Potencial de crescimento do setor aéreo brasileiro em debate no Workshop de Infraestrutura Logística da Fiesp

Amanda Viana e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As mudanças no setor aéreo, novas concessões e soluções foram os temas debatidos no painel da tarde do Workshop de Infraestrutura Logística, realizado na sede da Federação das Empresas do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta terça-feira (24/05). A moderação do painel ficou a cargo de Mozart Alemão, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

Abrindo a discussão, Rogério Benevides, consultor especial da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) afirmou que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, o potencial de crescimento é muito grande. “Acreditamos que podemos ter mais pessoas voando, passando de 200 milhões para 400 milhões de passageiros embarcando e desembarcando em um curto espaço de tempo”, explicou.

Para que esse crescimento ocorra, no entanto, Benevides afirmou que deve existir um desenvolvimento mínimo do País, com crescimento econômico consolidado e uma certa previsibilidade nos investimentos. “Precisamos de política monetária e cambial adequadas, de um desenvolvimento consistente”, afirmou.

Entre os principais desafios, Benevides citou problemas de barreira de entrada, política cambial, variação do dólar, imposto, ICMS sobre combustível, reajuste das tarifas operacionais e taxa aeroportuária, aumento dos custos trabalhistas e formação de preços limitada para as tarifas. Mesmo assim, acredita que o Brasil pode crescer no setor a médio e longo prazo.

“O transporte aéreo nacional é um ativo da sociedade brasileira, faz parte da vida de qualquer cidadão. Precisamos entender esse segmento e torná-lo cada vez mais acessível”, disse.

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O Workshop de Infraestrutura Logística realizado na Fiesp: potencial de crescimento do setor aéreo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Nessa linha, Wagner Silli, administrador de aeroportos do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), apontou  alguns desafios das concessões no setor aeroportuário, estrutura da Daesp e possibilidades futuras de novas concessões. Silli citou terminais que devem ser concessionados no interior do estado de São Paulo para o ano que vem, nas cidades de Araçatuba, Bauru, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto.

Sobre algumas questões e dificuldades dos concessionários, ele citou o desafio em desenvolver grandes negócios, investimento em infraestrutura, manutenção do modal aeroportuário, legislação, novas parcerias no desenvolvimento, certificação, manutenção, entre outros. “Os aeroportos do estado de São Paulo, por terem estrutura pequena, não conseguem se desenvolver no ritmo necessário diante das oportunidades que surgem”, disse.

Mais recursos para o governo

Dando continuidade ao debate sobre as mudanças no setor aéreo, o assessor especial da presidência da Infraero, Mauro Lima, destacou a operação da empresa, com 60 aeroportos no país e tendo administrado um fluxo de 112,3 milhões de passageiros embarcados, desembarcados e tendo passado por conexões em 2015.

Segundo Lima, foi priorizada a concessão de aeroportos maiores, para gerar maior arrecadação, e destinar mais recursos ao governo, num total de R$ 4 bilhões por ano. “As concessões trouxeram uma melhoria na infraestrutura dos terminais”, explicou.

Hoje, a Infraero tem quatro aeroportos que podem ser alvo de concessões. “Precisamos criar condições para que a Infraero possa fazer as concessões com segurança”, disse.

Entre medidas para a recuperação da Infraero de quaisquer perdas com as concessões, de acordo com Lima, a Medida Provisória 714 altera as legislações nos aeroportos. E fala de pontos como a abertura de capital e o destino de algumas receitas, entre outros.

Integração pelos ares

Vice-presidente comercial e de marketing da Modern Logistics, Adalberto Febeliano destacou o transporte aéreo de cargas no Brasil. Segundo ele, dois terços do total transportado pelos ares envolve cargas internacionais e um terço cargas domésticas. “Considerando que o modal ferroviário inexiste no País, esse dado chama a atenção”, explicou. “A participação do transporte de cargas é muito pequena, temos um potencial grande de exploração na área”, disse. “O Brasil depende do modal aéreo para se integrar”.