Mudança na alíquota do IOF não causará grandes impactos no câmbio, diz Barral

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

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Welber Barral, secretário de Comércio Exterior. Foto: Vitor Salgado

A mudança da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em investimentos externos de renda fixa, anunciada no início da semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, não trará impactos no câmbio, de acordo com o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.

Segundo ele, essa manobra do governo poderá evitar, de forma bem suave, a desvalorização do real, como aconteceu no primeiro semestre do ano.

Desde a semana passada, a moeda norte-americana vem despencando. Nesta terça-feira (5), o dólar chegou a ser negociado a R$ 1,65, menor cotação desde setembro de 2008, mês do epicentro da crise financeira internacional.

Questionado sobre ações eficazes de contenção cambial, Barral disse que o governo não tem uma “bala de prata” para frear a valorização do real.

Medidas do governo

De acordo com o secretário, o País não deixará de ter uma moeda flutuante e as ações que o governo poderia fazer para conter a baixa do dólar estão sendo feitas, como a flexibilização de remessas para o exterior e o incentivo ao investimento brasileiro no exterior.

“São medidas que geram equilíbrio entre a entrada e saída de capital”, argumentou o secretário, durante reunião do Conselho de Comércio Exterior (Coscex), da Fiesp, nesta terça-feira (5).

Barral também ressaltou que a desvalorização do dólar não ocorre somente no Brasil, mas trata-se de um fenômeno mundial. Só que no País a desvalorização foi quase três vezes maior, em comparação com o resto do mundo.

Estudo do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp mostra que o câmbio brasileiro valorizou em 40% nos últimos cinco anos, quase três vezes mais comparado à média mundial, de 15%.

Para o secretário, um dos maiores inimigos do câmbio brasileiro é o yuan desvalorizado, que distorce o comércio global. Barral explicou que os efeitos desta desvalorização afetam diretamente o Brasil, pois toneladas de commodities são comercializadas com a China, injetando muitos dólares na economia brasileira.

Segundo o secretário, o problema deve ser fortemente discutido em novembro, durante a reunião de cúpula do G-20, em Seul, na Coréia do Sul.