INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: MAGNAMED – NEGÓCIO QUE SALVA VIDAS

Por Karen Pegorari Silveira

A ideia de resolver problemas sociais e ganhar dinheiro com isso tem conquistado cada vez mais os empreendedores brasileiros, e de acordo com a consultoria Monitor Institute, até o início da próxima década serão investidos mais de 500 bilhões de dólares nestes modelos de negócios sociais em todo o mundo.

Este propósito de negócio também atraiu três empreendedores, Tatsuo Suzuki, Wataru Ueda e Toru Miyagi, e os inspirou a criar a empresa Magnamed, fabricante dos ventiladores de transporte hospitalar – Oxymag, e o de UTI – Fleximag, que atende uma demanda de mercado a preços mais justos.

O primeiro produto foi construído de acordo com normas técnicas alemãs e tem vários diferenciais. É leve (quase metade do peso dos já existentes), fácil de manipular e 50% mais barato que o similar importado, com a mesma confiabilidade, por isso se encaixa em um produto social.

Contrariando os concorrentes de peso, eles conseguiram vender para grandes mercados, como a África do Sul, e hoje o ventilador já é comercializado em 40 países.

Em dois anos (de 2008 a 2010) a fábrica da Magnamed recebeu o Certificado de Boas Práticas de Fabricação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No mesmo ano, o Oxymag recebeu a marcação CE, da Comunidade Econômica Europeia.

Hoje, estes dois produtos são os carros-chefes da empresa e mais de 50 países na Europa, América Latina, África e Oriente Médio já utilizam a tecnologia da Magnamed em centros médicos e unidades de transporte de emergência. Em 2016 entraram para a carta de clientes da empresa oito países: Costa do Marfim, Costa Rica, Macedônia, Moçambique, Nepal, Quênia, Vietnã e Zimbábue.

Segundo Wataru Ueda, CEO da empresa, desde o início os produtos foram pensados para suprir as reais necessidades das equipes de emergência e centros de tratamento, intensivos. “Por isso é uma empresa social, porque trabalha para sanar obstáculos e garantir um atendimento de saúde de qualidade. A empresa sempre trabalha com a premissa de ajudar a preservar vidas e seu trabalho já ajudou a preservar mais de 1 milhão de vidas, e isso é motivo de orgulho para toda a equipe da Magnamed”, conta o executivo.

O executivo conta ainda que em 2016 a empresa fechou o ano com faturamento de R$ 34 milhões e crescimento de 84% em relação ao ano anterior.

Sobre a Magnamed

A Magnamed é uma empresa 100% nacional voltada para o mercado de critical care e produz ventiladores pulmonares e equipamento de testes. A companhia, hoje com 100 funcionários, foi fundada há 10 anos e a nova fábrica, com 3.000 m², está localizada no distrito industrial de Cotia, na grande São Paulo.

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INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: SOLAR EAR – INCLUSÃO E INOVAÇÃO

Por Karen Pegorari Silveira

No mundo existem 250 milhões de pessoas que precisam de aparelhos auditivos, segundo a Organização Mundial da Saúde, mas só 16 milhões são produzidos por ano. Desses, 12% são feitos em países em desenvolvimento, onde há alta incidência desse tipo de deficiência e o uso de tratamentos e remédios contra infecções de ouvido é restrito. Além disso, um aparelho auditivo custa entre R$ 1 mil e R$ 10 mil + R$ 3 por semana para a bateria, valor muito alto para a maioria dos deficientes auditivos do mundo.

Com este quebra-cabeça em mãos, o canadense Howard Weinstein desenvolveu um aparelho auditivo digital de baixo custo, com baterias recarregáveis a energia solar e tecnologia inédita no mundo a um custo 80% menor que as peças tradicionais. A principal inovação está no carregador, que armazena energia durante o dia para recarregar a bateria durante a noite, evitando o descarte de baterias no meio ambiente. Com isso, mais de 200 milhões de pilhas deixarão de ser descartadas no meio ambiente anualmente. Além disso, o carregador e as baterias recarregáveis ainda podem ser utilizados por 90% dos aparelhos que estão no mercado e não apenas em aparelhos da empresa.

Para a fabricação dos aparelhos e carregadores, a Solar Ear apostou na inclusão social e profissional de pessoas com deficiência auditiva. No Brasil, a organização treina 20 jovens por ciclo de trabalho, que recebem durante o programa, treinamento em eletrônica, processos produtivos e procedimentos de qualidade. A capacitação abrange ainda treinamentos em microssolda, normas da ANVISA, entre outros. Este período de treinamento permite que a empresa retenha os melhores talentos para serem multiplicadores do conhecimento em outras localidades, e após o fim de cada ciclo, os jovens estão aptos a ir para o mercado de trabalho.

O objetivo da Solar Ear é garantir que crianças possam receber aparelhos auditivos antes dos três anos de idade e, se possível, aprender como comunicar-se (falar) e ir as escolas regulares, já que não existem muitas escolas para surdos no mundo.

Tudo o que a empresa lucra é reaplicado em suas missões sociais, como capacitar jovens surdos para trabalhar com microeletrônica no Brasil e na China ou combater a Aids na África.  e a tecnologia utilizada é oferecida gratuitamente – não é patenteada – inclusive para potenciais concorrentes. Em 2015, a Yunus investiu R$1,5 milhão na Solar Ear para contratar vendedores e estruturar uma rede de distribuição.

Sobre a Solar Ear

A Solar Ear é um negócio social, sediado em São Paulo (SP), que produz e comercializa aparelho auditivos de baixo custo que são recarregáveis a energia solar. O projeto é desenvolvido a partir de uma parceria entre o Instituto CEFAC e a Universidade de São Paulo.

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ARTIGO: COMO AS PEQUENAS E MÉDIAS INDÚSTRIAS PODEM COLABORAR NA REDUÇÃO DA POBREZA E DAS DESIGUALDADES?

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Edson Sadao

A pobreza e as desigualdades (social, de gênero, cultural etc.) são ruins para todos. Elas afetam a eficiência e eficácia das empresas, pois trabalhadores muito pobres e em situação de desigualdade são menos produtivos, recebem baixos salários, consomem pouco e geram um ciclo negativo e vicioso em nossa sociedade. É possível reverter tal situação?

Uma das capacidades que nos distinguem de outros animais é a imaginação, ou seja, vislumbrar algo que ainda não existe. Quem diria, no início do século XVIII, que um objeto mais pesado que o ar poderia voar? Quais brasileiros acreditavam, antes de 1900, que as mulheres iriam votar e serem votadas em nosso país? Quantos enxergavam, na década de 1950, que o homem iria à Lua? Imaginar um Brasil sem pobreza e desigualdade pode gerar sentimentos de descrença e apatia, mas, como podemos mudar sem, ao menos, imaginarmos que isso seja algo possível e desejável?

Para refletirmos sobre como as pequenas e médias indústrias podem contribuir na redução da pobreza e das desigualdades, gostaria de relembrar os ensinamentos de Milton Friedman e Paul Samuelson, prêmios Nobel em economia, sobre o papel das empresas na sociedade. Friedman acreditava que a empresa deveria se concentrar em suas atividades centrais, ou seja, geração de empregos, pagamento de impostos, oferecimento de bons produtos. Aos governos, e apenas ele, caberiam as políticas sociais. Por outro lado, Samuelson defendeu uma visão sistêmica das empresas, ou seja, deveriam contribuir para o entorno. O raciocínio deste economista é a de que a empresa precisa de bons insumos, de mão-de-obra qualificada, de consumidores com emprego e renda, ou seja, o bom desempenho da empresa depende do meio em que se encontra.

Acredito que os economistas se complementam em suas teses. De fato, fazer o básico bem feito nem sempre é simples. Por que cumprir as Leis contribui com a redução da pobreza e das desigualdades? Basta retomar o raciocínio de Milton Friedman. Fazer o que se espera classicamente de uma empresa, muitas vezes, é o suficiente (e o que é possível) na redução da pobreza e desigualdades.

Mas as empresas podem fazer mais e melhor, basta nos inspirarmos em Paul Samuelson. Nesse sentido, vislumbro três opções:

1-As indústrias podem oferecer bolsas (parcial ou integral) de estudos aos funcionários, pois esse tipo de apoio tende a melhorar a produtividade e também contribui na retenção dos melhores talentos. Mas é preciso tomar cuidado, pois o mercado está recheado de opções “baratas”, mas que não atendem aos padrões mínimos de formação. Sugere-se oferecer aos funcionários informações sobre as oportunidades educacionais, as bolsas oferecidas pelo governo ou mesmo firmar convênios com instituições de ensino sérias e com qualidade de ensino. Ou seja, a educação dos funcionários é um investimento com retorno direto para as empresas e também funciona como um mecanismo de redução de pobreza e desigualdade.

2-Além disso, recomendo o apoio, na medida do possível, a ONGs que atuam a favor das pessoas mais pobres e fragilizadas da sociedade. Com know how, com voluntariado, apoiando eventos, ajudando na captação de recursos. Há muitas organizações sérias e que merecem a colaboração das indústrias. Assim como no caso da educação, sugiro contar com o apoio de especialistas para selecionar as melhores ONGs.

3-Em tempos recentes e em função da escassez de recursos provenientes de doações, diversas ONGs têm buscado atividades produtivas e geradoras de recursos, as quais são chamadas de negócios sociais. Aqui, talvez, exista uma via de mão dupla de aprendizados: ao invés das doações clássicas de recursos financeiros, apoiar tecnicamente um negócio social é uma alternativa simples e acessível à maior parte das pequenas e médias indústrias brasileiras e, ao mesmo tempo, pode ser um caminho para aprender maneiras diferentes e inovadoras de se fazer negócios.

Um exemplo de pequena indústria que se configura como negócio social é a Goóc. Trata-se de uma fábrica de mochilas, sandálias e chinelos feitos de material reciclável (lonas e pneus). Por decisão do empresário Thái Quang Nghia, um imigrante Vietnamita, a Goóc tem contratado ex-presidiários e pessoas com mais de 60 anos de idade em sua linha de produção.

Por que a Goóc contribui com a redução da pobreza e desigualdade? Além de pagarem impostos, gerarem emprego e renda e oferecerem um bom produto ao mercado, esta empresa incentiva as atividades de reciclagem as quais tendem a beneficiar pessoas mais pobres que atuam em sua cadeia; ao contratar pessoas que estão, em geral, à margem da sociedade, contribui com a redução de pobreza e desigualdade social. Nem sempre outras indústrias podem adotar algo semelhante à Goóc, mas por que não se inspirar nesta empresa na construção de uma sociedade brasileira mais justa, humana e menos desigual?

Faço um convite a que todos os que querem contribuir para um Brasil economicamente forte, socialmente justo e ambientalmente correto possam aperfeiçoar suas atividades e incorporarem ações e atividades simples ao seu alcance para o bem de todos nós.

* Edson Sadao Iizuka é Graduado (1996), Mestre (2003) e Doutor (2008) em Administração Pública e Governo pela EAESP-FGV. Especialista em Liderança para o Terceiro Setor (1999) e foi trainee GIFE (programa apoiado pela Fundação Kellogg). É docente dos cursos de Graduação em Administração do Centro Universitário da FEI (desde 2013) pertence ao corpo docente permanente dos programas de Mestrado e Doutorado em Administração do Centro Universitário da FEI (desde 2013); . Tem como principais temáticas de pesquisa: Gestão Social; Inovação na Gestão Pública Local; Processo Decisório, Negócios Sociais e Empreendedorismo (ênfase no Empreendedorismo Social).

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