Seminário da Média Indústria debate modernização da gestão de pessoas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta quarta-feira (20 de setembro) o painel Reforma Trabalhista: Modernizando a Gestão de Pessoas, no I Seminário da Média Indústria da Fiesp e do Ciesp, o moderador Carlos Bittencourt destacou a importância de discutir amplamente o tema. “Lei não cria empregos, mas uma legislação bem escrita, que dê principalmente segurança jurídica, elimina o medo e permite que se criem empregos”, disse Bittencourt, que é diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Empresa da Fiesp (Dempi).

O painel foi concebido para mostrar como as médias indústrias devem inovar na gestão trabalhista. Começou com a palestra A Atuação da Fiesp e a Conquista das Principais Mudanças na Legislação Trabalhista, feita por Luciana Freire, diretora executiva jurídica da Fiesp, que ao abrir sua exposição destacou que a legislação trabalhista é o tema do momento. “É a bola da vez, com uma mensagem positiva, de bastante otimismo para os empresários.”

Um ponto da modernização destacado por Luciana é o combate que ela faz ao ativismo judicial, graças às mudanças nos processos.

Antes da reforma, pesquisa do FMI mostra o Brasil em 125º lugar num ranking de liberdade do mercado de trabalho de 184 países. O efeito disso é a dificuldade de criação de empregos. Outra pesquisa usada pela Fiesp em sua defesa da modernização trabalhista é do Banco Mundial, sobre eficiência de mercado de trabalho, em que o país também aparece mal.

O cenário jurídico em relação ao trabalho é hoje conflituoso, explicou Luciana, com a legislação estimulando o conflito, com 11.000 novas ações trabalhistas por dia. Direito do trabalho é o assunto mais demandado no Judiciário. A insegurança jurídica é grande e limita as contratações de terceirizados e de trabalhadores temporários, por exemplo.

E a CLT não acomoda novas formas de trabalho, como a remota e a intermitente. A nova legislação atualiza a CLT, 70 anos defasada.

Em abril, a Fiesp fez pesquisa que mostra que era alto o grau de informação entre os industriais sobre a reforma. E 77% acreditavam que traria mais segurança jurídica. E com isso a maioria aumentaria seus quadros de pessoal, havendo a previsão de criação de 150 mil vagas em médio prazo.

Era muito tímida a reforma proposta pelo Governo, abrangendo cinco pontos apenas, mas o relator da reforma na Câmara, o deputado Rogério Marinho, incluiu mais de 100 alterações, explicou Luciana, frisando que houve ampla discussão ao longo da tramitação do texto no Congresso.

A Fiesp atuou ao longo da votação da reforma, lembrou, acompanhando as votações e sugerindo alterações, várias delas atendidas no Executivo e no Legislativo – caso do fim da contribuição sindical obrigatória.

Depois de aprovada a reforma, a Fiesp, acrescentou Luciana, trabalhou pela divulgação das mudanças, com a realização de diversos eventos.

Seu impacto mais relevante será a geração de empregos, destacou Luciana, citando pesquisas dos bancos Itaú, que estima criação de 1,5 milhão de empregos, e Santander (2,3 milhões).

Bittencourt ressaltou a importância de explicar aos trabalhadores o que mudou, para evitar desinformação. Recomendou imprimir e distribuir a cartilha sobre a modernização trabalhista criada pela Fiesp.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544917570

Painel ‘Reforma Trabalhista: Modernizando a Gestão de Pessoas’, do I Seminário da Média Indústria. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Negociações

A segunda palestra da tarde, com o título Valorização da Negociação Coletiva e da Atuação dos Sindicatos, ficou a cargo de Paulo Schoueri, diretor titular do Departamento Sindical da Fiesp (Desin). “Minha visão de empresário era de muito questionamento às negociações, com as empresas não se sentindo participantes e representadas nesse processo”, disse. “A modernização trabalhista é encarada como uma grande oportunidade para as negociações, propiciando ambiente favorável ao diálogo.”

Ter um ambiente de negócios tão desfavorável deve ter relação com a má colocação do Brasil no índice de desenvolvimento humano (IDH), disse. Engessar as empresas não gera desenvolvimento. O diretor do Desin destaca que gosta de lembrar que empresários e trabalhadores estão do mesmo lado.

O fim da contribuição sindical obrigatória representa modernidade, defendeu. As empresas se dispõem a continuar bancando os sindicatos, reconhecendo seu importante papel nas negociações.

A convenção coletiva e a negociação saem fortalecidas da reforma, mas, destaca Schoueri, aumenta a responsabilidade na discussão, pelo peso dado ao combinado sobre o legislado.

Em sua avaliação, as negociações serão difíceis este ano. Pela dificuldade em recuar depois que algo é dado, é preciso oferecer apenas o que é possível, disse. Usar os resultados como base é uma boa medida.

Vai depender dos empresários aproveitar a menor interferência nas negociações. “Acredito no sistema, acredito nos sindicatos, acredito na representação das empresas.”

Bittencourt defendeu que os empresários participem ativamente dos sindicatos, inclusive de suas decisões. Quando os sindicatos se sentirem mais fortalecidos mostrarão resultados melhores, disse.

Wagner Brunini, vice-presidente financeiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP) e diretor executivo da Brunini Consultoria, manifestou grande preocupação pelo grande número de mudanças simultâneas. “Minha percepção é que não estamos preparados”, afirmou em sua palestra, As Novas Políticas e Procedimentos Trabalhistas.

Daniele Azevedo de Souza, gerente do Departamento Sindical da Fiesp, fez a palestra Alterações no Contrato de Trabalho e nos procedimentos de Homologação. Recomendou refletir profundamente. “Talvez seja o momento de uma reengenharia dos processos” em relação à gestão de pessoas, disse. Pode haver um ganho de competitividade aplicando a legislação.

Ressaltou mudanças na jornada de trabalho, como por exemplo não considerar mais como tempo à disposição o período em que o empregado permanece na empresa para exercer atividades particulares.

E ficam bem delimitados outros pontos, como intervalo para almoço. A legislação revogou o artigo que tratava da homologação da rescisão de contratos de trabalho, frisou Daniele.

Medidas são início da modernização das relações do trabalho, afirma Skaf

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, falando nesta quinta-feira (22/12) na solenidade de divulgação do pacote de medidas trabalhistas, em Brasília, destacou que ele é um início de modernização das relações do trabalho.

As pessoas, disse Skaf, não devem ter que seguir regras escritas na década de 1950, quando podem, negociando, chegar a um termo melhor. Skaf destacou que a maturidade dos representantes dos trabalhadores e das empresas permite fazer bons acordos. A sociedade, disse, está preparada para defender os seus interesses. “O povo sabe o que é melhor para ele.” E, ressaltou, não há perda de direitos.

“O espírito das mudanças é a valorização das pessoas, delas conseguirem fazer legalmente aquilo que lhes convém, e não o que alguém determinou décadas atrás.”

As pessoas precisam ser mais valorizadas, disse, referindo-se ao negociado sobre o legislado. Skaf usou como exemplo as pessoas que preferem dividir seus períodos de férias e que não podiam fazer isso pelas regras antigas. O pacote permite dividir as férias em até 3 períodos.

Outro exemplo destacado foi dos novos negócios, em que o trabalho não é feito necessariamente num escritório, graças ao uso de dispositivos eletrônicos. A proposta, com sua modernidade, permite que, numa negociação, haja o trabalho remoto. Há novas formas de organização do trabalho, e não devemos ter medo das mudanças, afirmou.

Na jornada de trabalho, respeitado o limite de 220 horas mensais, será possível um entendimento, que não seja engessado.

Em sua avaliação, é uma quebra de paradigmas de forma positiva, para o bem do Brasil. Essas mudanças, disse o presidente da Fiesp e do Ciesp, ajudam a inserir o Brasil no mundo.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544917570

Paulo Skaf discursa durante anúncio de medidas trabalhistas em Brasília. Foto: Agência Brasil

David Cameron: ‘Estou aqui para encorajar o investimento do Reino Unido no Brasil’

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

(640x440)David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido. Foto: Ayrton Vignola

David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, discursa em encontro com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o 1º vice-presidente da entidade, Benjamin Steinbruch, autoridades britânicas e empresários

“Se você não pode vencê-lo, junte-se a ele”. A citação foi feita pelo primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron,  ao se referir ao fato de que, no ano passado, o Brasil se tornou a sexta maior economia do mundo. “Estou aqui para encorajar o investimento do Reino Unido no Brasil”.

Cameron visitou a Federação Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta quinta-feira (27/09), e demonstrou grande entusiasmo com as possibilidades de negociações entre os dois países.

“Acho que há muitas oportunidades para a Inglaterra investir no Brasil”, afirmou destacando alguns dos setores de maior interesse, como o energético, que possui grande potencial de desenvolvimento; infraestrutura, em que acredita ter expertise para acrescentar muito;  indústria da defesa, pois a Inglaterra tem uma das maiores indústrias de defesa do mundo; educação, com parcerias nas universidades e instituições de ensino; além da ciência, tecnologia e em todas as indústrias em que o Reino Unido têm sido tradicionalmente forte.

“Eu também acredito que este é um momento brilhante para o Brasil investir no Reino Unido”, afirmou o líder britânico, enfatizando que seu país possui um governo amigável e aberto a negócios, além de ser e uma das economias mais flexíveis e de fácil investimento. “Estamos entre as dez principais indústrias de manufatura do mundo e os negócios do Brasil serão muito bem-vindos no Reino Unido”, afirmou.

Cameron assinalou outras vantagens do Reino Unido, como o fato de fazer parte da União Europeia e da língua inglesa. Agradeceu à Fiesp pela hospitalidade e se disse honrado com a visita: “Estou muito honrado em estar aqui em São Paulo, em estar aqui no Brasil”, disse, e acrescentou ter certeza de que os Jogos Olímpicos no Brasil, em 2016, serão um grande sucesso.

Ao concluir, o primeiro-ministro do Reino Unido se disse ansioso pelo encontro de amanhã (27/09) com a presidente Dilma Rousseff. “Há muitas discussões a serem feitas de governo para governo. Ambos os países têm interesses em mostrar para o mundo que a nossa economia está caminhando”.

Ministro da Suíça reforça interesse em negociações para livre comércio com o Mercosul

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544917570

Ministro Johann Schneider-Ammann durante seminário sobre câmbio na Fiesp

O ministro do Departamento Econômico da Suíça, Johann Schneider–Ammann, que está no Brasil acompanhado de uma delegação há dois dias, participou na tarde desta sexta-feira (14) de seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Além de compartilhar a recente experiência do país europeu com medidas para conter a valorização da moeda local, a autoridade expressou intenções de seu país em estabelecer um acordo de livre comércio com o Mercosul.

“Nós queremos abrir o mercado e estamos muito interessados em um acordo de livre comércio com o Brasil e com o Mercosul”, afirmou Schneider-Ammann, em seu discurso de abertura do seminário “Os Efeitos da Oscilação Cambial no Brasil e na Suíça”.

O Brasil é um dos principais parceiros sul-americanos da Suíça que já opera um acordo de livre comércio com o Chile, desde 2004 – o primeiro do país europeu na América do Sul.

A intenção da Suíça em abrir seu mercado também vale para países como China, Índia e Rússia. Os suíços reuniram-se com representantes destas nações para intensificar o intercâmbio com base em um plano estratégico lançado em 2006.

Câmbio

No início de setembro, o Banco Nacional da Suíça anunciou teto mínimo para operações com sua divisa local, o franco-suíço, em relação ao euro.

O objetivo da medida é evitar maiores prejuízos para a economia daquele país provocados pela elevada apreciação cambial. Para o ministro Schneider-Ammann, a elevada valorização do franco representa uma “grave ameaça à economia e indústria suíça.” Ele ainda reconheceu que apesar da medida que estabelece o valor mínimo de 1,20 francos por euro, a divisa suíça ainda deve continuar elevada e, se for necessário, podem adotar novas ações.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544917570

Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp

O Brasil enfrenta situação de instabilidade cambial semelhante por conta do elevado fluxo de investimentos, principalmente na infraestrutura e no agronegócio, e com a valorização do real que barateia as importações e prejudica a competitividade de nossa indústria.

“Recentemente a Suíça deu provas concretas de uma ação direta no câmbio que nos surpreendeu. Talvez seja uma sinalização do caminho que o Brasil tenha que seguir eventualmente”, disse Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp.

O economista do Banco UBS, André Carvalho, enxerga com mais cautela a aplicação das medidas suíças na economia brasileira. “Não sei se essa é a melhor opção para o Brasil porque ao fazer o mesmo que a Suíça, o governo estaria dando alimento para inflação no país”, ponderou.

Fiesp participará das negociações internacionais da COP16

Agência Indusnet Fiesp

Uma delegação de técnicos e diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se juntará aos representantes do governo brasileiro para participar das negociações internacionais que ocorrerão no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês). A retomada do processo começou nesta segunda-feira (29) e prossegue até o dia 10 de dezembro, em Cancun, no México.

“A Fiesp tem acompanhado, desde meados de 2009, as discussões sobre mudanças do clima por entender que este assunto é sério, grave e que afetará a todos”, destaca o segundo vice-presidente e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

Apesar da baixa expectativa sobre os resultados da conferência de Cancun, a Fiesp acredita que este encontro é mais um passo no complexo processo que busca a construção de um novo acordo global sobre o clima do planeta.

“Sabemos que esta negociação envolve distintos interesses políticos, ambientais, sociais e comerciais. Entretanto, é preciso discutir e buscar o consenso, que é o que a ONU está propondo aos países”, argumenta o dirigente industrial.

Posição

Em meados de novembro, a Fiesp realizou um seminário que discutiu os rumos da competitividade da indústria ante as mudanças do clima. Na oportunidade, foram divulgados os posicionamentos da instituição para a COP16 e sobre as Políticas Nacional e Estadual de Mudança do Clima.

Clique aqui para ler o documento na íntegra.

Evento em Cancun

Na próxima terça-feira (7/12), das 9h30 às 12h30 (das 13h30 às 16h30, no horário de Brasília), a Fiesp realizará, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), um evento do setor produtivo brasileiro em Cancun.