Atividade da indústria paulista tropeça em agosto, mas queda não reverte tendência

Agência Indusnet Fiesp 

O nível de atividade da indústria em São Paulo indicou uma descontinuidade no processo de recuperação, observado desde o começo do ano, com a queda de 0,8% em agosto na série com ajuste sazonal do INA, divulgado nesta terça-feira (29) pela Fiesp e o Ciesp. Para as entidades, apesar da surpresa, o resultado não causa preocupação.

“Não esperávamos um número negativo, mas ele não significa quebra da tendência de recuperação. É, na verdade, um comportamento um pouco anormal dentro de um ano anormal”, avaliou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp.

O dado nominal registrou crescimento de 2,7%, resultado bem abaixo do verificado em outros meses de agosto, que costuma ser de forte atividade. Segundo Francini, esse pode ser o motivo da queda de 0,8%, já que o índice dessazonalizado leva em conta o comportamento de anos anteriores.

“O dado de um mês é insuficiente para definir tendência. Pode ser uma variação de comportamento sazonal, mas isso só o tempo poderá responder. Continuamos acreditando na recuperação”, apostou Francini.

No acumulado do ano, o INA apurou a maior queda (-12,8%) dos últimos seis anos – variação que estava em -13,6% em julho. Em relação a agosto de 2008, houve baixa de 7,4%. Entre as variáveis que compõem o indicador, contribuíram para o resultado negativo:

  • As horas trabalhadas na produção (-0,4%);
  • O total de vendas reais, que subiu 2,1% sem ajuste, mas registrou queda de 0,8% em termos ajustados – dos quais 0,6% deveram-se à valorização cambial (de 4,5% durante o mês de agosto);
  • O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci), que ficou estável em 81,6% sem ajuste, mas caiu 0,9% no dado ajustado (80,1%).
    Setores

Ainda influenciado pela forte queda das exportações (em torno de 50%), o setor automobilístico tem compensado a produção com a demanda do mercado interno. A atividade cresceu 6,1% com ajuste no mês de agosto.

Para Paulo Francini, apesar de depender da retomada econômica dos países destino das exportações, a discussão que se coloca em torno do setor é própria do Brasil. Na avaliação do diretor, paira uma dúvida se é ou não o momento adequado de desativar as medidas de desoneração tributária, como a redução do IPI para automóveis.

“Diante das incertezas ainda inseridas no processo econômico, e considerando que são instrumentos de incentivo à demanda, entendemos que a prudência maior seria mantê-los”, afirmou.

O governo deve retomar o imposto de forma escalonada, a partir de outubro, até voltar ao patamar de 7% para carros de até mil cilindradas, no próximo ano.

“Diante da perspectiva que havia para a indústria automobilística em 2008, aparentemente a redução tributária foi um dos fatores essenciais para a recuperação. Além disso, a retomada ainda é muito tímida. Se o time está ganhando o jogo, não resolve tirar o centroavante”, comparou Francini.

Já os setores de Produtos Químicos, Petroquímicos e Farmacêuticos e de Produtos Metálicos, que estão espalhados na estrutura industrial, caíram 4,1% e 2% no mês, respectivamente.


Expectativa

A Fiesp e o Ciesp mantiveram a projeção para o INA em 2009. É esperada uma queda de 7% em relação a 2008, de dimensão compatível à queda ocorrida nas exportações. A remessa de produtos industrializados ao exterior ainda registra retração acima de 30%, o que causa um efeito de 8% na cadeia produtiva.

“Em termos de produção, vamos nos igualar ao ano anterior. Só cairemos mesmo por causa das exportações, já que a expansão do mercado interno não foi suficiente para compensá-las”, afirmou Francini.

Já o Sensor, indicador antecedente da Fiesp, continua dando indícios positivos para o setor produtivo. O índice geral alcançou 57,8 pontos na segunda quinzena de setembro, maior número da série histórica, desde junho de 2006. O item mercado continuou em alta (66,7), também a maior pontuação da série. Na sequência, apareceram as vendas (59,6), os investimentos (58,3), emprego (55,5) e estoque (47,1).

“O Sensor continua nos dizendo, em voz alta e bastante clara, que veremos em setembro a continuidade da recuperação da atividade industrial”, concluiu Francini.



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a entrevista do diretor do Depecon da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, à Agência Radioweb

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