Na Fiesp, embaixador Graça Lima comenta resultados de cúpula do Brics em Ufá

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Um dos mais importantes resultados da sétima reunião de cúpula do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Ufá, Rússia, na primeira quinzena de julho, foi a ratificação dos compromissos asumidos durante a assinatura de criação, pelo bloco, do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

O banco foi inaugurado em Xangai, também em julho deste ano, com um capital autorizado inicial de US$ 100 bilhões.  Outro avanço significativo do bloco é a criação do Arranjo Contingente de Reservas (ACR), com fundo de US$ 100 bilhões para ajudar membros do bloco com dificuldades.

“São iniciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do Brics”, afirmou o embaixador Graça Lima ao participar da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo Graça Lima, o banco deve financiar não só projetos dos países-membros do bloco, como também de outras economias em desenvolvimento.

Embaixador Graça Lima: "Inciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do BRICS". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Embaixador Graça Lima: "Inciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do BRICS". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Sobre as perspectivas para o bloco, o embaixador afirmou que “o Brasil entende que os Brics devem continuar sendo um vetor, uma força positiva para a retomada do crescimento econômico. E os resultados obtidos em Ufá mostram os Brics plenamente capazes de construir consenso diante de uma gama de temas”.

Projeto

Na avaliação do ex-embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, a criação do Brics contribuiu principalmente para um “melhor conhecimento entre os países”.

“O que me impressionou desde a primeira reunião foi o crescente número de reuniões entre instituições dos países. Isso é fundamental para que haja melhor conhecimento do que ocorrer nesses países em termos oficiais e empresariais”, disse durante a reunião na Fiesp.

Barbosa aproveitou a ocasião para questionar sobre a existência de uma eventual agenda brasileira nas negociações do bloco.

“Me pergunto se o Brasil, assim como a Rússia e a China, que colocaram sua agenda, tem um projeto para o Brics. Qual é a posição concreta do Brasil sobre os Brics? Temos algum projeto para ser examinado”.

Em resposta à indagação de Barbosa, Graça Lima garantiu que esta será “a primeira pergunta” que fará quando voltar a Brasília.