Projeção otimista para economia para o biênio 2013/2014 é apresentada em reunião do Cosec/Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta segunda-feira (13/03), a reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) contou com a exposição do economista-chefe do banco Credit Suisse, Nilson Teixeira. O tema: perspectivas da economia brasileira.

Delfim Netto, presidente do Cosec Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião foi aberta por Antonio Delfim Netto, presidente do Cosec/Fiesp, acompanhado por seus vices, Paulo Francini e Boris Tabacoff, pelo embaixador Adhemar Bahadian, coordenador das atividades dos Conselhos Superiores Temáticos da Fiesp, Elias Miguel Haddad, diretor-titular do Conselho Fiscal da Fiesp e demais membros do Conselho.

Delfim Netto relembrou que Nilson Teixeira, além de ser um respeitável economista do mercado, foi o único a acertar a previsão de 1% de crescimento da economia no ano passado.

Em sua exposição “Brasil 2013/2014: Retorno de Investimentos em cenário de aumento de incertezas domésticas”, Nilson Teixeira demonstrou que há motivos para otimismo nos próximos meses. Comparando a sua apresentação no ano passado – “Brasil 2013/2014: Retorno de Investimentos em cenário global de incertezas” –, ele disse que podemos ter um visão mais positiva para esse ano. “Pelo menos essa situação está no nosso controle.”

Teixeira mostrou aspectos de melhora da economia internacional.  “Nossa projeção, de novembro para cá, pouco se alterou. Tínhamos projeção de crescimento de 3,4% da economia global e hoje, 3,3%, praticamente quase igual.”

Em termos de mundo, os riscos de um cenário extremo são muito baixos. No ano passado, segundo ele, havia uma perspectiva de que um cenário catastrófico pudesse acontecer. “Agora essa probabilidade nos parece muito baixa. E para a economia brasileira os riscos extremos vindos de fora são baixos.”

A economia norte-americana deve crescer acima de 2% e pode-se esperar um segundo semestre de 2013 mais forte que o primeiro. Em relação à região do Euro, a recessão deve ser um pouco maior nas economias periféricas e um crescimento um pouco menor nos países centrais, como a Alemanha.

Dentro de casa

Nilson Teixeira, do Credit Suisse. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Sobre a economia brasileira, o economista do Credit Suisse apontou perspectiva de crescimento de 4%. Segundo ele, o crescimento viria principalmente da agropecuária.

“No ano passado, a contração da agropecuária foi muito expressiva (2,3%); neste ano, a nossa leitura é de expansão de 5%. A safra agrícola de grãos tem um crescimento esperado de 12%, a soja crescendo 23%”, adiantou.

Nilson Teixeira relembrou que o comportamento da agropecuária reflete no setor produtivo, como na indústria de alimentos e na indústria sucroalcooleira. Na sua avaliação, a contribuição desses setores deve ser mais positiva neste ano. Outro setor que deve sentir crescimento é o de máquinas agrícolas, considerando que, passado o período de contração, os investimentos do setor do agronegócio venham a crescer.

Outro ponto destacado pelo economista é sobre as exportações para a Argentina, as quais representam 7% da indústria de transformação. “No ano passado houve declínio de 15% a 20% na exportação de produtos manufaturados para Argentina, o que levou a nossa indústria de transformação para baixo”, explicou. Porém, nos primeiros quatro meses deste ano, houve uma projeção de 0% de expansão em relação ao ano passado. “Numa situação de que diminuiria 20%, e agora está estável, já é alguma coisa”, afirmou Teixeira.

Investimento privado 

Sobre evolução dos investimentos, Teixeira disse ser difícil prever, considerando os vários fatores que determinam as tomadas de decisões. “A nossa leitura é que haverá uma expansão neste ano. Nossa expectativa é que esta expansão seja próxima da média histórica. É o que estamos assumindo.”

“Numa situação em que a indústria de transformação tem declínio da produção, por que investir?”, indagou. “O fato é que esperamos uma recuperação. Consequentemente, isso está associado a toda uma história de investimentos maiores. Isso não quer dizer que os investimentos serão grandes, mas não veremos uma situação de contração como vimos em 2012!”, afirmou.

Da esq. p/ dir: Elias Miguel Haddad, Paulo Francini, Adhemar Bahadian, Antonio Delfim Netto, Nilson Teixeira e Boris Tabacof. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Mão de obra e consumo

Nilson Teixeira avaliou alguns fatores que justificam a queda da taxa de desemprego verificada nos últimos anos. “O fato é que está sendo criada uma quantidade significativa de empregos no setor de serviços e, ao mesmo tempo a indústria demite muito pouco. No ano passado, apesar da diminuição da produção industrial, não houve perda de maneira expressiva do número de postos de trabalho.”

Sobre a falta de mão de obra especializada, o especialista mostrou um dado interessante: “Aqueles que têm maior aumento de salário são os que têm menos anos de escolaridade”. A razão, segundo ele, é que há a camada salarial atrelada ao programa de aumento de salário mínimo. Mas quando se fala de mão de obra especializada, ressaltou, a maioria é de profissionais da construção civil, como pedreiros e encanadores, um setor que tem os salários altos.

“Por outro lado, em termos reais, os salários estão diminuindo”, salientou o economista, explicando que isso se deve, em parte, à “surpresa da inflação”, que não foi pequena, ligada basicamente à questão dos alimentos.  “Os que recebem salários menores comprometem maior parte da renda com alimentação. Consequentemente, o poder de compra diminui e, talvez, daí venha a queda de confiança dos consumidores.”

Sobre crédito, Teixeira prevê um aumento da oferta. “Ano após ano, o crédito total na economia tem crescido. Ele é baixo frente a outras economias, inclusive economias emergentes. Mas nós esperamos que esse crédito para o Brasil venha a aumentar, dessa vez em torno de 58%.” Agora, com um cenário mais favorável e menos arriscado, os bancos privados devem acelerar a oferta de crédito. E entre o crédito pessoal, o imobiliário está tornando-se cada vez mais relevante.

Governo

Teixeira elencou uma série de medidas aprovadas no atual governo – redução de IOF, desoneração de encargos e tributos da energia elétrica, redução da alíquota de PIS/Cofins, desoneração da folha de pagamento, entre outras – que tiveram como objetivo aumento da competitividade das empresas brasileiras.

Embora não se atenha a projeções políticas, o economista trouxe dados de que a presidente Dilma Rousseff tem aprovação de 60% da população, e relembrou que a média das aprovações em reeleições anteriores esteve na casa dos 40%.

O curioso, segundo ele, é que apesar da maioria governista no Congresso, a presidente ainda tenha dificuldade de aprovar algumas medidas.