Justiça do Brasil precisa de celeridade, afirma Paulo Skaf no Congresso Brasileiro de Direito Digital

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

País que não tem um Judiciário forte e independente é muito perigoso. Não é o caso do Brasil, afirmou na manhã desta quinta-feira (29) o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf. Ele ponderou, no entanto, que falta à Justiça brasileira agilidade.

“Precisamos ter essa visão de modernizar para buscar celeridade, que é a única questão que, no caso da Justiça brasileira, falta para termos tranquilidade”, disse Skaf ao iniciar os trabalhos do Congresso Brasileiro de Direito Digital, realizado pela Fiesp e pelo Ciesp.
>> Ouça Paulo Skaf na abertura do Congresso

O desembargador José Renato Nalini, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), também participou da abertura do Congresso. Na ocasião, ele confirmou que o processo de digitalização de todas as unidades judiciárias de São Paulo deve ser concluído em novembro.

“Até 23 de novembro, termos terminado a implementação da digitalização. Essa realidade é irreversível. Até mesmo os advogados resistentes ao processo digital estão verificando que não vamos ter saudade do papel”, afirmou Nalini.

Segundo o presidente do Tribunal, o Estado conta com 50 mil funcionários, dos quais 2,5 mil são magistrados. As unidades judiciárias paulistas lidam com pelo 26 milhões de processos.

“Temos mais de um quarto do número de processos em curso no Brasil, mas isso indica uma patologia. Não é saudável uma República com 200 milhões de pessoas com 106 milhões de processos”, completou.

Oziel Estevão, Diretor Titular-Adjunto do Departamento Jurídico da Fiesp e do Ciesp, também compôs a mesa de abertura do congresso.

Abertura do Congresso Brasileiro de Direito Digital, com José Renato Nalini, Paulo Skaf e Oziel Estevão. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp 

Crise política

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aproveitou a ocasião para reforçar seu apelo pela “estabilidade política”. Segundo ele, até o final do ano o mercado de trabalho brasileiro deve amargar uma redução de 1,5 milhão de vagas, das quais a indústria deve responder por 500 mil empregos a menos.

“O problema hoje é, realmente, a crise política. Se não for resolvida, não haverá condições para investimento. Precisamos buscar, rapidamente, uma estabilidade política. O que for necessário para o bem do Brasil tem de ser feito”, enfatizou Skaf.

Ele voltou a defender uma participação menor do Estado na economia. “O governo, quanto menos tamanho e peso sobre o país, melhor”.

Na avaliação de Nalini, “a República dos malfeitores precisa acabar e a Justiça precisa dar um passo importante”. Ele defendeu a busca por caminhos para sair da crise política do Brasil “para que o nosso futuro não nos debite uma responsabilidade que temos, se não fizermos nada”.