Gestoras de RH da Coca-Cola e Santa Helena Alimentos falam de suas boas experiência

Alice Assunção e Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

De suas fábricas na cidade de Ribeirão Preto saem produtos bem conhecidos do público: refrigerantes, chás, energéticos e outras bebidas, da marca Coca-Cola, e os doces à base de amendoim, das marcas Paçoquita e Amendoíssimo, da indústria Santa Helena.

Mas, muito além desses produtos, essas indústrias, que empregam respectivamente, 2.200 e 1.400 funcionários, oferecem exemplos de como realizar a real inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Como qualquer indústria de mão de obra intensiva, as duas empresas enfrentaram o desafio de se adequar as exigências da chamada Lei de Cotas, que estabelece a obrigatoriedade de as empresas com 100 ou mais empregados preencherem uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência.

Elaine Ribeiro, gerente de RH da Santa Helena Alimentos: “Nossa intenção foi implantar um programa que respeite as diferenças e valorize o potencial destes profissionais". Foto: Divulgação

 

As gerentes de Recursos Humanos, Elaine Ribeiro (da Santa Helena Alimentos) e Nanci Erthal (Coca-Cola do Brasil) explicam como conseguiram não apenas cumprir a exigência da lei, mas também trazer bons resultados para o balanço social de suas empresas, tendo a inclusão eficiente como foco.

A indústria Santa Helena emprega 72 Pessoas com Deficiência (PcD’s) e 65 jovens aprendizes, número, de acordo com a empresa, acima do percentual exigido pela Lei de Cotas.

Para a gerente de recursos humanos da Santa Helena, Elaine Ribeiro, isso foi possível pois o objetivo da empresa sempre esteve além de cumprir as cotas. “Nossa intenção foi implantar um programa que respeite as diferenças e valorize o potencial destes profissionais”, afirmou.

A executiva relata que a indústria encontrou dificuldade tanto na contratação como na retenção de PcD’s. “Há uma escassez desta mão de obra e, principalmente, com alguma qualificação”, relatou.

Nanci Erthal, gerente de RH da Coca-Cola. Foto: Divulgação

Para enfrentar tal desafio, a Coca-Cola do Brasil iniciou, em 2011, uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). “Com essa parceria o Senai-SP preparou esses profissionais com deficiência para sua inserção no mercado de trabalho”, explicou Nanci Erthal, gerente de Recursos Humanos da companhia.

Com mais de 2 mil funcionários diretos em sua unidade em Ribeirão Preto, a Coca-Cola do Brasil, tem em seu quadro de colaboradores 115 pessoas com deficiência e 85 jovens aprendizes.

Para incluir e reter esses talentos, as executivas relatam que foi preciso olhar para as reais necessidades da Pessoa com Deficiência, enxergando suas eficiências e promovendo mudanças para criar um ambiente adequado e acolhedor para esses profissionais.

“Buscamos constantemente conscientizar o gestor e as equipes sobre a importância da inclusão e, desta forma, criamos um ambiente favorável para reter esses talentos. Também fizemos uma parceria com ONGs e instituições para capacitar esta mão de obra e adequamos os postos de trabalho para recebê-los”, explicou Elaine Ribeiro.

O medo de não saber lidar com o diferente e a falta de informação sobre as necessidades especiais de cada tipo de deficiência são fatores que dificultam a inclusão de PcD’s, na opinião dela. “Percebemos que quanto mais informação as equipes recebem, mais segurança terão para receber e facilitar a adaptação do novo colaborador, realizando a verdadeira inclusão”, explica a gerente da indústria Santa Helena.

Os resultados, segundo ela, não tardaram a aparecer. “Nossos indicadores apontam que mais da metade de nosso quadro de PcD’s possui mais de cinco anos de empresa, o que reforça que nossas ações internas de retenção têm sido eficazes”, afirma.

Em reportagem do jornal Gazeta de Ribeirão, Nanci Erthal e a funcionária Maíra de Oliveira Amaro, que é deficiente auditiva, testam equipamentos adaptados a PcD. Foto: Reprodução

A atenção a todos os detalhes que envolvem a inclusão foi a receita adotada pela Coca-Cola do Brasil.

Segundo Nanci, uma das dificuldades iniciais que as empresas visualizam é quanto à adequação do ambiente de trabalho, pois há a necessidade de investimentos em estrutura. Mas outros detalhes não devem ser esquecidos. “Uma dificuldade é a adaptação desses profissionais ao ambiente de trabalho. No caso do Jovem Aprendiz, por exemplo, muitas vezes ele entende que o ambiente de trabalho é uma extensão da escola”, citou.

Segundo a executiva, o trabalho de inclusão tem contribuído para a formação de talentos não apenas para a Coca-Cola. “Temos aqui vários jovens aprendizes que foram efetivados na empresa nas áreas que atuavam. Mas há também trabalhadores com deficiência que foram promovidos ou que mudaram para empregos melhores devido a essa promoção.”

A falta de informação é o maior dificultador para a inclusão de PcD’s, por esse motivo, o papel dos profissionais de Recursos Humanos tem grande relevância nesse processo. “Quando o RH busca sanar as dúvidas sobre as necessidades especiais de cada deficiência e dá apoio no processo de integração do novo colaborador, ele reduz as resistências que na maioria das vezes são geradas pelo medo de não saber interagir com o diferente. O trabalho de conscientização deve ser constante”, afirmou Elaine Ribeiro.

A Santa Helena Alimentos e Coca-Cola do Brasil foram duas indústrias que expuseram os seus bem sucedidos cases de inclusão de Pessoas com Deficiência e Aprendizes durante o Fórum Sou Capaz, promovido pelo Depar da Fiesp.

INFOGRÁFICO:
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