‘Desenhe um caminho executável e siga nele até o fim’, diz vencedor do Acelera Startup

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Ele não acreditava que poderia vencer a edição de 2014 do Acelera Startup, concurso promovido em maio pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).  Mas o empreendedor Murilo Canova Zeschau, diretor geral da empresa incubada Brastax Tecnologias de Saneamento com Microalgas, superou não apenas sua própria expectativa como outros 150 projetos inscritos para conquistar o primeiro lugar na competição.

O projeto idealizado pelo jovem empreendedor e por outros três oceanógrafos de Santa Catarina desenvolve tecnologias sustentáveis de saneamento para tratamento de efluentes gerados durante o abate de aves. O processo proposto inova nos métodos de saneamento, garantindo a purificação do efluente, além de gerar economia de água.

Com a ideia, os quatro estudantes esperam neutralizar os volumes gerados dos efluentes líquidos originados no processo industrial do abate.

Zeschau: cultura empreendedora começa a crescer no Brasil. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Zeschau: cultura empreendedora começa a crescer no Brasil. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Após quase três meses da conquista, Zeschau, para quem a cultura empreendedora brasileira começa a crescer, conta que o projeto já começa a atrair a atenção de clientes em todo o país.

Confira abaixo a entrevista completa com o vencedor do Acelera.

Fiesp – O que representou para você, como empreendedor, ter o seu projeto escolhido como o melhor no concurso Acelera Startup?

Zeschau – Primeiramente a satisfação pessoal de ter conquistado o primeiro lugar. Nada melhor do que se esforçar muito para atingir um objetivo e obter o máximo. Como empreendedor, ter sido vencedor do maior evento de investidores-anjo do Brasil faz você se sentir mais confiante no que diz respeito à apresentação do seu negócio, principalmente utilizando o modelo de “pitch” (apresentação rápida), algo tão difícil de produzir de maneira eficaz. Também foi possível estabelecer um networking amplo com atores importantes na cena startup, principalmente investidores e consultores de negócios.

Na sua opinião, qual o atual estágio da cultura empreendedora brasileira? Estamos muito atrás dos países mais desenvolvidos do mundo neste quesito?

Entendo que no Brasil estamos na fase de estruturação da cultura de ecossistema de startups, mais especificamente na fase exponencial de crescimento desta área, adotando algumas práticas que já dão certo em países mais desenvolvidos. Por exemplo, nos EUA a universidade e as empresas andam juntas. Aqui ainda temos um modelo de parceria que não é tão ligado. Mas os avanços estão ocorrendo de maneira muito rápida, e, ano a ano, podemos perceber principalmente um aumento no número de eventos ligados ao empreendedorismo. Também existe um aumento no número de instituições que apoiam o setor das startups, e com isso acabam por aparecer mais recursos para estas empresas nascentes.

Como o Acelera Startup ajuda pessoas inovadoras a transformarem suas ideias em algo real para o mercado?

O evento tem dimensão nacional, trazendo profissionais e empreendedores de diferentes estados para participar. Este encontro por consequência já faz com que sejam criadas parcerias e possíveis sociedades, sendo esse o principal objetivo do concurso. Desta forma, os projetos ou ideias que estão no concurso acabam por encontrar um caminho de viabilização para operar em pouco tempo, devido ao auxílio dos investidores. No mesmo sentido, o reconhecimento que o Acelera nos trouxe fez o projeto alcançar níveis nacionais que não esperávamos tão cedo. Por exemplo: um abatedouro de aves da Bahia entrou em contato conosco para entender melhor a nossa proposta, ou seja, já temos um potencial cliente.

Você esperava que seu projeto conquistasse a colocação que conseguiu?

Sinceramente, não. Nossa startup participou deste evento em 2013, e na ocasião, não ficamos nem entre os dez melhores projetos/ideias. Em 2014 estávamos mais estruturados em todos os sentidos técnicos e gerenciais, o estágio de maturação do projeto evoluiu muito em um ano. Com isso, estávamos mais confiantes, mas, mesmo assim, foi uma surpresa obter o primeiro lugar no Acelera Startup, considerando o alto nível de todos os projetos que estavam concorrendo, com empreendedores qualificados.

Que dica você daria para um empreendedor que gostaria de seguir seus passos?

Desde que iniciamos nosso projeto, em 2012, acabamos entrando em áreas específicas nas quais não somos especialistas. A equipe de sócios é formada por quatro oceanógrafos, com isso sempre tivemos que buscar entender assuntos fora da nossa área. Desta forma, deixo a mensagem para os empreendedores sempre buscarem derrubar barreiras imaginárias que criamos e que, na realidade, não existem. Se você quer algo, desenhe um caminho executável e siga nele até o fim, com muito esforço. Nossa equipe trabalha mais que 12 horas por dia, inclusive em alguns finais de semana e feriados. Acreditamos que isso realmente faz a diferença, então o conselho maior seria trabalhar muito.

Como foi a trajetória do projeto desenvolvido desde o primeiro dia até a vitória do concurso?

A Brastax iniciou suas atividades em 2012, a partir do sonho de quatro acadêmicos do curso de oceanografia de implementar a primeira fazenda de microalgas em escala comercial do Brasil. Com isso foi criado um grupo de estudos, com foco na produção de uma microalga em função do seu alto valor agregado e de suas diversas utilidades. Com o avanço nas pesquisas, foi identificado seu potencial como integrante de um sistema otimizado de biorremediação de ambientes poluídos e sua utilização para o melhoramento de carne de aves. Os esforços foram então direcionados para o saneamento de efluentes de abatedouros avícolas, os quais em alguns casos geram milhões de metros cúbicos deste resíduo, bem como seriam potenciais clientes para a compra da microalga produzida para alimentação das aves da própria produção, visto o benefício nutricional e antioxidante gerado para estes animais. Através de testes exploratórios realizados pela Brastax, foi comprovado o potencial de utilização da microalga neste tipo de resíduo, bem como de altos teores de produção do antioxidante de interesse, a astaxantina, determinando assim a missão da empresa.

Quais são, na sua avaliação, as maiores dificuldades do empreendedor brasileiro? 

Acredito que o maior desafio esteja relacionado ao encontro das fontes de recursos, visto que esta cultura de busca por investidores para startups é bastante nova, tornando difícil o mapeamento e a obtenção de fomento. Também acredito que temos características de “fazedores”, ou seja, partimos logo para a execução. No meu ponto de vista, realizar um planejamento mais estruturado faz com que os projetos sejam melhor desenvolvidos e com isso atinjam o sucesso da empresa. Dito isso, sempre procuro tirar um tempo para refletir sobre o projeto de maneira mais ampla, para traçar novas estratégias.


Fiesp anuncia vencedores do concurso Acelera Startup

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Superando representantes de aproximadamente 150 projetos inscritos, o empreendedor Murilo Canova Zeschau é o grande vencedor do Acelera Startup – concurso promovido pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O resultado foi conhecido no fim da tarde desta quarta-feira (08/05), na sede da instituição.

Zeschau, diretor geral da empresa incubada Brastax Tecnologias de Saneamento com Microalgas, foi chamado ao palco pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que o premiou com a 1ª colocação no concurso.


Skaf e os vencedores do Acelera: apoio ao empreendedorismo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Skaf (ao centro) e os vencedores do Acelera: apoio ao empreendedorismo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“No ano passado, nós participamos do Acelera Startup, mas não ficamos entre os dez primeiros”, disse o empreendedor. “Esse ano voltamos e conseguimos o primeiro lugar. Nossa ideia é evitar desperdícios na cadeia produtiva aviária”, completou o empreendedor formado em Oceanografia, um dos sócios da Brastax, ao lado de Lucas Marder, Juliana Pellizzaro Correia e Ariel Rinnert.

O projeto vencedor desenvolve tecnologias sustentáveis de saneamento para tratamento de efluentes gerados durante o abate de aves. O processo proposto inova nos métodos de saneamento, garantindo a purificação do efluente, além de gerar economia de água. Para isso é levado em consideração o uso de microalgas, que, além de sanear o efluente gerado durante o processo, serve como um aditivo natural para a alimentação de novos frangos.

Com a ideia, os quatro estudantes representados por Zeschau durante o concurso realizado na Fiesp esperam neutralizar os volumes gerados dos efluentes líquidos originados no processo industrial do abate.

“Nossa maior motivação está na implementação de técnicas sustentáveis para o setor da avicultura através da melhor utilização dos recursos hídricos”, disse Zeschau.

O segundo colocado, anunciado por Sylvio Gomide, diretor-titular do CJE, foi Júnior Valverde, criador do projeto Carrega+, que leva em consideração a necessidade de quem precisa ter à sua disposição um dispositivo móvel durante o dia todo.

“Sem uma bateria, não temos produção, não temos conectividade, coisas tão fundamentais hoje em dia”, disse. “Para isso, criei uma empresa para produzir carregadores portáteis de celulares e tablets”, explicou Valverde.

“O Carrega+ tem vida útil de até 22 horas sem conexão com fontes de energia”, afirmou.  O dispositivo, segundo seu criador, é uma solução para feiras, eventos e restaurantes.

O terceiro colocado, anunciado por Bruno Ghizoni, diretor do CJE e coordenador do Acelera Startup, foi o engenheiro Rubens Benbassat, com o projeto Banheiro 360°, uma forma empreendedora de recriar com inovação banheiros e espaços físicos em Residenciais compactos, Hotéis, Feiras e Navios.

“Esse prêmio vai servir de motivação para conquistas futuras”, disse o terceiro colocado. “Agora, sendo acelerado, meu projeto tem mais chances de ser um sucesso”, completou. “Espero que um dia todos usem os meus banheiros”, brincou Benbassat.