Artigo: Mulheres Líderes – Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

——————————————————————————————————————————

Por Silvia Fazio*

No mundo inteiro, o preconceito ainda é apontado como principal barreira para o acesso de mulheres aos cargos de presidentes, vice-presidentes, conselheiras e demais cargos de liderança em grandes empresas de atuação internacional. Outra causa citada por grandes especialistas é a falta de estimulo recebida pela própria mulher para ambicionar posições de liderança – muitas vezes gerada por fatores socioculturais, que prescindem à capacidade e ao conhecimento. Diversas pesquisas internacionais demonstram que o termo “ambicioso” juntamente com o termo “bem sucedido” é geralmente visto como uma virtude nos homens, enquanto que, em muitas sociedades do mundo, incluindo sociedades altamente desenvolvidas, esses termos quando combinados e aplicados à mulher, possuem uma conotação social negativa.

Por outro lado, crescem pesquisas em todo o mundo que apontam as diferenças e qualidades femininas como um valor imensurável a ser agregado a posições de liderança, tanto no ambiente de negócios, como na esfera política. Vários estudos apontam certas características fundamentais para posições de liderança como habilidades naturalmente femininas. Entre elas a inteligência emocional, empatia, resiliência, comprometimento e capacidade de avaliar consequências.

Nesse contexto, estatísticas demonstram que o momento para lançar uma organização internacional, voltada exclusivamente para causas que envolvam a mulher, não poderia ser mais oportuno. A proporção de mulheres ocupando cargos de liderança aumentou consideravelmente entre 2012 e 2013, de 9% para 14% em todo o mundo. Interessantemente, a proporção cresceu ainda mais em países emergentes, como o Brasil, que teve um crescimento de 3% para 14%. A China foi o país com o maior salto, de 25% para 51% na participação em apenas um ano.

Para ampliar essa discussão, chega ao Brasil a W.I.L.L (Associação Internacional de Negócios para Mulheres Latino-Americanas). Mais do que um fórum de debates entre mulheres lideres, a W.I.L.L. surge com o ambicioso objetivo de criar uma organização para as causas que envolvam a mulher nos países da América Latina. Trata-se de uma iniciativa pioneira, visto que até o momento a região, apesar de ter crescido substancialmente do ponto de vista econômico e social nas últimas décadas, ainda apresenta poucas iniciativas por parte da sociedade civil, voltadas especificamente à mulher.

A missão da W.I.L.L. é voltar os olhos para a América Latina com o objetivo de estimular o desenvolvimento socioeconômico da mulher em todos os níveis sociais e funcionar como um vetor, favorecendo um ambiente de inclusão da mulher no mercado de trabalho e alertando sociedades Latino-Americanas a reconhecer o merecimento feminino, onde e quando ele é devido.

O lançamento da W.I.L.L no Brasil vem apoiar e promover o desenvolvimento das carreiras das mulheres, além de estimular empresas sediadas em países latino-americanos a implantar programas relacionados às mulheres e negócios, promovendo o intercâmbio de melhores práticas entre organizações nacionais e internacionais.

O evento, que acontecerá dia 10 de abril na sede da FIESP, além de emblemático e imensurável será uma demonstração de maturidade do setor industrial paulista e brasileiro e da sociedade civil brasileira como um todo.

Além de uma ocasião para celebrar, o lançamento promoverá também o debate “Mulheres Líderes: Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro”, com grandes expoentes femininos do mercado nacional.  O objetivo do debate será ilustrar conquistas já realizadas e intensificar as discussões a respeito de grandes desafios a serem enfrentados pela mulher no mercado de trabalho brasileiro.

Venha celebrar com a gente! Inscreva-se – http://migre.me/ivBLK

* Silvia Fazio é especialista em direito internacional e a primeira advogada brasileira a ser admitida como sócia de um escritório de advocacia londrino.