Para diretora do Deinfra, novas tecnologias devem alavancar tratamento de resíduos

Agência Indusnet Fiesp

Para aprofundar as discussões sobre como as novas tecnologias podem representar um avanço para a área de Saneamento Básico no Brasil, o Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp organizou um novo workshop com especialistas na última quarta-feira (10/10).

Na visão da diretora titular adjunta do Deinfra, Maria Celina de Azevedo Rodrigues, o avanço da tecnologia no setor deve alavancar o número de projetos com foco em tratamento de resíduos. “Precisamos superar nossas limitações e deficiências, além de evitar ações como o uso de medidas provisórias e interferência federal em matérias de competência dos Estados e municípios”, afirmou.

Para ela, o atual quadro de eficiência do setor é bastante preocupante, “nós não estamos usando tecnologias suficientes para a transformação do tratamento de esgoto que precisamos. Na comparação com o que está sendo feito pelo mundo, estamos atrasados”, criticou.

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Evento ocorreu na sede da federação em São Paulo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O diretor da Royal Haskoning DHV, Sérgio Ribeiro, fez um intenso testemunho sobre sua experiência em termos de dessalinização no Brasil e na América do Sul nos últimos dez anos. Também participaram do encontro o gerente de Desenvolvimento e Gestão da Regional Metropolitana da Sabesp, Marcelo Fornaziero Medeiros, e o consultor da Cambi, Joélcio Saturnino.

Advogado precisa ajudar com soluções, dizem participantes do Congresso Brasileiro de Direito Digital

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

 O segundo painel do Congresso Brasileiro de Direito Digital, realizado pela Fiesp e pelo Ciesp no dia 29 de outubro, teve como tema “RED – Riscos à Economia Digital” – Empreendedorismo, ética, novas tecnologias: os benefícios da tecnologia no Direito e nos negócios.

Rony Vainzof, diretor do Departamento de Segurança da Fiesp (Deseg) e responsável por seu Grupo de Trabalho de Segurança Cibernética, fez a provocação aos debatedores, perguntando como ter segurança jurídica sem afetar a economia digital?

Marcelo Crespo, professor de Direito e membro do Gedemp/Fiesp, frisou a necessidade de proteger dados do cidadão e disse que é preciso ter responsabilidade ao falar de economia digital. Mencionou a presidente Dilma Rousseff, que disse que o Uber era questão complexa, que tira o emprega das pessoas. “Duvido que isso tenha sido dito com base em algum estudo”, afirmou. “Não se deve demonizar a tecnologia. Na Fiesp há muitos entusiastas da tecnologia, com iniciativas como o Hackathon, mas o problema é fora”, disse.

Outro exemplo de demonização citado por Crespo está nas criptomoedas, como o bitcoin. “Não é crime”, declarou, mas lembrou que a tecnologia pode ser usada pelo crime.

“Precisamos ampliar nosso horizonte e pensar em como queremos viver em sociedade”, disse. Citando o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, perguntou: “queremos o Estado paternalista ou o que dá condições de fazer?”.

O advogado, disse, tem que fazer como JP Morgan falou. “Advogado tem que ser facilitador. Todos têm que ser, não só os advogados. Se ficar só no não, não sai do lugar”.

Alexandre Pacheco da Silva, coordenador do Grupo de Ensino e Pesquisa em Inovação (GEPI) da FGV Direito, falou sobre desafios de novos negócios. Deixou como tema de reflexão que agenda podemos criar em relação aos benefícios que podem ser trazidos pela economia digital e ao mesmo tempo ficar atentos para os prejuízos possíveis?

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Segundo painel do Congresso Brasileiro de Direito Digital, organizado por Fiesp e Ciesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Moacyr Alves Junior, presidente da Acigames, apresentou números que considera interessantes sobre os “joguinhos”. Mostrou que o valor de empresas enxutas do setor pode ser muito maior que os da economia convencional.

Diz que de suas viagens, por exemplo para China e Índia, percebe o interesse pelo Brasil, mas o país não sabe aproveitar as oportunidades. “Quando país não tem incentivo para o setor, fica muito difícil alguém querer investir nele”, afirmou.

E perguntou: “quem é o culpado?”. Disse que as pessoas reclamam do Governo, mas ninguém vai ao Congresso. “Precisamos produzir documentos, mostrar as falhas e exigir que o Governo faça sua parte.” Elogiou a iniciativa “Não Vou Pagar o Pato”, capitaneada pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Rony Vainzof comentou as palavras de Alves Junior e afirmou que o Brasil não pode perder recursos financeiros e recursos humanos. Concorda com a opinião dele sobre a necessidade da presença em Brasília e considera o momento oportuno.

Sylvio Gomide, diretor titular do CAF – Comitê Acelera Fiesp, inverteu a questão, dizendo que é preciso ver como a tecnologia tem impacto sobre o Direito.  Na nova economia, disse, é preciso acreditar nas pessoas e buscar a informação. E o Direito tem que acompanhar. “A gente gosta de advogado que ajuda a realizar negócios”, afirmou. “E há muitos aqui”, completou.

Disse também que a crise é momentânea e há muita oportunidade. Lembrou que a economia compartilhada tem tudo a ver com isso.

Francisco Brito Cruz, diretor do InternetLab, falou da dificuldade em encontrar pontos de equilíbrio no direito. Uma fonte de riscos na regulação da tecnologia, disse, é que “o alvo é sempre móvel”. Nem sempre proibir é o melhor caminho, pelos benefícios, mas a tecnologia pode ser lesiva, até pela possibilidade de manipulação.

O Direito, quando começa a existir, gera desconforto para alguém, afirmou. “Para quem vai ser? Em quem a regulação vai impactar e com que força?”

Lembrou que proteção de dados pessoais é muito importante. Vira uma mina de ouro para o Governo, se houver muitos dados pessoais coletados pelas empresas e disponíveis para ele. Por isso as regras de proteção são tão importantes.

Rony Vainzof comentou que a principal questão é tratar o assunto de forma multidisciplinar. E os advogados têm que pensar de forma diferente. Não podem travar as inovações. “Temos que dar atenção a novas áreas, como a de games. Novos mercados com oportunidades, que precisamos abraçar neste momento, pensando positivamente.”

Governo Digital

O Congresso Brasileiro de Direito Digital teve também painel sobre “Governo Digital: os principais desafios atuais e futuros para a indústria e a criação de uma cultura básica de segurança”. O contextualizador foi Oziel Estevão, diretor titular-adjunto do Departamento Jurídico da Fiesp.

Participaram como debatedores:
Coriolano Almeida Camargo, Conselheiro Estadual da OAB-SP, Conselheiro do Conjur e Coordenador do Subgrupo de Direito Digital do Gedemp/Fiesp; Carlos Eduardo Sobral, Presidente Eleito da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF); Cassio Jordão Motta Vecchiatti, Diretor do Departamento de Segurança da Fiesp; Marco Antonio Araújo Jr., Vice-Presidente do Grupo de Educação Damásio; Marco Aurélio Florêncio Filho, Presidente da Comissão de Direito Penal Econômico da OAB-SP.

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Governo Digital foi o tema do primeiro painel do Congresso Brasileiro de Direito Digital. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Senai-SP abre processo seletivo para cursos superiores de tecnologia em 16 faculdades

Rosângela Gallardo, Agência Indusnet Fiesp

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) está com inscrições abertas até 28 de novembro para cursos superiores de tecnologia. As faculdades, que levam o selo da entidade no Estado de São Paulo, têm por objetivo atender às competências exigidas pelo mercado de trabalho, que cada vez mais valoriza o contato com novas tecnologias.

Os candidatos aprovados podem se beneficiar de um modelo inédito de financiamento estudantil, voltado a alunos com renda familiar per capita de até três salários mínimos. Para usufruir do benefício, os estudantes apenas se comprometem, sem a assinatura de nenhum instrumento jurídico, a pagar, após seis meses de formados, o equivalente à mensalidade em vigor.

“Nosso objetivo é criar condições para que os jovens já encaminhados profissionalmente possam subsidiar novos alunos”, explica Paulo Skaf, presidente do Conselho Regional do Senai-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os estudantes também poderão solicitar bolsas de estudo por índice econômico familiar, monitoria ou iniciação científica, que permitem descontos de até 38% nas mensalidades.

As inscrições podem ser feitas via internet, no endereço http://www.sp.senai.br/faculdades, ou na faculdade onde será oferecido o curso pretendido.

Novidade

A novidade deste ano é a criação da Faculdade Senai de Tecnologia de Santos, que oferecerá o curso Superior de Tecnologia de Instrumentação Industrial, o primeiro nesta habilitação no Estado.

No passado, a rede já havia lançado seis faculdades para atender demandas específicas do mercado de trabalho. Desse novo pacote, quatro unidades foram desenvolvidas na capital e passaram a oferecer os cursos de Tecnologia em Alimentos (unidade Barra Funda), Tecnologia em Mecânica de Precisão (unidade Santo Amaro), Tecnologia em Sistemas Automotivos (unidade Ipiranga) e Tecnologia em Manutenção Industrial (unidade Brás). Para o interior, foram abertas duas Faculdades, que oferecem os cursos de Tecnologia em Fabricação Mecânica nos municípios de Sorocaba e Campinas.

Atualmente, a instituição oferece os seguintes cursos:

  • Tecnologia em Produção Gráfica (46 vagas/ noturno) – Mooca (Capital)
  • Tecnologia em Mecatrônica Industrial (80 vagas/noturno) – São Caetano do Sul
  • Tecnologia em Processos Ambientais (40 vagas/ noturno) – São Bernardo do Campo
  • Tecnologia em Produção de Vestuário (40 vagas/ noturno) – Brás (Capital)
  • Tecnologia em Polímeros (40 vagas/ noturno) – São Bernardo do Campo
  • Tecnologia em Automação Industrial (40 vagas/ noturno) – Vila Leopoldina (Capital);
  • Tecnologia em Fabricação Mecânica (40 vagas/ noturno em Taubaté; 40 vagas/ noturno em Campinas; 40 vagas/noturno em Sorocaba; 40 vagas/noturno em São Carlos)
  • Tecnologia em Processos Metalúrgicos (40 vagas/ noturno) – Osasco
  • Tecnologia em Eletrônica Industrial (40 vagas/ noturno) – Vila Mariana (Capital)
  • Tecnologia em Alimentos (40 vagas/noturno) – Barra Funda (Capital)
  • Tecnologia em Mecânica de Precisão (40 vagas/noturno) – Santo Amaro (Capital)
  • Tecnologia em Sistemas Automotivos (40 vagas/noturno) – Ipiranga (Capital)
  • Tecnologia em Manutenção Industrial (40 vagas/noturno) – Brás (Capital)
  • Tecnologia em Instrumentação Industrial (40 vagas/noturno) – Santos

As unidades estão instaladas nos municípios de Campinas, Osasco, Taubaté, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, Sorocaba e São Paulo (Mooca, Vila Leopoldina, Bom Retiro, Vila Mariana, Barra Funda, Santo Amaro, Ipiranga e Brás).

Diferencial do Senai-SP

A oferta dos cursos está diretamente vinculada ao novo perfil das empresas, que adotam cada vez mais estratégias visando à competitividade. O grande diferencial do Senai-SP para se manter sintonizado com essa realidade é a criação de comitês técnicos setoriais, com representantes da indústria, dos sindicatos, dos educadores e dos tecnólogos, para a elaboração do currículo.

“Ouvimos todas as necessidades do mercado para que as competências profissionais que as indústrias necessitam sejam oferecidas nos cursos”, afirma José Carlos Mendes Manzano, Auditor Educacional do Senai-SP. O resultado é que em torno de 90% dos alunos formados há um ano já estão empregados na área escolhida.

Em busca de novas tecnologias

Segundo dados do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), as empresas que inovam e diferenciam seus produtos são responsáveis por 25,9% do faturamento industrial no Brasil. O mesmo instituto calcula que a reserva de mão de obra no País é de 9,1 milhões de profissionais, justificando a necessidade de capacitação e a aquisição de novas competências para alcançar uma vaga no mercado de trabalho.

A expansão da oferta de matrículas dos cursos superiores de tecnologia reforça a necessidade de qualificação no país. De 2001 a 2009, o total de vagas oferecidas saltou de 70 mil para 680 mil e, atualmente, representa 11% das matrículas existentes nos cursos de graduação.

Serviço
Cursos superiores de tecnologia do Senai-SP

Inscrições:

  • Período – de 15 de outubro a 28 de novembro
  • Local – na unidade que oferece o curso pretendido ou pela Internet
  • Taxa – R$ 53,00. O pagamento deve ser efetuado na rede bancária

Prova:

  • Data e horário: 9 de dezembro (domingo), das 13h às 18h
  • A prova é composta por uma redação e 70 questões de múltipla escolha, em nível de conclusão do ensino médio, das disciplinas de Língua Portuguesa e Literatura, Inglês, Matemática, Física, Química, Biologia, História e Geografia.

Resultados:

  • O gabarito da prova estará disponível no site do Senai-SP (www.sp.senai.br/faculdades) a partir das 14h do dia 10 de dezembro.
  • A lista de aprovados será divulgada no dia 2 de janeiro de 2013, a partir das 9 horas, nas respectivas unidades e no site da instituição.

Matrícula:

  • Data: de 2 a 4 de janeiro de 2013, em primeira chamada; 7 e 8 de janeiro em segunda chamada, das 9h às 21h, na secretaria da faculdade onde será oferecido o curso.

Informações para o público:
(11) 3528-2000 (todo o Estado)
0800-551000 (exceto Capital)

Indústria impulsiona novas tecnologias que reduzem custos e favorecem o Meio Ambiente

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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Walter Lazzarini e Nelson Pereira dos Reis prestigiam os vencedores do VII Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água

A indústria brasileira vive um dos seus momentos mais críticos e sua competitividade é afetada por diversas adversidades, incluindo a concorrência desleal dos produtos importados. Mesmo assim, continua sendo um setor dinâmico da sociedade, gerador de emprego e de novas tecnologias.

A análise foi feita pelo diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, durante cerimônia realizada nesta quinta-feira (22), Dia da Água, que laureou os quatro vencedores da sétima edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água. No total, 19 empresas concorreram ao prêmio nas categorias micro/pequena e média/grande.

“Os empresários estão cientes das dificuldades que passam com exportação de empregos, altas taxas de juros, burocracia, deficiências logísticas, mas fazem um esforço legítimo para reduzir seus custos de produção”, afirmou Walter Lazzarini, presidente do Conselho de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp.


Premiados

A Pirelli Pneus e a Metalsinter ganharam o 1º lugar nas categorias média/grande e micro/pequena, respectivamente.

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Representantes das quatro empresas ganhadoras comemoram ao lado do presidente do Cosema e dos diretores do DMA da Fiesp


Em segundo lugar, ficou a  Dedini S/A Indústria de Base (Piracicaba/SP), com o seu Projeto Água.

“Os recursos hídricos são finitos”, afirmou Antonio Aparecido Berto, gerente corporativo de serviços administrativos da Dedini, que frisou o pioneirismo do fundador do grupo, Mario Dedini, ao projetar, há 60 anos, uma usina com reaproveitamento de água de chuvas. A empresa aposta em uma matriz limpa, conta com energia eólica e solar, além de captar água da chuva e ter certificação ISO 14.001.

O projeto estabeleceu prioridades estratégicas: recuperação e preservação contínua dos recursos naturais hídricos da microbacia do ribeirão Guamium, reutilização dos recursos hídricos, inclusive em instalações e processo, e reflorestamento – ações aliadas à conscientização ambiental através de sua sala verde, voltada a cerca de 700 funcionários e as escolas do entorno.

Com laboratório próprio, avalia-se da qualidade e o monitoramento da água desde a nascente, segundo Berto, que sinalizou números positivos: reconstituição de 80 mil metros³ do ribeirão, com o plantio de 10 mil árvores vindas de viveiro próprio de mudas, com capacidade para 12 mil unidades anuais.

A Dedini utilizou volume menor de água captada: -29,5% ou 1.186 m³/mês de 2008 a 2011. Também se observou redução de 29,5%, no lançamento de efluente líquido e maior utilização de água de chuva (50m3/mês) e 99% de reúso.

O processo de fundição demanda quantidade significativa de água. Esta unidade possui capacidade produtiva de até 40 mil toneladas/ano, com forte atuação nos segmentos de açúcar e etanol, hidrogeração, mineração e veículos automotivos.

O Projeto de Reúso da Água da Usina São José da Estiva S/A – Açúcar e Álcool, da cidade deNovo Horizonte/SP, ficou em 3º lugar.

É significativa a quantidade de terra arrastada com a cana no momento de embarque no caminhão, representando 1% do peso total do veículo, o que pode significar até 112,8 toneladas de terra/dia que pode se acumular no sistema de limpeza da Usina.

O método tradicional seria a retirada da terra com água nas mesas alimentadoras, representando consumo de 3 a 5m² por tonelada de cana. Mas, desde a safra 2008/2009, a usina utiliza o sistema de limpeza da cana a seco, com ar por meio de ventiladores fixados na esteira, dispensando assim o uso de água. O ar lança a palha em outra esteira que segue para queima na caldeira a fim de produzir energia. A usina, por sua vez, produz sua própria energia elétrica, 42 megawatts/hora para uma planta que consome apenas 14.

“O nosso ganho é ambiental com a conscientização da necessária reutilização da água na indústria. Hoje, nós reciclamos 95% da água utilizada”, disse Roberto Silva, coordenador de gestão ambiental da usina. Entre projeto e mão de obra, foram investidos R$ 3 milhões e prazo de seis meses de execução.

Cade tem desafios a serem superados em função das novas tecnologias

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A atual política antitruste tem vários desafios pela frente. O cenário foi delineado por Ricardo Machado Ruiz, integrante do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) durante encontro do Grupo de Estudos de Direito Concorrencial da Fiesp, no último dia 18, com o tema Desafios contemporâneos do Cade.

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Encontro do Grupo de Estudos de Direito Concorrencial da Fiesp. Foto: Fiesp

Entre eles, os Acordos de Compromissos (especificamente Termos de Cessão de Conduta-TCC e Termos de Compromisso de Desempenho-TCD), o Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro), os novos Guias de Análise Vertical e questões autorais em função das novas tecnologias.

O “Super-Cade” também foi abordado por Ruiz. Um Projeto de Lei, que tramita em Brasília, sugere estrutura única abrigando as Secretarias de Direito Econômico (SDE), de Acompanhamento Econômico (Seae) e o próprio Cade, em um amplo sistema de Defesa da Concorrência. As mudanças estruturais estão contidas em Projeto de Lei que tramita em Brasília.

Tecnologia e mídia

Há alguns pontos que mereceram abordagem detalhada em função das novas tecnologias e de discussões em torno do software livre e dos direitos autorais. Ruiz citou o caso Napster para transferência de pastas com arquivos musicais. “Se há autoria [em relação à música], trata-se de um ativo que é negociável em qualquer disputa antitruste”, explicou. Ou seja, o fato é considerado cópia não autorizada.

O especialista citou outro exemplo: a Microsoft, que fazia os vídeos players rodarem de forma menos eficiente em ambiente Windows e, por isso, foi multada.

“No Brasil, há registro de abuso no patenteamento como tentativa de bloqueio à entrada de concorrentes em alguns mercados”, alertou o representante do Cade. A estratégia geraria o bloqueio no desenvolvimento de novos produtos o que pode gerar efeitos concorrenciais sérios e entraves à introdução de tecnologias alternativas.

Já Patrícia Regina Pinheiro Sampaio (docente da Fundação Getúlio Vargas-RJ) abordou a atuação do Cade em áreas representativas da infraestrutura. “Alguns setores – como o de concessão de rodovias, por exemplo – sofrem de monopólio natural e merecem intervenção do Estado a fim de promover a disciplina e a regulação”, opinou.