Crianças já nascem conectadas, diz na Fiesp CEO da Netshoes

Agência Indusnet Fiesp

“No Brasil temos um ambiente hostil para o empreendedor. Mas aqui, é o ambiente propício para falar de empreendedorismo”, afirmou Márcio Kumruian, cofundador e CEO da Netshoes, durante reunião ordinária do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE), nesta quarta-feira (24/8). Entre suas dicas para o sucesso está a formação de um time que acredite nos valores e conceitos do negócio. “Estamos no meio de uma revolução. As crianças já nascem conectadas, e a Netshoes sabe que é importante acompanhar esta evolução”, concluiu.

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Márcio Kumruian em reunião do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

‘Se você quer salvar o mundo, antes precisa salvar a si mesmo’, diz o vietnamita Thai Nghia, no Festemp

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O vietnamita Thai Nghia encantou a plateia com sua história de vida no auditório do Festival de Empreendedorismo (Festemp) durante toda a tarde desta quinta-feira (26/09). O evento reuniu empreendedores que apresentaram seus cases, ocasião em que o criador da Goóc mostrou como suas experiências pessoais resultaram no sucesso da sua empresa.

O Festemp é realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria de São Paulo (Senai-SP) no Anhembi, na capital paulista.

Filho caçula de uma família de boas condições no Vietnã, Nghia nunca se conformou com o regime imposto em seu país, o que motivou sua necessidade de fugir.

E o destino trouxe Thai para o Brasil. Ele e outros fugitivos do Vietnã foram resgatados por um navio petroleiro brasileiro e acabaram no Rio de Janeiro “em pleno Carnaval”. “Cheguei em 1979 na Cidade Maravilhosa, mas o Brasil não tinha preparação nenhuma para receber os estrangeiros, integrá-los na sociedade”, contou. “Ficamos na favela e meses depois fomos para São Paulo, para morar em um albergue.”

Segundo o empreendedor, “só depois que começou a cair a ficha”. “Eu tinha 21 anos, era filhinho de papai, nunca tinha trabalhado, não tinha uma profissão. O que fazer da minha vida? Não conhecia ninguém, não sabia para onde ir, não encontrava ninguém que falava minha língua”, lembrou. “Mas foi quando eu pensei: estou na Praça da Sé, em terra firme, não vou afundar como no alto-mar”, contou. “Procurei livros para aprender português e só encontrei um dicionário francês-português. Foi o primeiro caminho.”

Thai Nghia: chegada ao Brasil em pleno Carnaval carioca, em 1979. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Thai Nghia: chegada ao Brasil no Rio de Janeiro, em pleno Carnaval, em 1979. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Aos poucos, ele foi colocando em prática seus objetivos: se comunicar, se sustentar, estudar – consegui até realizar o sonho de estudar na Universidade de  de São Paulo (USP )– e ter seu primeiro emprego. Trabalhando em um banco, seu primeiro plano foi tornar-se um executivo. Mas, quando percebeu que era um objetivo que não se realizaria tão rápido, o espírito empreendedor começou a aparecer.

Bolsas da 25 de Março

Começou vendendo bolsas da 25 de Março em bairros próximos da USP, onde estudava. Em duas semanas, vendeu tudo. “Mas as coisas não são foram tão simples assim. Quando trabalhava no banco, tinha carro, podia ir para a praia, ir para a balada”, disse. “Quando comecei meu próprio negócio, não tem mais balada, nem praia, nem nada. Meu apartamento passou a ser estoque de tecido. Com a inflação alta, precisava comprar e estocar ”, contou o empresário.

Thai aproveitou para aconselhar o público a não “dormir com o inimigo”, ou seja, não deixar que outras pessoas o tirem do caminho. “A gente tem que ser determinado. Se não, a pessoa vai demarcar nosso território e você deixa sua vida pela decisão do outro.”

A inspiração para criar a Goóc surgiu em uma visita que ele fez ao Vietnã. “Vi uma sandália usada no Vietnã feita com câmara de caminhão. As pessoas montam essa sandálias e vão para luta”, disse. “Para mim, ela  é símbolo da resistência”, comentou. “O meu país passou por muitos ataques e problemas, mas continua resistindo.”

Para ele, no caso da  Goóc, a mensagem é mais importante do que o produto. “O produto acaba, é volátil, o que importa é levar o conceito”, explicou o empresário, que concluiu apresentando as mensagens principais de seus produtos.

“Ecologia, preservação das raízes e superação. Uma tem tudo a ver com a outra. Se você quer salvar o mundo, antes precisa salvar a si mesmo”, explicou. “Aguente os problemas da vida. Reclame cinco minutos e depois volte a trabalhar, a fazer as coisas”, alertou.

E isso não é tudo. “Depois, proteja as pessoas ao seu redor, a sua família, as pessoas que você ama, a sua cultura, as suas raízes. Goóc significa raízes. Isso é sustentabilidade.”


Internacionalização e inovação

Outros empreendedores trouxeram seus cases para o Festemp nesta quinta-feira. De forma descontraída, Flavio Pripas, da Fashion.me – Fashion Social Discovery Platform, contou como surgiu a rede social de moda, criada no final de 2008.

“Meu sócio e eu trabalhávamos no mercado financeiro e as nossas esposas se conheciam e queriam abrir uma loja de roupas. Pensamos em fazer algo na internet”, disse. “Entre o final de 2008 e o começo de 2009, começaram a falar de rede social e percebemos que o site que tínhamos criado para as nossas esposas em agosto de 2008, onde as pessoas podiam interagir, era uma rede social de moda.”

Pripas: “Muitas coisas deram certo, outras não, de modo que precisamos voltar para casa e fazer a lição”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pripas e suas lições de empreendedor: “Muitas coisas deram certo, outras não”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


No fim de março de 2009, o Fashion.me – que na época ainda chamava ByMK – alcançou 20 mil visitas por dia com zero de investimento. Foi quando as mulheres deram lugar aos maridos no comando da start up.

Hoje, a empresa está iniciando seu processo de internacionalização. “Para nós, foi um aprendizado”, contou. “Muitas coisas deram certo, outras não, de modo que precisamos voltar para casa e fazer a nossa lição.”


O melhor atendimento

Considerado um dos melhores sites de comércio on-line no Brasil, o Netshoes também teve sua história contada no Festemp pelo seu fundador, Marcio Kumruiam.

O sucesso da empresa veio de atitudes corajosas, como a decisão de se dedicar exclusivamente a artigos esportivos – a Netshoes era uma loja de calçados em geral – e o encerramento das lojas físicas para realizar vendas somente on-line. “O Brasil é um país desenvolvido, mas o interior é fraco em comércio, não tem grandes lojas. Pela internet, podíamos colocar uma loja de esporte com todos os lançamentos disponíveis para todos.”

Os três pilares defendidos pela Netshoes também foram fundamentais para garantir o reconhecimento que a empresa tem hoje. “Um dos pilares da companhia, desde o princípio, foi oferecer o melhor atendimento ao cliente. O segundo é a inovação. E, por fim, o investimento na equipe”, disse Kumruiam.

Kumruiam: foco no cliente e na qualidade do atendimento na Netshoes. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kumruiam: foco no cliente e na qualidade do atendimento à frente da Netshoes. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Hoje a Netshoes já está no México e na Argentina, para onde a empresa despacha cerca de 2 mil pedidos/dia. No Brasil, são entre 25 e 30 mil pedidos/diariamente.


Oportunidades escondidas

Encerrando a apresentação dos cases, Flavio Rocha, presidente da Riachuelo, falou sobre história da empresa, “que começou a ser escrita há 67 anos”. “A missão da Riachuelo é dar acesso à moda, que sempre foi algo excludente.”

Rocha, da Riachuelo: fim da exclusão na moda e foco no varejo. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Rocha, da Riachuelo: fim da exclusão na moda e foco no crescimento do varejo. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Rocha também analisou a atual situação do varejo no Brasil. “Não existe economia de primeiro mundo sem varejo e estou certo que esse será o setor mais promissor da próxima década”, afirmou. “Quero incentivar os jovens que querem empreender a ter um olhar mais amplo sobre o varejo e aos investidores a ver as oportunidades escondidas no setor.”

Na Fiesp, co-fundador da Netshoes fala sobre sucesso das vendas on-line

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Márcio Kumrium, co-fundador e CEO da Netshoes, contou a história de sucesso de sua empresa na tarde desta segunda-feira (26/11), durante o primeiro Pocket Empreendedor – Inovações por minuto, evento do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Márcio Kumruian, co-fundador e CEO da Netshoes. Foto: Everton Amaro

Kumrium explicou que no começo as lojas eram apenas físicas. Só migraram para a Internet em 2002, com um programa de incentivo do extinto Banco Real, para que os lojistas vendessem on-line.

“De 2002 a 2007, foi o período de create the business, pois foi quando precisamos inventar e estruturar o modelo de negócio”, explicou. Naquela época, lembrou, o ambiente não era favorável, já que a empresa não tinha condições de controlar o estoque, e a mercadoria vendida on-line era a mesma exposta nas lojas físicas, o que causava muitas complicações.

Por isso, em 2007 decidiram fechar as lojas físicas. “Foi quando a Netshoes começou a decolar, porque as energias de todo o time – na ocasião, de 20 a 25 pessoas – se concentraram no on-line”, afirmou, explicando nessa época as verbas também estavam focadas no on-line. “Era possível investir em marketing com uma estrutura enxuta e com crescimento de 130% ao ano. Uma das estratégias foi não divulgar nosso crescimento. Quando a concorrência acordou, já éramos grandes”, afirmou.

Segundo o CEO, a Netshoes é atualmente a maior vendedora de artigos esportivos on-line no Brasil, com mais de um milhão de acessos por dia; 30 mil pedidos por dia; e com quase dois mil funcionários. Além disso, a empresa deve atingir a marca de R$ 1 bilhão de faturamento em 2012.

“O maior desafio foi crescer muito rápido e ainda se manter organizado”, ressaltou, lembrando que o mercado do e-commerce no Brasil está em ótima fase, mas que é preciso planejamento para crescer sempre e montar a estrutura necessária para sustentar esse crescimento.

Na visão do executivo, a receita desse sucesso é a soma do foco em inovação, pois a empresa investiu no mercado digital, onde era muito difícil vender calçados; e experiência do consumidor.

“A Netshoes é a maior [loja de e-commerce] em termos de visita e a menor em termos de reclamação”, afirmou ao apresentar uma pesquisa realizada pela Revista Veja. Ele associa isso ao fato de que a empresa sempre se preocupou em manter o padrão de compromisso com o consumidor.