Workshop na Fiesp debate igualdade de gênero e empregabilidade de mulheres no mercado de trabalho

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de debater as relações e gênero. E como o mundo poderia ser um lugar mais justo para ambos os sexos. Com esse foco, foi realizado, na tarde desta quarta-feira (11/04), na sede da Fiesp, em São Paulo, o workshop A empregabilidade de Mulheres como Diferencial competitivo para inserção nas cadeias globais de valor. O evento foi organizado com mesas de debates reunindo a plateia e quatro líderes convidados, com a moderação do diretor executivo da consultoria Fix Competitividade Sustentável, Pedro Lins.

“É preciso pensar nos negócios a partir de questões como propósito, eficiência, oportunidades e diferenciais de mercado”, disse Lins. “Como vamos fazer a diferença? Como construiremos o nosso legado? ”, questionou.

O primeiro líder convidado a se apresentar para as participantes foi o gerente de relacionamento e diversidade da Fundação Espaço Eco, Guilherme Bara.

“Diversidade é levar alguém para o baile, inclusão é convidar para dançar”, destacou.  “Trabalhamos em frentes como engajamento, capacitação e governança, entre outros”.

Para ele, as mulheres merecem ter toda a atenção por parte das empresas. Entre outros destaques, elas representam 60% dos concluintes do ensino superior no Brasil.

Outra líder, Barbara Dunin, assessora para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Rede Brasil do Pacto Global, destacou alguns princípios da Agenda 2030, elaborada pela ONU com vistas ao desenvolvimento sustentável da sociedade. Um documento que traz 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e 169 metas, muitas das quais envolvem os direitos das mulheres.

“Precisamos valorizar as tarefas domésticas e destacar igualdade entre os gêneros nesse ponto, a divisão”, disse Barbara.

Os cuidados com a casa e a necessidade de ter mais espaço no mercado de trabalho. “Apenas 2% das empresas listadas em bolsas têm CEO mulheres”, afirmou. “Falta participação feminina na tomada de decisões”.

Segundo Barbara, as empresas são “parceiras vitais” nesse processo de mudança. “As empresas precisam avaliar seus impactos”, explicou.

Também líder convidada para o evento, a advogada Ana Paula Candeloro desenvolve um trabalho humanitário de inclusão de profissionais altamente capacitados em situação de refúgio no Brasil. De acordo com ela, o pleno emprego e a redução das desigualdades são pontos fundamentais para que o mundo se torne um lugar melhor no futuro.

“Temos que pensar numa governança transformadora”, disse ela. “Em alianças baseadas no ganha-ganha, sensibilizar a gestão, levar a pauta da igualdade para os conselhos”, explicou.

Segundo Ana Paula, países como Suécia, Espanha e Portugal são referências nesse debate.

O quarto líder convidado foi André Lara Resende, fundador da Baanko, fomentadora, qualificadora e investidora de Negócios de Impacto. “Ter uma missão é muito importante para uma empresa, não basta aumentar o lucro”, afirmou.

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O workshop: empresas são peças fundamentais no debate a respeito da igualdade de gênero. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: MRV – TOQUE FEMININO NA CONSTRUÇÃO

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Por Karen Pegorari Silveira

Nos últimos anos, diversas construtoras passaram a investir na qualificação e contratação de mulheres para seus canteiros de obras e outros cargos, antes ocupados apenas por homens. Prova disso, é o crescimento de 136% de presença feminina na companhia MRV Engenharia, por exemplo, que hoje emprega mais de três mil mulheres no país.

Atualmente, as mulheres correspondem a 65,07% dos trabalhadores dos escritórios e 34,9% do total de trabalhadores das obras, atuando nas mais diversas profissões e distribuídas pelas 140 cidades dos 20 estados onde a companhia tem negócios.

Segundo Marcos Horta, diretor de Desenvolvimento Humano da empresa, entre os principais motivos para o aumento das oportunidades das mulheres ingressarem no setor principalmente nas obras, estão o bom desempenho da mão de obra feminina para a execução de algumas funções que requerem mais habilidade e atenção. “Como o setor da construção civil é bastante artesanal o cuidado e habilidade das mulheres fazem a diferença em diversas áreas da construtora como acabamento, rejunte de azulejos e na pintura. E essas são apenas algumas das funções exercidas pelas mulheres nos canteiros de obras, é grande o número de engenheiras e técnicas nos canteiros da construtora”, ressalta Horta.

Para qualificar e contratar essa mão de obra, um dos programas criados pela empresa foi a Escola de Produção, em parceria com o governo federal e a prefeitura de Curitiba. Neste projeto, a escola oferece capacitação para formação de pedreiros, azulejistas, gesseiros, carpinteiros, encanadores, eletricistas e pintores. E como era de se esperar, as mulheres são maioria nas turmas de azulejistas, segundo a coordenadora de Recursos Humanos da MRV Engenharia na regional Sul, Andressa Crefta.

Para Helaine Borges dos Santos, coordenadora do departamento pessoal da MRV em São Paulo, há uma explicação clara para o crescimento da participação feminina. “As engenheiras, por exemplo, têm qualidades e competências que são valorizadas pelos homens num canteiro de obras, como método, disciplina e sabem conduzir melhor um problema quando falta comunicação”, explica.

Entre os seis municípios do estado do Rio Grande do Sul, onde a MRV mantém negócios, Porto Alegre é a que mais concentra força feminina nos canteiros: são 37 atuando em obras da construtora na capital gaúcha. Em seguida estão Gravataí (13), Canoas (10), Caxias do Sul (5), Novo Hamburgo (4) e São Leopoldo (2).

Na Regional da MRV em São Paulo e no Vale do Paraíba, o número de mulheres contratadas pela empresa saltou de 196 em 2011 para 275 em 2016, um aumento de 40%.

Sobre a MRV Engenharia

Fundada em outubro de 1979, em Belo Horizonte, a MRV Engenharia é líder nacional no mercado de construção de imóveis populares. Em 38 anos de atividades, vendeu mais de 230 mil unidades. É a única construtora brasileira presente em 130 cidades de 19 Estados e no Distrito Federal.

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: DELL – DIVERSIDADE NA TECNOLOGIA

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Por Karen Pegorari Silveira

As mulheres ainda são minoria no mercado de tecnologia da informação. Apenas 20% das vagas do setor no Brasil são ocupadas por mulheres, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 2016, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o objetivo de mudar este cenário, a Dell, líder brasileira em vendas de PCs criou o grupo Women in Action, voltado a proporcionar o desenvolvimento profissional e condições de igualdade para todas as mulheres que trabalham na empresa. A equipe conta com os próprios colaboradores e suas principais atividades, reuniões, palestras, eventos em geral etc, referem-se ao desenvolvimento de carreira das mulheres.

Além do Women in Action, a empresa mantém vários grupos voltados a conscientizar e influenciar a organização sobre melhores práticas para promover um ambiente que favoreça a inclusão, como o PRIDE, voltado para a tolerância e respeito à diversidade de orientação sexual, e o True Ability, que luta pela inclusão das pessoas com deficiência.

Na véspera do Dia Internacional das Mulheres desde ano, a Dell Brasil também assinou a carta de Princípios de Empoderamento das Mulheres, promovida pela ONU Mulheres (Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres) e pelo Pacto Global das Nações Unidas (UNGC). A iniciativa parte da premissa de que empoderar mulheres e promover a equidade de gênero é garantia para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável.

De acordo com o vice-presidente da Dell EMC Brasil para Commercial, Luis Gonçalves, desde sua fundação, a Dell possui uma cultura de valorização da diversidade. “Essa iniciativa, o grupo Women in Action, vem reforçar esse objetivo, ao oferecer oportunidades de carreira e de desenvolvimento para as mulheres. Ao empoderar as profissionais e promover a igualdade de gênero beneficiamos tanto as colaboradoras quanto a própria empresa e a indústria como um todo”, declara o executivo.

A líder do Women in Action para a região Sudeste na Dell EMC no Brasil, Priscila Monsanto, diz que é preciso ter programas voltados ao empoderamento feminino para promover igualdade de oportunidades para todos e incentivar mulheres a crescerem em suas carreiras através do compartilhamento de exemplos de sucesso e potencialização de networking. “Cada vez mais envolvemos também os homens nesse processo, construindo um ambiente aberto à diversidade, permitindo a discussão sobre viés inconsciente e a reflexão sobre o papel da mulher e do homem na sociedade. O recém-criado Women in Action, que une as práticas de Dell e EMC, teve como sua primeira ação no Brasil a assinatura do compromisso dos Princípios de Empoderamento Feminino da ONU Mulheres, que mostra a seriedade com que a empresa trata o tema. O grupo é uma base de apoio para as mulheres terem espaços cada vez mais representativos dentro da companhia e na sociedade”, diz Priscila. 

Sobre a Dell

A Dell é líder em vendas de computadores de mesa (PCs) no Brasil e abriu sua primeira fábrica no país na cidade de Eldorado do Sul (RS) em novembro de 1999. Na mesma cidade, possui um centro de desenvolvimento de software dentro da Pontifícia Universidade Católica. No ano de 2006 foi anunciada a construção de uma nova fábrica na cidade de Hortolândia, interior de São Paulo. A partir de agosto de 2007, Eldorado do Sul passou a sediar apenas a administração e toda a produção de (desktops, notebooks e servidores) foi transferida para Hortolândia.

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: BIOSEV – MULHERES DO AGRONEGÓCIO


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Por Karen Pegorari Silveira

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócios (ABMRA) aponta que nos últimos dez anos, a presença da mulher no campo saltou de 3% para 10%. Algumas das indústrias ligadas ao agronegócio também tiveram seu quadro de funcionárias ampliado. Na Biosev, por exemplo, mais de 1000 mulheres ocupam cargos nas 11 unidades em todo o Brasil, além do escritório-sede em São Paulo. Desse total, cerca de 11,5% têm funções de liderança (diretora ou superintendente) e 22% atuam em cargos de gerência (ano passado eram 18%).

No Polo de Lagoa da Prata (MG) são 103 mulheres, 40 no setor agrícola, 18 na indústria, nas áreas de laboratório/qualidade são 13, nas áreas de saúde, segurança e meio-ambiente são 12, na área administrativa 7, além de 13 menores aprendizes.

Essa preocupação surgiu após um diagnóstico sobre diversidade e fez a empresa criar um grupo multidisciplinar de trabalho sobre o tema a fim de levantar o contexto da empresa no que diz respeito à atração e à retenção de talentos com esse perfil. De acordo com informações da empresa, as diretrizes levantadas estão sendo trabalhadas com o objetivo de promover a igualdade de gênero.

Silvanira Souza está há quase 8 anos na empresa, e começou na Biosev como auxiliar agrícola. Em três anos passou a exercer a função de fiscal agrícola no plantio mecanizado no Polo MS (unidades Passa Tempo, Rio Brilhante e Maracaju). Desde 2013, atua como líder de Desenvolvimento Agronômico, sendo responsável pelo controle químico e biológico das pragas e por rotinas administrativas como gestão de pessoas.

A alta liderança da unidade Lagoa da Prata (MG) também é de uma mulher. Tania Fernandes, assumiu o cargo de superintendente e em sua gestão a unidade registrou a maior safra da história, com recorde de moagem e produção de açúcar. Além de investir em tecnologia agrícola e realizar uma colheita 100% mecanizada, o trabalho da Tânia também aproximou ainda mais a empresa da comunidade local, por meio de programas sociais e ambientais.

“Acredito que posso inspirar outras mulheres. Quando elas me veem em uma posição estratégica, vislumbram a real possibilidade deste caminho”. Tânia ressalta que não se trata de uma escolha simples e requer algumas renúncias. “Para quem realmente gosta do que faz e deseja fazer a diferença na sua área de atuação, a liderança é muito gratificante”, declara a executiva.

Como reconhecimento pelo esforço da empresa na promoção da igualdade de gênero, o IFC (International Finance Corporation) – instituição membro do Grupo Banco Mundial, convidou a Biosev para participar de um estudo sobre a atuação de mulheres em áreas operacionais agrícolas. A publicação foi divulgada no início de março deste ano e reúne as principais práticas de diferentes setores e países.

Sobre a Biosev

Segunda maior processadora global de cana-de-açúcar, a Biosev produz açúcar, etanol, ração animal, levedura, melaço em pó e energia. Comercializa seus produtos em mais de 30 países na América do Norte, América do Sul, África, Europa, Ásia e Oriente Médio. Tem capacidade de produzir 1,6 milhão de metros cúbicos de etanol e exportar até 1.346 GWh de energia elétrica proveniente de biomassa.

ENTREVISTA: PRESIDENTE DA ELEKTRO FALA PORQUE EMPRESAS DEVEM TRATAR A QUESTÃO DA EQUIDADE DE GÊNERO

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Por Karen Pegorari Silveira

Eleito o “Líder Mais Admirado do País” por uma reconhecida revista brasileira, Márcio Fernandes, presidente da Elektro, fala da importância de se debater a equidade de gênero nas empresas e como esta temática pode ser inserida naturalmente na gestão do negócio. Para ele, experiências que sensibilizam e prepararam as lideranças empresariais para tratar as diferenças costumam dar bons resultados.

Saiba mais na íntegra da entrevista:

Por que as empresas brasileiras precisam entender sobre equidade de gênero? Qual o impacto deste tema nas empresas em termos sociais e econômicos, considerando o contexto nacional e internacional?

As empresas têm um papel importante na sociedade e na quebra de paradigmas. Sabemos que a presença da mulher nas organizações está aumentando, mas ainda não é expressiva. Neste contexto, as empresas podem ser catalizadoras deste processo e devem fomentar no que for possível este movimento. Quando inserimos a temática da equidade de gênero nas empresas, sabemos que as nossas pessoas levam também esta discussão para suas casas e seu ambiente de convívio, o que potencializa ainda mais a nossa influência na sociedade.

De que forma é possível inserir este debate nas organizações? O senhor concorda que uma mudança de paradigma como esse tema só se concretiza se for um processo top-down?

O apoio da alta liderança é um catalizador importante e, metade de minha diretoria é composta por mulheres. Mas o debate sobre equidade de gênero não depende apenas disso. Ele surge naturalmente quando nossas pessoas estão atentas as necessidades e particularidades dos outros indivíduos. Fomentamos isso por meio do desenvolvimento da nossa liderança, que é encorajada a lidar com as diferenças de uma forma bastante ampla e profunda. Nos últimos anos levamos 100% de nossos líderes, por exemplo, para reformar uma creche e até para realizar sonhos de crianças com doenças terminais. Essas experiências sensibilizaram e prepararam os líderes para tratar as diferenças em geral de forma muito mais assertiva e prática. Prefiro a mudança sustentável gerada pelo botton up.

Por onde e como começar? Na sua opinião, quais as primeiras iniciativas viáveis para implementação de políticas e ações sobre equidade de gênero por empresas brasileiras, sobretudo as PMEs?

O primeiro passo é garantir que a seleção de pessoas na organização seja um processo maduro, imparcial e isento. Gosto de fazer isso abrindo todos os processos para todos os colaboradores e fazendo com que a avaliação seja realizada, além do gestor da área, por gestores de outras áreas e membros do comitê de pessoas (formado por pessoas que tem interesse genuíno por outras pessoas). Além disso, mapeamos as áreas com maior presença de mulheres, como é o caso da nossa Central de Relacionamento com os clientes por exemplo, e garantimos que essas colaboradoras serão desenvolvidas e poderão participar de nossas seleções de forma igualitária. Outro mecanismo é quebrar paradigmas como a da ausência de mulheres em funções específicas, como é o caso da atividade exercida por eletricistas. Criamos uma Escola de Eletricistas, que prepara mulheres e homens para atuar em diversas frentes de trabalho com igualdade.

Hoje, quais são os principais impulsionadores (compulsórios e voluntários) desta temática no universo corporativo? Como lideranças empresariais e os profissionais estão lidando com a questão? 

Hoje há diversos impulsionadores para a maior presença da mulher e igualdade de gênero nas organizações. As instituições que avaliam o clima organizacional das empresas destacam em seus quesitos, por exemplo, a participação das mulheres na força de trabalho e em especial em posições de liderança. Além disso, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da ONU, também encorajam as organizações a pensar no tema. Enfim, este espaço será ocupado pelas mulheres com ou sem auxílios ou pressões, mas o que acho mais efetivo é oferecer possibilidades iguais e decidir imparcialmente.

O que as empresas têm a ganhar com o equilíbrio entre homens e mulheres no quadro de funcionários, nas posições de liderança, na política salarial e oportunidades de carreira?

Acredito que times diversificados produzem discussões mais ricas e maduras, as pessoas trazem suas diferentes experiências e o resultado fica muito melhor. Uma gestão mais equilibrada e diversa é também uma gestão mais humana, mais atenta às diferenças e particularidades de cada indivíduo. Os processos seletivos, mais justos e isonômicos, promovem um sentimento de imparcialidade em toda a organização e garantem com que tenhamos sempre as melhores pessoas em todas as nossas posições.

Iniciativas Sustentáveis: Bosch – Atraindo a Diversidade

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Por Karen Pegorari Silveira

O setor de auto peças no Brasil, tradicionalmente, foi marcado pela significativa presença masculina e a crença de que área de engenharia não era para as mulheres. Mas recentemente empresas começaram a investir em programas que mostram para as estudantes e profissionais da área que elas podem sim desenvolver uma carreira sólida e crescer neste segmento. Há alguns anos o Brasil formava apenas 9% de engenheiras, enquanto hoje este número já chegou a 14%.

A Bosch, por exemplo, criou o programa women at bosch, que tem o objetivo de ampliar o número de mulheres tanto nas áreas técnicas trabalhando com pesquisas de desenvolvimento, como em posições de liderança. O programa foi criado por uma demanda da matriz na Alemanha. Em 2007, globalmente, foi o marco zero do programa e começou a ganhar mais repercussão no Brasil a partir de 2011.

A gerente de Recursos Humanos da Bosch, Paula Pessoa, diz que quando falam em Diversidade na Bosch, não abordam apenas a questão de gênero e sim, gênero, gerações, cultura e internacionalidade. “O pilar de gênero foi o primeiro que começamos a trabalhar em 2011 no Brasil. Diversidade é um dos valores da Bosch. Para nós ter uma equipe diversa, permite ter mais força para inovação, mais chance de orientação para o cliente, uma empresa mais atrativa para trazer pessoas que queriam trabalhar aqui e mais atrativa para o mercado. No fim do dia, conseguimos ampliar o resultado do negócio”, diz Paula.

Uma pesquisa realizada pela empresa recentemente, mostrou que o seu quadro de colaboradores está com aproximadamente 3% mais participação de mulheres em cargos de liderança do que outras empresas do setor.

A gerente Paula conta que também têm feito ações dentro das universidades. “Nós mostramos às mulheres como é trabalhar em áreas técnicas e que essa não é mais uma profissão rigorosamente masculina. “Precisamos mudar o mindset aqui dentro da empresa também, para que equipes masculinas aceitem de fato mais mulheres e vejam que isso é benéfico no dia a dia. Temos vários treinamentos com times de gestão para trazer em pauta essa reflexão da diversidade e as vantagens e desafios que a ela traz”, diz.

Para atrair mais profissionais, a empresa oferece política de jornada flexível, home office ou contrato part-time (meio período). Este último, muito atrativo para as mães que querem continuar investindo em suas carreiras mas também precisam dedicar mais tempo aos filhos. Há também o programa de mentoring para mulheres, que identifica as profissionais com potencial dentro da empresa e que possam ocupar cargos de liderança no futuro. Este programa tem a finalidade de prepará-las para que, de fato, elas cheguem a exercer tais funções e as auxilia com relação a conflitos entre carreira e vida pessoal, ajudando-as a conciliar as duas áreas.

A equidade salarial também é algo perseguido na Bosch. Em seu quadro atual não há divergência salarial entre homens e mulheres pelo fato de gênero. Em alguns casos apenas, porém sem números divulgados pela empresa, há diferenças relacionadas a tempo de casa e outras variáveis que não são gênero.

Desde que estas ações foram implementadas, houve aumento gradativo da participação de mulheres em posições de liderança e a empresa expõe a meta de crescer cerca de 6% a quantidade de mulheres em posições gerenciais até 2018. Segundo Paula Pessoa, o número de profissionais mulheres em seu banco de potencial hoje está na casa dos 40%. Já 45% dos seus estagiários são mulheres e, destas, 19% estão nas áreas técnicas, sendo que há 3 ou 4 anos essas estudantes nem chegavam a se candidatar. Esta ampliação também se deve ao programa Junior Management Program, desenvolvido para profissionais que já estão no mercado e possam chegar aos cargos de liderança dentro da Bosch de 6 a 8 anos. Hoje 40% dos profissionais do mercado que entraram na empresa através deste programa são mulheres.

Para a Bosch, a diversidade é uma grande vantagem competitiva. “Acreditamos que é somente com um time diverso, não somente em gênero, que poderemos ser mais inovadores, mais ágeis e com melhores resultados nos negócios. Para nós, a diversidade traz oportunidades”, relata a gerente de RH Paula Pessoa.

Sobre a Bosch

Há mais de 60 anos no mercado nacional, o grupo Bosch emprega no país cerca de 9300 colaboradores e registrou, em 2014, um faturamento líquido de R$ 4.2 bilhões com produtos e serviços automotivos para montadoras e para o mercado de reposição, ferramentas elétricas, sistemas de segurança, termotecnologia, máquinas de embalagem e tecnologias industriais.

Mulheres são 42% dos alunos nos cursos de formação em construção do Senai-SP

Isabela Barros 

Não importa o peso da carga: as mãos que carregam os tijolos são, quase na mesma proporção, masculinas e femininas. Nas salas da Escola Senai “Orlando Laviero Ferraiuolo”, no bairro do Tatuapé, na capital, especializada em construção, as mulheres respondem por 42% das matrículas dos cursos de formação. E se destacam em áreas como edificações, alvenaria e afins. Para professoras e alunas, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) não existe diferenciação de acordo com o gênero, basta querer colocar a mão na massa.

“Adoro mexer com cimento”, diz Larissa Assunção, de 16 anos, aluna do segundo semestre do curso Técnico em Edificações na escola. “As aulas que mais sujam a roupa são as melhores”, garante.

Segundo ela, que planeja ser engenheira no futuro, nas disciplinas “todo mundo faz tudo, sem distinção”.

O envolvimento com a formação também é destacado pela estudante Lara Castello, de 16 anos, do primeiro semestre do Técnico em Edificações. “Sou ativa, gosto da ideia de construir casas para as pessoas morarem”, afirma.

Orgulhosa de si desde as primeiras aulas, quando conseguiu dobrar uma peça de aço e mexer com uma serra, ela guarda até hoje a primeira peça de madeira que cortou.

A habilidade no manuseio de “serras perigosas” e “peças muito quentes” também é citada por Beatriz Fogo, de 16 anos, no terceiro semestre de Edificações. “As oportunidades estão aí para meninos e meninas, nunca me senti discriminada por ser mulher”.

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A partir da esquerda, Lara, Beatriz e Larissa se dizem orgulhosas em trabalhar com construção. Foto: Everton Amaro/Fiesp


No DNA

Professora de disciplinas ligadas ao trabalho de assentador, revestidor e carpinteiro na “Orlando Laviero Ferraiuolo”, Márcia Rodrigues da Silva, de 29 anos, está acostumada a dar aulas para homens sem que ninguém questione as suas habilidades na área. No caso dela, o amor pela construção está no DNA e na memória afetiva. “Meu pai é mestre de obras, sempre o vi construindo na nossa casa”, conta.

Afirmando trabalhar num “ambiente igualitário”, ela diz que o desafio de abrir caminho numa área ainda dominada pelos homens só a estimula a querer mais. Hoje, Márcia dá aula no Senai pela manhã, trabalha como fiscal de obra à tarde e faz faculdade à noite. Concluindo a graduação como tecnóloga em Estrutura Metálica, ela pretende seguir com os estudos cursando Engenharia.

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Márcia: inspiração que veio de casa e aulas no Senai-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Elas estudam mais

Diretor da escola do Senai-SP especializada em construção, Abilio José Weber conta que o machismo observado nas empresas que preferem contratar homens passa longe das salas da instituição. “Aqui as meninas são tratadas com o mesmo respeito que os homens”, diz. “Nunca ouvi um comentário sequer no sentido de que elas não trabalham bem na área”.

Segundo Weber, elas são, aliás, as campeãs das notas altas. “As nossas alunas normalmente estudam mais que os estudantes do sexo masculino”.

Como reflexo do aumento no número de mulheres, a escola do Tatuapé recebeu, em suas últimas reformas, mais banheiros femininos e um vestuário exclusivo para elas. Tudo para receber melhor as experts do tijolo e do cimento que saem de suas salas de aula.

Iniciativas Sustentáveis: Cisco – Mais mulheres na TI

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Por Karen Pegorari Silveira

Cerca de 50% da população mundial é composta por mulheres, mas este número nem sempre se reflete na indústria de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (TIC). Embora o setor continue em expansão, com constante demanda de emprego e mão-de-obra qualificada, este dinamismo não é expresso de forma igualitária entre os gêneros. Foi pensando nisso que a União Internacional de Telecomunicações (UIT) idealizou o Girls in ICT Day (“Dia das garotas de TIC”), um esforço global de sensibilização para capacitar e incentivar jovens mulheres a considerarem o ingresso nesta carreira. O evento acontece anualmente na última quinta-feira do mês de abril, conforme estabelecido pelos membros da UIT. A Cisco celebrou nos últimos três anos o Girls in ICT Day com eventos e atividades no Brasil e em todo o mundo.

Na Cisco do Brasil, a ideia é convidar as adolescentes para um dia diferente nos escritórios da companhia. O objetivo é apresentar melhor o setor e as oportunidades que a área pode gerar para elas no futuro. A agenda do evento conta com tours pelos escritórios da empresa em São Paulo e pelo Centro de Inovação do Rio de Janeiro, com apresentações, palestras e atividades práticas. O Girls in ICT Day da Cisco, que aconteceu ano passado, contou com a presença do presidente da companhia do Brasil, Rodrigo Dienstmann, e da diretora de Iniciativas de Transformação e Investimentos Estratégicos para o país, Nina Lualdi, além de sessões de executivas da companhia que falaram sobre suas trajetórias profissionais. O evento também contou com a participação de outros países da América Latina via telepresença – tecnologia de videoconferência em alta definição.

Podem participar deste evento qualquer mulher jovem que esteja no processo da tomada de decisão de sua carreira de estudos. A convocatória é coordenada através das instituições educativas que oferecem o programa Networking Academy, o programa global de educação da Cisco em parceria com instituições de ensino. E as instituições, por sua vez, escolhem as meninas que irão participar. Apesar de todas as jovens serem alunas do NetAcad, o evento não é restrito apenas a elas. Na edição de 2014 do Girls in ICT Day, a companhia também recebeu 27 meninas vindas de quatro escolas: Associação Comunitária Despertar, Centro Paula Souza, CIEE e Senac São Paulo.  No Rio, o evento aconteceu no Centro de Inovação IoE da Cisco Rio de Janeiro com o mesmo número de participantes das seguintes academias: Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Instituto Federal do Rio de Janeiro e Senac Rio de Janeiro. A faixa etária é de 15 a 20 anos.

O Girls in ICT Day da Cisco contou com a participação de 170 jovens em 2013, em 10 escritórios da companhia na América Latina. Já em 2014, o número de participantes subiu para 250 garotas em 12 escritórios distribuídos pela América Latina e Caribe. Ao todo, nos últimos dois anos, a Cisco contou com a participação de 420 jovens da América Latina durante o Girls in ICT Day. Este ano pretendemos ter mais de 350 meninas em 14 escritórios da Cisco pela América Latina.

Ana Makhlouf, responsável pelo “Girls Day in ICT” e pelo Marketing e Responsabilidade Social Corporativa, da Cisco para a América Latina, diz que a cada ano participam mais garotas nos eventos da América Latina. “A retroalimentação das meninas é positiva e por várias ocasiões elas já comentaram que a experiência foi inspiradora para decidir entrar na carreira de tecnologia. Após o evento, elas puderam compreender a dimensão e a importância que a TI exerce nas diversas áreas profissionais, além de presumir os caminhos, sonhos e conclusões adquiridas pelas gestoras da Cisco, que compartilharam suas experiências profissionais ao alcançar a posição que almejavam”, comenta Ana.

Ao promover e conectar as profissionais mulheres em TIC, a Cisco tem buscado equiparar a razão de 50% entre os homens e mulheres no mercado de trabalho e proporcionar maior igualdade de gêneros nesta indústria.

Sobre a Cisco

A Cisco é uma indústria de Tecnologia da Informação, com sede em San José, CA, Estados Unidos. Conta com 75 mil colaboradores globais (500 apenas no Brasil) e cerca de um quarto de todos os funcionários são mulheres. Seu faturamento anual é de US$ 12,25 bilhões.

Iniciativas Sustentáveis: Novartis – estrutura diferenciada para mulheres

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo estudos e pesquisas recentes, nos últimos anos, a proporção de mulheres que trabalham fora de casa chegou a quase 50%. Elas mais que dobraram sua participação em cargos de chefia, gerência, diretoria e presidência, mas ainda enfrentam dificuldades crescentes, como: combinar os papéis de funcionárias, mães, esposas e donas de casa, além do gasto médio de 50 horas de trabalho por semana (contando o tempo de deslocamento) e mais 22 horas adicionais nos serviços domésticos.

Em artigo publicado pelo professor José Pastore, Ph. D. em sociologia pela University of Wisconsin (EUA), essa intensificação do trabalho tem afetado o comportamento das mulheres, a estrutura da família, a própria população, e também as empresas. “As mulheres de hoje não querem e não podem ter muitos filhos. Em 1990 nasciam 3 filhos por mulher. Hoje, menos de 2, com tendência cadente. Isso já tem reflexo na oferta de trabalho: há menos jovens em idade de trabalhar”, alerta.

A competitividade das empresas e da economia também sofrem com isso e para chegar a um equilíbrio entre trabalho e família, especialistas indicam que são necessárias algumas transformações, entre elas, os homens colaborarem mais nas tarefas do lar – como já acontece em nações mais desenvolvidas e as empresas e instituições expandirem benefícios, como horários flexíveis, creches dentro das empresas e licença maternidade de 6 meses (como recomenda a Organização Mundial da Saúde).

Algumas companhias já perceberam o impacto destas vantagens na competitividade e produtividade e implantaram diversas ações, como é o caso da indústria farmacêutica Novartis, que possui 52% de mulheres em seu quadro de funcionários. Muitas colaboradoras já trabalham de casa até quatro horas por semana; elas também contam com uma sala confortável na hora da amamentação; período de licença maternidade de 6 meses; área de escoamento de leite para quando elas retornam ao trabalho; e ainda vagas de estacionamento especiais para gestantes.

Desde 2010, a Novartis também possui um programa de desenvolvimento e liderança chamado Demeter, que é direcionado às mulheres que mais se destacam na empresa. São oferecidas sessões de coaching para o desenvolvimento de um projeto específico a ser apresentado formalmente a uma banca arguidora com acompanhamento de um consultor externo. Este programa envolve treinamento específico de gerenciamento e liderança direcionado para mulheres “talentos”, semelhante ao um MBA. Também há eventos específicos como: café da manhã (Breakfast with women), fóruns especializados conduzidos pelos Heads de cada departamento e coaching específico para mulheres de alto potencial, entre outras ações.

As ações da empresa já garantiram a ela diversos prêmios. Segundo a pesquisa DiversityInc 2014, globalmente a companhia é a melhor empresa em diversidade e inclusão. Localmente, também levou o prêmio do Guia Exame de Sustentabilidade, na categoria Direitos Humanos; o de “melhor RH” pela Revista Época 360º, dentre as 100 melhores empresas em Cidadania Corporativa; o selo da Diversidade e Inclusão do Governo do Estado de São Paulo; e foi finalista na 1ª Premiação das empresas mais inclusivas do Estado de SP.

Segundo a diretora de Comunicação Corporativa e Responsabilidade Social, Yara Baxter, a Novartis acredita que a diversidade e a inclusão geram inovação e que um dos pilares estratégicos da empresa é respeitar as diferenças e promover ações que valorizem a diversidade no ambiente de trabalho.

Sobre a Novartis

Com sede em Basileia, na Suíça, a Novartis oferece um portfólio diversificado de medicamentos, cuidados com os olhos e medicamentos genéricos. Em 2014, as operações do Grupo atingiram vendas líquidas de US$ 58 bilhões, enquanto cerca de US$ 9,9 bilhões foram investidos em pesquisa e desenvolvimento. As empresas do Grupo Novartis contam com cerca de 133 mil colaboradores e os seus produtos estão disponíveis em mais de 180 países ao redor do mundo.


Artigo: O Valor Econômico Da Diversidade De Gênero Para As Organizações.

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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Por Cristina Kerr*

Em 2011, quando idealizei e lancei o 1º Fórum Mulheres em Destaque para tratar sobre a Liderança Feminina e a importância da ascensão das mulheres aos cargos de gestão nas corporações, pouco se falava sobre este tema. Além disto, sobre diversidade de gênero era tratado nas empresas como uma questão de responsabilidade social.

Desde então muitos paradigmas foram quebrados e algumas corporações passaram a compreender que iniciativas que visam o equilíbrio de gênero conseguem impactar positivamente a performance financeira das empresas.

Esta informação vem sendo sustentada por diversos estudos realizados pelo mundo onde foram detectados melhores resultados em empresas que possuem um número mais equilibrado de homens e mulheres na liderança. As empresas estão reconhecendo a importância da equidade de gênero para consolidação da alta performance.

A McKinsey realizou um estudo e mediu a “excelência organizacional” de empresas na Europa, América do Norte e Ásia avaliando nove critérios organizacionais. Quando a McKinsey examinou as equipes de gerência sênior dessas empresas, concluiu-se que aqueles com três ou mais mulheres tiveram resultados mais altos, em média, do que as equipes que não tinham mulheres.

As empresas da Fortune 500 com melhores desempenhos financeiros tinham mais mulheres nas equipes de alta gerência do que empresas de desempenho mais baixo. Esta descoberta demonstra que a conexão entre diversidade de gênero em equipes de alta gerência e desempenho financeiro é significativa.

Uma das pesquisas da Catalyst, organização não-governamental que apoia e incentiva a liderança feminina nas empresas, descobriu que empresas com mais mulheres na diretoria superaram aquelas com menor número de mulheres em três medidas financeiras: rentabilidade de capital (53% mais alta), rendimento de vendas (42% mais alto) e retorno sobre capital investido (66% mais alto). Estes resultados prevaleceram em empresas com três ou mais mulheres em cargos de liderança. E concluiu que mulheres na diretoria e mulheres em cargos de liderança sênior estão ligadas a melhores desempenhos financeiros.

A Catalyst apresentou em 2014 um relatório onde compilou uma série de estudos realizados pelo mundo para comprovar os benefícios econômicos da liderança feminina:

Na Alemanha, um estudo realizado com mais de 150 empresas por mais de cinco anos, confirmou que empresas com 30% dos cargos de diretoria ocupados por mulheres, superavam financeiramente as diretorias só com homens. Isso se traduz em um “número mágico” de, mais ou menos, três mulheres em cargos de liderança, baseando-se na média de tamanho destas empresas.

No Reino Unido, um estudo analisou mais de 900 mil empresas de sociedade limitada e constatou que empresas com mulheres diretoras tiveram um risco menor de falência do que outras empresas. Um número maior de mulheres em gerência e posições de liderança sênior foi associado a organizações com melhores desempenhos.

Na Finlândia, um dos países com maior equilíbrio na diversidade de gênero em cargos de liderança do mundo, realizou um estudo com grandes empresas e descobriu que aquelas com presidentes mulheres eram, em média, 10% mais lucrativas do que empresas correspondentes com homens presidentes.

Estas pesquisas revelam que empresas com maior representação de mulheres em alta gerência superaram financeiramente aquelas empresas com menor representação de mulheres. Além da diversidade de gênero, existem outros fatores determinantes que contribuem para o desempenho financeiro que incluem inovação, eficiência, satisfação do funcionário e um ambiente de trabalho inclusivo. Estes fatores são fortemente identificados no perfil da liderança feminina.

Em resumo, todos estes estudos comprovam que a diversidade de gênero é realmente um fator de desempenho financeiro e as empresas que querem fazer negócios com inteligência devem desenvolver programas de liderança feminina para reter as mulheres em cargo de diretoria e c-level e alavancar o talento das mulheres em cargos gerências para que elas possam chegar aos cargos de liderança.

A Plataforma Liderança Feminina que inclui o Fórum Mulheres em Destaque surgiu justamente com a proposta de apresentar programas de diversidade de gênero e contribuir para o aumento de mulheres em cargos de liderança nas organizações.

* Cristina Kerr – é sócia diretora da CKZ Eventos e idealizadora da Plataforma Liderança Feminina que inclui a 5ª Edição do Fórum Mulheres em Destaque e diversos cursos de liderança feminina.


Iniciativas Sustentáveis: Renault – empoderando mulheres

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Por Karen Pegorari Silveira

Dados do Fórum Econômico Mundial indicam que as nações com maior nível de igualdade de gêneros tendem a ser mais prósperas. Ou seja, oferecer às mulheres as mesmas oportunidades dos homens não é somente uma questão de justiça, faz também todo o sentido para a economia. Afinal, elas representam metade da população mundial e apenas 40% da força de trabalho.

Há ainda o poder de consumo feminino. De acordo com uma estimativa da consultoria BCG, os gastos das mulheres atingem mais de 20 trilhões de dólares – maior do que a economia dos EUA e da China juntas. E segundo cálculos da consultoria Booz & Company, equiparar a taxa de emprego das mulheres e dos homens seria um impulso capaz de elevar 9% o PIB do Brasil, 5% o dos EUA e 27% o da Índia.

Mas as mulheres não querem apenas consumir, seu objetivo é, principalmente, contribuir na geração de renda e riqueza do país.

Empresas que percebem esse potencial mercado produtor e consumidor, tendem a ser mais bem sucedidas em seus produtos e serviços, como é o caso da Renault, a primeira montadora da América Latina a aderir aos Princípios de Empoderamento das Mulheres, um programa da ONU Mulheres e Pacto Global das Nações Unidas que visa promover a igualdade de gênero em todas as atividades sociais e da economia. Com essa adesão ao WEPs (Women’s Empowerment Principles), a empresa torna público o compromisso da alta liderança com os princípios estabelecidos pelo programa e demonstra o seu compromisso com a responsabilidade social.

Uma das ações que a companhia criou foi o grupo Women@Renault (W@R), um grupo formado por homens e mulheres com o objetivo de fortalecer a diversidade de gênero dentro do Grupo Renault – cada unidade no mundo possui um grupo local. O W@R desenvolve ações que visam aumentar a porcentagem global de mulheres na empresa em todos os níveis. Com isso, a Renault espera desenvolver o potencial das mulheres e também atraí-las para este setor industrial que tradicionalmente é masculino.

Um resultado positivo que inspirou a empresa a aderir ao empoderamento das mulheres, foi o desenvolvimento do veículo Captur (SUV compacto lançado na França em 2014, sem previsão de lançamento no Brasil). Ele foi o primeiro produto totalmente desenvolvido por uma equipe formada de maneira equilibrada entre homens e mulheres e o resultado surpreendeu a empresa. “O carro é um sucesso e traz detalhes estéticos, de design, de tecidos, de iluminação, de posição de assentos e de tamanho de retrovisor que refletem este equilíbrio de necessidades entre homens e mulheres”, conta o assessor de imprensa, Ubirajara Barbosa Alves.

A boa aceitação do Captur inspirou a Renault do Brasil a desenvolver uma ação local durante o último salão do automóvel de São Paulo. A iniciativa envolveu a direção de Produto e o Women@Renault e convidou um grupo de 50 colaboradoras, que são também clientes – pois dirigem veículos da marca, para, com base numa análise do produto da Renault e dos concorrentes diretos, buscarem ideias que contribuíssem para evolução dos modelos Sandero e Sandero Stepway. Organizadas e acompanhadas por uma empresa especializada neste tipo de ação, elas foram orientadas a visitar os estandes com veículos de outras marcas concorrentes diretos dos modelos Renault. A dinâmica incluiu, num primeiro momento, a verbalização do que viram, o que ouviram, o que sentiram, as percepções que tiveram, a impressão sobre os materiais (tecidos, texturas, odores, cores…). Em seguida, foram convidadas a transformar essas sensações em propostas, focando as necessidades femininas em um automóvel e imaginando uma possível edição especial do Sandero ou do Stepway para o público feminino.

Segundo os organizadores, muitas ideias partiram desta ação. Entre elas: posição do volante para grávidas – necessidade do volante avançar e recuar; posição e local da cadeirinha de bebê – para que a criança possa ser observada pela mãe; materiais e tecidos que possam ser facilmente limpos; local para guardar um segundo par de sapatos; local para guardar maquiagem; criação de um compartimento isolado termicamente para o calor não danificar as maquiagens; porta acessórios femininos – apropriado para óculos de sol, bijuterias, lenços, preferencialmente com chaves; conectividade – sistema que oriente ou avise sobre revisões, calibragens, necessidade de oficina, troca de óleo, etc. Todas as sugestões já estão sendo avaliadas pela área de desenvolvimento de produtos da Renault em São José dos Pinhais e servirão de referência para futuros projetos.

Na Renault do Brasil a presença das mulheres evoluiu de 7% para 12% do total de colaboradores nos últimos 6 anos e as iniciativas para continuar ampliado este número seguem em todas as áreas, mesmo as tradicionalmente dominadas pela presença masculina. Segundo a líder do Grupo W@R, Silvia Barcik, a Renault está trabalhando para aumentar a proporção feminina em seu corpo funcional. “Através do programa Women@Renault são colocadas em prática as ações para recrutar e manter mais mulheres no quadro de funcionários, entretanto, ainda existem barreiras invisíveis, que devem ser identificadas e superadas”, conta ela.

Segundo informações da assessoria de imprensa, é importante lembrar que hoje quase 50% das vendas de carros novos tem as mulheres na decisão direta da compra e no cômputo geral, 80% de todas as vendas sofrem influência direta ou indireta das mulheres. Esse é um dos motivos para que a busca pela diversidade de gênero seja uma iniciativa do Grupo Renault, e envolva todas as empresas do grupo em todo o mundo. O objetivo é muito claro: fortalecer a presença das mulheres nas mais diferentes áreas com o objetivo de tornar a empresa ainda mais competitiva e fortalecer o business.

O presidente da Renault do Brasil, Olivier Murguet, destaca ainda que “A Renault acredita que empoderar as mulheres e promover a equidade de gênero são importantes caminhos para o efetivo fortalecimento das economias e impulsionamento dos negócios”, declara.

Sobre a Renault

A Renault é um indústria francesa de veículos fundada em 1898. Produz automóveis pequenos e médios, furgões, ônibus e caminhões. Com a aliança entre a Renault e Nissan, desde 2006, é um dos patrocinadores master do Women’s Forum, conferência mundial com objetivo de debater as condições sociais e econômicas para o avanço das mulheres no ambiente corporativo.

Iniciativas Sustentáveis: Dudalina – Benefícios diferenciados para reter talentos

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Por Karen Pegorari Silveira

A Dudalina nasceu em 1957 com a visão empreendedora de um casal catarinense. Recém-casados, Duda e Adelina começaram com uma pequena loja de secos e molhados e devido a compra de muito tecido decidiram produzir camisas. Desde então não pararam as máquinas e hoje a Dudalina produz mais de 2 milhões de camisas por ano aproximadamente.

Idealizada por uma mulher de garra e dedicada, a empresa hoje emprega muitas Adelinas, aproximadamente 75% do quadro de colaboradores são de mulheres e por isso a companhia oferece benefícios diferenciados para atrair e reter esses talentos femininos.

Muitos projetos foram implantados para oferecer bem estar e qualidade de vida para essas colaboradoras, entre eles está o Dia de Princesa, onde a funcionária sorteada vive um dia com direito compra de roupas novas, massagem, transformação visual, sessão de fotos, jantar com a família e outras surpresas; e o Programa Mamãe DUDALINA, um dos mais importantes projetos – ele oferece às futuras mamães apoio e orientações sobre os cuidados com a sua saúde e a do bebê, e promove e homenageia a condição de gestante preparando e adaptando o ambiente de trabalho para torná-lo mais acolhedor. Esse programa atende cerca de 50 gestantes durante o ano e é formado por 7 etapas:

Dia da gestante: Programa de palestras com profissionais especializados na área da saúde. Acontece durante um sábado e proporciona experiência educativa de preparação para o período de gestação e maternidade. Entre as atividades, destacam-se temas como os sintomas decorrentes da gestação e abordagens sobre a área comportamental da mulher gestante, além das alterações na vida familiar.

Salas diferenciadas e literatura especializada: Todas as salas de leitura da empresa foram remodeladas para proporcionar um local tranquilo e agradável às gestantes durante os intervalos do horário de trabalho. Além disso, a empresa realizou assinaturas de revistas especializadas e adquiriu livros sobre cuidados com a gestante e com o bebê, entre eles, destacamos a revista Pais e Filhos e o livro a Vida do Bebê, que estão disponíveis para todas as gestantes da empresa.

Chá de bebê: Há um espaço na empresa para realização de Chá de Bebê entre as colegas da futura mamãe com todas as atividades inclusas, desde o convite até o coffee break.

Mamãe Coruja: É o treinamento das colaboradoras para amparar a gestante diante de alguma necessidade. Em caso de alguma emergência, existirá a Mamãe Coruja escolhida pela colaboradora para ser seu apoio durante toda a gestação.

Kit bebê: No dia da saída para a Licença Maternidade, há entrega de um Kit Bebê com banheira, fraldas, lenços umedecidos, fita crepe, leite NAN, chá, creme antiassaduras, talco, xampu, algodão, entre outros.

Kit Gestante: No início da gravidez, a mamãe ganha um kit da Gestante composto por uma toalhinha personalizada do programa, uma cartilha com informações pré e pós parto e a cartinha da amiga escolhida como mamãe Coruja.

Visita a empresa: Após o nascimento, a funcionária pode apresentar seu bebê para os colegas. A empresa promove a vinda da mamãe e do filho até a unidade para a apresentação do bebê aos colegas de trabalho.

Simone Alves Dias, costureira da unidade de Luis Alves, em Santa Catarina, conta que através do Projeto Mamãe Dudalina conseguiu fazer o seu chá de bebê com todas as colegas de trabalho. ”Com certeza lembrarei deste dia para sempre!”, conta a mamãe. Clades Sasse, que atua na unidade de Presidente Getúlio, também em Santa Catarina, concorda com Simone. “Este programa valoriza a colaboradora e aumenta a autoestima da gestante. É uma oportunidade que poucas empresas proporcionam”, afirma a encarregada de embalagem.

A presidente da empresa, Sônia Regina Hess de Souza, diz que a companhia está constantemente analisando suas práticas de gestão, aprofundando seu compromisso com a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável na comunidade em que está inserida. “Através de ações voltadas para a integridade, inclusão e responsabilidade social, acreditamos que a ética e a transparência são primordiais para nossas relações institucionais”, completa a executiva.

Além desses projetos voltado às mulheres, a Dudalina mantém diversas ações na área de responsabilidade social através do Instituto Adelina e já ganhou prêmios renomados, entre eles o ADVB Empresa Cidadã e o Prêmio Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de ser signatária de diversos pactos como Empresa Limpa, Empresa Proética, Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo, entre outros.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539786728 VEJA OUTRAS INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS 

‘Quem manda no mundo é quem tem conhecimento’, diz presidente do Magazine Luiza

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Se você educa uma mulher, educa uma nação”. As palavras da embaixadora e diretora titular adjunta do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Maria Celina de Azevedo Rodrigues, deram o tom do debate que viria a seguir na noite desta quinta-feira (10/04), na sede da entidade, em São Paulo. Na ocasião, foi feito o realizado o seminário “Mulheres Líderes: Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro”, por conta do lançamento da organização Women in Leadership in Latin America (Will) ou “mulheres em liderança na América Latina”, em tradução livre.

Assim, não faltaram personalidades destacadas nas mais variadas áreas para discutir as possibilidades e as barreiras à ascensão feminina no Brasil e no mundo. Além de Maria Celina, apresentaram as suas ideias a diretora-presidente da Will no país, Silvia Fazio, e a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano. O evento teve moderação da jornalista Monica Waldvogel e contou ainda com a participação de um time de dez debatedoras que reuniu pesos pesados do empreendedorismo nacional como Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree Towers, e Marise Barroso, presidente da Masisa, multinacional de produção e comercialização de painéis de madeira.

O evento teve o apoio ainda do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp.

“O Will é uma organização não governamental que tem como objetivo promover a excelência profissional da mulher latino-americana”, explicou Silvia Fazio. “E discutir os desafios femininos para atingir posições de liderança”.

Silvia: ação para promover a excelência profissional da mulher latino-americana. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Silvia: ação para promover a excelência profissional da mulher latino-americana. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para Silvia, as mulheres precisam se afirmar e “mudar as suas posturas para uma posição de conquista”.

Ela também uma apoiadora de uma maior assertividade da mulher, Maria Celina lembrou que o Brasil perde “20% das suas diplomadas, que terminam não indo para o mercado”. “E essa saída se dá também por falta de apoio e de infraestrutura para exercer outras atividades além do trabalho”, afirmou ela, que representou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no encontro.

Verdade, transparência e simplicidade

Palestrante da noite, a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, destacou que às mulheres foi permitido o desenvolvimento de habilidades muito importantes nas empresas no século 21. “Quem manda no mundo hoje é quem tem conhecimento”, disse. “E o jeito feminino de ser e agir tem tudo a ver com esse mundo novo”.

Maria Celina: falta de apoio às mulheres no mercado de trabalho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Maria Celina: falta de apoio às mulheres no mercado de trabalho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Luiza,  nunca se falou tanto de “verdade, transparência e simplicidade”. “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens e essas atribuições valorizadas hoje são típicas das mulheres”, explicou.

Defensora das cotas para aumentar a participação feminina em searas como os conselhos de administração das empresas, ela lembrou que, há dez anos, o percentual de executivas nesses órgãos não passa de 7% no Brasil. “Nesse ritmo, nossas bisnetas não vão chegar nem a 12% de participação”, disse.

Luiza destacou ainda o trabalho do grupo Mulheres do Brasil, que reúne 120 executivas e empreendedoras de todas as partes do país que se encontram mensalmente para discutir questões ligadas ao feminino. “Somos apartidárias e temos como meta a apresentação de uma agenda propositiva, não queremos só reclamar”, explicou. “Movimentos como esses ajudam o Brasil e por isso são muito bem-vindos”.

Luiza: “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Luiza: “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Show das poderosas – Confira os destaques da participação das dez debatedoras presentes ao seminário na Fiesp:

“Há 30 anos, uma mulher saindo sozinha de um hotel tinha que ouvir que estava tendo um caso com alguém”.

“Já ouvi que a mulher gosta de cuidar do corpo porque é lá que está o seu espírito”.

Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree Towers

“É preciso aceitar desafios, ter flexibilidade e acreditar que é capaz”.

“A mulher tem que abandonar a culpa”.

Andrea Alvares, diretora geral da unidade de negócios de Snacks da Pepsico no Brasil

“Não mudei o meu jeito de ser por conviver com muitos homens”.

“Grande parte das barreiras e do preconceito vêm das próprias mulheres. Nós como mães temos a função de criar homens e mulheres melhores”.

Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica)

“As empresas grandes sabem que têm que investir nas mulheres”.

Rosely Ugolini, diretora da Inarco Troféus

“Pouco se fala do maior benefício da equidade, que é o equilíbrio. Vivemos num mundo regido por valores masculinos”.

“A empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, é típica do feminino”.

Marise Barroso, presidente da Masisa

“No conselho administrativo do BB Seguridade, temos duas conselheiras para um total de seis membros na equipe. Somos uma luz no fim do túnel”.

“A preocupação das mulheres com a transparência é muito maior”.

Ângela Beatriz de Assis, diretora executiva do BB Seguridade, do Banco do Brasil

“Eu sentava na mesa de operações para trabalhar e dava um pulinho a cada vez que ouvia um palavrão, mas seguia em frente”.

Luciane Ribeiro, CEO do Santander Brasil Asset Management

“O equilíbrio é muito importante. Ninguém quer tomar o lugar dos homens, a gente tem é que complementar”.

Vania Sommavile, diretora executiva da Vale

“É possível ter funcionários com horários flexíveis, as empresas são feitas de gente”.

“Com uma gestão participativa, é possível criar uma série de medidas para facilitar a vida das funcionárias com filhos”.

Gloria Braga, CEO do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad)

“Vai ser cada vez mais natural no mercado ocuparmos posições de liderança”.

Camila Araújo, sócia líder do Centro de Governança Corporativa da Deloitte e do Comitê Growth

Da esquerda para a direita: Monica, Silvia, Maria Celina e Luiza no lançamento do Will. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A partir da esquerda: Monica, Silvia, Maria Celina e Luiza no lançamento do Will. Foto: Everton Amaro/Fiesp



Mulheres lideram, pela primeira vez, rodada de negócios na Fiesp

Marília Carrera, Agência Indusnet Fiesp

Rodada de Negócios com Empresárias Turcas. Foto: Helcio Nagamine

Vinte empresas da Turquia e cem do Brasil reuniram-se na Fiesp para discutir oportunidades de negócio entre os dois países. Foto: Helcio Nagamine

Na semana internacional da mulher, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio  Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) promoveu nesta quarta-feira (06/03), pela primeira vez, uma rodada de negócios liderada exclusivamente por mulheres.

O evento – 32º encontro bilateral entre Turquia e Brasil realizado na Fiesp – reuniu 22 empresárias turcas, responsáveis por compor as 20 mesas de negociação da rodada. Além delas, estavam presentes cerca de 120 empresas – 20 da Turquia e 100 do Brasil –, com o objetivo de discutir oportunidades de negócio entre os dois países.

Para o vice-presidente da Fiesp, Elias Miguel Haddad, a ocasião é um expressivo marco representativo das relações diplomáticas entre Brasil e Turquia e demonstra, com fatos e dados concretos, a potencialidade do comércio bilateral de ambas as nações.

Rodada de Negócios com Empresárias Turcas. Foto: Helcio Nagamine

Da esq. p/ dir.: consul Mehmet Özgün Arman, Elias Miguel Haddad, Yuksel Nalbant e Guray Sirkecioglu. Foto: Helcio Nagamine

“Países com as dimensões territoriais e com os históricos desafios de desenvolvimento, como o Brasil e a Turquia, podem e devem trabalhar unidos para a busca da desejada prosperidade econômica”, salientou Haddad.

De acordo com o presidente da Associação Empresarial Brasil-Turquia (ASEBT), Güray Sirkecioglu, a Fiesp é pioneira nas relações comerciais entre Brasil e Turquia. A oportunidade de investimento no Brasil, segundo ele, é de 200 bilhões de dólares, o que torna o país um polo acessível aos empresários turcos.

Também participaram do evento o diretor-titular-adjunto do Derex, Antonio Fernando Guimarães Bessa; o cônsul geral da Turquia em São Paulo, Mehmet Özgün Arman; e a vice-presidente da Confederação de Industriais e Empresários da Turquia (Tuskon), Yuksel Nalbant.

Pesquisa da Fiesp revela que 73% das empresas investem em educação

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Eliane Belfort, diretora-titular do Cores/Fiesp, divuga pesquisa na 5ª Mostra de Responsabiidade Socioambiental

A pesquisa “Rumos da Indústria Paulista”, elaborada pela Fiesp e divulgada nesta segunda-feira (21), apurou que 73% das 290 empresas ouvidas em setembro investem em algum programa de educação.

Os dados foram levantados pelo Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiespe anunciados pela diretora-titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da entidade, Eliane Belfort, durante a  5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.
“Estamos muito satisfeitos ao analisar essa pesquisa e nos darmos conta da grande evolução, não só visando ao crescimento das empresas, mas à consciência de que o desenvolvimento sustentável só se dá com o desenvolvimento social acompanhado do crescimento econômico”, afirmou Belfort na abertura da Mostra que traz este ano o tema “Desenvolvimento Social e Resultado Econômico”.

O estudo, encomendado pelo Cores, apurou que o principal programa de educação, realizado por 74% das companhias entrevistadas, foi a formação profissional/qualificação da mão de obra. Outra iniciativa citada por 70% das empresas é o fornecimento de subsídios para a elevação no nível educacional ou aprimoramento profissional de funcionários.

Igualdade de gênero

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Ministra Iriny Lopes, secretária de Políticas para Mulheres da Presidência da República

De acordo com a pesquisa “Rumos da Indústria Paulista”, 61% das empresas que responderam ao questionário afirmaram que promovem a igualdade entre os gêneros e a autonomia das mulheres dentro ou fora da organização.

As principais práticas de igualdade entre gêneros utilizadas pelas empresas são: observância da igualdade salarial entre homens e mulheres (90%) e observância da igualdade de homens e mulheres em cargos executivos (58%).

A ministra Iriny Lopes, secretária de Políticas para Mulheres da Presidência da República, se mostrou otimista quanto ao futuro das mulheres no Brasil. “Temos muito a fazer, mas já conquistamos muitas coisas. Hoje somos dirigidos por uma mulher que tem mostrado competência”, destacou. “Eu acho que o nosso futuro não vai vir de graça, nós teremos que conquistá-lo. Mas estamos no caminho certo e a Fiesp, essa Mostra e esse debate são uma contribuição inestimável para esse processo”, afirmou Iriny Lopes.

As empresas foram ouvidas pelo Depecon entre os dias 9 e 23 de setembro e separadas entre os seguintes grupos: micro/pequenas com até 99 empregados (56%), médias com 100 a 499 empregados (32%) e grandes com 500 empregados ou mais (12%).

Segundo o estudo, 17% delas não realizam programas sociais, 59% realizam programas sociais para contribuir com o desenvolvimento social, 54% realizam programas sociais para atender a missão ou os valores da organização enquanto outras 36% promover projetos sociais para fortalecer a imagem de sua empresa.

Para ler a pesquisa na íntegra, clique aqui.

Mostra

A 5ª Mostra de Responsabilidade Social da Fiesp começou na manhã desta segunda-feira (21) e, até quarta-feira (23), receberá autoridades e executivos para debaterem a apresentarem casos de sucesso voltados ao desenvolvimento social e econômico.

“O objetivo nessa Mostra é apresentar à sociedade as ações empresariais de responsabilidade socioambiental”, afirmou Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente e diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. “E isso não é só questão de custos. Pelo contrário, gera competitividade para essa empresa, a qual estará mais motivada a penetrar no mercado e nos espaços nos quais atua.”