Atitude, além do conhecimento, será o grande enfoque do Congresso da MPI, segundo Milton Bogus

Dulce Moraes e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539710347

Milton Bogus, diretor-titular do Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Fiesp

Dificuldades para abrir empresas, burocracia para pagamento de tributos, concorrência desleal de produtos importados e dificuldades de acesso a linhas de crédito são alguns dos conhecidos entraves que afetam o dia a dia de micro e pequenos empresários.

Apesar das dificuldades, é preciso que os empresários tenham ter novo olhar sobre as oportunidades que estão disponíveis, afirma Milton Bogus,  diretor do Departamento de Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “E principalmente, nos preparar cada vez mais para as novas que surgirão”, diz ele.

Em entrevista ao portal da Fiesp,  Milton Bogus relembra a importância desse segmento de empresas para economia brasileira, que tem sido o maior gerador de empregos no país. E o titular do Dempi, também destaca as novidades que serão tratadas no VIII Congresso da MPI “Novas atitudes, novos negócios”, que será realizado no próximo dia 10 de outubro, no hotel Renaissance, em São Paulo.

Leia, a seguir, a entrevista na íntegra:

Com o tema “Novas atitudes, novos negócios”, o Congresso da MPI deste ano está focado no que as empresas podem fazer internamente para alavancar os seus negócios. O senhor acredita, então, que deve existir uma nova visão para que os empresários consigam alcançar as mudanças de mercado e de tecnologias?

Milton Bogus – Sem dúvida. Os mercados estão muito mais dispersos pelo Brasil, tanto em relação à localização regional de seus clientes quanto ao perfil dos novos clientes. Por este motivo, devemos ter um novo olhar sobre as oportunidades que estão disponíveis e, principalmente, nos preparar cada vez mais para as novas que surgirão.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, comentou que o desejo de empreender, inovar e produzir é muito grande no Brasil, mas para que esses sonhos se tornem realidade é preciso simplificar e desburocratizar. Na sua avaliação, quais são os principais entraves burocráticos que atrapalham as MPIs?

Milton Bogus – Há dificuldade no ato da abertura da empresa, pois o empreendedor tem que buscar inscrições no âmbito federal, estadual e municipal. Isto é surreal. O CNPJ [Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica] deveria ser o suficiente para comprovar e registrar a abertura da empresa.

Outra burocracia é o atendimento das obrigações acessórias que tomam muito tempo da atenção do empresário, que deveria focar sua atenção e tempo no desenvolvimento de novos produtos e novos mercados.

Além da burocracia, quais são principais problemas externos, da porta para fora, que afetam as MPIs?

Milton Bogus – Da porta para fora, destaco a concorrência desleal com os produtos importados. Além das dificuldades de acesso ao crédito pelas micro, pequenas e médias empresas, por vários motivos. Entendemos que a revisão da Substituição Tributária é urgente para as Micro e Pequenas Empresas (MPEs), enquadradas ou não no Simples, pois na prática, esta forma de arrecadação elimina os benefícios da Lei Geral.

Além disto, é fundamental a ampliação do Supersimples para todas as empresas de pequeno porte, sem distinção de categoria, e a implementação da correção automática anual do limite de faturamento e o estabelecimento de faixas progressivas de pagamento de tributos, de forma que elas não sejam punidas pelo crescimento, além da desoneração da Folha de Pagamento para as empresas optantes do lucro presumido, que estejam nas atividades previstas no enquadramento do Supersimples.

E “da porta para dentro”, em que áreas as empresas precisam avançar?

Milton Bogus – Quanto aos gargalos internos, destaco a necessidade da evolução dos sistemas de gestão dentro das MPMIs, que estão sendo obrigadas a implantar, principalmente para atender ao fisco e demais agentes públicos.

Para uma busca inteligente de crédito, o empresário deve se estruturar para ter todos os documentos atualizados e seus projetos, o que o ajudará a identificar suas reais necessidades de crédito e assim saber o “que” e “como” demandar aos agentes financeiros.

E, por último, mas não menos importante, há necessidade de buscar a inovação constantemente, pois quem não inova, morre!

Pesquisa recente do Sebrae apontou um aumento substancial de pequenas empresas no Brasil. Os pequenos negócios, segundo o estudo, foram os responsáveis por praticamente todos os postos de trabalho criados no mês de agosto. Na sua avaliação, o que está estimulando esse movimento?

Milton Bogus – Com certeza é a própria situação econômica do país. A pesquisa elaborada pelo Renato Meirelles, que será um dos palestrantes do VIII Congresso da MPI, aponta que o brasileiro está ávido por aproveitar as oportunidades para abrir sua própria empresa, atendendo as novas demandas da população brasileira, que hoje está participando ativamente do mercado de consumo. O Meirelles irá apresentar essa pesquisa atualizando os dados deste estudo a que me referi.

O que fica claro é que esses novos empresários, ao abrirem seus negócios, geram emprego e renda a si próprios como micro empreendedor individual, às suas famílias e a comunidade onde empresa está inserida.

Além de ter sucesso em seus negócios, os empreendedores anseiam pela longevidade de suas empresas. Nesse sentido, quais itens (entre os que serão tratados do Congresso da MPI) o senhor acredita que mais contribuirão para informar e inspirar os empresários e empreendedores participantes do Congresso?

Milton Bogus – Com certeza, todos os temas que serão debatidos nos painéis do Congresso serão de extrema importância no desenvolvimento da gestão. Só que apenas conhecimento não é nada sem atitude. Por este motivo estamos focando no Congresso o mote “Atitude”.

Alguns temas que serão abordados no Congresso da MPI – como “foco na pesquisa de clientes”, “inovação” e “mídias digitais” – são percebidos pelo empresário como custo, e não como investimento? Como quebrar esse paradigma?

Milton Bogus – É simples, como tudo para as MPEs deve ser. No VIII Congresso da MPI “Novas atitudes, novos negócios” iremos apresentar o caminho das pedras, as ferramentas gratuitas ou com custos baixos que estão disponíveis para as empresas e que, por desconhecimento, não estão sendo utilizadas pelos empresários.

Inovação tecnológica é outro item que algumas empresas veem como fator de alto custo. Durante o Congresso haverá espaço para mostrar os serviços e parcerias disponibilizados por universidades e pelo Senai-SP. O senhor poderia descrever um pouco essas novidades?

Milton Bogus – No  Congresso  serão apresentados os serviços disponíveis às MPEs, bem como todos os subsídios que reduzem em até 2/3 – ou mais – os custos deste investimento em inovação, por meio do Sebraetec, por exemplo.

O interessante é que, para demonstrar a aplicabilidade das inovações, teremos também uma exposição dos serviços, laboratórios e uma maquete do laboratório móvel de nanotecnologia do Senai-SP. No Congresso,  haverá espaço para universidades oferecerem serviços e atendimento personalizado aos participantes.

Será um importante para todos que querem empreender ou alavancar a competitividade de seus negócios.  O objetivo é aproximar e simplificar os acessos. Além disso, ao participar do painel de inovação, os participantes conhecerão as linhas de financiamento com subsídios específicos para os projetos e programas de inovação.

O Congresso da MPI está chegando a sua 8ª edição. Ao longo desses anos, quais as principais conquistas alcançadas em relação às reinvindicações do setor? E quais os principais desafios que as MPIs ainda precisam vencer?

Milton Bogus – A Fiesp –  e o próprio presidente Paulo Skaf – dá atenção especial às micro, pequenas e médias industrias. Por meio do Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi), a entidade busca constantemente gerar melhorias no ambiente das empresas deste porte, como por exemplo pelas novas legislações criadas neste período, como o próprio Simples, que incorporou várias de nossas sugestões. Mas ainda falta eliminar muitos gargalos que impactam a isonomia competitiva das MPEs.

Tivemos conquistas nas melhorias de acesso ao crédito, identificadas por meio do nosso programa Sala de crédito, como ampliação dos valores e a inclusão de novos setores no Cartão BNDES, aumento nos valores do ExportaFácil, a criação dos “Fundos de Aval e Garantidores para os Bancos e para o BNDES”, além de melhorias em procedimentos que identificamos junto aos bancos participantes deste programa.

Outro gerador de resultados foi a nossa aproximação com 25 universidades, visando levar conhecimento e inovação às MPES, bem como expor suas demandas no intuito de gerar pesquisa aplicada por parte de doutores e pesquisadores.

Enfim, a abrangência e profundidade dos temas deste  Congresso da MPI mostra que estamos no caminho certo de valorização das pequenas e médias indústrias do país.