Indústria deve encerrar 2012 com 60 mil empregos a menos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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'Pequena queda pode ser prenúncio de melhoria em 2013', segundo Paulo Francini. Foto: Julia Moraes

A indústria paulista perdeu 8.500 postos de trabalho em novembro na comparação com o quadro de funcionários verificado em outubro, de acordo com pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo divulgada pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), nesta quinta-feira (13/12). O levantamento aponta, no entanto, uma variação positiva para o emprego no mês em 0,53%, com ajuste sazonal.

A Fiesp estima que a indústria deva encerrar 2012 com 60 mil vagas de trabalho a menos. “O emprego não vai terminar bem, considerando o ano de 2012”,  disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini.

Na avaliação de Francini, a variação positiva do mês de novembro se deve ao fato de usinas produtoras de açúcar e álcool retardarem a devolução de empregos por questões climáticas. O mesmo comportamento foi sentido nos demais setores da indústria, que registraram uma redução menor de seu quadro de funcionários em comparação com outros novembros.

Em novembro de 2011, a variação do emprego na indústria ficou negativa em 1,77% na comparação mensal, o equivalente ao fechamento de 47.500 vagas.

“O setor de açúcar e álcool em 2012 apresentou certa anormalidade porque começou a colheita tardiamente em relação aos mesmos anos anteriores, ou seja, demorou mais tempo do que de costume”, explicou o diretor.

Segundo Francini, em novembro do ano passado, a indústria de açúcar e álcool devolveu 28 mil postos de trabalho, contra 2.407 em igual período deste ano. No caso dos setores da indústria de transformação, em novembro de 2011 foram fechadas 18 mil vagas, comparado a 6.093 mil no mesmo período de 2012.

“A pequena queda neste mês, comparativamente aos outros anos, pode ser o princípio de um sinal positivo. Isso pode ser um prenúncio de melhoria em 2013 na trajetória de recuperação da indústria de transformação”, afirmou Francini. No entanto, ele pondera: “Os meses que virão a seguir nos confirmarão ou não”.

Apesar de perspectivas mais otimistas, o diretor reitera que 2012 “não vai terminar bem para o emprego na indústria” e que a devolução de empregos não ocorrida em novembro poderá acontecer em dezembro A federação estima uma queda de 2,4% do PIB da indústria brasileira neste ano.

A pesquisa

from Fiesp

No acumulado do ano, a indústria paulista gerou 13 mil empregos, com variação positiva de 0,49%. Apesar de positiva, a taxa de criação de vagas do mês continua apresentando o menor desempenho desde 2006 – início da pesquisa –, com exceção da crise de 2009, quando o índice apurou perdas de 1,02% no acumulado daquele ano.

Nos últimos 12 meses foram fechados 23,5 mil postos de trabalho – um recuo de 0,91% em relação ao mesmo período imediatamente anterior.

Do total de demissões ocorridas em novembro, o setor de açúcar e álcool contribuiu com o fechamento de 2.407 postos no mês, o equivalente a uma taxa negativa de 0,09% para o mês na comparação com outubro.

Já no acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 39.181 vagas enquanto os outros segmentos da produção brasileira fecharam 26.181, deixando um saldo de 13 mil empregos gerados entre janeiro e novembro deste ano.

Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, 15 apresentaram efeitos negativos, quatro fecharam o mês em alta e três ficaram estáveis. O emprego no setor de Fabricação de Coque de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis registrou a maior queda, com 2,6% em novembro versus outubro, seguido pelo desempenho ruim na indústria de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos, que encerrou o mês com queda de 1,7%.

Já os segmentos de Bebidas e Produtos Farmacoquímico e Farmacêuticos apuraram ganhos no mês de 0,8% e 0,5%, respectivamente. A pesquisa da Fiesp mostrou ainda que das 36 regiões analisadas, 22 apresentaram quadro negativo, nove ficaram positivas e cinco regiões encerraram o mês estáveis.

Santo André foi a cidade que mostrou a maior alta, com taxa de 1,21% em novembro, impulsionada por Produtos Alimentícios (6,61%) e Máquinas e Equipamentos (4,31%). A região de Matão registrou ganho de 1,07%, sob influência positiva dos setores de Confecção de Artigos do Vestuário (1,96%) e Produtos Alimentícios (1,40%). Enquanto Santos subiu 0,75%, influenciado por Produtos Alimentícios (2,04%) e Produtos Químicos (1,49%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para Presidente Prudente, que computou a queda mais expressiva do mês com 1,78%, abatida pelas perdas em Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-11,10%) e Confecções de Artigos do Vestuário (-2,24%). Araçatuba fechou o mês com baixa de 1,77%, pressionada pelo desempenho ruim dos setores de Celulose, Papel e Produtos de Papel (-4,86%) e Artefatos de Couro e Calçados (-3,10%). O emprego em Jundiaí caiu 1,25%, com perdas mais expressivas em Móveis (-4,03%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-1,61%).