Especialistas debatem necessidade de melhora na qualidade dos serviços no 14º Encontro Internacional de Energia

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A procura pela qualidade dos serviços foi o tema do painel que reuniu especialistas no setor de energia elétrica na manhã desta terça-feira (06/08), durante o 14º Encontro de Energia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e realizado no Hotel Unique, na capital paulista.

Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), iniciou sua apresentação com o questionamento: “de que qualidade no serviço de energia elétrica estamos falando?”.

Para Leite, uma das inúmeras formas de se medir qualidade no setor de energia é analisando o número de interrupções no fornecimento e a duração média dessas interrupções. “A boa qualidade é filha da saúde financeira das empresas”, disse.

Leite: nível de satisfação de 79,9% com a prestação dos serviços. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Leite, da Abradee: “A boa qualidade é filha da saúde financeira das empresas”. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Leite apresentou os números de 2013 da pesquisa anual de satisfação do cliente residencial da Abradee. “De 1999 até 2005, o nível de satisfação dos clientes cresceu sem interrupções. Em 2009 atingimos o melhor resultado, com 79,9% de satisfação da população em relação ao setor de energia elétrica. Essa satisfação se mantém próxima desse nível em 2013. O cliente mais satisfeito é o do sul do país, em torno de 87,6%. Mas o objetivo é 100%”, informou.

De acordo com o presidente da Abradee, o atual cenário faz com que o setor tenha alcançado um bom nível de serviço, mas próximo do esgotamento, com limites em qualidade, eficiência e financiamento. “Hoje as empresas têm dificuldades em realizar investimento e ter retorno: R$ 1 vale R$ 0,80, o que desestimula o setor”, afirmou.

Nesse cenário, a saída, para Leite, é revisar o modelo de negócios adotado hoje. “Nós da Abradee propomos uma revisão do modelo de negócio, para isso é necessário uma interlocução entre todos os agentes do setor”, disse. “Buscamos o estabelecimento de um plano de investimentos para modernização dos ativos, garantia de sinais econômicos corretos para o setor e o estimulo à evolução de um novo modelo de negócios”.

Para ele, “o foco permanente é a oferta irrestrita, a universalização do atendimento e um novo modelo para as tarifas”. “A evolução da sociedade demandará transformações estruturais dos servidores de energia”, encerrou.

As demandas do setor e da sociedade

O professor titular da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, José Policarpo, foi bastante critico em relação à qualidade do serviço de energia elétrica do País. “Será que a indústria está ciente dos problemas de qualidade da energia elétrica e suas soluções? Será que todos os agentes têm a capacidade de atender as demandas do setor e da sociedade?”, questionou.

Os debatedores do painel: melhor definição dos critérios e regras para a prestação dos serviços. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel: melhor definição dos critérios para a prestação dos serviços. Foto: Julia Moraes/Fiesp


“Precisamos ter responsabilidades compartilhadas e não socializar os custos de eletricidade é fundamental”, acrescentou o acadêmico.

Marcelo Pelegrini, membro da consultora Sinapsis, fechou o debate, abordando os indicadores de Qualidade de Energia Elétrica (QEE).  “A correta apuração dos indicadores é importante para comparar as empresas e o desempenho do setor”, disse.

De acordo com Pelegrini, o nível ótimo de qualidade precisa ser definido para que o consumidor perceba o valor e os custos agregados ao serviço.  “O cliente atualmente percebe que o valor do serviço é alto demais para a qualidade. Esse é o desafio. Como equacionar essa percepção e atrelar custo e qualidade?”.

O painel foi mediado pela advogada Flávia Lefèvre, diretora do Departamento de Infraestrutura da Fiesp.

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