Exposição no Centro Cultural Fiesp permite ver de perto ‘força criadora de um povo que não se abate’, avalia professor de artes visuais

Giovanna Maradei, Agência Indusnet Fiesp

“Exposições como essa dos ‘Grandes Mestres da Arte Popular Ibero-Americana’ permitem ver de perto a força criadora de um povo que não se abate, apesar das mais duras condições em que vivem”. A afirmação é do professor do Curso de Artes Visuais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Nelson Rodrigues,  convidado para apresentar sua visão de especialista sobre a exposição homônima em exibição até o dia 19 de janeiro de 2014, na Galeria de Arte do Sesi-SP. O espaço fica no Centro Cultural Fiesp, na sede do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista.

“Na exposição, é feito um resgate da herança cultural que forma a nossa identidade e reforça, em cada um de nós, o sentido de pertencimento a uma comunidade e a uma cultura sincrética, produto da fusão de várias tradições culturais”, explica o professor.

Ala da exposição Grandes Mestres da Arte Popular Ibero-Americana: resgate da herança cultural que forma a nossa identidade. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Ala da mostra Grandes Mestres da Arte Popular Ibero-Americana: herança cultural. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


As mais de 2.300 peças, de cerca de 600 artistas da América Latina, Espanha e Portugal, foram reunidas em parceria com o Fomento Cultural Banamex, do México. E chamam atenção não só pela quantidade, mas também pela diversidade de materiais, estilos e técnicas usadas.

As preferidas de Rodrigues são as obras que refletem as culturas pré-colombianas, vindas do México, Peru e Bolívia, além do Brasil. Nesses trabalhos, o professor destaca as cores e a qualidade técnica, segundo ele uma das principais diferenças entre o artesanato que encontramos em feiras e as obras que são selecionadas para estar em uma galeria de arte, por exemplo.

“Objetos que incorporam a complexidade das técnicas ancestrais, uma herança cultural, valores simbólicos tradicionais e ainda buscam a beleza para além de sua função utilitária, são objetos de arte”, afirma o professor, que admite ser polêmica a distinção entre arte popular e artesanato.

Peças de diferentes países compõem a mostra: cores e qualidade técnica destacadas. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Peças de diferentes países compõem a mostra: cores e qualidade técnica destacadas. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


No Brasil, de acordo com Rodrigues, existem diversas iniciativas que colaboraram com a revitalização da arte popular. Como resultado, hoje podemos afirmar que há “uma preocupação sistemática com a arte popular e, sobretudo, em mostrá-la e divulgá-la, apoiando os nossos artistas”, explica.

Rodrigues: após analisar a exposição, “insistência” para que os alunos visitem a mostra. Foto: Arquivo Pessoal

Rodrigues: após analisar a exposição, “insistência” para que os alunos visitem a mostra. Foto: Arquivo Pessoal

Nesse ponto, o professor ressalta o papel da Fiesp e do Sesi-SP, que não só promovem a exposição, mas “têm impulsionado iniciativas para aproximar designers e artesãos e qualificar seus objetos sem, no entanto, interferir e transgredir os fundamentos de suas tradições e herança cultural.”

Do conjunto de obras expostas, o especialista destaca os objetos de cerâmica e os têxteis, “modalidades muito características da América Latina, com maior variedade de exemplos e que preservam mais claramente as tradições indígenas.”

Concluída a sua visita, Rodrigues elogia a exposição. E promete reforçar a recomendação aos seus alunos. “Estou insistindo para eles virem” afirma o professor, que só lamenta o espaço da galeria não ser maior.

Serviço

Exposição Grandes Mestres da Arte Popular Ibero-Americana
Local: Galeria de Arte do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (Av. Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon-Masp do Metrô).
Período expositivo: De 15 de outubro de 2013 a 19 de janeiro de 2014 – Diariamente, das 10h às 20h.
Classificação indicativa: Livre
Informações: (11) 3146-7405 e 7406
Agendamentos de grupos e escolas: (11) 3146-7396, de segunda a sexta, das 10h às 13h e das 14h às 17h.
Entrada gratuita.
Espaços com acessibilidade.

‘A Falecida’ reestreia no Teatro do Sesi-SP com Lucélia Santos

Agência Indusnet Fiesp 

A Falecida, um dos mais famosos textos de Nelson Rodrigues, está de volta aos palcos do Teatro do Sesi-SP em curta temporada para sete exibições gratuitas. As apresentações vão até o dia 17 de fevereiro, de quinta a sábado, às 21h; e domingo, às 19h30.

O espetáculo tem direção de Marco Antônio Braz e em 2012 foi assistido por mais 20 mil espectadores na avenida Paulista, durante as comemorações do centenário de nascimento de Nelson Rodrigues.

Lucélia Santos interpreta a personagem principal, Zulmira. Soma-se a ela um elenco formado por 13 atores: Rodrigo Fregnan, Willians Mezzacapa, Fábio D´Arrochela, Claudinei Brandão, Rafael Boese, Alessandro Hernandes, Jackie Obrigon, Tatiana de Marca e Luciana Caruso.

Na narrativa rodriguiana, o espectador é levado a refletir sobre o homem e seu destino, assim como nas clássicas tragédias gregas. O pano de fundo é um Rio de Janeiro essencial e metafórico, com ênfase nos personagens e cenários da zona norte dos subúrbios, da Tijuca a Madureira. A Falecida pretende ser um grande desfile dramático teatral com elementos essenciais da nossa cultura.

Segundo Marco Antônio Braz, especialista na obra rodriguiana e diretor do espetáculo, a força da dramaturgia de Nelson consiste em manipular genialmente a estrutura do melodrama, extraindo dele o máximo de profundidade que o gênero pode obter.

“Há um envolvimento pleno do espectador sobre a situação dramática. Qualquer plateia diante de um Nelson Rodrigues bem encenado se torna ruidosa”, afirma Braz.

“Não há sucesso possível com o teatro de Nelson sem que a plateia reaja com espanto e risos histéricos. É como se ele conseguisse fazer o público contemporâneo reviver os conceitos aristotélicos de terror e piedade. E lhe acrescentasse humor. Um humor paradoxal e cruel”, complementa o diretor.

Serviço
Espetáculo A Falecida
Local: Teatro do Sesi-SP (av. Paulista, 1.313, Metrô Trianon-Masp)
Apresentações: dias 8, 9, 10, 14, 15, 16 e 17 de fevereiro de 2013
Datas e horários: de quinta a sábado, às 21h; e domingos, às 19h30
Capacidade: 456 lugares
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Informações: (11) 3146-7405
Entrada franca – a distribuição dos ingressos tem início a partir da abertura da bilheteria, no dia do evento. Podem ser retirados até dois ingressos por pessoa
Horário de funcionamento da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h e domingo, das 13h às 19h30


Carlos Heitor Cony: ‘Nelson Rodrigues foi, acima de tudo, uma grande figura humana’

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

O Nelson Rodrigues cronista, dramaturgo, jornalista e apaixonado pelo Fluminense, todo mundo conhece. Ele era uma figura pública facilmente encontrada nas ruas do Rio de Janeiro, nos cafés ou no estádio do Maracanã.

“Ele se expunha com a maior naturalidade, mas não se fazia de estrela. Era um homem da zona norte do Rio. Todo mundo o conhecia nas ruas. Eram – como ele dizia – seus desconhecidos íntimos”, afirmou na noite desta quarta-feira (28/11), no Teatro do Sesi-SP, o biógrafo e curador do projeto Sesi-SP Nelson Rodrigues 100 anos, Ruy Castro, durante o debate “Nelson em pessoa: o homem como ele era”, o último de uma série de homenagens que ocorreram ao longo de 2012.

Para revelar mais sobre o lado pessoal de Nelson, quatro nomes de expressão foram convidados: o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony; o Dr. Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense e criador da chamada “Máquina tricolor”; a atriz e pesquisadora Neila Tavares, para quem ele escreveu Anti-Nelson Rodrigues; e o ex-jogador de futebol Roberto Rivellino, campeão da Copa do Mundo de 1970.

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Cony: "Nelson era um gênio: pinçava o detalhe para achar a palavra exata". Foto: Mauren Ercolani

“Eu me sinto muito à vontade para falar de Nelson porque é uma pessoa em quem penso todos os dias”, revelou Cony, que destacou o fato de Nelson Rodrigues ser um homem dos detalhes. “Ele era um gênio: pinçava o detalhe para achar a palavra exata”.

“Ruy [Castro] finalmente ressuscitou Nelson Rodrigues literariamente, fazendo com que hoje ele participe do imaginário brasileiro”, afirmou o autor ao contar que, quando se conheceram, Nelson não gostava dele por ciúmes do irmão mais velho, Mario Rodrigues, com quem Cony tinha uma relação quase paternal. “Nelson tinha raiva de mim. Até que o Mario morreu, e ele passou a me chamar de ‘falso canalha’ e nos tornamos grandes amigos, embora discutíssemos muito”, contou.

Cony acredita que a obra rodrigueana não focava no panorama geral, mas sim nos detalhes. “Eu, como escritor, não acredito que haja um escritor brasileiro que se preocupe tanto assim com os detalhes”, afirmou. Para Cony, o ambiente rodrigueano era pequeno e repletos de detalhes: dentro de quatro paredes. “Ele estava se lixando para a humanidade, ele se importava com o indivíduo”, completou Ruy Castro.

“É impossível que quem escreva em jornais e na literatura hoje em dia não tenha influências  de Nelson Rodrigues, porque ele foi, acima de tudo, uma grande figura humana”, concluiu.

Bate-bola 

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Fluminense, paixão de Nelson Rodrigues. Foto: Talita Camargo

O advogado e ex-presidente do Fluminense, Dr. Francisco Horta, relembrou diversas passagens com o amigo Nelson Rodrigues e confessou que eles eram unidos pela paixão ao time tricolor. “Quando Roberto Rivellino foi contratado pelo Fluminense em 1975, Nelson teve uma participação muito efetiva, pois o empolgou a jogar no Flu”, afirmou Horta ao enfatizar que a ida do jogador ao clube só se deu graças ao apoio de Nelson. “Ele era dono das palavras.”

Rivellino lembrou que Nelson Rodrigues teve participação muito importante em sua carreira. “Eu estava prestes a encerrar minha carreira e Nelson Rodrigues mudou isso.”

“Sou muito agradecido ao Nelson Rodrigues e ao Rivellino porque eles deram ao Fluminense uma época de ouro de um time que jogava por amor: a Máquina Tricolor”, concluiu Horta.

Memórias

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Debate Nelson Rodrigues: Nelson como ele era. Foto: Mauren Ercolani

“Eu me apaixonei por Nelson aos 11 anos de idade”, revelou a atriz Neila Tavares, que resgatou a imagem do dramaturgo como figura pública na década 1970, quando ninguém mais se importava com ele. “Encontrei Nelson muito deprimido, num momento complicado. Ele estava muito abatido e, então, pedi para ele escrever uma peça para que eu atuasse. E ele escreveu”.

A atriz lembrou que Nelson escrevia para o ator. “Ele era o homem do teatro, era o homem da paixão por tudo aquilo que fazia e participava”, afirmou. Para ela, Nelson era um homem de grandes gestos de ternura, amizade, generosidade, atenção e humildade. “Ele tinha uma expressão corporal de reverência para com o outro”, lembrou ao revelar que senta muita saudade dele.

“Tenho um amor louco por ele. Não tinha mentiras em Nelson Rodrigues”, revelou a atriz. “Ele me emociona todos os dias, pois muito do que sou como artista e como pessoa, devo a Nelson Rodrigues”, concluiu.

Clima de despedida 

O debate da noite desta quarta-feira (28/11) encerrou ciclo de homenagens do Sesi-SP ao centenário de Nelson Rodrigues. “Essa é uma noite de festa e o homenageado é Nelson”, afirmou Ruy Castro, que relembrou todos os convidados que passaram pelo palco do Teatro do Sesi-SP para falar sobre Nelson, seus personagens e suas obras. “Foram noites memoráveis, em que discutimos Nelson em todos os níveis”, concluiu.

Sesi-SP homenageia Nelson Rodrigues com programação especial na capital e no interior

Danusa Etcheverria, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545216046O Sesi-SP apresenta desde maio e até o mês de novembro o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos. Fernanda Montenegro, Maria Della Costa, Cleyde Yáconis, Nathália Timberg, Christiane Torloni, Lucélia Santos, Daniel Filho, Marco Ricca, Maria Luísa Mendonça, Nelson Pereira dos Santos e muitos outros rodriguianos participam da homenagem ao centenário de nascimento do escritor no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

Os destaques do projeto, que tem curadoria de Ruy Castro, biógrafo do dramaturgo, e direção artística de Marco Antônio Braz, especialista na obra de Nelson Rodrigues, são a abrangência da programação, a participação de personalidades (inclusive de pessoas que conviveram com ele), a abordagem de aspectos menos conhecidos do dramaturgo – como jornalista, escritor, cronista esportivo e folhetinista – e o caráter pedagógico das ações com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi-SP.

Até o final da temporada, em novembro, o público poderá conferir espetáculos teatrais inéditos, debates, leituras dramáticas, uma exposição e oficinas sobre a vida e a obra de Nelson Rodrigues. Os eventos têm entrada franca e serão realizados na capital paulista e nos 19 teatros do Sesi-SP localizados na Grande São Paulo e no interior do Estado.

A encenação das peças A Falecida e Boca de Ouro , com os atores Maria Luísa Mendonça e Marco Ricca no elenco e direção de Marco Antônio Braz, faz parte da programação do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista, que também conta com leituras dramáticas de 15 das 17 peças do autor, além de 13 mesas-redondas sobre temas importantes na trajetória de Nelson Rodrigues – a censura, a crítica, o futebol, a televisão, o cinema, a psicanálise e vários outros.

Com o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos, o Sesi São Paulo reafirma o seu compromisso com a democratização do acesso à cultura. Há mais de 40 anos, a instituição oferece ao público apresentações gratuitas. Na capital e em todo o Estado de São Paulo, os Centros Culturais, os Centros de Atividades e os 22 teatros da entidade promovem exposições, shows, peças teatrais, filmes e eventos literários. Atuando efetivamente na formação de público para as diferentes linguagens artísticas, o Sesi-SP atende cerca de 2 milhões de espectadores anualmente.

Confira a programação completa no site 

Serviço

Local: Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (Av. Paulista, 1313 – Metrô Trianon-Masp)
Datas e horários: de 9 de maio a 28 de novembro, às 20h30 (retirar ingressos no dia do evento a partir do meio-dia)
Classificação indicativa: 12 anos

Entrada: franca
Informações: (11) 3146-7405 / 7406

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Christiane Torloni: ‘Ou você é nelsonrodrigueano, ou você não é brasileiro’

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Nelson Rodrigues não perdia a oportunidade de ridicularizar a figura do psicanalista: “Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso ainda é o psicanalista”, disse, certa vez. Sua obra, predominada pelo sarcasmo, possui conceitos identificados com a psicanálise e com o teatro grego.

Para tentar descobrir por que os psicanalistas eram loucos por ele, o palco do Teatro do Sesi São Paulo recebeu na noite desta quarta-feira (24/10) a atriz Christiane Torloni, estrela da segunda versão de O Beijo no Asfalto (1980), ao lado do jornalista Luiz Zanin Oricchio, do jornal O Estado de S. Paulo; o psicólogo Elie Cheniaux, coautor do livro Cinema e Loucura, que estuda as obras de Nelson; e Ruy Castro, biógrafo e curador do projeto do Sesi-SP Nelson Rodrigues 100 anos.

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Da esquerda para a direita: o jornalista Luiz Zanin Oricchio, a atriz Christiane Torloni, o biógrafo de Nelson Rodrigues Ruy Castro e o psicólogo Elie Cheniaux. Foto: Mauren Ercolani.

Christiane Torloni, uma nelsonrodrigueana assumida, disse estar feliz de participar do debate. “É muito bom ser unido pelo Nelson. Ele é, literalmente, um anjo pornográfico”.

A atriz contou que era muito importante o fato de Nelson acompanhar as filmagens. “Pecar era uma coisa muito importante, mas com a bênção do Nelson era perfeito. Você peca com a bênção dele”, afirmou.

Segundo Torloni, o contato com o dramaturgo no início de sua carreira foi fundamental. “Nelson é como Shakespeare, pois sua métrica não é para ser natural. Ele é um homem do teatro e entende que essa naturalidade transporta as pessoas”, afirmou ao revelar que sentiu raiva quando ele morreu. “Eu nunca tive tanta raiva de um morto, porque ele morreu antes do filme ser lançado e isso foi uma grande decepção. Eu me senti traída”.

Na visão da atriz, revelar Nelson para o brasileiro é uma tarefa difícil, porque ele não tem “papas na língua” e nos faz ver e ser o que realmente somos e, assim, questionar-se: “Por que nós, brasileiros, somos assim? Quem somos nós?”.

“Nelson Rodrigues traz essa brasilidade de uma maneira tenebrosa. Queira você ou não, ou você é nelsonrodrigueano, ou você não é brasileiro”, afirmou.

Ruy Castro completou: “se Nelson escrevesse em outras línguas, ele não seria brasileiro”.

“Depois que você encontra o seu Nelson Rodrigues, você se converte. Não tem volta”, alertou Torloni.

Nelson no divã

O debate discutiu os conceitos de psicanálise usados nos textos do autor. “Nelson Rodrigues era ao mesmo tempo um moralista e um tarado”, afirmou o psicólogo Elie Cheniaux ao explicar que sua obra causa um efeito moral na plateia.

“Ele acaba satisfazendo os dois lados: o Id, com a satisfação dos desejos sexuais, agressivos e homicidas; mas também o superego, com a condenação na própria obra, que traz a punição e a morte”, explicou o psiquiatra ao lembrar que nas obras rodrigueanas sexo e morte andam sempre de mãos dadas. “Seus personagens fazem coisas terríveis e são punidos”, explicou Cheniaux.

Na visão do jornalista Luiz Zanin Oricchio, Nelson era um homem incômodo que nos joga na cara muita coisa para qual estamos mal preparados para aceitar, mas que sabemos que são importantes. “Ele falava coisas indigeríveis. Sua obra ao mesmo tempo atrai e causa repulsa”, afirmou ao ressaltar que suas obras têm valor universal no sentido de que atingem o psiquismo não só do cidadão brasileiro, mas sim de toda sociedade brasileira.

O jornalista acredita que a sensação de estranheza que as obras rodrigueanas causam nos leitores e espectadores têm a ver com a cobrança do público pelo realismo do dia a dia.

Mas, para Oricchio, Nelson trabalhava com os desejos. “Ele é uma figura associada a extremos que mexe com pulsões nossas extremamente primitivas, das quais temos pouca consciência e não queremos ter consciência”, explicou.

Ao lembrar as chamadas peças míticas rodrigueanas, afirmou que “possuem elementos que descem mais baixo no pensamento psíquico humano: é o Nelson fundamental”.

“Uma vez que você é mordido pela obra de Nelson Rodrigues, você está perdido: é para o resto da vida”, concluiu.

Entrevista: para Ruy Castro, Nelson Rodrigues continua incompreendido pela sociedade atual

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Ruy Castro, curador do projeto Nelson Rodrigues 100 anos. Foto: João Caldas.

O escritor e jornalista Ruy Castro se consagrou ao descrever personagens, momentos e cenários  da cultura brasileira.

É dele a autoria dos livros Chega de Saudade [sobre a Bossa nova] e Ela é Carioca -[sobre o bairro de Ipanema, no Rio].

Como cronista, retratou brilhantemente personagens do cinema mundial e adquiriu o gosto por desvendar o que está por trás da cena – isto é, a história de vida das celebridades.

É autor de biografias de personagens como Carmen Miranda (Carmen), o jogador de futebol Garrincha (Estrela Solitária) e o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues (O Anjo Pornográfico) – este último, um dos seus ídolos desde a infância.

Em entrevista ao Portal da Fiesp, Ruy Castro fala da sua emoção em ser convidado para ser o curador das homenagens do centenário do seu autor preferido, por meio do projeto Nelson Rodrigues 100 Anos, promovido ao longo deste ano pelo Sesi-SP.

Leia abaixo a entrevista:

Como biógrafo e admirador da obra do Nelson Rodrigues, como você por ser chamado para curadoria do projeto Nelson Rodrigues 100 anos?


Ruy Castro  – Acho um privilégio ter descoberto e me apaixonado por Nelson Rodrigues muito cedo, ainda em criança, e estar até hoje trabalhando com ele e o admirando cada vez mais.

Qual o principal enfoque da exposição? E o que você acha que mais surpreenderá o público?

Ruy Castro – A exposição não trata da vida, mas da obra dele. Acho que ela está muito em cima do Nelson como um desafiador permanente da censura, um lutador pela liberdade de expressão.

Em sua opinião de onde vem a inspiração de Nelson para suas obras, geralmente retratando amor, traição e morte?
Ruy Castro  – Da observação dele de que esses são temas permanentes na trajetória do ser humano.

Nelson também era um apaixonado por futebol e suas crônicas esportivas eram bem características. Você acha que ele influenciou de alguma forma o jornalismo esportivo brasileiro?

Ruy Castro – Influenciou no sentido de marcar um diferencial entre ele e o resto. Tanto que ninguém nunca se atreveu a copiar Nelson Rodrigues. Ficaria ridículo para o copiador. Mas ele ensinou que o futebol não é o território da objetividade, e sim do talento individual.

Outra curiosidade em relação ao Nelson é sobre sua posição política conservadora e de direita. Gostaria que você comentasse um pouco isso  e também como ele  lidava com a censura?

Ruy Castro – Não é pecado ser de direita — outros gênios, como Jorge Luís Borges, também eram. E há milhares de grandes escritores que nunca deram bola para a política, não eram de “esquerda”, nem de “direita”. Em compensação, há milhares de escritores medíocres de “esquerda” — por sinal, a maioria. O fato é que Nelson foi perseguido tanto pela direita quanto pela esquerda, e isso só prova a sua grandeza.

Você acha que Nelson Rodrigues foi incompreendido pela sociedade? Se vivo, como você acha que Nelson definiria a sociedade atual?
Ruy Castro – Ele continua incompreendido. As pessoas hoje o admiram e respeitam, mas não leem direito a sua obra como ela merece.

Muitos afirmam que Nelson Rodrigues é eterno. O que torna sua obra uma referência para todas as gerações?
Ruy Castro  – Justamente a sua universalidade — e eternidade.

No Centro Cultural Fiesp: Sesi-SP abre exposição que mostra todas as fases de Nelson Rodrigues

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Certa vez, Nelson Rodrigues (1912-1980) afirmou: “Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”

E é exatamente assim que o público pode enxergar Nelson Rodrigues e toda sua obra na exposição Nelson Rodrigues 100 anos: pelo buraco da fechadura. A mostra, apresentada pelo Sesi-SP e com curadoria do escritor Ruy Castro, revela Nelson nas mais diversas facetas: o jornalista, o cronista, o dramaturgo, o folhetinista, o comentarista esportivo, o pai, o marido, o amigo, o irmão, o ‘anjo pornográfico’.

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Entrada da Exposição: Nelson Rodrigues 100 anos. Foto: Talita Camargo.


“A exposição está maravilhosa! Muito ágil e temos a oportunidade de ver A vida como ela é… em revista em quadrinhos, ver os reclames, as roupas das pessoas, os carros e ver muita coisa do ‘velho’”, afirmou o filho do homenageado, Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, durante a abertura da mostra, apenas para convidados, que aconteceu na noite desta quarta-feira (10/10).

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Painel com frases de Nelson Rodrigues faz parte da exposição. Foto: Talita Camargo.

“Sempre muita coisa do ‘velho’, ainda é sempre pouco, mas [a exposição] é muito bem selecionada”, ressaltou Nelsinho ao completar que o ambiente da mostra provoca boas sensações. “Eu vejo o ‘velho’, eu sinto o ‘velho’.”

A exposição permite que o visitante percorra a vida de Nelson Rodrigues por meio de suas obras, como “Vestido de Noiva”, a peça que revolucionou o teatro moderno brasileiro, apresentada em grande painel com texto e imagens que evocam o cenário da montagem original: um hospital. Além disso, é possível ouvir Nelson por meio da voz de Ruy Castro, narrando suas frases inesquecíveis. Há, também, um filme raro dirigido por João Bethencourt (1924-2006), que recupera cenas do cotidiano de Nelson em casa e na redação, em 1968, aos 56 anos.

Para o superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, a exposição este muito bem organizada. “Está maravilhosa porque retrata bem os momentos do cotidiano do Nelson Rodrigues.”

Nelsinho ressaltou a importância do trabalho feito pelo Sesi-SP com o projeto Nelson Rodrigues 100 anos, sob curadoria de Ruy Castro e o Marco Antônio Braz. “É muito importante para a cultura brasileira e fundamental para as novas gerações”, afirmou. Ao concluir, Nelsinho recomendou: “venham ver a exposição, os debates e as peças”.

Nelson mal na fita

Logo após o evento de abertura da exposição, o palco do Teatro do Sesi-SP recebeu Ruy Castro, Walter Lima Jr., Ismail Xavier e Rubens Ewald Filho para o debate “Nelson mal na fita – Por que os críticos desprezavam os seus filmes?”

Apesar de já ter lido todas as peças rodrigueanas e de ter visto todos os filmes baseados na obra do autor, Ewald Filho afirmou não se sentir preparado para comentar Nelson Rodrigues, por considerá-lo genial. “Ele era absolutamente brilhante e foi mal aproveitado pelo cinema, pois era obviamente comercial e as críticas eram sempre para os diretores, que acentuavam o grosseiro e a baixaria”.

Ewald Filho acredita que quando chegou o momento de cineastas mais importantes fazerem jus à obra de Nelson, todos os filmes já tinham sido feitos e refeitos. “O que no Brasil é muito raro, pois praticamente toda a obra dele foi filmada.”

A exposição fica aberta  até 16 de dezembro de 2012 no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

Serviço

Exposição Nelson Rodrigues 100 anos
Local: Térreo Inferior do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (av. Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp)
Período expositivo: de 11 de outubro a 16 de dezembro de 2012
Datas e horários: todos os dias, das 11h às 21h, com entrada até 20 minutos antes do fechamento.
Agendamentos escolares e de grupos: de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h, pelo telefone (11) 3146-7396
Classificação indicativa: livre


Nelson Rodrigues 100 anos: confira os destaques da exposição

Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545216046Entre os destaques da exposição Nelson Rodrigues 100 anos, que acontece no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso de 11 de outubro a 16 de dezembro, há um filme raro dirigido por João Bethencourt (1924-2006). A película, descoberta pelo historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Fico, no Arquivo Nacional dos Estados Unidos, recupera cenas do cotidiano de Nelson em casa e na redação, em 1968, aos 56 anos.


Vestido de Noiva, a peça que revolucionou o teatro moderno brasileiro, é apresentada em grande painel com texto e imagens que evocam o cenário da montagem original: um hospital. Na voz do escritor Ruy Castro, Nelson continua a falar com o visitante que ouve suas frases emblemáticas ao longo da exposição.

O Nelson desportista, tricolor fanático, aparece torcendo no estádio do Maracanã, numa foto; em outra, apresenta-se ao lado dos companheiros do programa esportivo Grande Resenha Facit, primeira mesa-redonda de futebol da TV Globo, um sucesso da emissora exibido de setembro de 1966 a janeiro de 1971. Eclético, por uma única vez foi também ator, e a mostra revela Nelson em cena na peça Perdoa-me por me Traíres.

O autor, muitas vezes provocador, mostrou A Vida como Ela É... Histórias de ciúme, dilemas morais, inveja, adultério e morte foram passando, a partir de 1950, das páginas do jornal Ultima Hora para programa de rádio, filme, peça de teatro e série de televisão.

O visitante pode folhear virtualmente duas fotonovelas digitalizadas – Véu de Noiva e O Justo – em edições raras de 1960.

A exposição ainda apresenta imagens de encenações antológicas do dramaturgo: a primeira montagem de Vestido de Noiva, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, dirigida pelo exigente polonês Zbigniew Ziembinski, em 1943, e imagens de outras produções, como a tragicomédia carioca O Beijo no Asfalto, com Fernanda Montenegro, escrita a pedido da atriz, em 1960.

O ilustrador Marcelo Monteiro, seu antigo parceiro no jornal O Globo, criador dos inesquecíveis Sobrenatural de Almeida, Gravatinha e a Grã-Fina das Narinas de Cadáver, desenhou dez personagens rodriguianos especialmente em cores para a exposição.

Em aparelhos de MP3, os visitantes ouvirão os contos O Monstro e A Noiva da Morte, interpretados pelo elenco da Rádio nacional, em gravações de 1960.

Esse caminho de passagem termina em um grande painel no foyer do Teatro do Sesi São Paulo com uma versão fictícia da primeira página do jornal Última Hora, concebida por Ruy Castro e pelo artista gráfico Hélio de Almeida.


Serviço:

Exposição Nelson Rodrigues 100 anos
Local: Térreo Inferior do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (av. Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp)
Período expositivo: de 11 de outubro a 16 de dezembro de 2012
Datas e horários: todos os dias, das 11h às 21h, com entrada até 20 minutos antes do fechamento.
Agendamentos escolares e de grupos: de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h, pelo telefone (11) 3146-7396
Classificação indicativa: livre

Sesi-SP apresenta a exposição Nelson Rodrigues 100 anos

Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545216046O Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) apresenta, de 11 de outubro a 16 de dezembro, a exposição Nelson Rodrigues 100 anos sobre a obra do escritor Nelson Rodrigues (1912-1980), no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso. Com curadoria de Ruy Castro, a mostra está instalada em 140 m², a caminho do foyer do Teatro do Sesi São Paulo, e revela as várias faces desse homem que deixou marcas no teatro, jornal, cinema, televisão e futebol. A iniciativa é mais uma homenagem do Sesi-SP ao centenário de nascimento do dramaturgo.

Materiais raros como as primeiras edições de seus livros, filme em cores sobre seu cotidiano, fotos reveladoras, o áudio de contos de “A Vida como Ela É…” com o elenco da Rádio Nacional, as frases famosas de Nelson, entre outras instalações, estarão expostos até 16 de dezembro. A entrada é gratuita.

Sobre o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos Sesi-SP

O projeto do Sesi-SP em comemoração ao centenário de Nelson Rodrigues inclui espetáculos, leituras dramáticas, exposição, debates e oficinas. Os destaques do projeto, que tem curadoria de Ruy Castro, biógrafo de Nelson, e direção artística de Marco Antônio Braz, especialista na obra rodriguiana, são a abrangência da programação, a participação de personalidades (entre as quais muitas pessoas que conviveram com ele), a abordagem de aspectos menos conhecidos do dramaturgo – como jornalista, escritor, cronista esportivo e folhetinista – e o caráter pedagógico das ações com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi-SP.

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Sobre Ruy Castro

Ruy Castro é escritor e jornalista. Começou como repórter em 1967 e trabalhou nos principais veículos da imprensa carioca e paulistana. Atualmente, é colunista da Folha de S. Paulo. Como escritor, desde 1990, notabilizou-se pelas biografias de figuras importantes da cultura brasileira, como Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues – sobre quem escreveu o livro O Anjo Pornográfico, lançado em 1992 e hoje na 26ª reimpressão.

Serviço
Exposição Nelson Rodrigues 100 anos
Local: Térreo Inferior do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (av. Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp)
Período expositivo: de 11 de outubro a 16 de dezembro de 2012
Datas e horários: todos os dias, das 11h às 21h, com entrada até 20 minutos antes do fechamento.
Agendamentos escolares e de grupos: de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h, pelo telefone (11) 3146-7396
Classificação indicativa: livre

Foto: Lucélia Santos, Alessandra Negrini e Vera Vianna debatem Nelson Rodrigues no Teatro do Sesi-SP

Agência Indusnet Fiesp

O Teatro do Sesi-SP recebeu na noite da quarta-feira (03/10), algumas das estrelas que encarnaram personagens marcantes das obras de Nelson Rodrigues.

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Da esquerda para a direita: Lucélia Santos, Alessandra Negrini, Ruy Castro e Vera Vianna durante o debate "Nelson e suas estrelas - A coragem de ser Engraçadinha". Foto: Mauren Ercolani.

A mesa redonda contou com Alessandra Negrini, que viveu Engraçadinha na primeira fase da minisérie de TV; Lucélia Santos, três vezes como atriz de Nelson; e Vera Vianna, protagonista de Asfalto Selvagem.

Elas falaram sobre o desafio de interpretar personagens rodrigueanos na televisão e no cinema.

O debate foi mediado por Ruy Castro, biógrafo do autor e dramaturgo, e curador do projeto Nelson Rodrigues 100 Anos, iniciativa do Sesi-SP.

Centro Cultural Fiesp: Marco Ricca protagoniza peça ‘Boca de Ouro’ no Teatro do Sesi São Paulo

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Em comemoração ao centenário do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, o Teatro do Sesi São Paulo, no Centro Cultural Fiesp, apresenta a peça Boca de Ouro, com Marco Ricca no papel do típico malandro carioca, famoso bicheiro do bairro da Madureira, que manda trocar todos os dentes brancos e perfeitos por uma dentadura de puro ouro. O espetáculo fica em cartaz até o dia 25 de novembro.

Com direção geral e artística de Marco Antônio Braz e cenários e adereços de J.C Serroni, a trama inicia com a notícia do assassinato do contraventor mais famoso do Rio de Janeiro. Escalado para desvendar este mistério, o repórter Caveirinha (Alessandro Hernandez) decide entrevistar dona Gigi (Lara Córdulla), ex-amante do Drácula de Madureira. Em uma narrativa ágil e moderna, dona Gigi apresenta três versões diferentes para a mesma história, que variam conforme a sua emoção e humor.

Com o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos, o Sesi São Paulo reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura. Há mais de 40 anos, a instituição oferece ao público apresentações gratuitas. Na capital e em todo o Estado de São Paulo, os Centros Culturais, os Centros de Atividades e os 22 teatros da entidade promovem exposições, shows, peças teatrais, filmes e eventos literários. Atuando efetivamente na formação de público para as diferentes linguagens artísticas, o Sesi-SP atende cerca de 2 milhões de espectadores anualmente.

Até o mês de novembro, o público poderá conferir espetáculos teatrais inéditos, debates, leituras dramáticas, exposição e oficinas sobre a vida e obra de Nelson Rodrigues. Os eventos serão realizados na capital paulista e nos 19 teatros do Sesi-SP localizados na Grande São Paulo e no interior do Estado.

Confira a programação no site

Serviço
Boca de Ouro
Local: Teatro do Sesi São Paulo
Endereço: Av. Paulista, 1313 – Metrô Trianon-Masp
Temporada: de 29 de junho a 25 de novembro de 2012
Atenção: As sessões dos dias 6 e 7 de outubro (sábado e domingo) foram canceladas por questões técnicas da produção do espetáculo.
Classificação indicativa: 14 anos
Horário: 20h30
Informações: (11) 3146-7405 / 7406

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Lucélia Santos estreia, neste sábado (08/09), obra de Nelson Rodrigues

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Lucélia Santos protagoniza "A Falecida", de Nelson Rodrigues, no teatro do Sesi São Paulo. Foto: Divulgação

Considerada uma das grandes divas da teledramaturgia brasileira, a atriz Lucélia Santos dará vida, a partir deste sábado (08/09), à protagonista da peça A Falecida, obra-prima do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, em cartaz no Teatro do Sesi São Paulo.

Lucélia substituirá a atriz Maria Luiza Cardoso no papel de Zulmira, uma mulher de classe média baixa, tuberculosa, que sonha com um enterro de luxo. A montagem, dirigida por Marco Antônio Braz, tem a morte como tema central, uma das obsessões do autor.

Centenário

A montagem teatral faz parte do projeto “Nelson Rodrigues 100 anos”, do Sesi-SP, em comemoração ao centenário do escritor. Com curadoria de Ruy Castro (biógrafo do dramaturgo) e direção artística de Marco Antônio Braz (especialista na obra de Nelson Rodrigues), o projeto inclui espetáculos itinerantes, leituras dramáticas e ações pedagógicas com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi-SP.

Até o mês de dezembro, o público poderá conferir espetáculos teatrais inéditos, debates, leituras dramáticas, uma exposição e oficinas sobre a vida e a obra de Nelson Rodrigues. Os eventos têm entrada franca e serão realizados na capital paulista e nos 19 teatros do Sesi-SP localizados na Grande São Paulo e no interior do Estado.

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Fernanda Montenegro e Daniel Filho relembram obras e histórias de Nelson Rodrigues

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Daniel Filho, Fernanda Montenegro e Ruy Castro debatem Nelson Rodrigues


Ele colocava as sensações que todo ser humano tem do pecado, do desvio moral. Ele não falava palavrão, mas levava os outros a pensarem. Só colocava o essencial no texto, era um autor difícil de interpretar. No final das contas era um trabalhador atrás do seu dinheiro.

Esse é apenas um trecho da descrição de Nelson Rodrigues (1912-1980) feita por seus amigos e colegas de trabalho Fernanda Montenegro e Daniel Filho. A atriz e o diretor estiveram no Teatro do Sesi-SP na noite de quarta-feira (15/08) para homenagear o autor em debate sobre sua vida e obra.

O debate “Nelson Na Televisão – O Maldito do Horário Nobre” faz parte do projeto Nelson Rodrigues 100 Anos Sesi-SP, e foi mediado pelo jornalista Ruy Castro, biógrafo do autor e curador do projeto.

“Essa geração de hoje está preparada para o Nelson. Essa geração é capaz de entender o Nelson, de respeitar e de botá-lo no lugar que ele merece porque ele era um autor extraordinário”, afirmou Fernanda Montenegro, que foi próxima de Nelson e também um dos principais intérpretes de sua obra.

Fernanda estrelou a controversa peça O Beijo no Asfalto em 1961, foi para o cinema com a obra A Falecida, no papel da protagonista Zulmira, em 1964 e também trabalhou nas novelas Pouco Amor Não é Amor e em Morta Sem Espelho, além de outras obras de Nelson Rodrigues.

“Ele tinha uma coisa extraordinária, ele só punha no diálogo o essencial”, relembrou a atriz ao falar sobre a peça O Beijo no Asfalto, que conta a história de Arandir, um homem que beijou outro homem no momento de sua morte, em um inusitado ato de caridade, e a repercussão dessa cena por meio de um jornalista sensacionalista e um delegado corrupto.

“Eu me lembro que no Beijo no Asfalto o Arandir chega depois de fugir de polícia. Ele está sendo chamado de homossexual no jornal. O cara criou uma situação trágica para a vida dele, estão querendo matá-lo, mas ele chega em casa e diz: ‘Água’. A mulher olha pra ele, pega um copo d’água, ele bebe e diz: ‘Água linda’. Eu nem sei fazer a cena, teria que estudar. É uma coisa incrível, ele não diz: ‘Estou cansado; nossa, foi difícil a vida lá fora’. Ele só diz: ‘água linda’. Entende? Para o intérprete, ele não pode estar se apoiando em nada que não seja essencial”, explicou a atriz.

Nelson proibido

O debate O maldito do Horário Nobre questionou a censura que Nelson Rodrigues sofreu na televisão. Apesar do sucesso de todas as três novelas que o dramaturgo escreveu para a então TV Rio, todas elas foram perseguidas pela censura.

“A gente lutava pra fazer Nelson, ele era um homem perseguido. Em A Morta Sem Espelho, na televisão, a censura disse o seguinte: ‘Nelson Rodrigues não pode às 20h’. Nós fomos para as 22h30”, contou Fernanda. “Hoje ninguém mais se espanta com coisa alguma, mas vocês não têm ideia da convulsão moral que era para a época, as pessoas deixavam o teatro.”

Daniel Filho, diretor de A Vida Como Ela É, minissérie homônima à coluna que Nelson Rodrigues escreveu durante 10 anos para o jornal Última Hora, afirmou que, acima de tudo, Nelson era um “trabalhador atrás do seu dinheirinho”.

“Ele não dizia palavrão, mas de uma forma intuitiva, às vezes subliminar, levava as pessoas a pensarem. O Nelson tinha essa qualidade. O que o Nelson colocava são sensações que todos os humanos têm do pecado, do desvio moral, essa coisa que fica na cabeça das pessoas e as pessoas têm medo de colocar pra fora”, disse Filho.

Vovô

Mario Vitor Rodrigues, neto de Nelson, também prestigiou o encontro de Fernanda Montenegro, Daniel Filho e Ruy Castro. Sobre a homenagem pelo centenário do maior dramaturgo brasileiro, ele afirmou que “o vovô merece tudo e mais um pouco”.

“O centenário do vovô é uma coisa enorme, realmente importantíssima e, para nós, tem um lado muito emotivo. E quando eu soube do eclipse lunar que iria acontecer com Ruy, Fernanda, Daniel juntos, pensei: ‘Tenho que ir’. Tem uma série de eventos homenageando o vovô e eu gostaria de estar em todos, mas é impossível.”

‘Precisaria mais 100 anos para mergulhar em toda a obra de Nelson Rodrigues’, diz Ruy Castro

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

As comemorações aos 100 anos de Nelson Rodrigues — promovidas pelo Sesi-SP, por meio de montagens teatrais, debates e leituras dramáticas de obras do dramaturgo — também tiveram lugar na 22ª Bienal Internacional do Livro, no estande das editoras do Sesi-SP e Senai-SP.

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Marco Antonio Braz, Ruy Castro e Nelson Rodrigues Filho durante mesa redonda promovida no estande das editoras do Sesi-SP e do Senai-SP, na 22ª Bienal Internacional do Livro


Na noite desta terça-feira (14/08), três especialistas no tema — o biógrafo Ruy Castro e os diretores teatrais Marco Antônio Braz e Nelson Rodrigues Filho – propiciaram ao público  um breve mergulho na vida e obra do mais polêmico e respeitado dramaturgo brasileiro.

No próximo dia 23, Nelson completaria 100 anos de vida. Ruy Castro, autor da biografia Anjo Pornográfico,  elogiou as homenagens que estão sendo realizadas pelo centenário de escritores como Nelson Rodrigues e Jorge Amado. “Isso é de grande importância para que as pessoas tenham acesso às obras desses autores”, diz. Para o jornalista e escritor, os brasileiros têm o privilégio de serem os “detentores exclusivos” da obra rodriguiana,  mas acha que “o mundo inteiro teria o direito de conhecer Nelson Rodrigues.”

Segundo o biógrafo, Nelson era um figura popular que, carinhosamente, era abordado pelos “desconhecidos íntimos” nas ruas, os representantes do povo brasileiro, da qual ele era o grande cronista. Polêmico para os padrões sociais das décadas de 1940 a 1960, o dramaturgo, que foi o primeiro autor de telenovela no Brasil, foi o mais perseguido pela censura. Um fato curioso é que suas novelas,  rigidamente acompanhadas pela censura eram aprovadas com a condição de serem exibidas no último horário da programação. “Se houve um escritor maldito em horário nobre esse era o Nelson Rodrigues”, ironizou Castro.

O diretor teatral Nelsinho, filho de Nelson Rodrigues, agradeceu as homenagens aos seu pai, com as montagens Boca de Ouro e A Falecida que estão em cartaz no Teatro do Sesi-SP. Ele enfatizou  que essas e outras iniciativas são uma oportunidade para as novas gerações conhecerem parte da extensa obra de seu pai e adintou: “Em dezembro a peça Vestido de Noiva será encenada no Teatro Municipal para relembrar a primeira montagem realizada em 1943, um grande marco para o teatro brasileiro.”

Genialidade rodriguiana

A primeira  mostra da genialidade literária de Nelson Rodrigues, segundo o seu filho, aconteceu aos 7 anos de idade. Na escola, ele tirou a nota máxima em redação ao escrever a história de um marido que surpreendia a mulher e o amante e os matavam em seguida.

Outro episódio que fez com que o diretor teatral percebesse que seu pai tinha uma visão especial sobre as coisas foi quando ele se negou a assinar um baixo-assinado promovido pelos vizinhos. O objetivo era denegrir a imagem de uma moça que, supostamente, estaria tendo um romance com seu professor de música, um homem casado e muito mais velho do que ela. Nelsinho, que na época era um adolescente, lembra  das palavras que seu pai disse aos  vizinhos: “Não vou assinar. Parem. Vocês estão matando essa menina!”.  E, de fato, a moça e o professor se suicidaram dois dias depois.

Morte,  amor e traição são temas recorrentes na obra de Nelson Rodrigues. “O velho [Nelson Rodrigues] era fissurado no lance da morte, da finitude, no aniquilamento”, afirma Nelsinho que acredita que o assassinato de seu tio também marcou profundamente o autor.

Na opinião de Marco Antônio Braz, a presença da morte na obra de Rodrigues não tem a ver com um gosto mórbido, mas a intenção do autor de retratar a realidade nua e crua e até de maneira didática. “Nelson costumava dizer que sua obra deveria ser lida por adolescentes”.

“O universo da obra de Nelson fala do amor e morte, mas entre esses dois pontos você pode colocar uma série de coisas. E há muito humor na obra de Nelson”, afirma Ruy Castro.

Inspiração

A obra de Nelson Rodrigues foi o primeiro contato de Ruy Castro com o universo das letras. “Aos 4 anos de idade, eu via minha mãe se deliciar lendo, diariamente, A vida como ela em uma coluna no jornal. Eu, que já estava me alfabetizando, me sentava no colo dela e riamos juntos sobre o texto de Nelson Rodrigues. Em geral eram sempre histórias de adultério. Na época, eu era a criança que mais entendia de adultério”.

Na adolescência, Castro passou a ler as crônicas esportivas de Nelson no jornal Primeira Hora. Acompanhou, capítulo a capitulo, a novela-folhetim Asfalto Selvagem (a história da Engraçadinha). E muitos anos depois viria descobrir a produção de Nelson para o teatro. “Mal consegui, até hoje, roçar à superfície de Nelson. Precisaria de mais 100 anos para conseguir absorver tudo”, afirmou Castro.

Já Marco Antônio Braz teve o seu primeiro contato, aos 14 anos de idade, ao ler Beijo no Asfalto. “Aquele final escandalosamente surpreendente me tocou muito e fez com que a obra dele não saísse mais da minha vida.” Braz sugeriu a plateia que se exercitassem em ler os textos de Nelson Rodrigues em voz alta para conseguir imaginar a grandeza da visão do autor.

As frases de Nelson

“O velho era um frasista genial”, define Nelson Rodrigues Filho, destacando o livro Flor de obsessão. As 1000 melhores frases, de autoria de Ruy Castro. “Mas poderia ter mais mil”, completou.

A ironia e o sarcasmo faziam parte de bordões de Rodrigues. Vejam algumas de suasfrases célebres:

“Amar é ser fiel a quem nos trai.”

“Toda mulher bonita é namorada lésbica de si mesma.”

“As mulheres gostam de apanhar. Mas só as normais. As neuróticas reagem.”

“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”

Certa vez, ao ser indagado pelo seu amigo e poeta Manuel Bandeira sobre por que ele não escrevia sobre “gente normal”, Nelson Rodrigues respondeu:

“Mas eu só escrevo sobre gente normal, como eu e você”.

Norma Blum interpreta o texto “O beijo no asfalto” nessa 4ª feira, 01/08

Agência Indusnet Fiesp

A atriz Norma Blum, que teve papel central na primeira adaptação cinematográfica do texto rodriguiano O beijo no asfalto, na década de 60, revive o enredo teatral nesta quarta-feira (01/08), no Teatro do Sesi São Paulo, às 20h30, durante uma leitura dramática. O evento com entrada gratuita é parte da programação do projeto Nelson Rodrigues 100 anos – uma homenagem do Sesi-SP ao centenário de nascimento do dramaturgo.

Em O beijo no asfalto, Nelson inspirou-se nas cenas de seu cotidiano ao narrar a morte de um conhecido por atropelamento. Na trama, o sujeito, caído no meio da rua, pede um beijo a quem ao acaso o socorria, antes de morrer. Na peça esse gesto de humanidade é devassado e retorcido pela atitude vil das pessoas, exceto pela viúva, que o defendeu até depois da morte.

Sobre o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos Sesi-SP

O projeto do Sesi-SP em comemoração ao centenário de Nelson Rodrigues inclui espetáculos, leituras dramáticas, exposições, debates e oficinas. Os destaques do projeto, que tem curadoria de Ruy Castro, biógrafo de Nelson, e direção artística de Marco Antônio Braz, especialista na obra rodriguiana, são a abrangência da programação, a participação de personalidades (inclusive de pessoas que conviveram com ele), a abordagem de aspectos menos conhecidos do dramaturgo – como jornalista, escritor, cronista esportivo e folhetinista – e o caráter pedagógico das ações com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi-SP.

Até novembro, nomes como Fernanda Montenegro, Cleyde Yáconis, Nathália Timberg, Christiane Torloni, Nelson Rodrigues (filho), Norma Blum, Daniel Filho e Nelson Pereira dos Santos farão parte da homenagem.

Para mais informações, acesse o site oficial do projeto.

Serviço
O beijo no asfalto
Data/horário: 1º de agosto de 2012, às 20h30
Local: Teatro do Sesi São Paulo – Av. Paulista, 1313, capital

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‘A Falecida’ no Centro Cultural Fiesp: peça de Nelson Rodrigues mostra sordidez das relações humanas

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Foto: João Caldas

Maria Luiza Mendonça (Zulmira) e Rodrigo Fregnan (Tuninho), em "A Falecida". Foto: João Caldas

Considerada um marco na obra de Nelson Rodrigues, a peça A Falecida, em cartaz no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, retrata em três atos a vida de Zulmira, uma pobre mulher frustrada, doente e sem perspectivas em sua vida. Mesmo tuberculosa, ela ainda consegue alimentar sua ambição por um funeral de luxo.

Sua pretensão é resultante do ódio que sente pela sociedade abastada e por sua prima e vizinha Glorinha, por quem é ignorada. Tendo-a como adversária, Zulmira chega a ficar feliz ao saber que a seriedade de sua prima decorre de um câncer.

Tuninho, marido de Zulmira, é um desempregado que passa o tempo no bar bebendo e falando sobre futebol com amigos. Incumbido pela esposa de arrecadar o dinheiro para seu enterro, ele demonstra que seu interesse pelo time do coração, somado à boemia, vai além do amor por Zulmira.

O enredo é essencialmente uma amostra irônica e debochada da vida como ela é, bem como a sordidez humana e sua capacidade de inventar verdades e ocultar mentiras.

Projeto Nelson Rodrigues 100 anos
Peça “A Falecida”, com Maria Luiza Mendonça
Temporada, data e horários: 6 de julho a 2 de dezembro
Julho – estreia em 06/07 (sexta-feira), às 20h30. Durante o mês, as apresentações serão aos sábados, às 20h30, e domingos, às 20h.
Setembro – todos os sábados, às 20h30, e domingos, às 20h.
Outubro – todas as quintas e sextas, às 20h30.
Novembro – todos os sábados, às 20h30, e domingos, às 20h. Nos dias 24 e 25 não haverá espetáculo. As apresentações acontecerão na semana seguinte nos dias 29 (quinta) e 30 (sexta), às 20h30.
Dezembro – 1º/12 (sábado), às 20h30, e 2/12 (domingo), às 20h.

Entrada: quintas e sexta-feiras – entrada gratuita
Sábados e domingos – R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Local: Teatro do Sesi-SP | Av. Paulista, 1313 (Metrô Trianon-Masp)
Capacidade: 456 lugares
Informações: 11 3146-7405 / 7406
Fale Conosco: 11 3528-2000 capital e Grande São Paulo | 0800 55-1000 outras localidades

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Veja entrevista com elenco da peça Boca de Ouro, em cartaz no Centro Cultural Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Frágil, galante, cruel. As muitas faces de um bicheiro do bairro de Madureira, no subúrbio do Rio de Janeiro, são o tema de “Boca de Ouro“, peça em cartaz no Teatro do Sesi, no Centro Cultural Fiesp. A montagem é baseada em uma das 17 peças teatrais escritas por Nelson Rodrigues, parte integrante da programação multicultural organizada pelo Sesi-SP em homenagem ao centenário do autor.

O desafio de encarnar as múltiplas facetas do protagonista da peça cabe a Marco Ricca. “Todos os bons personagens têm essas gamas diversas, o difícil é dar conta disso tudo”, explica o ator.

Para Ricca, o texto de Nelson Rodrigues é maravilhoso porque tem uma possiblidade de comunicação quase que imediata. “Estou sentindo na carne o quanto é forte esse texto”, revelou.

Lara Córdula, que interpreta Guigui, a amante do bicheiro de Madureira, explica que a personagem conta a história de acordo conforme a situação se apresenta para ela. “Ela é muito intensa e se torna apaixonante por ser apaixonada pelo Boca de Ouro”.

É justamente Guigui quem direciona o leitor em três versões diferentes da menina Celeste, interpretada por Livia Ziotti. “Na primeira, é uma versão idealizada da Celeste, então, ela é a dona de casa dedicada. No segundo e terceiros atos, a gente começa a conhecer outro lado mais sombrio e perverso dessa menina de Madureira”, explicou.

A peça fica em cartaz até 25 de novembro no Centro Cultural Fiesp.  Confira a programação no site

Serviço
Boca de Ouro
Local: Teatro do Sesi São Paulo
Endereço: Av. Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp
Temporada: de 29 de junho a 25 de novembro de 2012
Classificação indicativa: 14 anos
Horário: 20h30
Informações: (11) 3146-7405 / 7406

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Maria Luiza Mendonça: ‘É uma honra muito respeitosa fazer parte da homenagem a Nelson Rodrigues’

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Foto: João Caldas

Em "A Falecida", Maria Luiza Mendonça interpreta Zulmira, uma mulher frustrada e sem perspectivas

Começa nesta sexta-feira (06/07), em São Paulo, a temporada da peça ” A Falecida “, de Nelson Rodrigues. A montagem ficará em cartaz até o dia 2 de dezembro no Teatro do Sesi São Paulo, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

O espetáculo faz parte do projeto do Sesi-SP – Nelson Rodrigues 100 Anos, que desde maio conta com debates, leituras dramáticas, espetáculos teatrais inéditos, uma exposição e oficinas sobre a vida e a obra do polêmico autor.

Protagonizada por Maria Luiza Mendonça, que interpreta a personagem Zulmira, a pré-estreia realizada na noite de quinta-feira (05/07) – apenas para convidados – reuniu atores consagrados como Malu Mader, Karen Rodrigues, Fúlvio Stefanini, Gabriela Alves Toulie, entre outros.

Minutos antes de subir ao palco, Maria Luiza falou rapidamente com a reportagem: “Estou com um grande time, e a expectativa para a temporada é a melhor”, afirmou, destacando que fazer parte desta homenagem “é uma honra muito respeitosa”.

“Todo esse movimento do Sesi-SP em relação ao Nelson Rodrigues é muito pontual, porque há um registro disso tudo que vai ficar para sempre, não só as duas montagens [A Falecida e Boca de Ouro], como as leituras dramáticas de todas as peças, uma parceria com o diretor Marco Antonio Braz e toda a equipe”, completou Maria Luiza, que a partir do dia 8 de setembro será substituída por Lucélia Santos até 2 de dezembro.

Maria Luiza reconheceu também a importância do Sesi-SP nas manifestações culturais: “O Sesi-SP é incrível, pois dá enormes condições de se fazer um trabalho artístico que se aprofunda. Além de ser aberto ao público e praticamente de graça, é um acesso à formação de plateia e de profissionais, o que é muito importante.”

Após a pré-estreia que lotou o Teatro do Sesi São Paulo, Nelson Rodrigues Filho, um dos herdeiros da obra do dramaturgo, destacou a qualidade do diretor da peça, Marco Antonio Braz.

“Estamos acompanhando o centenário de Nelson Rodrigues e, aqui em São Paulo, o Braz está dando um belo exemplo do que foi esse autor maravilhoso, esse pai que eu adorava”, declarou Nelson Filho, ao revelar que o roteiro do documentário sobre o autor está sendo desenvolvido. “Digo sempre que o velho clamou sempre por sua alma eterna, e ele conseguiu ser eterno”, finalizou.

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