Para Maurice Strong, países e empresas devem olhar suas práticas internas e buscar eficiência

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta terça-feira (27/11), a reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), contou com a presença de Maurice Strong,  especialista e personalidade mundial nos assuntos ambientais e de sustentabilidade.

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, ressaltou o quão extraordinário é receber nesse conselho alguém com esse histórico.

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Da esq. p/ dir.: Celso Monteiro de Carvalho, Adhemar Bahadian, Walter Lazzarini, Maurice Strong, Warwick Manfrinato, Nelson Pereira dos Reis, Eduardo San Martin, durante reunião do Cosema que debateu "O Futuro que queremos - Da Rio-92 à Rio+20 - a Evolucao da Sustentabilidade no Brasil". Foto: Helcio Nagamine

Strong foi o articulador e secretário geral das Conferências da ONU sobre o Meio Ambiente,  e também quem usou pela primeira vez, em 1973,  o conceito de ecodesenvolvimento trazendo  uma concepção alternativa de política de desenvolvimento. Atualmente, é consultor em Desenvolvimento Sustentável do governo chinês e de países asiáticos.

Lazzarini comentou a agenda intensa que Strong teve com empresários paulistas desde ontem, com uma reunião na União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), e um encontro com CEOs de empresas. Ainda hoje, o especialista realiza uma aula-magna aberta ao público, na sede da Fiesp.

“Sobre o tema Sustentabilidade, ninguém melhor do que ele teria condições de nos informar o que vem sendo feito e o que nos espera para o futuro”, sublinhou o presidente do Cosema.

Agradecendo o convite recebido pela Fiesp, Maurice Strong, disse ser “uma figura do passado”. Mas afirmou que o que mais lhe dá prazer é estar com as pessoas que vão determinar o futuro. “Não estou aqui para ensinar muito, mas para encorajá-los a fazer isso.”

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Maurice Strong: 'O Brasil tem um papel de liderança em movimentos ambientais'. Foto: Helcio Nagamine

Referindo-se ao fato de o Brasil ter sediado duas Conferências Mundiais (a Eco 92 e a Rio+20), Strong citou um detalhe curioso: “Em 1972, o Brasil foi contrário à primeira conferência mundial, em Estocolmo. Chegou a participar da Conferência, mas inicialmente pensou em boicotá-la. Atualmente, além de ter sediado duas Conferências Mundiais de Meio Ambiente, o país tem um papel de liderança em movimentos ambientais”.

Sustentabilidade e negócios

Para Maurice Strong, sustentabilidade e negócios estão interligados intrinsecamente.  “A sustentabilidade não pode ser alcançada a não ser que as empresas adentrem nesse caminho”. Ele relembrou que, no Canadá, quando atuava no setor energético e minérios, era muito criticado por exigir que os projetos fossem acompanhados sempre por relatórios de sustentabilidade. E, hoje, isso já se tornou um hábito assimilado por todos.

Como atual consultor em Desenvolvimento Sustentável do governo chinês e de países asiáticos, Maurice destacou a complementariedade das economias brasileiras e chinesas. “Um dos interesses da China no Brasil é na área do etanol. Não exatamente na exportação do produto, mas na questão de tecnologia.”

Foco na eficiência

Uma questão vital para a sustentabilidade, segundo Maurice Strong , é a eficiência. “Não exatamente a eficiência energética, mas a eficiência do sistema industrial”, afirmou. “A eficiência melhora a rentabilidade das empresas, mas também ajuda muito a sustentabilidade”.

Segundo ele, são os líderes industriais que podem fazer a diferença: “Eles precisam de políticas ambientais que deem apoio nisso, mas são eles que têm que tomar a iniciativa de liderança. Eu acredito que cada país e cada empresa deve olhar suas práticas internas e pensar em que podem se tornar mais eficientes”.

Strong na Rio 92

O ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Fábio Feldman, também presente na reunião do Cosema, comentou que muitos avanços obtidos durante a Rio 92 foram pela liderança de Maurice Strong, que também foi o primeiro diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Entre as conquistas, ele destacou a participação da sociedade civil e ONGs nos debates, a partir dessa Conferência. “‘Eu acredito que Maurice Strong fez falta na Rio+20. Teríamos avançado muito mais com a presença dele. Faltou a liderança de uma pessoa como ele.”

Veja  algumas frases de Maurice Strong, durante a reunião do Cosema:

Grandes cidades

“É nas cidades que as civilizações começam. Portanto, é nas cidades que devem se iniciar as grandes mudanças. Fico feliz de estar aqui em São Paulo. O fato de estarmos aqui, hoje, dialogando sobre sustentabilidade é sinal que São Paulo já está fazendo sua parte. “

Etanol e a China

“Sei que devemos fazer uma transição na economia mundial se queremos a sustentabilidade. E o etanol tem um papel importante nisso. Há espaço suficiente de uma empresa de etanol na China, e nesse sentido o Brasil tem muito a contribuir com sua tecnologia”

“Eu pessoalmente acho que o etanol tem um papel importante. Além disso , o Brasil pode também ser um país líder em energia renovável”.

Mudanças do Clima

“Infelizmente, estamos mudando os parâmetros dentre os quais a vida humana é sustentável. E muitas pessoas e países ainda ignoram esse fato. É quase certeza que se não tomarmos uma atitude agora, algo pior irá acontecer. Mas somos responsáveis para mudarmos isso. É uma pena que muitos países ainda ignorem isso, inclusive o Canadá”.

“A China, apontada como um grande emissor de gases de efeitos estufa, que já percebeu os impactos nas geleiras do Himalaia e também problemas como poluição das águas e atmosférica. Por isso, hoje eles estão dando muita prioridade aos carros elétricos.

Futuras gerações

“As gerações  que vão nos seguir terão que lidar com a situação que nós estamos criando.”

“Somos arquitetos do nosso futuro. Pela primeira vez na história da humanidade, somos responsáveis pelo futuro nosso e de nossos filhos e netos.  Acredito que esse é um problema de sobrevivência. E não podemos fazer nada sozinhos.”

Fiesp contribui ao promover eventos frequentes e esclarecer dúvidas sobre mudança do clima

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Câmara Ambiental da Indústria Paulista (Caip) realizou sua última reunião do ano nesta quinta-feira (15). Um dos objetivos foi fazer um balanço das atividades do setor produtivo, os avanços obtidos entre 2005 e 2011, e também dos trabalhos desenvolvidos pelos Grupos de Trabalhos constituídos, entre eles, os de Acordos Setoriais e Áreas Contaminadas [regulamentação da Lei nº 13.577/2009].

Em 2010, foi criado comitê orientador de acordos setoriais, no âmbito federal, com a constituição de cinco Grupos Técnicos de Trabalho (GTTs). Em Brasília, estão em funcionamento os GTTs de óleos lubrificantes e embalagens, lâmpadas, equipamentos eletroeletrônicos, medicamentos e embalagens em geral.

Já existe minuta de edital de chamamento para os setores de óleos, lâmpadas e resíduos eletroeletrônicos. Nesta semana, foi apresentado estudo de viabilidade técnica e econômica para a logística reversa do setor de medicamentos e uma proposta de modelo para embalagens.

Cenários distintos

No debate, os participantes ressaltaram as duas realidades existentes no Brasil. Enquanto o desmatamento responde pela maior parte das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no país, o transporte domina com quase 60%, no estado de São Paulo, em contraponto à indústria com 14,7% no total, segundo o primeiro inventário estadual de GEE, divulgado este ano pela Cetesb e Secretaria do Meio Ambiente. No âmbito nacional, a indústria contribui com 3,5%.

A Política Nacional de Mudanças Climáticas, que prevê a elaboração de planos setoriais, é ponto de atenção da área produtiva e é acompanhada de perto nos últimos anos. A Política inclui setores de mineração, papel e celulose, transporte, indústria química e de transformação, entre outros, cujos relatórios finais deverão ser entregues em março de 2012. No entanto, os setores entregaram seus relatórios preliminares, em dezembro.

Contribuição da Fiesp

Os setores produtivos estão comprometidos com todas as discussões que envolvem o meio ambiente. A Fiesp desenvolveu ao longo do ano diversos eventos e oficinas de esclarecimento sobre a Mudança do Clima e a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e dialoga com os governos municipal, estadual e federal.

Além do mais, a Fiesp participa de grupo integrado também pelas Secretarias de Desenvolvimento e de Energia a fim de avaliar as metas obrigatórias no Estado. A federação quer dar sua contribuição com avaliações técnicas e deverá elaborar trabalho conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Em nível municipal, será elaborado o segundo inventário de emissões, a ser lançado em 2012, que traz como novidade a entrada dos processos industriais na avaliação. O primeiro inventário foi feito em 2005, com dados de 2003.

Publicação

No intuito de orientar o setor produtivo, o Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp reuniu em uma publicação perguntas e respostas frequentes sobre mudança do clima e leis e documentos.

Delegação da Fiesp vislumbra acordo ao final da Conferência do Clima

Lucas Alves, de Durban, África do Sul, para Agência Indusnet Fiesp

A delegação da Fiesp que acompanha as negociações do clima em Durban visualiza um resultado positivo no encerramento da COP17, nesta sexta-feira (9). Até o momento, existem duas grandes linhas de discussões que levarão à criação de um acordo, possivelmente nos moldes do Plano de Ação de Bali (2007).

Para a delegação da Fiesp, formada por três técnicos e pelo diretor de Infraestrutura, Carlos Cavalcanti, este possível plano aponta para o estabelecimento de diretrizes e regras para um período de transição onde será negociado um grande acordo, com a participação de todos os países que terão obrigações a cumprir a partir de 2020.

Nesta quinta-feira (8), o Brasil defendeu, por meio de discurso da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a continuidade do Protocolo de Quioto (no período de transição) e que um novo acordo a partir de 2020 seja legalmente vinculante. Isso significa dizer que, neste novo entendimento, os países terão metas obrigatórias de redução de gases de efeito estufa.

As duas grandes linhas de discussão que podem gerar este acordo são:

  • Prorrogação do mandato dos grupos de trabalho de Compromissos de Longo de Prazo (AWG-LCA, em inglês) e do Protocolo de Quioto (AWG-KP), conforme proposta da União Europeia. Para que seja negociado um novo acordo em que os países desenvolvidos e aqueles em alto grau de industrialização (como o Brasil e China) teriam compromissos vinculantes. Os demais países assumiriam compromissos voluntários para serem cumpridos após 2020 e, paralelamente, seria viabilizado o Fundo Verde do Clima para financiar ações de adaptação nos países com baixo grau de industrialização, de 2012 a 2020.

  • A segunda opção, mais viável no momento e que está sendo defendida pelo Brasil é a prorrogação do mandato do Protocolo de Kioto para 2020, e, ainda nesta década, seria negociado um novo grande acordo onde todos os países terão obrigações legalmente obrigatórias a serem cumpridas a partir de 2020. Esta proposta tem o apoio também da China, mas alguns países com baixo de grau de industrialização (como a Índia) discordam, pois alegam que a erradicação da pobreza não tem o mesmo alcance que em países como o Brasil e China. Desta maneira, eles teriam obrigações sem estarem emitindo GEE intensivamente.

Consenso

Entretanto, a delegação da Fiesp entende que qualquer uma das propostas que estão na mesa podem apresentar dúvidas quanto à sua eficiência na manutenção da integridade ambiental do planeta, conforme, os princípios do Protocolo de Quioto.

Isso porque no período de transição, China e Estados Unidos, responsáveis por 52% das emissões globais, ficariam de fora, assim como Japão, Canadá, Rússia e Austrália. A princípio, somente União Europeia (que representa 17% das emissões) é que teria obrigações vinculantes.

A única certeza observada entre os negociadores dos países é que haverá um acordo ao final da COP17, como foi expressado pela secretária da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), Christiana Figueras. Segundo ela, “teremos um plano de negócio para todos os países cumprirem na próxima década”.

Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, alertou que “devemos baixar a expectativa a respeito de um acordo em Durban neste momento, pois os países passam por sérios problemas financeiros, o que impactará nos compromissos adotados ao final da COP17”.

Em Cancun, setor produtivo brasileiro apresenta propostas para combater mudança do clima

Lucas Alves, de Cancun, México, para Agência Indusnet Fiesp

Nesta terça-feira (7), representantes da indústria e da agricultura do Brasil promovem um evento em Cancun, no México, para demonstrar como estão tratando a questão da mudança do clima.

O encontro acontece a partir das 9h30 (hora de Cancun e 13h30 em Brasília), no Cancun Messe, local oficial onde estão ocorrendo os eventos paralelos da 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Cop16), que prossegue até sexta-feira (10).

No primeiro painel serão discutidas ferramentas para redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE). A coordenadora para o Mercado Internacional de Energia da Fiesp, Carolina Lembo, traçará um panorama sobre o setor de energia no Brasil, destacando a participação de fontes renováveis na matriz.

Ela também mostrará como a integração energética na América Latina pode contribuir, de maneira significativa, para a redução de GEE na região, por meio do intercâmbio de experiências bem sucedidas em energias renováveis.

Participam do painel o diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Olavo Machado; o presidente da União das Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank; e a diretora-executiva do Fórum Brasileiro do Setor Elétrico, Silvia Calou.

Investimentos de baixo carbono

No segundo painel, o coordenador da Área de Negociações Internacionais da Fiesp, José Luiz Pimenta Júnior, mostrará as perspectivas de investimentos de baixo carbono no Brasil.

Os setores que estão se adiantado na promoção de aportes para contribuir com as políticas brasileiras de mudança do clima. Também serão apresentados os fundos setoriais já criados que contemplam este novo momento. Ao debate se juntarão o diretor da CNI, Olavo Machado, e a presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth Carvalhaes.

Finalmente, o especialista em Meio Ambiente da Fiesp, Marco Antônio Ramos Caminha, abordará os avanços da indústria brasileira nas questões ambientais e o que as empresas têm feito para reduzir, de maneira voluntária, as emissões dos GEE. Estarão na mesa o representante da Braskem, Jorge Soto, e Erlon Rodrigues, da Fiat Power Train.

Indústria debate manutenção da competitividade

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp 

A Fiesp defende marcos regulatórios nas áreas de resíduos sólidos, mudanças do clima e gestão de recursos hídricos, mas espera que o governo promova amplo debate para elaborar um plano factível de ser implementado.

A avaliação partiu de Nelson Pereira dos Reis, diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, durante o seminário Mudança do Clima e Competitividade da Indústria, realizado na terça-feira (16).

Segundo Reis, há preocupações quanto à manutenção da competitividade e sobre como a indústria deverá lidar com as políticas estadual e federal, que serão implantadas com base no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O documento aguarda a regulamentação por parte do governo Lula e deverá valer já em 2011.

Atualmente, a área de resíduos sólidos também é monitorada por diversas resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), o que gera dúvidas em relação ao cumprimento das variadas normas em vigor.

“Infelizmente, temos um viés equivocado no estado de São Paulo”, apontou o diretor do DMA, lembrando que os demais estados já têm políticas nesse sentido, além de projetos de lei em andamento. “Esse processo resultou de amplas discussões com a sociedade, que ocorreram antes de se adotar mecanismos de controle e estabelecer metas”, salientou Reis.

Cenário futuro

Estudos apresentados pelo diretor do Departamento Brasileiro de Mudanças Climáticas da McKinsey, Marcus Frank, revelam perspectivas para manter a competitividade da indústria nacional.

A pesquisa mostra, por exemplo, que o setor elétrico demandará investimentos significativos para a manutenção do fornecimento e, também, a fim de garantir reservas emergenciais, devido às variações climáticas que impactam o ciclo pluvial.

competitividade também é foco da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), de acordo com o especialista em Projetos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Cássio Marx Rabelo.

Segundo ele, o primeiro macro programa contempla os setores nos quais o Brasil tem liderança e o processo resulta na construção de agendas. “O Brasil depende muito de fontes públicas de financiamento de longo prazo”, esclareceu.

O representante da agência também defendeu as oportunidades surgidas na área de serviços ambientais. Ele apontou formas de se promover o desenvolvimento da indústria, como incentivos fiscais, regulação técnica e econômica, defesa comercial e financiamento.

A ABDI passou a operar em 2005, com o objetivo de articular a política industrial brasileira. Hoje, a Agência faz essa articulação em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Fazenda.

Fiesp se posiciona sobre as discussões da COP16

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

Às vésperas da 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP16), que se realizará a partir de 29 de novembro em Cancun, no México, a Fiesp reuniu, nesta terça-feira (16), autoridades, especialistas, empresários e governo para discutir o assunto.

Na oportunidade, foram divulgados:


“Este encontro de hoje, na Fiesp, tem como objetivo uma reflexão sobre a mudança do clima. Este tema ocupa espaço cada vez maior nas discussões internacionais e nacionais sobre os rumos do desenvolvimento econômico e social”, disse o segundo vice-presidente e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

Ele destacou o protagonismo do setor privado e a necessidade de seu engajamento: “É com esse compromisso que a Fiesp, representante do maior parque industrial brasileiro, acompanha atentamente a questão desde meados de 2009 e participou da COP15, em Copenhague”.

Por envolver diferentes aspectos em sua discussão, na Fiesp, o tema é debatido pelos Departamentos de Competitividade e Tecnologia, Meio Ambiente, Energia, Relações Internacionais e Comércio Exterior e Agronegócio. Juntas, essas áreas compõem o Comitê de Mudanças do Clima.

“A dedicação a esse tema reflete a preocupação da nossa entidade com tais questões e seus impactos na indústria paulista e brasileira. A entidade trabalha para que não se estabeleçam retaliações ou restrições aos nossos produtos no mercado internacional”, salientou Ometto.

Baixo carbono

Ele disse ainda que o País já está em uma economia de baixo carbono, viabilizada por diferenciais expressivos, como a matriz elétrica renovável, o programa de biocombustíveis, os motores flexfuel, redução sistemática das emissões de carbono pelo setor industrial e progressos significativos na diminuição do desmatamento, particularmente na Amazônia.

“Cabe ressaltar que os processos industriais respondem apenas por 3% das emissões brasileiras, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia. Mesmo assim, a indústria preocupa-se com a melhoria do desempenho dos outros setores, no intuito de defender a competitividade do produto brasileiro”, pontuou.