Iniciativas Sustentáveis: Whirlpool – empreendedorismo feminino em foco

Por Karen Pegorari Silveira

Enquanto muitas empresas desconhecem a utilização dos incentivos fiscais, que destinam parte do seu imposto de renda para instituições, outras aproveitam o estímulo do governo para criar programas sociais que impactam a vida de milhares de pessoas, como é o caso da Whirlpool, fabricante dos eletrodomésticos das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid.

A Whirlpool concentra seus investimentos sociais no empreendedorismo feminino (seu principal consumidor), por meio do Instituto Consulado da Mulher, organização social patrocinada pela empresa e associada à marca Consul, que visa fomentar o empreendedorismo feminino e a geração de renda junto a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Os empreendimentos sociais assessorados estão localizados em 71 cidades, de 20 estados brasileiros. Nas regiões onde a Whirlpool tem fábrica, o Consulado atua diretamente, por meio do programa Mulher Empreendedora; nas demais localidades, a mesma metodologia é replicada por organizações sociais parceiras, que prestam assessoria aos empreendimentos populares por meio do programa Usinas do Trabalho.

Em média, cada empreendimento é assessorado por dois anos, prazo necessário para conquistar autonomia e independência financeira. Nesse período, as empreendedoras adquirem conhecimentos essenciais para gerir suas atividades com consistência e sustentabilidade, com base em princípios da economia solidária, equidade de e comércio justo.

A metodologia desenvolvida pelo Consulado é reconhecida como “tecnologia social” pela Fundação Banco do Brasil e Unesco, e foi sistematizada em 2012 em um guia básico de assessoria a empreendimentos populares e solidários.

O Consulado da Mulher já beneficiou mais de 33 mil pessoas, sendo 95% mulheres. Em 2013 e 2014, apoiou mais de 100 empreendimentos populares, que geraram faturamento conjunto de R$ 13,2 milhões. Além do Consulado, há outras instituições que apoiamos, como o GRAAC, APAE, Hospital Pequeno Príncipe, dentre outros.

A empresa utiliza ainda as Leis de Incentivos Federais, como Rouanet (Cultura), Esporte, Pronon (Saúde) e Fumcad (Criança e Adolescente) e Dedução Fiscal de doações para OSCIPs.

O gerente-geral de Sustentabilidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente e Assuntos Regulatórios da Whirlpool, Vanderlei Niehues, conta que o conceito de sustentabilidade, que inclui o viés social está incorporado como pilar do negócio na Whirlpool. “A sustentabilidade faz parte dos valores da companhia e está inserida em todos os processos, práticas e produtos desenvolvidos. Assim, a Whirlpool atrai pessoas com essa mesma consciência e forma uma equipe integrada e orientada para a sustentabilidade, prezando pela ética, transparência e respeito mútuo. Uma vez internalizada essa cultura, a empresa consegue transpor esses seus valores para a comunidade, engajar as pessoas e prover soluções que tornam a vida das pessoas melhores, contribuindo também com a reputação positiva e a perenidade do negócio”, explica, Niehues.

Entre outras iniciativas implantadas pela empresa, estão os projetos ambientais de uso racional da água, que já proporcionou o reaproveitamento de 428 mil m³ de água nos últimos dois anos e o Programa Zero Resíduo, que eliminou o envio de resíduos industriais para aterro nas fábricas.

Sobre a Whirlpool

Dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, é líder do mercado latino-americano de eletrodomésticos. Atualmente, conta com cerca de 11 mil funcionários distribuídos entre o centro administrativo e as fábricas localizadas em Joinville (Santa Catarina), Manaus (Amazonas) e Rio Claro (São Paulo), além de 23 laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento e quatro Centros de Tecnologia.

(27/10/2015)

‘Quem manda no mundo é quem tem conhecimento’, diz presidente do Magazine Luiza

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Se você educa uma mulher, educa uma nação”. As palavras da embaixadora e diretora titular adjunta do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Maria Celina de Azevedo Rodrigues, deram o tom do debate que viria a seguir na noite desta quinta-feira (10/04), na sede da entidade, em São Paulo. Na ocasião, foi feito o realizado o seminário “Mulheres Líderes: Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro”, por conta do lançamento da organização Women in Leadership in Latin America (Will) ou “mulheres em liderança na América Latina”, em tradução livre.

Assim, não faltaram personalidades destacadas nas mais variadas áreas para discutir as possibilidades e as barreiras à ascensão feminina no Brasil e no mundo. Além de Maria Celina, apresentaram as suas ideias a diretora-presidente da Will no país, Silvia Fazio, e a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano. O evento teve moderação da jornalista Monica Waldvogel e contou ainda com a participação de um time de dez debatedoras que reuniu pesos pesados do empreendedorismo nacional como Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree Towers, e Marise Barroso, presidente da Masisa, multinacional de produção e comercialização de painéis de madeira.

O evento teve o apoio ainda do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp.

“O Will é uma organização não governamental que tem como objetivo promover a excelência profissional da mulher latino-americana”, explicou Silvia Fazio. “E discutir os desafios femininos para atingir posições de liderança”.

Silvia: ação para promover a excelência profissional da mulher latino-americana. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Silvia: ação para promover a excelência profissional da mulher latino-americana. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para Silvia, as mulheres precisam se afirmar e “mudar as suas posturas para uma posição de conquista”.

Ela também uma apoiadora de uma maior assertividade da mulher, Maria Celina lembrou que o Brasil perde “20% das suas diplomadas, que terminam não indo para o mercado”. “E essa saída se dá também por falta de apoio e de infraestrutura para exercer outras atividades além do trabalho”, afirmou ela, que representou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no encontro.

Verdade, transparência e simplicidade

Palestrante da noite, a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, destacou que às mulheres foi permitido o desenvolvimento de habilidades muito importantes nas empresas no século 21. “Quem manda no mundo hoje é quem tem conhecimento”, disse. “E o jeito feminino de ser e agir tem tudo a ver com esse mundo novo”.

Maria Celina: falta de apoio às mulheres no mercado de trabalho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Maria Celina: falta de apoio às mulheres no mercado de trabalho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Luiza,  nunca se falou tanto de “verdade, transparência e simplicidade”. “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens e essas atribuições valorizadas hoje são típicas das mulheres”, explicou.

Defensora das cotas para aumentar a participação feminina em searas como os conselhos de administração das empresas, ela lembrou que, há dez anos, o percentual de executivas nesses órgãos não passa de 7% no Brasil. “Nesse ritmo, nossas bisnetas não vão chegar nem a 12% de participação”, disse.

Luiza destacou ainda o trabalho do grupo Mulheres do Brasil, que reúne 120 executivas e empreendedoras de todas as partes do país que se encontram mensalmente para discutir questões ligadas ao feminino. “Somos apartidárias e temos como meta a apresentação de uma agenda propositiva, não queremos só reclamar”, explicou. “Movimentos como esses ajudam o Brasil e por isso são muito bem-vindos”.

Luiza: “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Luiza: “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Show das poderosas – Confira os destaques da participação das dez debatedoras presentes ao seminário na Fiesp:

“Há 30 anos, uma mulher saindo sozinha de um hotel tinha que ouvir que estava tendo um caso com alguém”.

“Já ouvi que a mulher gosta de cuidar do corpo porque é lá que está o seu espírito”.

Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree Towers

“É preciso aceitar desafios, ter flexibilidade e acreditar que é capaz”.

“A mulher tem que abandonar a culpa”.

Andrea Alvares, diretora geral da unidade de negócios de Snacks da Pepsico no Brasil

“Não mudei o meu jeito de ser por conviver com muitos homens”.

“Grande parte das barreiras e do preconceito vêm das próprias mulheres. Nós como mães temos a função de criar homens e mulheres melhores”.

Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica)

“As empresas grandes sabem que têm que investir nas mulheres”.

Rosely Ugolini, diretora da Inarco Troféus

“Pouco se fala do maior benefício da equidade, que é o equilíbrio. Vivemos num mundo regido por valores masculinos”.

“A empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, é típica do feminino”.

Marise Barroso, presidente da Masisa

“No conselho administrativo do BB Seguridade, temos duas conselheiras para um total de seis membros na equipe. Somos uma luz no fim do túnel”.

“A preocupação das mulheres com a transparência é muito maior”.

Ângela Beatriz de Assis, diretora executiva do BB Seguridade, do Banco do Brasil

“Eu sentava na mesa de operações para trabalhar e dava um pulinho a cada vez que ouvia um palavrão, mas seguia em frente”.

Luciane Ribeiro, CEO do Santander Brasil Asset Management

“O equilíbrio é muito importante. Ninguém quer tomar o lugar dos homens, a gente tem é que complementar”.

Vania Sommavile, diretora executiva da Vale

“É possível ter funcionários com horários flexíveis, as empresas são feitas de gente”.

“Com uma gestão participativa, é possível criar uma série de medidas para facilitar a vida das funcionárias com filhos”.

Gloria Braga, CEO do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad)

“Vai ser cada vez mais natural no mercado ocuparmos posições de liderança”.

Camila Araújo, sócia líder do Centro de Governança Corporativa da Deloitte e do Comitê Growth

Da esquerda para a direita: Monica, Silvia, Maria Celina e Luiza no lançamento do Will. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A partir da esquerda: Monica, Silvia, Maria Celina e Luiza no lançamento do Will. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

 

Cartilha da mulher presa

 

 

 

 

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Conciliar trabalho e família ainda é um problema da mulher

Agência Indusnet Fiesp,

Eliane Belfort, diretora do Comitê e vice-presidente do Conselho de Responsabilidade Social da Fiesp

Eliane Belfort, diretora-titutal do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, ficou feliz com a presença de muitos homens na plateia, ao abrir a mesa-redonda: “O desafio de conciliar trabalho e família”, nesta terça-feira (24), primeiro dia da Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental , que segue até quinta-feira (26).

É que essa questão afeta muito mais a mulher do que o homem. Ela lembrou que hoje, mais do que inserida, a mulher está sendo disputada pelo mercado de trabalho, mas encontra dificuldade em conciliar a vida profissional com a familiar.

A própria legislação que protege a mulher pode ter efeito contrário. A licença-maternidade, expandida para seis meses pelas empresas-cidadãs, muitas vezes acaba sendo um fator negativo para as mulheres em idade reprodutiva, no momento de disputar uma vaga no mercado de trabalho.

“Nós perdemos uma grande oportunidade de avançar socialmente com esta lei, que deveria beneficiar igualmente homens e mulheres, como ocorre em outros países. Com isso, o homem teria a oportunidade de desenvolver melhor os laços familiares”, argumentou Belfort.


Diferença salarial
A Dra. Fabíola Marques, da Comissão da Mulher Advogada OAB São Paulo, lembrou que neste ano, em que se comemora o centenário da instituição do Dia Internacional da Mulher, há avanços a comemorar, mas muitos desafios a serem vencidos. “Há um século, a diferença salarial a favor dos homens era de 60%. Hoje, esta diferença é de 30%”, sublinhou.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as diferenças não ocorrem apenas na remuneração: trabalhadores de ambos os sexos trabalham, em média, 44 horas semanais. As mulheres enfrentam uma segunda jornada de cerca de 35 horas semanais, dedicadas a afazeres domésticos e cuidados com os filhos, contra cinco horas dos homens, que usam esse tempo para pequenos consertos.

“Chegou o momento de dividir responsabilidades em casa para que a mulher possa dedicar-se ao trabalho em igualdade de condições com o homem”, defendeu a advogada.


Projeto familiar adiado
Para a cirugiã plástica Valéria Leal, a dificuldade em conciliar trabalho e família resulta em casamento e maternidade tardios: “A mulher só se permite construir uma família quando está com a carreira encaminhada e tem independência financeira. E para continuar trabalhando, precisa sempre contar com o apoio do marido”.


Novas formas de convivência
Dividir as responsabilidades familiares com o companheiro é o primeiro passo para enfrentar a questão, segundo a advogada responsável pelo Departamento Legal da Dupont do Brasil, Fabiana K. Leschziner. Além disso, disse a especialista, a família precisa repensar as formas de convivência, pensar na divisão de tarefas como algo agradável e aproveitar, de fato, o tempo que as pessoas passam juntas.

“A TV e o computador devem ser substituídos por conversas, jogos, passeios, tudo o que proporcione aproximação. Novas tecnologias também podem ser usadas em benefício da mulher, que, dependendo da área de atuação, pode realizar trabalhos em casa e dispensar maior atenção à família”, pontuou.

Na avaliação de Fabiana Leschziner, as empresas só tem a ganhar com funcionárias que tenham uma vida familiar bem resolvida: “Quem está bem, produz mais e melhor”.

As participantes da mesa-redonda chegaram ao consenso de que a mulher não deve abrir mão de ser bem-sucedida em nenhum dos seus papéis. Participar da reunião da escola do filho ou de uma consulta médica não compromete seu desempenho profissional.


Diálogo é fundamental
Rosa Ramos, diretora do Cores que idealizou e organizou o debate, gostou muito do resultado. E concluiu: “Tudo depende de uma tomada de posição das mulheres. A conciliação de trabalho e família só será possível com muito diálogo”.