Estudo Fiesp: Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira

Confira o estudo Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira, lançado pela FIESP durante o evento de Mudança do Clima e Segurança Hídrica que ocorreu dia 21 de março, em comemoração ao Dia Mundial da Água.

 

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Apresentações – MUDANÇA DO CLIMA E SEGURANÇA HÍDRICA: REFLEXOS E IMPACTOS PARA A SOCIEDADE

 

Confira abaixo as apresentações realizadas durante o seminário “Mudança do Clima e Segurança Hídrica” que ocorreu na Fiesp no dia 21/03/2017.

 

Lançamento do Estudo FIESP “Mudança do Clima : Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira”

Palestrante: Angelo Costa Gurgel 

 

Lançamento do Estudo FGV – “Simulação de Sistema de Comércio de Emissões

Palestrante: Mariana Nicoleti – Fundação Getúlio Vargas

 

Estratégia e Instrumentos Econômicos Aplicados à Política de Mudança do Clima do Brasil

Palestrante: Jailson de Andrade – Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento – SEPED/MCTIC

 

Painel I – “Adaptação às Mudanças do Clima e a Segurança Hídrica”

 

Palestrante: Alexandre Gross – Coordenador de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da FGV-EAESP

Palestrante: Alexei Macorin Vivan – Diretor Presidente da ABCE

Palestrante: Mário Leopoldo de Pino Neto – Gerente de Sustentabilidade da Braskem

 

Painel II – “Desafios do Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos”

 

Palestrante: Barbara Dunin – Assessora da Rede Brasil do Pacto Global – CBPG

 

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Maior risco exige avaliação aprofundada, mostram na Fiesp especialistas em segurança hídrica

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Alexandre Gross, coordenador de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, participou do painel Adaptação às mudanças do clima e a segurança hídrica, durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para sociedade, promovido nesta terça-feira (21 de março) pela Fiesp. Gross apresentou uma análise de custo-benefício de medidas de adaptação às mudanças climáticas no Brasil.

A análise mostrada foi de uma bacia hidrográfica, a de Piancó-Piranhas-Açu, no Nordeste. A estimativa para 2050 (não são dados reais, ressaltou Gross) é de perda anual de R$ 9 bilhões, mas somente R$ 2,8 bilhões são enxergados sem levar em conta os impactos climáticos. E 90% da perda recai sobre a indústria.

No estudo foram usados 42 cenários independentes, com a montagem de 3 cenários climáticos consensuais. O déficit acumulado, com base no passado, é de 120 m3 por segundo. Com o cenário árido, há mais que o dobro de déficit hídrico (133% a mais). O risco econômico, tradução do déficit hídrico, considerando o clima, quase dobra.

Agora é a fase de avaliação de medidas para responder aos riscos. Podem ser físicas, como construção de reservatórios, informacionais, comportamentais. No caso de indústrias, usou como exemplo, pode ser necessário considerar atividades com menor uso de água. O tema, na verdade, é risco climático e como lidar com ele, explicou. Para o setor hídrico, sempre houve risco, mas ele ficou pior.

Jerson Kelman, presidente da Sabesp, explicou medidas tomadas para reforçar a segurança hídrica no Estado de São Paulo, depois da seca de 2013/14 – que, afirmou, tinha probabilidade de 0,004%, ou seja, de acontecer 1 vez em 250 anos. A pergunta, segundo Kelman, é se a estrutura deve ser preparada para enfrentar a repetição do fenômeno. No Cantareira, a vazão média foi metade da pior situação anterior (10 m³ por segundo, contra 20m³ em 1953 e 40m³ em média normalmente). Decidiu-se pela interligação de sistemas e de mananciais, o que trouxe mais flexibilidade. E foram projetadas obras estruturantes. Quando tudo ficar pronto, disse, parte da estrutura ficará em stand-by, para ser usada quando necessário. São investimentos essenciais para segurança hídrica, afirmou.

Alexei Vivan, diretor-presidente da ABCE, Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica, defendeu postergar e evitar ao máximo os impactos da mudança climática. Há a necessidade de se preparar para algo que não se sabe exatamente quando e como vai ocorrer, disse.

Todo planejamento do SEB, explicou Vivan, é feito com base em séries históricas de cheias, secas, incidência de chuvas e de clima, com as séries estatísticas sendo usadas para planejar o futuro, mas há grande chance de que elas não se repitam devido à mudança climática, afetando a capacidade de pensar no futuro.

A produção brasileira de energia, lembrou, é vulnerável à alteração dos regimes hidrológicos provocada pela mudança climática. A hidroeletricidade responde por 61% da matriz energética do país. Uma primeira recomendação é ter grandes reservatórios para acumulação de água para geração de energia – o contrário da tendência atual, de reservatórios a fio d’água.

É importante lembrar, disse, que a indústria usa energia em seu processo produtivo. Deve pensar em uso de fontes de energia alternativas, novas fontes ou relocação de plantas industriais.

Frisou a importância das diretrizes de governança dos sistemas hídricos – por exemplo, para aumentar a capacidade de resposta das instituições diante de cenários futuros incertos e em mudança. Também afirmou que é importante manter a população informada.

Mario Leopoldo de Pino Neto, gerente de Sustentabilidade da Braskem, falou sobre a evolução do aprendizado na empresa sobre água e clima, preocupações desde sua fundação. O cenário do futuro, disse, é de acirramento da disputa por recursos hídricos entre residências, indústria e irrigação.

Com auxílio do GVCes, a Braskem criou plano de adaptação às mudanças climáticas e está implantando as iniciativas para os seis cenários que afetam a empresa.

Explicou o projeto Aquapolo, parceria da Odebrecht Ambiental com a Sabesp, que fornece, a partir de água de reúso tratada, 97% da demanda da Braskem no ABC, que fica com 60% de tudo que é produzido. E a qualidade é melhor do que a da água anteriormente captada de reservatórios ou fontes subterrâneas. Isso, mais a redução de afluentes e outras medidas, não é o bastante, disse Pino, porque fornecedores em área de risco hídrico e clientes podem afetar a empresa. Era preciso ir além, pensando no nível de bacia hidrográfica. Para reverter a previsão de cenário futuro é preciso integrar setor privado, governo e sociedade.

Pino mostrou ameaças e oportunidades, com cenários como a diminuição das perdas em São Paulo para os 15% considerados viáveis e a criação de mais aquapolos. Se nada for feito, o futuro (20 anos) é de água em falta, com o consumo ultrapassando a produção.

Painel sobre segurança hídrica durante seminário promovido pela Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp lança estudo que mostra impacto no PIB das metas de redução de emissões

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp lançou nesta terça-feira (21 de março) o estudo Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira. A apresentação, a cargo de Angelo Gurgel, professor da FGV, foi feita na sede da Fiesp durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade.

Na abertura do evento, João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp, disse que os fatos, a natureza e a sociedade obrigarão ao enfrentamento da questão climática. Ometto destacou o incentivo dado pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, ao tema ambiental. Em relação ao evento, disse que dele sairiam grandes contribuições.

Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), lembrou do stress hídrico, incluindo os problemas em São Paulo e cerca de 6 anos de seca muito forte no Nordeste. Manifestou preocupação com a situação das agências norte-americanas de proteção ambiental. Todos precisam fazer sua parte, afirmou.

Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, disse que a pauta do evento é muito importante, destacando a discussão sobre gerenciamento de recursos hídricos. Também os instrumentos econômicos atinentes à mudança climática têm grande relevância, disse. O Código Florestal, em sua opinião, vai obrigar ao seu uso. Jardim listou iniciativas do Governo estadual em relação ao agronegócio. O Brasil poderá ter papel de protagonismo na economia de baixo carbono, que virá, afirmou.

Impacto no PIB

Ao apresentar o estudo, Gurgel explicou que a ideia do levantamento é “pôr um pouco mais de ciência neste cenário em que o Brasil se encontra”. O modelo usado para o estudo, personalizado para o Brasil, considera por exemplo a forte presença do etanol e a base florestal do país. Essa modelagem, segundo o pesquisador, vai além do usualmente adotado, considerando a reação de outras economias do mundo.

Se forem adotadas as medidas com que o Brasil se comprometeu na COP de Paris, o modelo mostra que as metas para 2030 seriam atingidas, mas depois disso as emissões voltariam a crescer, caso não sejam tomadas medidas adicionais. Para que isso não aconteça, uma opção é a precificação.

O modelo considerou a precificação de carbono, via tributação e instrumentos de mercado (cap-and-trade). Pela taxação é possível atingir a redução pretendida, com um custo, disse Gurgel. Usando o comércio de créditos de carbono também.

Em 2030 o PIB seria 0,8% menor que se não se tomassem as medidas previstas na COP (cenário business as usual, BAU). Até 2030 a precificação via tributo não muda muito o panorama, mas o impacto negativo no PIB se acelera a partir daí, chegando a uma redução de 6,5% em 2050 em relação ao cenário sem esforço de redução das emissões.

Via cap-and-trade, o PIB seria 3% menor em 2050 que sem a adoção de medidas contra a mudança climática. E se o esforço fosse feito apenas forçando a troca por energia renovável, o PIB seria 19% menor.

Para cada setor da economia há um custo diferente da precificação nos dois casos, tributação e cap-and-trade, de 3 dólares a 60 dólares por tonelada de carbono até 2030, conforme o setor. A proposta levada pelo Brasil a Paris, pelo modelo, parece ter sido bem feito, disse Gurgel, mas a partir de 2030 serão necessárias novas ações. Ele destacou, entre as conclusões do levantamento, que com tributos, o custo de mitigação é elevado. Do ponto de vista de custo-efetividade, um mercado amplo de permissões de emissões (cap-and-trade) tende a ser melhor. A necessidade de haver esforços internacionais coordenados é outra conclusão do estudo da Fiesp. Clique aqui para ter acesso à íntegra do levantamento.

Mesa de abertura do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Simulação com dados reais

Mariana Nicoletti, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, apresentou, também no evento sobre mudança do clima e segurança hídrica, o estudo Simulação de Sistema de Comércio de Emissões. O início do projeto, na FGV, se deu em 2013, como instrumento didático, explicou. A simulação usa dados reais, fornecidos por 30 empresas de diversos setores em 2016, totalizando 60 MtCO2e. A negociação é feita numa plataforma online, da BVRio.

Uma conclusão do estuado, segundo Nicoletti, é que a alocação inicial gratuita (parcial) de permissões baseada em indicador de intensidade carbônica é vista pelas empresas como medida para minimizar impactos da precificação e reconhecer seu esforço (early action).

Também se concluiu que tanto “cap” absoluto quanto relativo são semelhantes. O mais importante é haver comunicação, monitoramento de performance e o ajuste contínuo dos parâmetros. A sinalização de preços estáveis é importante para o planejamento das empresas.

Para 2017 é previsto grupo maior, e serão feitas análises setoriais. Também deve haver aproximação com o Governo, para debate e aprendizado, disse Nicoletti.

Clique aqui para ter acesso às apresentações feitas durante o seminário.

Em preparação para a COP21, Fiesp lança hotsite sobre mudança do clima

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) conta a partir de agora com um site específico voltado às questões climáticas e à atuação do Comitê de Mudança do Clima da entidade, atuante desde 2009.

A exemplo de anos anteriores, a Fiesp contará com equipe técnica que acompanhará a delegação brasileira à COP21, atenta aos debates globais e seus desdobramentos. A COP21 será realizada de 30 de novembro a 11 de dezembro em Paris.

Saiba mais sobre o trabalho desenvolvido pelo setor industrial: www.fiesp.com.br/clima-em-debate.

Conheça o histórico da atuação da Fiesp nas questões climáticas

A Fiesp conta com forte agenda ambiental, impulsionada especialmente a partir da Conferência de Estocolmo, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972, quando foi feita a Declaração Universal do Meio Ambiente.

Em 1973, criou-se uma comissão de meio ambiente na entidade e que resultou no Departamento de Meio Ambiente (DMA) com o objetivo de compreender as questões ambientais e seus reflexos no setor industrial sob os princípios da sustentabilidade.

Em 2009, realizou-se a Conferência do Clima da ONU em Copenhague, na Dinamarca, a COP15. A Fiesp entendeu que era importante adotar estratégia de posicionamento sobre o assunto Mudança do Clima, internalizando ainda mais as discussões ambientais, e criando um Comitê de Mudança do Clima. Em outubro daquele ano foi lançado, em evento, o documento de posicionamento da casa, Mudanças Climáticas: o valor das convergências, com a presença do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. A Fiesp enviou à COP15 uma comitiva de técnicos e diretores do Comitê de Mudança do Clima e, desde então, tem participado de todas as Conferências globais.

O ano de 2012 trouxe um novo marco nos debates ambientais para o setor industrial. Após 20 anos da primeira reunião de chefes de Estado no Rio de Janeiro (a Rio92), o governo brasileiro e a ONU promoveram a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo foi renovar o compromisso político com o desenvolvimento sustentável e contou com dois eixos temáticos: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

A Fiesp e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) se juntaram à Fundação Roberto Marinho e à Prefeitura do Rio para empreender uma iniciativa que foi o principal destaque dos eventos paralelos à conferência, o Humanidade2012. Projeto concebido pela cenógrafa Bia Lessa e pela arquiteta Carla Juaçaba, o pavilhão montado sob o Forte de Copacabana foi a grande atração e por lá passaram mais de 200 mil pessoas durante onze dias de evento. O Humanidade2012 recebeu debates sobre gestão compartilhada de praias, governança das águas, mudança do clima, produção e consumo sustentável e equidade de gênero. Nesse evento, a entidade divulgou seu posicionamento para a COP18, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), chamado de “A Desigualdade é Insustentável”.

Ao longo de 2015, a Fiesp participou das reuniões intermediárias que ocorreram em Bonn, na Alemanha, onde construíram-se as bases da negociação que ocorrerá na 21a Conferência sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas (COP21), em Paris, na França, de 30 de novembro a 11 de dezembro. Além disso, tem promovido encontros e debates sobre o tema, com renomadas instituições ligadas a sustentabilidade.

Meta (iNDC) brasileira sobre Mudança do Clima

Agência Indusnet Fiesp, 

O governo brasileiro anunciou recentemente sua posição quanto ao novo Acordo sobre Mudança do Clima a ser adotado no âmbito da Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas, em Paris. Com esta iniciativa, o País alinhou-se às 137 nações que, dentro do prazo, apresentaram suas propostas, assumindo compromisso de agir efetivamente para combater o aquecimento global.

As intenções brasileiras são ambiciosas e refletem ações condizentes com os desafios de construir uma economia de baixo carbono inclusiva e pautada pelo desenvolvimento sustentável.

A adoção de meta absoluta de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs), 37% até 2025 e 43% até 2030, com referência aos níveis de 2005, e a retomada do papel das fontes renováveis, 45% em 2030, tratando-se de eólica, biomassa e solar na matriz energética – além da hidroeletricidade –, denotam compromisso com o futuro e coloca o País em posição de destaque no cenário internacional.

O emprego de novos padrões tecnológicos no setor produtivo, adotando-se políticas públicas de incentivo à eficiência energética e às tecnologias limpas, resultará na modernização e no fortalecimento da indústria.

A Fiesp, trabalhando de maneira construtiva e dialogando com a sociedade, apoia as ações que redundem no aumento da produtividade e da competitividade da indústria, engajando-se aos esforços que levem ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, resguardando-se as capacidades setoriais, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável recém-aprovados pelas Nações Unidas.

 Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp

Britânico referência mundial em mudança do clima visita Fiesp e conhece documento de posicionamento da entidade

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O representante especial para mudança do clima do Ministério das Relações Exteriores britânico, sir David King, referência mundial na área, encontrou-se com diretores da Fiesp e integrantes do Comitê de Mudança do Clima da entidade, na terça-feira, 29.

Ao afirmar que trabalha em tempo integral, como uma espécie de embaixador do clima, contabilizando visitas a mais de 70 países nos últimos dois anos, King lembrou que quer melhorar a interlocução entre as nações. A Grã-Bretanha tem preocupação central com o clima, pois está cercada pelo oceano, e a elevação do nível do mar, aliada a tempestades, levará a consequências graves. “É preciso entender a natureza desse desafio”, disse, reforçando que o Reino Unido tem realizado um intenso trabalho para migrar de uma economia com base em combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono.

Segundo King, “hoje empregamos mais energia renovável e a indústria está se reposicionando para entrar neste novo mundo”, explicando que o setor automotivo, por exemplo, fez uso da tecnologia e incentivos proporcionados por políticas públicas, como a de isenção de taxas para carros elétricos na Grã Bretanha, para adaptação às ações planejadas para a redução de gases de efeito estufa (GEE).

King revelou que se estabeleceu forte diálogo com a Confederação Britânica da Indústria, especialmente sobre o uso da energia elétrica e da água para determinar qual modelo energético se quer no futuro, exemplificando que o custo da energia eólica está em 110 libras (cerca de R$ 650) por megawatt-hora (MWh), com valor decrescente, enquanto a nuclear sobe cada vez mais.

Reunião na Fiesp com a participação de David King, representante especial para mudança do clima do Ministério das Relações Exteriores britânico. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Destacou ainda que se deve considerar que pequenas usinas nucleares são mais rápidas de ser construídas e com melhores requisitos. “Por isso combinar nuclear com as intermitentes é uma boa saída”, lembrando que as nucleares hoje estão mais seguras.

“O setor de renováveis cresce exponencialmente, e o Brasil tem mais recursos renováveis por pessoa do que o meu país. Vocês vão conseguir exportar”, sentenciou. Quanto ao mercado de carbono, David King lembrou que por volta de 2005, 29 nações o integraram, mas houve duas tentativas frustradas. O preço da tonelada caiu de 20 euros para 10 em função do desaquecimento da economia que levou inevitavelmente à queda das emissões de GEE. “A função principal é a regulação que cada país pode criar e não o mercado de carbono em si”, disse.

Nelson Pereira dos Reis, diretor de meio ambiente da Fiesp e integrante do Comitê de Mudança do Clima da entidade, disse que uma das grandes discussões que se faz, no Brasil, é a flexibilização do mercado de carbono e a taxação. Reis também enfatizou o forte engajamento do governo brasileiro e do setor privado no combate à mudança do clima.

O brigadeiro Aprígio Azevedo, diretor executivo de projetos da Fiesp, apresentou ao representante britânico os principais pontos do documento de posicionamento da Fiesp para a COP21, entregue aos Ministérios de Relações Exteriores e de Meio Ambiente, em consonância, inclusive, com a InDC brasileira anunciada recentemente. Pontos como transferência de tecnologia e mecanismos de financiamento foram ressaltados. Na análise de King, a transferência de tecnologia é tema relevante e deve ser tratado globalmente. Ele ainda frisou que as universidades precisam apostar em pesquisa que efetivamente chegue ao chão de fábrica.

Há grande expectativa por parte de todos os países em torno de um futuro acordo na Conferência do Clima, a COP21, que será realizada no final do ano, em Paris, para limitar o aumento da temperatura abaixo dos 2ºC até o final do século.

David King também preside o Conselho do Future Cities Catapult, centro de excelência e inovação do Reino Unido que busca soluções inteligentes para as cidades. Químico, tem passagens pelas universidades de Oxford e Cambridge. Também foi assessor-chefe para Ciência do Reino Unido entre 2000 e 2007.

Ministra do Meio Ambiente fala sobre proposta do Brasil para COP21 alinhada com posição da Fiesp

Graciliano Toni e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou nesta terça-feira (29/7) de reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) e do Comitê de Mudança do Clima da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A ministra elogiou o trabalho da Casa em relação a propostas para a Conferência das Partes do Clima (COP21), a ser realizada em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro, e explicou o andamento da preparação brasileira para a reunião.

Izabella Teixeira fez um relato sobre consulta informal feita em Paris a ministros do meio ambiente, na preparação para a COP21. Segundo a ministra, a atuação da França tem ajudado no avanço das negociações. Até dezembro, o país fará reuniões informais “para diminuir os atritos” em relação ao documento simplificado elaborado para a COP21 e divulgado na sexta-feira passada (24/7). Ele contém diretrizes políticas. Os países precisam detalhar seu compromisso com as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDCs), que devem ser reveladas em Paris.

No caso do Brasil, as iNDCs precisam avançar além do que já foi conquistado, disse a ministra, que lembrou que nenhum outro país no mundo reduziu tanto suas emissões de carbono. O nosso ativo florestal, resultante do combate ao desmatamento até 2014 (mais de 650 milhões de toneladas de CO2 equivalente), deve ser creditado como contribuição nacional à redução das emissões globais.

Ela destacou também a posição única do Brasil na capacidade de atingir o equilíbrio entre energia de fontes fósseis e não fósseis. “O Brasil é o único país do mundo em condição de ter matriz 50/50”, afirmou.

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, considera muito importante que as decisões tomadas na COP21 sejam legalmente vinculantes, ou seja, que cada país tenha o compromisso de estabelecer suas metas por meio de leis que possam ser cumpridas.

Lazzarini destaca também as chamadas responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Todos os países do mundo, independentemente de seu tamanho, emissões de gases de efeito estufa e outros aspectos, têm responsabilidades e precisam cumpri-las, mas elas são diferenciadas porque países que já se desenvolveram, consumindo combustível fóssil e emitindo grande volume de gases de efeito estufa, devem ter responsabilidade maior. Não pode ser aplicado o mesmo rigor para países ainda em desenvolvimento, explica Lazzarini.

Posições alinhadas

A posição brasileira para a Conferência das Partes em Paris está alinhada aos interesses da indústria. A opinião de Nelson Pereira dos Reis – diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) e integrante do Comitê de Mudança do Clima da Fiesp – se pauta na interlocução estabelecida com o governo, que incentiva o setor produtivo a apresentar suas demandas ao Ministério do Meio Ambiente para que elas sejam integradas ao debate internacional. “Há uma sensibilidade não só no MMA, mas também no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) e no Ministério de Relações Exteriores (MRE). Nós temos um longo caminho a percorrer para se chegar a uma economia de baixo carbono, o que é irreversível”, avaliou.

Reis sinaliza, no entanto, que esse percurso deve ser estruturado para que não haja perda de competitividade. Assim, é fundamental assegurar o financiamento para o acesso à tecnologia a fim de promover as mudanças necessárias.

Em compensação, um fator essencial à indústria, no âmbito das discussões da COP21, é a precificação do carbono. A ministra se absteve de comentar este tema em profundidade, ainda em fase de debate no Ministério da Fazenda. Para Reis, em diálogo com a ministra, a indústria deixou bem claro que não aceita que o modelo que está sendo construído comporte cobrança de taxa.

Expectativa para Paris

Segundo Reis, no balanço geral, a expectativa é que o futuro acordo seja positivo, o que está sendo esperado por todos. Assim, os compromissos brasileiros a serem apresentados devem ter boa receptividade.

A ministra também se mostrou otimista. Disse que vê os Estados Unidos mais engajados do que nunca, na busca por um acordo, apesar das grandes dificuldades para conseguir no Congresso norte-americano a aprovação de um acordo legalmente vinculante.

Izabella Teixeira mencionou como pontos de forte discussão o custo da adoção dos pontos de um possível acordo do clima e os meios de implementação, na forma de transferência de tecnologia. E há um grande gargalo, o do arranjo de financiamentos do Fundo Verde, que prevê aporte de US$ 100 bilhões por ano até 2020, mas que conta hoje com apenas US$ 10 bilhões por ano. Os países defendem diferentes formas para assegurar os recursos para pagar a conta de um acordo do clima.

Um modo de resolver os diversos pontos não amarrados, segundo a ministra, é a ideia de convidar chefes de Estado para a abertura da COP21, com seu peso político, e deixar a discussão técnica para o secretariado da Conferência.

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) e do Comitê de Mudança do Clima da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Vantagem competitiva

Izabela Teixeira defendeu durante a reunião que o Brasil use a seu favor a proteção ambiental. “É uma vantagem que temos”, disse. “O Ministério das Relações Exteriores começa a prestar atenção nisso.” A ministra lembrou que o Brasil é campeão de biodiversidade no planeta, “quer mantê-la e vai mantê-la”. Na opinião da ministra, isto “vai ser tema quente”.

Ela falou sobre prós e contras do chamado “protecionismo verde”, a apropriação do tema pela agenda comercial, de tecnologia e de financiamento. Como ponto positivo citou a redução do custo do dinheiro. Em contrapartida, disse, surgem questionamentos sobre políticas nacionais de clima.

Para Isabella Teixeira, as discussões em torno do novo acordo não integram apenas uma agenda de desenvolvimento sustentável, e não se circunscreve somente ao seu Ministério, mas trata-se de uma geopolítica do desenvolvimento.

A ministra também enfatizou as possibilidades de negócios decorrentes de um acordo do clima e elogiou o setor privado, que “se movimenta com robustez”.

Elementos para o novo acordo de mudança do clima – Posicionamento da Fiesp (COP21)

  1. 1.   Contribuições nacionalmente determinadas (iNDCs) que o Brasil pretende adotar

As iNDCs brasileiras devem refletir um determinado volume de redução de emissões para o conjunto da economia brasileira (economy wide), levando em conta a capacidade nacional e pautada pelo princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Deve ser preservado um formato flexível de contribuição nos moldes da proposta de enfoque de diferenciação concêntrica, apresentada pelo Brasil em outubro de 2014 e durante a COP-20.

A proposta brasileira de iNDCs deve contemplar ações de adaptação à mudança do clima, além de mitigação, e outras ações que preparem o País para enfrentar eventos meteorológicos extremos.

  1. 2.   Ações de mitigação e o perfil da matriz energética brasileira

O reconhecimento de ações antecipadas de mitigação (early actions), realizadas no período entre 2010 e 2020, bem como a grande participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, deve pautar a atuação do Brasil na negociação do novo acordo.

As ações oriundas do combate ao desmatamento até 2014 resultaram em redução de emissões de mais de 650 milhões de toneladas de CO2eq. Esse ativo florestal deve ser contabilizado como contribuição do Brasil à redução das emissões globais.

Da mesma forma, é imprescindível que as ações de restauração decorrentes do Novo Código Florestal, que promoverão o incremento no sequestro de carbono, sejam consideradas na composição das iNDCs brasileiras.

  1. 3.   Mecanismos de mercado de carbono no novo acordo

É fundamental que o acordo estabeleça mecanismos de flexibilização de mercado como forma de promover a redução de emissões custo-efetivas, independentemente do seu formato.

É relevante que as iNDCs brasileiras explicitem que se poderá recorrer a mecanismos de mercado para incentivar e promover reduções de emissão e sumidouros de carbono.

A criação de taxas sobre a emissão de carbono é inaceitável e incompatível com mecanismos de mercado, qualquer que seja o grau de ambição e o formato do acordo.

  1. 4.   Transferência de tecnologia e financiamento

O novo acordo deverá conter mecanismos, em especial de financiamento, que promovam a transferência e o desenvolvimento de novas tecnologias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para fomentar a redução de emissões. No contexto do novo acordo, devem ser reforçados os programas de cooperação Sul-Sul.

O aporte de recursos financeiros internacionais oriundos do Green Climate Fund (ou de outras fontes) e novas tecnologias são essenciais para que o Brasil possa se adaptar à mudança do clima e enfrentar eventos meteorológicos extremos.

  1. 5.   Ações unilaterais, bilaterais e barreiras ao comércio

Ações unilaterais de mitigação, adaptação, tecnologia, capacitação e financiamento não devem resultar em restrições arbitrárias e injustificadas ao comércio. O novo acordo deve ter cláusula expressa que coíba barreiras ao comércio decorrentes de eventuais medidas adotadas com vistas à sua implementação.

 

Oficina de capacitação na Fiesp aborda tecnologias de baixo carbono

Agência Indusnet Fiesp

Com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realiza dia 30 de julho oficina de capacitação com foco em metodologias para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético. Esse treinamento faz parte das ações do projeto Opções de Mitigação de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), integrando os esforços do país quanto à mudança climática.

A implantação do projeto é feita em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Os cenários integrados do potencial de mitigação das emissões de GEE auxiliam na tomada de decisão sobre ações que possam reduzir as emissões.

A oficina será dividida em duas etapas:

Tecnologias de baixo carbono aplicáveis para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa nos segmentos energético e industrial. Das 9h às 12h.

Construção de cenários de baixo carbono nos segmentos energético e industrial. Das 14h às 17h.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa desde 2009 das Conferências Climáticas Mundiais, quando foi assinado o Acordo de Copenhague e reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius até o final do século para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina que está sendo realizada no próximo dia 30. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final do ano.

SERVIÇO:

Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono e Construção de Cenários de Baixo Carbono nos segmentos industriais e energético

Data e hora: 30 de julho das 9h às 17h

Local: Avenida Paulista, 1.313, São Paulo, SP

Inscrição: inscrições podem ser solicitadas até 28/07 pelo e-mail ctc_mitigacao@mcti.gov.br. Vagas limitadas.

No Brasil Econômico, Ometto defende posição brasileira na Cúpula do Clima da ONU

Agência Indusnet Fiesp

João Guilherme Sabino Ometto: Fiesp concorda com a posição brasileira e espera que ela seja acolhida na COP 21. Foto: Everton Amaro/Fiesp

No artigo “Quem deve não pode temer pactos com o planeta”, publicado na segunda-feira (03/11) no jornal Brasil Econômico, o segundo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, comenta um dos temas centrais da 21ª Conferência das Partes da Convenção—Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (COP 21), agendada para novembro de 2015, em Paris.

Segundo ele, é preciso analisar com isenção e bom senso a recusa brasileira, na Cúpula do Clima da ONU, dia 23 de setembro, de aderir à Declaração de Nova York sobre Florestas.

No artigo, o coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da Fiesp afirma que não se pode entender que o Brasil esteja se negando a contribuir para conter o aquecimento e o desmatamento ou desmerecendo a proposta europeia de destinar US$ 1,2 bilhão às nações que reduzirem perdas de cobertura vegetal.

“Ao contrário”, exclama Ometto. “O Brasil foi um dos países que mostraram resultados concretos no evento. De 2010 a 2013, deixamos de lançar 650 milhões de toneladas anuais de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera e, nos últimos dez anos, reduzimos o desmatamento em 79%”, ressalta.

Para o segundo vice-presidente da Fiesp, é justa a proposta brasileira de que os futuros acordos considerem as ações já realizadas e estabeleçam metodologia para quantificar e qualificar as responsabilidades anteriores pelas emissões de carbono.

“A Fiesp concorda com a posição de nosso país e espera que ela seja acolhida na COP 21”, completa.

Oficina de Esclarecimento: Mudanças do Clima

1ª Oficina de Esclarecimento: Mudanças do Clima – A Gestão Pública e o Setor Produtivo

Data: 07 de junho de 2011

Brasil investirá 3 bilhões de reais em projetos de redução de gases até 2020

Eduardo Delgado Assad, secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, divulgou os dados durante evento da Fiesp

Planos Setoriais e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima foram os temas da palestra do secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Eduardo Delgado Assad, nesta terça-feira (7), durante a XIII Semana de Meio Ambiente Fiesp/Ciesp, na sede das entidades.

O secretário relembrou os participantes que durante a 15ª Conferência da ONU sobre Clima (COP-15), realizada em 2009, em Copenhague, o governo brasileiro anunciou metas voluntárias da redução, entre 36% e 38%, dos gases do efeito estufa até 2020.

Para isso, o governo federal elaborou o decreto 7390/2010, regulamentando a Política Nacional de Mudanças do Clima, que estabelece a emissão de no máximo 2,06 bilhões de toneladas de carbono por ano, até 2020. Desta forma, o Brasil se tornou o primeiro país a apresentar políticas específicas para reduzir os níveis de emissão de gases.

Segundo Assad, para que o Brasil alcance essa meta serão investidos cerca de 3 bilhões de reais em projetos de mitigação e redução de emissões de gases até 2020. “Gostaria de conhecer outros países do mundo que adotem uma politica de emissão de gases tão efetiva quanto a nossa”, afirmou o secretário.

Assad acredita que os avanços tecnológicos, os esforços setoriais e os projetos estaduais serão decisivos para que o País alcance o seu objetivo: “Nós temos nas mãos uma chance única de transformar o Brasil na maior potencial ambiental do mundo”, finalizou.

 

 

Fiesp defende maior cooperação energética entre Brasil e África

Lucas Alves, de Durban, África do Sul, para Agência Indusnet Fiesp

Kurt Lonsway, gerente de Mudança do Clima e Energia do Banco Africano de Desenvolvimento (à esq.) e Carlos Cavalcanti, diretor de Infraestrutura da Fiesp, falam durante evento em Durban. Foto: Lucas Alves

 

 

“Na área de energia, já começamos um trabalho para fortalecer a cooperação entre Brasil e África”, disse o diretor de Infraestrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti. Ele acredita que essa parceria contribuirá com o crescimento das economias africanas e fortalecerá a segurança energética para enfrentar os desafios das alterações climáticas e da redução da pobreza no continente.

As afirmações foram feitas na abertura do evento realizado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta segunda-feira (5), em Durban, África do Sul. Até sexta-feira (9), a cidade é sede da 17 Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP17).

Em sua apresentação, Cavalcanti explicou como a pobreza se relaciona com a falta de acesso à energia. “Hoje, cerca de um bilhão e meio de pessoas no mundo não têm acesso à eletricidade e três bilhões dependem da biomassa primária para cozinhar e aquecer. As pessoas mais pobres, que vivem com menos de um dólar por dia, gastam até um terço do seu orçamento com esta energia de baixa qualidade.”

Mercados energéticos na África

Em seguida, ele comentou os resultados do estudo “Mercados Energéticos na África”, realizado pela Fiesp, AfDB e a Eletrobras. A análise dos dados apresentados demonstra que o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países africanos está diretamente relacionado com o consumo de biomassa primária, que representa mais de 50% do consumo de energia final.

“Torna-se óbvio que, quanto maior o desenvolvimento do país, menor é o uso da biomassa primária em sua matriz energética. Isto porque a biomassa primária é ineficiente, poluente e um combustível de uso perigoso”, observou Carvalcanti.

Outra importante conclusão do estudo é que o número de países da África dependente do petróleo para geração de energia é significativo. Este recurso é caro e coloca esses países à mercê das flutuações dos preços dos combustíveis dentro de seus sistemas de energia já vulneráveis.

“Uma conclusão igualmente notável no mercado africano de energia é o potencial impressionantemente grande para as energias renováveis”, destacou o diretor da Fiesp. O material mostra que a capacidade instalada total é de apenas 68 GW em toda a África Subsaariana, não mais do que a da Espanha.

Um último ponto relevante é que a energia hidrelétrica é, de longe, o maior potencial para o desenvolvimento do continente. Ela é praticamente inexplorada e poderia desempenhar um papel fundamental no acesso à energia em todo o continente. Apenas 11% do potencial hidroelétrico da África está sendo explorado atualmente.

Modelo do Brasil é exemplo

Cavalcanti ofereceu ainda um panorama sobre o mercado energético do Brasil e destacou a necessidade de incrementar a cooperação Brasil e África. Segundo o diretor, o Brasil tem dado grandes saltos no desenvolvimento econômico e social, e tem sido um exemplo de sucesso na redução da pobreza por meio do investimento em infraestrutura. “O setor energético tem desempenhado um papel fundamental neste desenvolvimento e, neste sentido, o Brasil apresenta-se como um importante parceiro para o desenvolvimento da África”.

Como mensagem final, o diretor da Fiesp lembrou que energia é crucial para o desenvolvimento. Ele defendeu que os recursos locais precisam ser explorados antes da importação de tecnologias caras de países industrializados, que não enfrentam os mesmos desafios como países em desenvolvimento.

“A África precisa de energia. A África precisa de energia elétrica. A África é rica em energia hidrelétrica”, afirmou. “Este recurso deve ser explorado não apenas a nível nacional, mas compartilhada com todo o continente. Os dirigentes políticos devem centrar-se no desenvolvimento desses projetos de energia e promover acordos de comércio de energia para maximizar os investimentos todo o continente”, pontuou Cavalcanti.

O gerente de Mudança do Clima e Energia do Banco Africano de Desenvolvimento, Kurt Lonsway, avaliou positivamente o trabalho realizado em conjunto com a Fiesp e com a Eletrobras. “Vamos continuar trabalhando em parceria porque a Cooperação Sul-Sul é essencial para o desenvolvimento da África”.

Fiesp espera por um acordo ambicioso na COP17

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

“Diante das incertezas da economia mundial, percebemos que boa parte dos países, especialmente os desenvolvidos, estão reticentes quanto a tomar uma decisão sobre a mudança do clima”, afirma o presidente do Comitê de Mudança do Clima e segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto.

Os países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês) voltarão a se reunir no período de 28 de novembro a 10 de dezembro para a 17ª Conferência das Partes (COP17), que acontecerá na cidade de Durban, na África do Sul.

Representante do maior parque industrial brasileiro – cerca de 42% do PIB da indústria do País – a Fiesp está enviando representantes para acompanhar as negociações. A entidade espera que os países cheguem a um acordo que garanta um segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto, com números ambiciosos e que preservem a integridade ambiental do planeta.

A Fiesp acredita que a COP17 será decisiva para o sucesso ou para o fracasso do segundo período do Protocolo de Quioto. “Apoiamos a posição do governo brasileiro, que segue engajado nas negociações por um compromisso estruturante e multilateral, que estabeleça compromissos de mitigação claros e ambiciosos, mantendo o conceito das responsabilidades comuns, porém diferenciadas entre os países”, explica Ometto.

A entidade defende que o Brasil tem condições de assumir, mais uma vez, o papel de liderança que o seu peso ambiental e político lhe conferem. Desta maneira, será possível contribuir para que os países cheguem a um acordo que mantenha os princípios da Convenção e os compromissos do Protocolo de Quioto.

Para a Fiesp, também é igualmente importante que sejam mantidos os mecanismos de flexibilização de mercado, tal como os projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), e os instrumentos previstos no Plano de Ação de Bali, Acordo de Copenhague e Acordo de Cancun.

Perguntas frequentes sobre mudança do clima (2011)

  Essa publicação tem o objetivo de fornecer ao leitor, sobretudo aquele ainda não familiarizado com o tema, informações objetivas que podem sem melhor entendidas ao se consultar as referências bibliográficas

 

Para visualizar ou baixar a publicação em seu computador, acesse o menu ao lado.

 

Brasil investirá 3 bilhões de reais em projetos de redução de gases até 2020

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Planos Setoriais e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima foram os temas da palestra do secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Eduardo Delgado Assad, nesta terça-feira (7), durante a XIII Semana de Meio Ambiente Fiesp/Ciesp, na sede das entidades.

O secretário relembrou os participantes que durante a 15ª Conferência da ONU sobre Clima (COP-15), realizada em 2009, em Copenhague, o governo brasileiro anunciou metas voluntárias da redução, entre 36% e 38%, dos gases do efeito estufa até 2020.

Para isso, o governo federal elaborou o decreto 7390/2010, regulamentando a Política Nacional de Mudanças do Clima, que estabelece a emissão de no máximo 2,06 bilhões de toneladas de carbono por ano, até 2020. Desta forma, o Brasil se tornou o primeiro país a apresentar políticas específicas para reduzir os níveis de emissão de gases.

Segundo Assad, para que o Brasil alcance essa meta serão investidos cerca de 3 bilhões de reais em projetos de mitigação e redução de emissões de gases até 2020. “Gostaria de conhecer outros países do mundo que adotem uma politica de emissão de gases tão efetiva quanto a nossa”, afirmou o secretário.

Assad acredita que os avanços tecnológicos, os esforços setoriais e os projetos estaduais serão decisivos para que o País alcance o seu objetivo: “Nós temos nas mãos uma chance única de transformar o Brasil na maior potencial ambiental do mundo”, finalizou.

Fiesp participará das negociações internacionais da COP16

Agência Indusnet Fiesp

Uma delegação de técnicos e diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se juntará aos representantes do governo brasileiro para participar das negociações internacionais que ocorrerão no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês). A retomada do processo começou nesta segunda-feira (29) e prossegue até o dia 10 de dezembro, em Cancun, no México.

“A Fiesp tem acompanhado, desde meados de 2009, as discussões sobre mudanças do clima por entender que este assunto é sério, grave e que afetará a todos”, destaca o segundo vice-presidente e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

Apesar da baixa expectativa sobre os resultados da conferência de Cancun, a Fiesp acredita que este encontro é mais um passo no complexo processo que busca a construção de um novo acordo global sobre o clima do planeta.

“Sabemos que esta negociação envolve distintos interesses políticos, ambientais, sociais e comerciais. Entretanto, é preciso discutir e buscar o consenso, que é o que a ONU está propondo aos países”, argumenta o dirigente industrial.

Posição

Em meados de novembro, a Fiesp realizou um seminário que discutiu os rumos da competitividade da indústria ante as mudanças do clima. Na oportunidade, foram divulgados os posicionamentos da instituição para a COP16 e sobre as Políticas Nacional e Estadual de Mudança do Clima.

Clique aqui para ler o documento na íntegra.

Evento em Cancun

Na próxima terça-feira (7/12), das 9h30 às 12h30 (das 13h30 às 16h30, no horário de Brasília), a Fiesp realizará, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), um evento do setor produtivo brasileiro em Cancun.

Indústria paulista busca posição sobre mudança climática

Agência Indusnet Fiesp

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra-Energia

A 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima será realizada só em dezembro na Dinamarca, mas a Fiesp já formou um comitê que está discutindo a definição de um posicionamento da indústria brasileira sobre o assunto.

A preocupação se respalda no fato de que a energia, necessária ao desenvolvimento, deverá ser a questão central da discussão sobre mudanças climáticas, como defende o diretor-titular do Departamento de Infraestrutura-Energia (Deinfra-Energia), Carlos Cavalcanti.

“Onde os países terão que mexer? Justamente na matriz energética e, neste sentido, o Brasil é privilegiado por manter uma matriz limpa e um programa de biocombustíveis único no mundo”, ressaltou Cavalcanti, nesta terça-feira, durante seminário na Fiesp.

O diretor de Energia da Fiesp disse ainda que a instituição está articulada com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e deverá discutir com o governo brasileiro o posicionamento que está sendo preparado. “Envolvemos cinco departamentos da Fiesp e contratamos uma consultoria para a elaboração de um position paper”, informou.

O tom das discussões

Responsável por acompanhar a política comercial dos Estados Unidos, o diretor-executivo da Brazil Industries Colition (BIC), Diego Bonomo, explicou como as mudanças na legislação norte-americana sobre a produção de energias limpas deverão influenciar e dar o tom das discussões em Copenhagen.

“O fato de o déficit comercial dos EUA ser da ordem de 900 bilhões de dólares – sendo que um terço é por conta do comércio com a China – contamina a discussão sobre mudanças climáticas”, argumentou Bonomo.

Regulação

A proposta de criar uma legislação para regular a redução de gases de efeito estufa está em discussão no Congresso dos Estados Unidos. O texto já foi aprovado na Câmara e aguarda votação do Senado.

“Acredito que até outubro esta lei será aprovada”, adiantou o executivo da BIC. Pela proposta, o antigo sistema “carbon tax” dará lugar ao sistema “cap-and-trade”. “Nos interessa saber quais são as medidas de competitividade do sistema escolhido.”

Segundo Bonomo, as mudanças na legislação poderão afetar as indústrias brasileiras, especialmente as que exportam para os Estados Unidos. Já as companhias brasileiras com sede em território norte-americano estarão sujeitas a metas de emissão e poderão se beneficiar de subsídios e barreiras comerciais.

“As exportadoras terão de comprar licenças e alguns casos específicos do agronegócio também estarão sujeitos a barreiras comerciais e subsídios”, complementou o diretor da BIC.

A assessora econômica da Missão do Brasil em Genebra junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), Vera Thorstensen, alertou que é preciso acompanhar a aprovação da legislação norte-americana e confirmou que ela dará o tom das discussões no evento que discutirá as mudanças climáticas do planeta em dezembro. “Esta não é uma preocupação para o futuro. É uma preocupação para agora”, reiterou.

Agronegócio brasileiro pede maior esforço do governo na COP-15

 

Roberto Rodrigues, presidente do Cosag da Fiesp

Empresários do agronegócio brasileiro pediram nesta segunda-feira (3) maior esforço do governo federal em chegar a um consenso sobre a posição do Brasil na 15º Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-15), que se realizará entre 7 e 18 de dezembro, na cidade de Copenhague, na Dinamarca.

Para o presidente do Conselho de Agronegócio (Cosag) da Fiesp e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o discurso dentro do governo ainda é “díspar” e, segundo ele, a arrancada por uma posição mais forte deve ser articulada dentro do setor privado.

“Se não houver uma integração entre os dois lados [governo e setor privado], continuaremos com um discurso frágil e desigual”, afirmou Rodrigues, durante reunião do Cosag. O ex-ministro ainda mostra preocupação com o pós-COP-15, devido a fragilidade das instituições supranacionais em regular e fiscalizar as ações concordadas.

O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli, disse que o setor está se dividindo ao invés de somar, e ressaltou sua preocupação com o “descaso” do Itamaraty com o assunto. “Esse é um jogo extremamente sério e, se não fizermos a lição de casa, levaremos uma surra em Copenhague”, explicou.

O encontro na Dinamarca será, para muitos países, um divisor de águas na discussão mundial sobre mudanças climáticas e veem uma solução no impasse entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para se estabelecer metas de redução de emissões e as bases para um esforço global.

De acordo com o presidente a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, os Estados Unidos – um dos principais atores neste processo – chegarão a Copenhague com posições inovadoras, assumindo um papel de liderança nas negociações do acordo pós-Kyoto.

“O governo americano deve combinar políticas fiscais expansionistas com incentivos a tecnologias menos poluentes”, afirmou Jank.