial está crescendo muito”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, falou sobre a importância das castanhas, nozes e frutas secas para a saúde, já que esses são alimentos altamente nutritivos. “Quando falamos em nozes e castanhas, estamos falando de saúde e alimentação benéfica. Consumir esses alimentos é consumir saúde”, explicou. Fernandes apontou ainda que, mesmo com esse crescimento de mercado, a maior parte dos produtos que consumimos ainda é importada.

Indústria de cosméticos

O uso de determinados alimentos na indústria de cosméticos foi a pauta discutida por Inocência Manoel, da Inoar Cosméticos. Inocência citou a tendência do agronegócio em usar a macadâmia, que, segundo ela, pode ser considerada a mais “nobre das castanhas e nozes”. Isso por conta dos benefícios da macadâmia para o organismo e para os cabelos.

Em relação ao agronegócio no Brasil, Cesário Ramalho da Silva, produtor rural e membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), apontou que o agronegócio representa 30% do PIB brasileiro. “O agronegócio no Brasil é formado pelo pequeno, médio e grande proprietário. Existe espaço para todos”, disse.

Indústria de alimentos

Claiton Afonso Wallauer, da empresa Pecanita, do Rio Grande do Sul, abordou a tendência do mercado de buscar alimentos mais saudáveis para lanches e refeições completas. Um cenário no qual as frutas secas entram como opção de alimentos funcionais. “Alimentos que produzem efeitos benéficos à saúde, além de suas funções nutricionais básicas, têm sido cada vez mais procurados pela população”, afirmou.

O III Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas: possibilidades no agronegócio e na indústria de cosméticos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O III Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas: possibilidades no agronegócio e na indústria de cosméticos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Wallauer apresentou estudos que mostram os benefícios das nozes e das frutas secas, como a redução significativa de doenças ligadas ao coração,  com queda de 30% no número de  infartos, derrames e mortes. O palestrante também reforçou a tendência de aumento do consumo de produtos mais saudáveis.

Empresários de castanhas, nozes e frutas secas discutem ações para impulsionar o segmento

Ariett Gouveia e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Elevar o consumo interno e aumentar a exposição internacional dos produtos brasileiros foram os principais temas apresentados no II Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas, realizado nesta quarta-feira (08/05), no auditório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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José Eduardo Camargo, do Ciesp: segmento já representa novo caminho para indústria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para abrir o evento, o presidente da Associação Brasileira de Noz Macadâmia e vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Eduardo Camargo, destacou  que as deficiências da infraestrutura brasileira também afetam o setor.

“Dentro das porteiras das fazendas e dos portões das indústrias, o Brasil é campeão em inúmeros setores. Mas na hora em que sai e enfrenta a logística, as estradas, os portos e aeroportos, a estocagem, os tributos, sofre uma pesada carga, que inviabiliza a concorrência.”

Sobre o segmento de castanhas, nozes e frutas secas, Camargo destacou que ele está em crescimento no mercado nacional. “Está em fase de construção e consolidação, mas já representa um novo caminho para o agronegócio paulista e brasileiro.”

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Moacyr Saraiva Fernandes, do Ibraf: um dos objetivos da entidade é reverter a situação do comércio exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, afirmou que um dos grandes objetivos da entidade é reverter a situação do comércio exterior.

“Hoje, nós importamos 128 mil toneladas de nozes, castanhas e frutas desidratadas. E exportamos apenas 37 mil”, afirmou. “Porém, isso é reversível se conseguirmos organizar o segmento, ter apoios institucionais e governamentais e aproveitarmos as oportunidades como a que está surgindo em São Paulo, com as reestruturações agrícolas e limitações do plantio de cana.”

Fernandes apresentou o Ibraf, que foi criado em 1989 por lideranças do setor, e as ações do Programa Básico para Castanhas, Nozes e Frutas desidratas, que inclui campanhas de marketing, acordos e parcerias com órgãos internacionais e incentivos para aumentar o consumo interno, como a inclusão de produtos em programas de alimentação escolar.

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Luciana Pacheco, do Ibraf: meta é facilitar o acesso das empresas no exterior. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Outro plano apresentado pelo Ibraf foi o Brazilian Fruit, que busca diminuir a diferença da balança comercial no setor frutícola.

De acordo com a gerente de projetos do Instituto, Luciana Pacheco, a meta é facilitar o acesso das empresas no exterior, analisar as oportunidades de novos mercados e consolidar os mercados já conquistados.

Reforçando o potencial econômico do setor, a secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi, afirmou que acredita muito no mercado de castanhas, nozes e frutas secas. “São Paulo pode ser muito maior que o Chile, com relação à fruticultura.”

Bergamaschi defende a união de esforços para alavancar o mercado. “É evidente que temos que trabalhar as políticas públicas, que o governo federal tome atitudes com relação à infraestrutura e o ‘Custo Brasil’, que o Estado faça as parcerias público-privadas para criar novos portos e linhas de escoamento da produção”, disse a secretária. “Outro ponto importante é a pesquisa, em que o governo do Estado tem investido na revitalização dos institutos e em recursos humanos.”

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Monika Bergamaschi: setor privado deve ser organizar em associações e cooperativas para ter acesso a políticas públicas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A secretária falou ainda sobre a necessidade de organização do setor privado em associações e cooperativas, para ter maior volume e possam conseguir acesso a políticas públicas e outras medidas. E cobrou uma melhoria no acesso aos produtos.

“Precisamos produzir mais, com mais transparência e com preços melhores, para aumentarmos o acesso. Havendo o acesso, eu não tenho dúvidas que o setor vai crescer muito, com renda melhor para o produtor e todos os benefícios que esses produtos têm para mais consumidores.”

Empresários analisam perspectivas

Maria Teresa Camargo, representante da empresa Queen Nut, falou sobre as diversas aplicações da macadâmia na indústria e comércio.  As oportunidades, segundo ela, estão em crescimento. “A sociedade cada vez mais se informa e percebe os benefícios de uma dieta que contemple nozes como a macadâmia. Graças a isso, a perspectiva de crescimento e consumo é bastante positiva”, disse.

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Maria Teresa Camargo, da Queen Nut: diversidade de aplicações da macadâmia. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A executiva da Queen Nut chamou atenção para a diversidade de aplicações do produto. Segundo ela, a macadâmia hoje já é utilizada até em produtos de beleza e cosméticos como condicionadores e produtos especiais para cabelos. E ainda em alimentos como bolos, biscoitos, chocolates e sorvetes. “É a noz mais versátil que conhecemos”, garantiu.

A produção da noz macadâmia, de acordo com Maria Teresa Camargo, ainda é bastante pequena se comparada às outras nozes. De toda produção mundial, apenas 1% é de macadâmia.

Segundo Camargo, há um caminho enorme a ser trilhado pelo setor. “O brasileiro, em média, consome apenas três gramas de macadâmia por ano. Na Austrália, a quantidade é de 298 gramas.”

O Brasil é apenas o sétimo produtor da noz no mundo, segundo Camargo. “Temos um mercado de consumo crescente, sendo assim, temos muitas oportunidades. Há muito mercado para ser atendido, tanto no Brasil como no exterior”, encerrou.

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Ana Luiza Vergueiro, da Econut: consumidor é atento ao tema da sustentabilidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ana Luiza Vergueiro, da Econut, falou da fundação da empresa de origem amazonense e da luta contra a extinção da castanheira do Brasil. Questões sobre cultivo e produção também foram abordados durante sua exposição.

“Nossa empresa iniciou os trabalhos em 1969. Entretanto, a primeira safra comercial foi lançada apenas em 2009. Isso mostra a dificuldade e especialização de um produto diferenciado e sustentável, tanto econômica, quanto social e ambientalmente”, disse.

Segundo ela, o atual consumidor de castanha do pará procura benefícios para a saúde e prevenção de doenças e não apenas um produto com sabor agradável. “Nosso negocio é segmentado. Trabalhamos com 127 lojas de produtos orgânicos e nosso foco é um consumidor exigente e preocupado com sustentabilidade”, afirmou.

Sustentabilidade, aliás, que é uma das maiores preocupações da Econut, garantiu a empresária. “Desde o início, procuramos recuperar e promover a saúde pública com nossa produção. Levando desenvolvimento às comunidades amazonenses nas quais atuamos.”

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Claiton Wallauer, da Pecanita: Brasil tem vasto campo de crescimento para as produtoras de noz pecan. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Claiton Wallauer, proprietário da Pecanita, falou sobre os planos da empresa, produtora gaúcha deste tipo de noz.  “Podemos alçar voos ainda mais altos e nos tornarmos protagonistas mundiais do setor de pecans”, disse de início.

O empresário  destacou que há um vasto campo de crescimento para as produtoras nacionais deste tipo de fruta. “Apenas 15% das pecans consumidas no Brasil são produzidas aqui. O resto vem de importação”, disse.

Wallauer apresentou dados que apontam que a produção mundial da noz é de 200 mil toneladas. “É pouco”, opinou o empresário, que ainda sublinhou as vantagens de atuação no setor. “É uma fruta não perecível a curto prazo e com baixo custo de manejo no pomar”, disse. “A Pecanita busca o fomento do cultivo e o aumento de oferta de noz pecan nacional”, encerrou.

Com apoio da Fiesp, Ibraf realiza II Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebe no dia 8 de maio, no auditório do 4º andar, o II Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas. O objetivo do evento é o de aproximar os integrantes da cadeia produtiva do segmento e apresentar informações, dados estratégicos e tendências mundiais de consumo.

A realização é do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Associação Brasileira de Noz Macadâmia (ABM) e da Fiesp, por intermédio do Departamento do Agronegócio (Deagro).

A agenda inclui palestras sobre os seguintes assuntos: “Tendências para a castanha de caju”; “As diversas aplicações da macadâmia na indústria e comércio”; “A experiência de abertura de mercado para a castanha-do-pará orgânica”; “Oportunidades e acesso ao mercado árabe” e “A importância das nozes e frutas secas na indústria para agregação de valor”.

Castanha

Atualmente, 24% da produção brasileira de castanha é exportada na forma de castanha beneficiada ou processada. Outros 76% são exportados como castanhas não processadas com casca. Os principais destinos desse produto brasileiros são Estados Unidos, Canadá e União Europeia. Os maiores produtores mundiais de castanha de caju são Índia, Vietnã, Brasil e Nigéria.

A castanha do Brasil, conhecida entre nós como castanha-do-pará, é um produto de extrativismo da castanheira, que ocorre na região norte do Brasil e apenas o Brasil, a Bolívia e Peru produzem essa castanha.

“A macadâmia é um produto premium, de alta qualidade, tem benefícios à saúde comprovados por universidades dos Estados Unidos e Europa, por isso, há tendência de aumento na sua produção. Parte da produção nacional é comercializada no mercado interno e outra parte é exportada principalmente para os Estados Unidos, Europa, Japão, Emirados Árabes e países da América Latina.”, comenta Maria Teresa Camargo, diretora da Queen Nut Macadâmia.