Educação pública de qualidade é principal ferramenta para o desenvolvimento da sociedade

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Gustavo Reis, prefeito de Jaguariúna

Estratégias de empreendedorismo no setor público e a valorização da educação pública brasileira foram alguns dos temas abordados no ciclo de palestras Sem mudança não há esperança, durante o VII Congresso Paulista de Jovens Empreendedores da Fiesp, realizado no Teatro do Sesi São Paulo, nesta segunda-feira (28).

Gustavo Reis, prefeito da cidade de Jaguariúna, destacou que os novos empreendedores precisam ter ideias criativas, ousadas e inovadoras, qualidades latentes no povo brasileiro, considerado pelo relatório da Global Entrepreneurship como um dos 10 países lideres de empreendedorismo em todo o mundo.

Segundo Reis, dois grandes empecilhos para concretização destes novos negócios são o excesso de burocracia e o elevado número de impostos. “Precisamos investir no empreendedorismo social, cobrar mudanças do governo. Enquanto não investirmos na promoção da qualidade de vida, em cultura, educação e meio ambiente, vamos continuar assistindo à morte precoce das pequenas empresas”, alertou.

Vítor Lippi, prefeito de Soracaba

Também presente no seminário, o prefeito da cidade Sorocaba, Vítor Lippi, sublinhou a participação ativa da população no planejamento de políticas publicas que estimulem o crescimento social e econômico do município. A estratégia, segundo Lippi, contribuiu para a redução do tempo de abertura de uma empresa, de 140 para 10 dias. Além disso, estimulou a criação do Parque Tecnológico de Sorocaba, que terá a participação de nove universidades paulistas. Neste espaço, os acadêmicos poderão compartilhar experiências e realizar um network diferenciado.

“Para que a cidade alcance um crescimento econômico sustentável, é fundamental que haja investimento nas áreas de educação e a inclusão de todos os elos da sociedade nas tomadas de decisões”, analisou o palestrante.

Mobilização

“As favelas passaram a entrar no mapa do governo após o crescimento econômico da região”, salientou MV Bill, ativista social e rapper. Durante a sua infância, o rapper morou na favela Cidade de Deus, uma das maiores da cidade do Rio de Janeiro, e desde muito cedo deixou livros e caderno de lado para garantir o sustento da sua família.

MV Bill, ativista social e rapper

Muitos anos depois, o ativista social decidiu relatar a história de 17 adolescentes, moradores da Cidade Deus, que trabalhavam no tráfico de droga, dando origem ao documentário Falcão: Meninos do Tráfico. “No espaço muito curto de dois anos, 16 dos 17 jovens que foram entrevistados morreram. O único sobrevivente tinha o sonho de ser palhaço”, lembrou. “Isso me fez pensar como um jovem, que com um fuzil na mão fez muitas família chorarem, poderia um dia fazê-las sorrir.”

A experiência culminou com a criação da Central Única das Favelas (Cufa), organização não governamental que atende jovens moradores da favela de todo o Brasil. Com destaque para criação da Taça Favela, um evento esportivo que reunirá mais de quatro mil jovens, com idade entre 15 e 19 anos, moradores da favela da cidade do Rio de Janeiro. “Desenvolvemos trabalho na área social, mas está responsabilidade deve ser do governo. Infelizmente, existe um desalinho entre o que é proposto pelo governo e as necessidades reais da população”, avaliou o palestrante.

Grande entusiasta da área da educação, o ativista social acredita que o governo precisa oferecer um ensino público de qualidade para toda a população e não restringi-lo apenas a uma pequena parcela da sociedade. “Não existe desenvolvimento social sem o investimento na educação. Os políticos deveriam ter os seus filhos matriculados no ensino público. Hoje a educação é artigo de luxo. As boas escolas custam caro”, concluiu MV Bill.