“A música clássica é um direito, deve ser acessível’, diz João Carlos Martins, maestro da Bachiana Sesi-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

2016 vai ser melhor do que 2015. E pior do que 2017. Otimista, o maestro João Carlos Martins é incapaz de falar da Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi-SP sem empolgação. E tem orgulho de dizer que as mais de 100 apresentações anuais realizadas sob o seu comando têm sempre casa cheia, “com ingressos esgotados meses antes na Sala São Paulo”, na capital paulista. O reconhecimento de sua trajetória pessoal e do trabalho realizado com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), que financia as bolsas dos 65 músicos, vem das plateias e chegará ao cinema no primeiro semestre de 2017. É quando deve entrar em cartaz a cinebiografia João, com direção de Mauro Lima e Alexandre Nero no elenco, interpretando o maestro em sua fase adulta.

“Tenho muito orgulho de saber que um projeto que nasceu de um sonho meu é hoje a principal orquestra da iniciativa privada no Brasil, com o apoio da Fiesp e do Sesi-SP”, explica Martins.

Segundo Martins, 2016 promete. “Estamos com lotação esgotada meses antes nas nossas apresentações na Sala São Paulo”, diz.

Além dos concertos no mais famoso endereço da música clássica no Estado, a Bachiana tem por meta se apresentar nos mais variados locais. “Temos que estar nas periferias, nos presídios, na Fundação Casa”, afirma. “A música clássica é um direito, deve ser acessível a todos os segmentos da sociedade.”

Na Fundação Casa, onde ficam internos menores infratores, o maestro recebeu alguns dos elogios mais especiais ao seu trabalho até hoje. “Tocamos numa unidade da Fundação e, no final do ano, recebi várias cartas de adolescentes me dizendo que a música tinha vencido o crime”, lembra.

Nessa linha, Martins tem por hábito perguntar à plateia, principalmente às crianças e aos jovens, depois dos concertos, “quem chorou ou teve vontade de chorar”. “A maioria levanta a mão depois que eu faço a pergunta”, conta. “Essa é a força da música clássica.”

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789836

O maestro João Carlos Martins, regente da Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Levando adiante a emoção que o trabalho da Bachiana provoca, somente no Estado de São Paulo já foram percorridas mais de 150 cidades desde 2010, quando a parceria com o Sesi-SP foi fechada. Fora as viagens ao exterior e a todos os Estados do país. “De Porto Alegre a Manaus, já tocamos em todo o Brasil.”

O Sesi-SP se associou à Bachiana depois de uma conversa do maestro com o presidente da instituição e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. “Procurei o Skaf para pedir que ele adotasse um dos nossos músicos”, conta Martins. “No dia seguinte ele me disse que o Sesi-SP adotaria a orquestra inteira.”

Tão implausível

A cena estará no longa João, sobre a vida do maestro, dirigido por Mauro Lima, mesmo diretor de Meu Nome Não É Johnny e Tim Maia. Paulo Skaf será interpretado pelo ator Joca Andreazza. Já o papel de Martins será de Rodrigo Pandolfo na juventude e Alexandre Nero na fase adulta. Também integram o elenco Alinne Moraes e Caco Ciocler, entre outros nomes.

De acordo com o comandante da Bachiana, o filme foi inspirado numa citação do jornal The New York Times a seu respeito. “Eles escreveram que ‘um novelista não conseguiria escrever história tão implausível como a de João Carlos Martins’”, conta.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789836

Paulo Skaf com o regente da orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-SP, João Carlos Martins. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Considerado um dos maiores intérpretes de Bach, Martins já tocou em orquestras do mundo todo. Aos 28 anos, fez a sua primeira apresentação no Carnegie Hall, em Nova York, nos Estados Unidos.

A passagem de pianista para maestro aconteceu após uma série de problemas nas mãos. E isso por conta de questões de saúde, esforço repetitivo e até uma agressão, na cabeça, em um assalto na Bulgária. Por conta disso, foram mais de 19 cirurgias para tentar recuperar os movimentos das mãos. “Não toco mais, não consigo”, diz Martins. “Mas todas as músicas ouvidas no filme são minhas”, conta ele, em mais uma vitória do implausível em nome da música.

Clique aqui para conhecer o site da Bachiana. E aqui para conferir a programação da orquestra no portal do Sesi-SP.

Foto: Paulo Skaf vai a lançamento de biografia de João Carlos Martins

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp, do Ciesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, Paulo Skaf, participou nesta quinta-feira (5/11) do lançamento da biografia do maestro João Carlos Martins, na Livraria Cultura, com sessão de autógrafos. Martins é criador da Fundação Bachiana, que leva a música clássica a todo o Brasil, e dirige a Bachiana Filarmônica Sesi-SP. O livro, intitulado Maestro, uma Biografia (editora Gutenberg), foi escrito por Ricardo Carvalho.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789836

Paulo Skaf no lançamento da biografia de João Carlos Martins (centro). Foto: Everton Amaro/Fiesp