Fórum de startups da Fiesp destaca papel do empreendedor no sucesso do negócio

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

“Estamos vivendo o desafio do empreendedorismo no Brasil. Antes o empreender era uma questão de oportunidade. Hoje, com a crise, se tornou uma questão de necessidade. E isso nos faz um dos líderes no mundo”, enfatizou o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, durante o 1º Fórum de Startups, realizado nesta quinta-feira (11/8), na Fiesp, em parceria com a Câmara de Comércio França-Brasil de São Paulo (CCFB-SP).

O evento foi organizado pelo Comitê Acelera Fiesp (CAF) e pelo Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE). O objetivo da iniciativa foi apresentar um mapa de oportunidades para as startups e promover um debate sobre a importância dos setores público e privado no desenvolvimento dessas empresas.

Segundo Afif, o ambiente de negócios no Brasil é totalmente hostil. “Steve Jobs teria ‘morrido’ com o nosso sistema burocrático. Hoje o ambiente está muito mais propício para criar novos negócios.” No entanto, ele lembra que a empresa tem que nascer dentro do Simples e brinca: “se nascer complicado, já era”. E finaliza dizendo que é fundamental haver democracia no acesso ao crédito.

O presidente do InvesteSP, Juan Quirós, falou sobre a experiência que tem com os filhos, donos de startups. “Com eles aprendi que em processos não se pode desistir. Quem começa com uma startup tem que ter estrutura emocional. Tem que saber lidar com a frustração”, disse. Para ele a derrota é a base do conhecimento, diferentemente do que a cultura brasileira propõe.

Mente criativa

“O mundo gira diferente do que a gente costumava trabalhar”, afirmou o assessor técnico da Direção de Sistemas de Informação América da Renault, Alexandre Grenteski. Segundo ele, há muita mente criativa no meio universitário, e o projeto da Renault Experience aposta em formar parceiros em várias instituições. “Fazemos questão de estimular os jovens que tenham o perfil inovador e empreendedor.”

O diretor executivo da ACE, Arthur Garutti, reforçou aos participantes que uma ideia sem sair do papel não tem valor nenhum. “Se você não sair imediatamente trabalhando sua ideia, você já está perdendo espaço para outra do mercado. O comportamento do empreendedor faz toda a diferença no processo.”

“Vocês acham que grandes cases como Facebook e Uber, outras pessoas já não tinham pensado nisso?”, questionou o sócio da Performa Investimentos, Guillaume Sagez. Ele concorda com Garutti que a diferença está nas pessoas. “É o conjunto do desenvolvimento que faz uma empresa acontecer e ser bem-sucedida, concluiu.

Durante o fórum também foi entregue o III Prêmio Empreendedor, promovido pela CCFB-SP, que visa estimular a criação de ações inovadoras nas mais diversas áreas da economia.

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Mesa de abertura do Fórum de Startups, na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Vencedores do Acelera Startup comemoram expansão e reconhecimento do mercado

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A vida deles nunca mais foi a mesma. E o que importa: mudou para melhor depois que eles decidiram se inscrever no Concurso Acelera Startup, maior competição de empreendedores do Brasil, organizada pelo Comitê Acelera Fiesp (CAF) desde 2012. Vencedores na disputa, viram seus negócios deslancharem e suas redes de contatos cresceram numa velocidade jamais imaginada antes. E estimulam todos os interessados em empreender a fazerem o mesmo. A oitava edição do evento começa nesta terça-feira (05/07), na sede da Fiesp, na capital paulista, se encerrando na quarta (06/07), com a divulgação dos resultados.

Além de incentivar o empreendedorismo, o Acelera Startup aproxima projetos e empresas de investidores.

“Não tivemos crise em 2016”, conta Valmir Valverde Júnior, da Carrega +, que fornece carregadores portáteis de celulares e tablets para eventos e empresas. O empresário ficou em segundo lugar na quarta edição do Acelera, em 2014. “Crescemos mais de 300% ao ano desde que participamos do concurso”.

Hoje membro do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, Júnior diz que o maior ganho foi o reconhecimento trazido pela conquista. “O mercado passou a nos respeitar”, conta.

Além de fornecer os carregadores para eventos, a Carrega + ainda disponibiliza esses objetos para estabelecimentos como restaurantes, vendendo espaço publicitário nas peças, atividade que já responde por 80% do faturamento da empresa.

Não menos animado, Sergio de Andrade Coutinho Filho, da Sayou, de tecnologia de capina elétrica, diz que o primeiro lugar na 3ª edição do Acelera, em 2013, “abriu uma nova rede de contatos e despertou o interesse dos investidores”.

Nesse embalo, a linha de produtos da empresa cresceu e hoje tem produtos de capina elétrica para os mercados agrícola, urbano e florestal, com o lançamento de opções para uso residencial no varejo em 2017.

“O Acelera é uma das melhores iniciativas de empreendedorismo existentes no Brasil hoje”, diz. “Crescemos 100% ao ano, sou muito grato à Fiesp”.

Quase um noivado

Campeão na categoria Energia na 6ª edição do evento, em 2015, o responsável pela área de Investimentos da Somatec, Paulo Morais, diz que a vitória acabou com o “ceticismo de mercado” em relação aos produtos da marca. O carro-chefe da linha da empresa é o retentor eletromagnético, que ajuda as indústrias a consumirem menos energia, entre outros benefícios.

“Existimos desde 1999, mas foi só depois do concurso que nos tornamos conhecidos e reconhecidos”, explica ele. “Agora crescemos 80% ao ano”.

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Morais, da Somatec: “Só depois do concurso nos tornamos conhecidos e reconhecidos”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Com mais de 2 mil equipamentos instalados em indústrias de todo o país, a Somatec está em fase de negociação com alguns investidores. “Passamos a ser procurados e ouvimos algumas propostas”, conta. “Posso dizer que estamos namorando sério e caminhando para um noivado”, brinca.

Por isso, a gratidão com a disputa de empreendedores promovida pelo CAF é eterna. “O Acelera é um dos eventos mais importantes do Brasil e da América Latina na área, tem um peso imenso”.

Nas últimas edições do evento, foram recebidas mais de 11.500 inscrições de todo o Brasil e participaram mais de 400 mentores e mais de 250 investidores, sendo anjos, representantes de fundos de investimentos e empresas que trabalham com inovação aberta. Somando as edições anteriores (2011, 2012, 2013, 2014 e 2015), o evento já gerou investimentos de mais de R$ 5 milhões.

Confira a programação completa na página do concurso: http://hotsite.fiesp.com.br/acelera/

 Serviço

Concurso Acelera Startup

Data: 5 e 6 de julho

Local: Edifício-sede da Fiesp.

Endereço: Avenida Paulista, 1313. São Paulo

VIII Congresso de MPI: empresários mostram como a atitude pode transformar um negócio em sucesso

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

“A atitude empreendedora: a razão do seu sucesso” foi tema de discussão durante o VIII Encontro de Micro e Pequena Indústria, em painel coordenador pelo diretor do Departamento de Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Vicente Manzione, na tarde desta quinta-feira (10/10), no Hotel Renaissance, na capital paulista.

Com o objetivo de provocar o público a pensar não apenas no seu negócio, mas sim como empresários, o representante do MSI Washington DC, Mauro Pedro Lopes, destacou a figura do empresário e a importância da atitude frente aos empreendimentos.

“Vivemos numa intercessão de um mundo que está acabando e um novo que está iniciando”, afirmou Lopes ao lembrar que, antigamente, a indústria ganhou muito dinheiro com a produção em escala, mas que hoje há um cenário em que se ganha muito dinheiro com a inteligência. “Com todas as informações de tecnologia, mercado e negócios, o que é possível fazer, como atitude, para prosperar os negócios?”, questionou.

Lopes: “Vivemos numa intercessão de um mundo que está acabando e um novo que está iniciando”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Lopes: intercessão de um mundo que está acabando e um novo que está iniciando. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


De acordo com a apresentação de Lopes, em nove países do G-20, incluindo o Brasil (Áustria, França, Alemanha, Japão, Korea, Inglaterra e Estados Unidos), 12% da população que trabalha está envolvida em atividades empreendedoras. Além disso, as pequenas e médias empresas são responsáveis por 52% do Produto Interno Bruto e 64% dos empregos desses países. “Os empreendedores estão reformatando o mundo não só pela tecnologia e pelos novos processos, mas com as suas atitudes. O século 21 é do empreendedor”, destacou.

Para ele, o Brasil ainda tem uma cultura empreendedora sob a ótica da necessidade e não da oportunidade. “É preciso fortalecer um ecossistema fértil, com um ambiente legal, regulatório e econômico favorável”, explicou.

Lopes destacou que é preciso inovar, ter novas ideias. “O processo de deter informação acaba nos bloqueando. Essa é a principal diferença de um técnico para os empreendedores”, afirmou.

“O empreendedor vê oportunidades onde as pessoas geralmente enxergam problemas. Ele muda a percepção da realidade e tem uma atitude propositiva”, destacou Lopes ao afirmar que ‘empreender é sair fora do quadrado e ir além dos seus limites’.

Na opinião dele, as ideias surgem da identificação de defeitos e recursos aproveitáveis. “É preciso pensar de forma simples. E cuidado, porque nem todos os sonhos podem virar um negócio. Podemos encontrar as soluções tecnológicas, mas será que existe um mercado para esse negócio?”, alertou.

Ao finalizar, Lopes lembrou que ser inovador não significa inventar, mas sim mudar um modelo de negócio para se adaptar às mudanças do novo mundo. “O sucesso da novação deve ser a estratégia do seu negócio, com uma solução criativa de um problema que você enxerga”, disse.


Cases de sucesso

Para complementar o debate sobre empreendedorismo e atitudes que podem mudar o rumo dos negócios, os empresários Beatriz Cricci, da Br Goods; Manuella Curti de Souza, da Purificadores Europa; e Jairo Megumi Uemura, diretor-presidente da Mebuki e Comércio Ltda, contaram suas trajetórias de sucesso profissional e lembraram que o caminho para chegar lá é longo e doloroso.

“Eu era uma executiva de uma empresa internacional, ganhava muito dinheiro. E, quando fui ter o meu próprio negocio, percebi que não sabia nada”, disse Beatriz, que hoje cresceu e expandiu seu empreendimento para o mercado internacional.

“O conhecimento muda as pessoas. Depois de fazer uma pós-graduação, passei a ganhar cinco vezes mais e a ter uma maturidade maior em cima da empresa e entender o negócio como tal”, afirmou.

“O processo não é fácil. Tudo assusta. Não adianta só ter uma ideia, é preciso colocá-la em prática e ir readaptando tudo para as pessoas entenderem e interiorizarem isso. Muitas vezes, a solução está com sua própria equipe. É importante andar junto com ela”, destacou.

Porta a porta

 Já Manuela lembrou que a Purificadores Europa foi fundada num momento de necessidade de seu pai, que identificou uma oportunidade. “A gente não criou o purificador, mas criou um mercado e uma cultura. Ficamos felizes em ser os percursores disso. A marca se consolidou através do seu modelo de negócio, porta a porta”.

A jovem empreendedora, que assumiu a frente da empresa depois da morte de seu pai e de seu irmão, comentou a importância de mostrar para os colaboradores e parceiros que, apesar do período de luto, o negócio vai continuar. E dar certo. “A partir de então, mudamos o modelo de gestão da empresa, migrando para uma forma mais descentralizada e participativa, menos conservadora. Além disso, recuperarmos o reposicionamento da marca, buscando novas tecnologias e novas maneiras de se relacionar com o cliente. Hoje, a empresa está melhor do que nunca”, afirmou.

Ao concluir, Manuela disse que entende a organização como parte ativa da sociedade. “Minha visão de futuro é construir uma empresa que sirva à sociedade e não apenas para encher os bolsos dos acionistas”, finalizou.

Uemura concorda. Na visão dele, o empresário, de uma forma geral, deve se envolver em ações sociais e ter disposição de ajudar as pessoas. “Devemos sair da zona de conforto e descruzar os braços”, concluiu.