Impacto do panorama político e econômico no agronegócio é discutido na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

“Panorama Político e Econômico e suas implicações no Agronegócio Brasileiro” foi o tema da reunião desta segunda-feira (5 de março) do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), com apresentações feitas pela jornalista Natuza Nery, do canal de TV por assinatura GloboNews, e por Rafael Cortez, analista político da consultoria Tendências.

“É o ano mais imprevisível na política em nossa história recente”, afirmou Natuza. A pulverização que se esperava de candidatos não está acontecendo, com a queda de nomes que eram dados como certos. Entre as correntes petistas há uma divisão. O campo mais forte, de centro-esquerda, está batendo cabeça, completamente perdido. Não se sabe qual será o grau de influência de Lula caso ele fique fora da disputa presidencial –e a situação do ex-presidente não é confortável, disse.

A eleição voltou a ficar imprevisível com a [provável] saída de Lula, mas entre os candidatos não surgiu um outsider. Bolsonaro não é. Pode ser na administração, mas não na política. “Esta eleição não virá com alguém que seja um trator em termos de voto.”

Bater no discurso conservador de Bolsonaro, avaliou, não deverá ter efeito, porque a população concorda com essas ideias, especialmente na segurança pública. O combate a ele pode ser bem-sucedido se contestar suas credenciais para governar. O Brasil, disse, não suporta uma nova aventura.

Pesquisas mostram, explicou Natuza, que o eleitor quer votar em alguém experiente, com um passado, e está com medo de dar um tiro no escuro. De agosto para cá, em todas as pesquisas há um desejo do eleitor de estar seguro com seu voto. Daí uma chance de voto conservador, não necessariamente nos costumes.

A tendência, segundo Natuza, é que o Congresso fique ainda mais forte. Depois do impeachment os parlamentares parecem ter se dado conta de que não é tão difícil derrubar um presidente, nem tão traumático. A conclusão de Natuza é que “o novo presidente vai precisar dizer muito mais amém” do que aconteceu no governo Lula. E o próximo presidente deve enfrentar problemas, com a necessidade de aprovar reformas como a da Previdência.

Jacyr Costa, presidente do Cosag, ressaltou da fala de Natuza a necessidade de prestar muita atenção à eleição de deputados e senadores.

“Corrida presidencial e dilemas e reformas” foi o tema da palestra de Rafael Cortez, da consultoria Tendências, especializada em projeções econômicas, que, explicou, variam muito conforme a política.

A eleição deste ano, na avaliação de Cortez, deve ser mais parecida com 2014 do que com 1989, embora ainda dependa da barganha política, que ganhou intensidade nas últimas semanas.

Bons governos tendem a formar sucessores, lembrou. A eleição, explicou, acaba sendo um plebiscito. Governo bem avaliado gera sucessor, e mal avaliado joga para a oposição. E há algo que PT e PSDB fazem com maestria, que é escolher seus candidatos. O eleitor acaba votando no escolhido pelo partido, e isso não deve ser desprezado este ano.

Desde 2010 a terceira força, depois de PT e PSDB, ganhou força. Bolsonaro ou a terceira força terá votos para ir ao segundo turno? A resposta ainda depende da definição de candidatos, mas o PT conserva força, como oposição a um governo mal avaliado.

Há risco de segundo turno com PT ou um candidato de esquerda contra Bolsonaro, por exemplo se houver candidatos de PSDB e MDB, ou mais fragmentado ainda entre a centro-direita, com candidatura também do DEM. Centro-direita é um campo povoado, explicou. Se o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia entrarem na disputa, há chance de embaralhamento.

Há dificuldade de articulação entre os tucanos, mas para esta eleição isso parece ter sido superado. Ainda falta agenda, porque o MDB vem fazendo algo muito parecido com o que o PSDB faria. No PT as dificuldades são Lula e a falta de uma agenda alternativa.

Cortez calcula que haja 70% de chance de vitória da centro-direita, e isso leva o agronegócio a precisar se preparar para um período de estabilidade, com inflação controlada. Num cenário em que o Brasil faz seu dever de casa, deve haver fluxo de investimento externo, porque há muita liquidez no mercado mundial.

O próximo governo, em sua opinião, tem um desafio grande. Países que deram certo foram os que geraram crescimento com canais de distribuição de renda, com conflitos menores. Há uma tensão entre as formas de gerar crescimento e distribuição de renda. Para complicar, o Estado está endividado. O novo governo terá que enfrentar o corte de gastos ou terá que aumentar tributos.

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), disse que as eleições deste ano estarão entre as decisões mais importantes da sociedade brasileira nos últimos anos. “Poderá ser um divisor de águas”, afirmou, com implicações para as futuras gerações. A análise, em sua opinião, só poderá ser feita a partir de abril, quando ocorre a desincompatibilização. “Não vamos ter outsiders. Deverá haver uma polarização entre duas visões, uma que contesta o que aconteceu nos últimos dois anos e outra que quer continuidade sem continuísmo.” Barbosa destacou que o crescimento previsto para este ano deverá mudar ao longo do ano a sensação da população.

Entre os integrantes da mesa principal da reunião estavam também o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e o deputado estadual Itamar Borges.

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Reunião do Cosag que teve como tema Panorama Político e Econômico e suas implicações no Agronegócio Brasileiro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp