‘Temos que quebrar paradigmas’, diz Skaf no 13º Congresso da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, fez questão de prestigiar os empreendedores participantes do “13º Congresso da Micro, Pequena e Média Indústria (MPI) – Conecta Indústria: Faça seu negócio estar presente no futuro”, aberto na manhã deste domingo (27/05), na sede da federação, em São Paulo. O evento envolve palestras, debates e workshops variados, entre outras atividades, seguindo até amanhã (28/05).

Ao circular pelo congresso, Skaf conversou com os participantes. “Vivemos num mundo de grandes revoluções”, disse. “Negócios podem ou não quebrar, não tem problema se não der certo uma vez, temos que quebrar paradigmas”, disse. “Desejo muito sucesso a vocês”.

Confira o boletim de áudio sobre essa noticia:

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Skaf no 13º Congresso Micro, Pequena e Média Indústria: “Não tem problema se não der certo uma vez”. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp


Micro e pequenas indústrias criam 4.804 empregos em São Paulo no primeiro semestre

Agência Indusnet Fiesp

As micro e pequenas indústrias paulistas registraram no primeiro semestre deste ano o saldo líquido positivo (admissões – demissões) de 4.804 postos de trabalho, sinalizando uma lenta recuperação no mercado de trabalho para este segmento. A comparação com o mesmo período de 2016, em que mais de 10 mil postos de trabalho foram fechados, mostra melhora consistente.

Clique aqui para ter acesso ao levantamento completo.

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‘Não podemos parar’, diz Skaf em abertura do 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Em paralelo a qualquer crise, não podemos parar”. Foi com esse convite ao trabalho que o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, abriu, na manhã desta segunda-feira (22/05), o 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), realizado ao longo do dia, no Hotel Renaissance, na capital paulista. O evento é organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

“Começar a segunda-feira com um evento como esse ‘energiza a gente’”, disse Skaf.

De acordo com o presidente da Fiesp, “vivemos a quarta revolução industrial”. “Primeiro foi a máquina a vapor, depois a eletricidade, o advento digital e a automação”, disse. “Temos que nos adaptar. Em paralelo a qualquer crise, não podemos parar”.

E o que fazer para que o país não pare? “Não se pode brincar com 14 milhões de desempregados do Brasil”, afirmou. “Vamos nos dedicar ao máximo para que essa roda não pare, para que as coisas não parem de caminhar”, explicou. “A necessidade é a mãe das invenções”.

Segundo Skaf, empresário brasileiro é que aquele “que levanta cedo e toca a sua padaria, a sua farmácia, a sua indústria”. “Que muitas vezes não se vê em condições de pagar seus impostos em dia, que tem que renegociar suas dívidas”, destacou.

Ele lembrou ainda que, no Senai-SP, é formada mão de obra “de primeiro mundo, em escolas de primeiro mundo”. “O professor Sunil Gupta, de Harvard, veio ao Brasil e conheceu a nossa escola em São Caetano do Sul”, contou. “Saiu impressionado e dizendo que ia leva a experiência do Senai-SP para Harvard”.

Para finalizar a sua apresentação, Skaf apresentou aos participantes um vídeo com uma declaração do papa Francisco dando uma lição sobre como superar dificuldades. Para ver o vídeo, é só clicar aqui.

>> Ouça boletim sobre o 12º Congresso MPI

Diretor titular do Dempi na Fiesp, Milton Bogus, destacou desafios das pequenas empresas como o acesso a novos mercados e a melhoria na produtividade, entre outras questões. “Não adianta reduzir a Selic se essa redução não chegar às taxas praticadas pelos agentes financeiros que atendem as micro e pequenas indústrias”, afirmou. “É preciso corrigir os gargalos e retomar o acesso ao crédito”.

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Skaf: “Não se pode brincar com 14 milhões de desempregados do Brasil”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Para ele, em 2017 o maior esforço vai ser “renegociar os empréstimos bancários”. “Investimentos em pesquisa e inovação são bandeiras antigas da Fiesp, que traz para esse evento parceiros que ajudam as empresas”.

Questão de foco

Deputado estadual e presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Itamar Borges foi outro participante da abertura do 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI).

“Essa é uma ótima oportunidade para os empresários debaterem a inovação, a renegociação e a tomada de novos créditos”, disse. “Precisamos ter foco na inovação, na internacionalização e na cultura empreendedora”, afirmou. “A palavra é foco”.

Também atento a essas questões, o presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos citou iniciativas de apoio às micro, pequenas e médias empresas como o projeto Crescer sem medo. “Conseguimos a duras penas que o Crescer sem Medo entrasse em vigor a partir de 2018”, explicou. “Passamos de seis para vinte as faixas de faturamento previstas para os pequenos, evitando o efeito caranguejo, de não querer crescer para não mudar de faixa de imposto”.

Segundo Afif, outro problema a ser enfrentado é o do acesso ao crédito. “Nosso sistema financeiro é muito concentrado, não existe competição”, disse. “Só se dá prata a quem tem ouro, só se dá crédito a quem tem propriedades”.

Assim, uma meta é investir no empréstimo de recursos “para a produção local”. “Os gerentes de banco estão amarrados às condições de crédito, não se empresta mais dinheiro olhando no olho”.

Nessa linha, para ajudar os empreendedores, o Sebrae contratou ex-gerentes de banco para dar orientação de crédito em seus escritórios. “São eles quem vão pegar os empreendedores pela mão nesse emaranhado que é a concessão de crédito”, afirmou. “O Brasil é um dos países com a maior força empreendedora em todo o mundo”.

Participou ainda da abertura do evento o secretário especial da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, José Ricardo da Veiga.

Primeiro painel

O primeiro painel de debates do 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI) destacou justamente a necessidade de desburocratizar o acesso ao crédito.

Entre os participantes, o vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

“O mais importante é sermos pragmáticos. Temos que descobrir como sair dessa crise, fazer as reformas necessárias”, disse. “Quebrar paradigmas: nem o governo nem o mercado resolvem tudo”.

Roriz Coelho lembrou que a recessão atual é a maior que o país já teve e a mais longa, com uma queda de PIB acumulada de mais de 7,5%. “Uma crise desse tamanho e por tão longo tempo afetou o dia a dia dos brasileiros”, explicou. “Só com aumento de investimento para reverter esse processo. Sem crescimento e sem geração de empregos não vamos conseguir”.

Roriz atacou ainda os elevados juros cobrado país e disse que “para sair desta crise, a grande mudança que deve ser feita é no sistema financeiro brasileiro”.

Seminário Finanças e Financiamento

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O Seminário Finanças e Financiamento – Como financiar hoje o futuro das pequenas e médias empresas” realizado no dia 22/07/2016 no Edifício Sede da Fiesp apresentou  modelos de financiamento e formas alternativas para viabilização dos negócios nas pequenas e médias empresas, bem como agentes financiadores.


PALESTRAS:

1.  A relação das empresas com os agentes financiadores – Flávio Vital (Dempi – Fiesp)
1.1. Portabilidade de  cadastro – Resolução Banco Central do Brasil

2.  Descubra como financiar hoje o futuro das Pequenas e Médias empresas – José Claudio Securato (Saint Paul Institute)
3.  Estratégias para concessão do crédito – (Serasa Experian)
4.  A importância da transparência e prestação de contas no processo de crédito – Eduardo Pozzi (Saint Paul Institute)

Soluções: Formas de Financiamento 
O que é relevante? / Como financiar hoje o seu negócio? / Pensando no futuro, como financiar?

5.  DESENVOLVE SP – Ana Paula Shuay, Superintendente de Negócios
6.  BNDES – Ana Paula Bernardino Paschoini, Gerente do Departamento Regional Sul
7.  BANCO DO BRASIL – Thiago J D Montero, Gerente de Mercado Pessoa Jurídica
8.  CAIXA Econômica Federal – Thiago Gomes de Souza, Gerente Regional de Pessoa Jurídica
9.  BRADESCO – Rinaldo de Martini, Gerente Departamental do Departamento de Empréstimos e Financiamento

Para visualizar ou baixar as apresentações realizadas no dia, acesse o menu ao lado


“Mudar é complicado, mas se acomodar é perecer”, diz Mario Sergio Cortella no encerramento do Congresso da Micro e Pequena Indústria

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Mudança é processo, a única coisa permanente da vida”. A necessidade de acompanhar as mudanças do mundo, cada vez mais aceleradas, esteve no centro do debate que encerrou o 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), no Hotel Renaissance, em São Paulo, na tarde desta segunda-feira (23/05). A discussão foi conduzida pelo filósofo e escritor Mario Sergio Cortella, sendo coordenada pelo diretor titular adjunto do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp Marco Antonio dos Reis.

Para Cortella, é preciso lembrar de uma das mais famosas reflexões do filósofo Heráclito: “Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tão pouco o homem”. “Mudar é complicado, mas se acomodar é perecer”, disse. “Não há perigo maior do que a acomodação”.

E isso mesmo em tempos de crise. “É na crise que você vê quem é bom. Para nadar rio abaixo é só soltar o corpo”, afirmou.

Em se tratando de iniciativa, da necessidade de buscar diferenciais em todas as situações, Cortella explicou que a trilha sonora mais perigosa a ter como referência hoje é o samba Deixa a Vida me Levar, de Zeca Pagodinho. “É preciso seguir Geraldo Vandré quando ele canta que ‘quem sabe faz a hora, não espera acontecer’, na música Para não dizer que não falei das flores”, disse. “Esse é o princípio do empreender”.

Sobre sorte e coragem

Dentro desse espírito de atitude diante da vida e dos negócios, o filósofo citou uma reflexão dos romanos sobre sorte e coragem. “Eles diziam que a sorte segue a coragem”, disse. “E lembrando que coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de enfrentá-lo”.

Por isso mesmo, Cortella diz se sentir mais seguro, ao entrar num avião, de ouvir do piloto que ele teme pela segurança do voo, o que seria um sinal de maior cuidado e dedicação. Foi o caso de uma viagem aérea recente, saindo de São Paulo para Minas Gerais, atrasada em uma hora e meia por conta de um problema na aeronave. “O comandante pediu desculpas a todos e disse que, se aquele avião tivesse alguma falha grave, seria o primeiro a sair dali”, disse. “Ele tinha medo, mas também tinha coragem para lidar com a situação”, contou. “É assim que um líder age na hora da crise, põe a cara”.

Seria o medo, também, um impulso para que oportunidades não sejam perdidas. “Para não perder uma oportunidade, é preciso ter medo de perdê-la”, destacou. “É a coragem que nos leva a não perder a oportunidade”.

A armadilha do possível

Ao encerrar a sua participação no MPI, Cortella lembrou aos empreendedores que “a coisa mais perigosa num mundo de mudança é cair na armadilha da ‘síndrome do possível’”. “É o mecânico que diz que vai fazer o possível para consertar o carro, o médico que diz que vai fazer o possível pelo paciente e assim por diante”, disse. “A gente tem que ter mais iniciativa, agir como os americanos que dizem ‘I will do my best’ ou vou fazer o meu melhor”, afirmou. “Não é uma simples diferença de idioma: nas nossas atividades, nós estamos fazendo o possível ou o melhor?”, questionou. “A gente tem que fazer o melhor, nas condições que tem, não pode se contentar com o possível”.

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Mario Sergio Cortella no encerramento do 11º Congresso MPI. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Comércio exterior é oportunidade e alternativa às oscilações do mercado interno para pequenas empresas

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As oportunidades de comércio exterior para as micro e pequenas empresas foram debatidas no primeiro painel da tarde desta segunda-feira (23/5) no 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), no Hotel Renaissance, em São Paulo. Isso para destacar o que as vendas para o exterior podem significar para os empreendedores brasileiros.

De acordo com o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) e vice-presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, é consenso que, para vencer a crise, é preciso investir principalmente em duas áreas: infraestrutura e comércio exterior. “O primeiro passo é oferecer acesso ao mercado externo e não acumular impostos na cadeia de exportação”, disse. “Ninguém exporta imposto”.

Zanotto destacou o desafio de vender para o exterior com a “economia mundial andando de lado, esvaziada”. “Temos que aumentar as exportações em um ambiente hostil, lotado de produtos”, afirmou.  “Vivemos mais que uma guerra comercial”.

Para ajudar quem quer carimbar o passaporte com as melhores oportunidades nos próximos anos, ele lembrou que o Derex e o Coscex trabalham “assessorando os sindicatos e as empresas individuais no que se refere ao comércio exterior”.

Especialista em exportações e mestre em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Francisca Grostein destacou que a internacionalização começa com a formação do capital humano e o fechamento de parcerias estratégicas.

A partir daí, é preciso prestar atenção em variáveis como os regimes aduaneiros especiais, ou seja, se é possível adiar o recolhimento de impostos ao vender para esse ou aquele país. “Depois de um primeiro estudo de mercado, o empresário precisa se perguntar se o seu produto atende às exigências desse mercado”, explicou. “E isso não só do ponto de vista dos hábitos de consumo, mas também de normas técnicas”.

O próximo passo é refletir sobre como conseguir potenciais compradores. E avaliar se o preço oferecido é competitivo para o mercado externo ou não. “Muitas empresas param nas primeiras barreiras desse caminho”, disse.

Nesse ponto, Francisca indicou o site Aprendendo a Exportar  como uma referência de informação para quem quiser dar esses passos iniciais. “No portal há simuladores de preços para vender no exterior, por exemplo.”

Por que você não?

Terceiro convidado do MPI no debate, o professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Fabio Gallo Garcia, ressaltou que as exportações podem ser lucrativas para empresas de quaisquer tamanhos. “A pergunta que eu faço é: por que você não?”, questionou. “Exportar é uma questão de mentalidade, não de tamanho.”

Assim, a chamada mentalidade global é a habilidade de ajuste rápido às mudanças. “Mais do que estar preparados para as mudanças, precisamos ser as mudanças.”

De acordo com Garcia, exportar exige informação e qualidade por parte das empresas, mas ajuda a reduzir riscos. “As empresas ficam menos sujeitas às oscilações do mercado interno, podem fazer o escoamento de sua capacidade ociosa”, disse.

Um saco de farinha de milho

Nessa linha de oportunidades, Renata Dunck, consultora empresarial em comércio exterior da Dunck Gestão de Negócios, destacou em sua palestra no MPI que “o comércio exterior tem regras para que negociações sejam feitas sem nenhum problema”. E que os empreendedores nacionais não devem ter medo de vencer essa etapa.

“Não dá para pensar que vai ser como aqui no Brasil, que quem o procura no exterior está só especulando”, disse. “Não precisa ter medo”.

Para tanto, é preciso observar atentamente a demanda, entender o que é pedido. E ter no cuidado com a divulgação um “princípio básico”, com portfólios bem elaborados e escritos em inglês e espanhol, por exemplo. “Conseguimos um potencial comprador estrangeiro para um cliente nosso que produz farinha de milho”, conta Renata. “Pedimos a esse cliente o seu material de divulgação para mandar para o exterior e recebemos um saquinho de farinha de milho onde estava escrito apenas ‘farinha de milho’”, contou.

Em outro caso semelhante, um fabricante nacional de doces do tipo torrones perdeu a oportunidade de vender seus produtos numa rede de supermercados dona de 70% do mercado africano. “Eles também entregaram apenas uma embalagem dos doces”, disse. “Perderam a oportunidade de negociar por uma simples questão de apresentação”.

Na direção oposta, outro cliente de Renata, um fabricante de ventiladores de teto personalizados, fez um material de divulgação impecável e fechou sete contratos em dois meses no exterior. “Eles incluíram nesse material a voltagem necessária para usar o produto no Brasil e no exterior, fotos dos ventiladores em todos os ambientes, a informação de como surgiu a ideia de produzir os ventiladores”, contou.

Além da divulgação, o tempo de resposta na hora de negociar com os estrangeiros também é um diferencial. Nesse aspecto, Renata citou o exemplo de uma fabricante nacional de calçados que perdeu a chance de vender seus produtos numa rede de varejo com 43 lojas no Oriente Médio. “Eram sapatos de ótima qualidade, mas os donos da empresa duvidaram do tamanho da encomenda e levaram quatro meses para apresentar os preços”, disse. “Resultado: os interessados na compra qualificaram uma empresa no Peru e outra na China para a produção dos calçados”, contou. “É preciso lembrar que o mercado internacional não é especulativo, tem que ter timing”.

O sonho de exportar

Fechando o debate sobre as oportunidades lá fora, Gisele Gomes, diretora comercial da Manola Importadora e Comércio LTDA, falou sobre a sua experiência bem sucedida nesse campo. A Manola é uma marca de roupas femininas comercializada na internet, em diferentes sites parceiros da empresa, criada há três anos.

“Sempre tive sonho de exportar”, disse Gisele. “Sempre pensei em onde eu quero estar e o que preciso fazer para chegar lá.”

Com esse foco, a empreendedora entrou no site da Fiesp, viu a programação de eventos na área de comércio exterior e veio até a federação para uma consultoria. “Fiquei mais de três horas conversando com o consultor e me organizei para ir à minha primeira rodada de negócios com a Fiesp em Milão, na Itália”, lembrou. “A Fiesp organiza tudo e faz uma agenda muito bem direcionada para perfil dos empresários.”

Assim, numa rodada de negócios nessa mesma missão, Gisele levou um portfólio com os seus produtos e foi à luta. “A roupa brasileira é muito bem vista lá fora e, nesse primeiro contato, já marquei uma conversa por Skype para conhecer um interessado nas nossas peças, o qual veio para o Brasil nos conhecer dois meses depois.”

O resultado? “Montei uma coleção para a Europa e voltei para Milão meses depois para assinar contrato de distribuição”, disse. “Nunca pensei que na minha primeira missão já fosse fechar um contrato”.

Entusiasta do comércio exterior, Gisele recomenda as vendas internacionais a todos os empreendedores. “Quem tem um sonho de exportar tem que ir atrás sim. A Fiesp está aqui, para dar todo o suporte. Até no idioma eu tive ajuda”, lembrou. Ela prossegue com sua filosofia de negócios: “errar, superar, aprender e recomeçar”. “É preciso estar preparado para o erro, mas se recuperar rápido.”

Os coordenadores do debate sobre as oportunidades no exterior no MPI foram os diretores do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp Eduardo Chede e Vicente Manzione.

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Thomas Zanotto fala no painel sobre comércio exterior do 11º Congresso MPI. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Crédito é fundamental”, afirma Skaf na abertura do Congresso da Micro e Pequena Indústria

Agência Indusnet Fiesp

Na abertura, nesta segunda-feira (23/5), do 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, destacou o trabalho das empresas de menor porte no país e apontou a necessidade de maior oferta de crédito e da ampliação do limite de faturamento para a adesão ao Simples.

Skaf ressaltou que o congresso é um evento que traz resultados concretos. E destacou os temas deste ano na iniciativa: inovação, comércio exterior, comunicação e marketing.

“Crédito é fundamental, nós temos que estimular ainda mais essas parcerias com as instituições para levar o crédito para as micro e pequenas empresas”, disse Skaf. “Não adianta nós ficarmos aí curtindo dificuldades e crises, o Brasil passou e está passando por um momento delicado, mas o país é maior que tudo isso. O mundo inteiro acredita é no Brasil, não nos governos”.

Skaf afirmou ainda estar em contato com empresários nacionais e do exterior que estariam esperando apenas a situação do país se estabilizar para voltar a investir.

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Skaf entre Afif, à esquerda, e Bogus: "O mundo inteiro acredita é no Brasil, não nos governos”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


>> Ouça Paulo Skaf na abertura do 11º Congresso MPI

Nesse cenário de mais estabilidade, a ideia é ser “radical em relação ao aumento de impostos”. “Os impostos recolhidos são mal aplicados, os serviços públicos são ruins e há muito desperdício”, explicou. “Quando há excesso de impostos, há excesso de desperdício”.

Para o presidente da Fiesp e do Ciesp, é tempo de enquadrar as despesas e as receitas. “Dá sim para reduzir os gastos. A sociedade não pode aceitar mais aumento de impostos”, disse.

Simples ampliado

A ampliação da faixa do Simples também foi destacada. Com a sugestão de aumento dos atuais R$ 3,6 milhões de receita bruta anual para R$ 7,2 milhões para enquadramento no sistema simplificado de pagamento de impostos. “Mas, se for possível aprovar os R$ 4,8 milhões de forma escalonada, é melhor do que ficar nos R$ 3,6 milhões”, disse Skaf. “Depois começaremos uma batalha para chegar aos R$ 7,2 milhões, depois aos R$ 9 milhões e assim por diante”.

Ao encerrar a sua participação na abertura do congresso, Skaf afirmou que é preciso “facilitar a vida de quem quer trabalhar”. “O que não dá é para só dificultar a vida desses guerreiros e guerreiras que só querem trabalhar”.

Participaram ainda da abertura do MPI o presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos, o diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, Milton Bogus, e o deputado estadual Itamar Borges, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, entre outros nomes.


Martha Gabriel fecha seminário MPI enfatizando importância da tecnologia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Martha Gabriel, autora do livro Marketing na Era Digital, fez nesta terça-feira (13/10) a palestra de encerramento do II Seminário da Micro e Pequena Indústria (MPI) – Prosperando na crise. Falando sobre o tema “Tendências de Negócios para Micro e Pequenas Indústrias”, fez uma densa introdução, em que frisou a importância da tecnologia, ressalvando que é preciso saber o que fazer com ela. “Muitas empresas compram a tecnologia e não sabem usá-la” – e ficam frustradas pela falta de resultados. “Sem acompanhar a mudança”, explicou, há o risco de oferecer uma solução velha para uma situação nova.

O mundo cada vez mais complexo, continuou Martha, faz com que seja necessária a colaboração na hora de implantar algo na empresa. Também é preciso aumentar a sofisticação de quem atua.

Tecnologia, disse Martha, provoca desintermediação, eliminando empresas do meio. Exemplo é a 99Táxi, que faz via tecnologia a conexão direta do usuário com o prestador de serviços.

Citou estudo que mostra que a disrupção digital vai matar 40% das empresas do mundo. E outro, segundo o qual a tecnologia criou mais empregos do que eliminou, mas quem faz operações repetitivas tende a ser substituído pelos computadores. Nunca houve época tão boa para quem tem habilidades tecnológicas nem tão ruim para quem faz atividades repetitivas, disse. O que o computador ainda não faz, explicou, é criar emoção, criar empatia.

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Martha Gabriel durante o II Seminário da Micro e Pequena Indústria da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Talentos

Martha falou sobre a importância do propósito, afirmando que há um apagão de talentos e que para atrair pessoas e mantê-las, o essencial é o sonho, não o dinheiro. Nas startups, exemplificou, há pessoas interessadas em mudar o mundo, em fazer parte de algo maior, de fazer a diferença.

A lógica do mundo mudou, segundo Martha, e o poder está nas mãos de quem sabe programar. Brasil tem deficiência na área, não forma alunos de exatas.

Depois do susto, Martha entrou no campo das perspectivas e dos atenuantes. Disse que uma vantagem das pequenas empresas é a flexibilidade, a velocidade para mudar.

Apesar do ritmo exponencial de mudanças, existem ferramentas que fazer os ajustes conforme as coisas se alteram. E lembrou que coisas como valores e princípios não mudam nessa velocidade.

A nova geração, a Z, não é materialista. É para ela que é preciso olhar. “Dá o passo do futuro preocupada com o ambiente, com valores”, disse.

Tendências

Martha falou sobre as megatendências, aquelas que devem continuar importantes pelos próximos anos, dando exemplos de produtos que podem ser desenvolvidos para se encaixar nelas.

O mobile, os dispositivos móveis de Internet, são a primeira das megatendências, disse. Em 3 a 5 anos, disse, 50% de todo o acesso à Internet será mobile. “É o que as pessoas farão o tempo todo”, e os empresários precisam estar preparados para isso. A experiência mobile, afirmou é muito ruim em muitas empresas. Dá como dica, para todos, entrar no mobile.

A segunda megatendência é a de data economy. Não existe mais marketing sem tecnologia, disse. Pincelou como exemplos: impressão 3D de casas, usando energia solar, água e barro, sem trabalhadores. Impressão de produtos na casa ou escritório do consumidor, eliminando logística e otimizando recursos. E até impressão de comida, com o envio de códigos para criar os pratos a partir de insumos comprados pelo consumidor.

Realtime é a terceira megatendência. Conseguir atenção, afirmou, é cada vez mais difícil. Diferencial não é a informação, e sim, como conectá-la para criar valor. Ter criatividade.

O social, as redes sociais, continuarão como forte megatendência. Martha recomendou que as empresas abracem o ambiente digital, aprendam a usá-lo. Como exemplo, o AliExpress, uma grande vitrine online que pode ser canal para as micro e pequenas. O mesmo vale para a WestWing, que faz curadoria, uma camada de serviços em cima de produtos, mostrando as possibilidades de combinação. E também o shopping virtual para pequenos no Buscapé. Instagram é outro exemplo de ferramenta a ser considerada. E o Facebook, que para muitas lojas é o único canal. “É preciso entender como a tecnologia muda a lógica do negócio”, afirmou.

Por fim, a quinta megatendência, a sustentabilidade, com foco no ser humano, “que está fragilizado”. Nosso problema, disse, passa a não ser o ambiente, mas as pessoas.

Benefícios para os pequenos

Milton Bogus, diretor do Dempi, encerrou os trabalhos. Considerou o dia muito produtivo, lembrando que o objetivo, cumprido, era fazer mais do que um seminário. Ele também deu uma dica para os participantes, a recente regulamentação da compra governamental até R$ 80 mil apenas dos pequenos. Em sua avaliação, é uma opção de venda que deve ser observada e buscada. E recomendou que as empresas sejam ágeis.
>> Saiba mais sobre a regulamentação das compras

Cortar preço não é a primeira resposta perante a crise, diz especialista em marketing estratégico

Alice Assunção e Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A primeira resposta de um empresário a um período de crise é inovar, e não cortar preços, afirmou nesta terça-feira (13/10) Edson Barbero, consultor e especialista em inteligência de negócios e marketing estratégico, ao participar do II Seminário da Micro e Pequena Indústria da Fiesp.

“Cortar o preço não deve ser a primeira resposta perante a crise econômica. Mas qual a primeira resposta? Inove, raridade é uma proteção contra erosão de preços”, disse Barbero ao palestrar sobre preço para empresários de micro e pequeno porte durante o encontro organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

O segundo passo, segundo Barbero, é cortar custos indevidos ou injustificáveis. “Uma empresa não quebra por ter preços altos, quebra por ter custos altos”.

Barbero reiterou que o preço é um componente estratégico dentro do plano de marketing da empresa.  Ele acrescentou ainda que “reduzir preços não é vantagem competitiva, mas reduzir custos é uma vantagem competitiva”.

Micro e pequena indústria

O tema do segundo seminário do Dempi este ano é “Prosperando na Crise”. Durante esta terça-feira, empresários de micro e pequeno porte debateram a importância do plano, da estratégia e das ações de marketing para superar a má fase da economia brasileira.

Também participaram dos debates a executiva de marketing e branding Marcia Auriani, o diretor Acadêmico de Pós-Graduação da ESPM Edson Crescitelli e o coordenador do Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) Sul do Ciesp, Luiz Trivelatto.

Os painéis sobre produto, preço, promoção e praça foram mediados por Martha Gabriel, autora do best-seller “Marketing na Era Digital”.

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Luiz Trivelatto, no segundo painel do seminário MPI. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Parcerias estratégicas

A integração dos “4Ps” do marketing – preço, produto, praça e promoção – funciona como uma escola de samba. Se não houver uma sincronia entre esses 4 tópicos, não haverá sucesso em seu funcionamento. A analogia foi feita por Edson Crescitelli durante sua apresentação no MPI.

A palestra de Crescitelli tratou dos temas praça, logística e estratégia dos canais de distribuição. De acordo com ele, o grande desafio em qualquer operação logística é chegar ao consumidor final da maneira mais rápida e mais barata. “Normalmente, a distribuição é um item que não aparece com muita relevância, mas se essa ala não funcionar, a escola de samba vai estourar o prazo e não vai conseguir vender”, analisou.

Para Crescitelli, apesar dos relacionamentos com os canais serem sempre complexos, são necessários, não são meros meios de colocar os produtos nas mãos dos consumidores, e sim parceiros estratégicos. “É preciso evitar dependência excessiva de um canal ou organização e ficar atento à evolução do varejo, porque é isso que vai determinar a venda do seu produto”, afirmou.

Crescitelli apresentou algumas tendências gerais da distribuição, como: maior dificuldade em conquistar vantagem competitiva sustentável, poder crescente dos distribuidores, necessidade de reduzir custo de distribuição e o avanço da tecnologia.

Segundo ele, a rede de distribuição é necessária em muitos casos, já que o distribuidor é a forma de concentração entre quem vende e quem compra. “Um fabricante não consegue atingir vários segmentos ou clientes sozinho, é por isso que ele precisa da distribuição”, comentou.

Entre tantas formas dinâmicas de distribuição, Crescitelli citou a internet, com o e-commerce, que vem crescendo nos últimos anos, já que o consumidor prefere comprar pela internet, pela praticidade e diversidade de preços.  “Vender pela internet não é coisa só de grande empresa. Hoje em dia é mais acessível, é algo consolidado, mas novas formas de distribuição também estão sempre surgindo”, disse Crescitelli.

O palestrante afirmou que um plano de marketing para o canal de distribuição é fundamental, já que é necessário saber qual é o seu público-alvo, qual a região de atuação, posicionamento (compatibilidade da imagem, como você quer que ele apareça), perfil da organização, compatibilidade operacional, situação financeira e representatividade estratégica. “Tudo isso deve ser avaliado na hora de você escolher os seus parceiros de distribuição”, alertou.

Tendências

Crescitelli apresentou algumas tendências dos canais de distribuição, como o omnichannel, que são lojas físicas e virtuais trabalhando de forma integrada, uma integração online e off-line. No varejo, a tendência é na inclusão de tecnologias, pagamentos por mobile, displays interativos, códigos de barra e vídeos, por exemplo.

Sobre os modelos de distribuição, o palestrante citou a distribuição exclusiva, seletiva e intensiva, explicando que a melhor opção depende do objetivo e da estratégia escolhida. A distribuição exclusiva, explicou Crescitelli, é uma opção um pouco restritiva, porque tem de haver um volume grande de produtos. Já a distribuição seletiva é aquela que vende o produto em alguns pontos de vendas determinados, e a distribuição intensiva vende no maior número de lugares possíveis.

Entender o negócio é primeiro passo para plano de marketing, dizem palestrantes do MPI

Amanda Viana e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O primeiro painel do II Seminário da Micro e Pequena Indústria (MPI) – Prosperando na crise abordou a temática da análise estratégica do marketing para micro e pequenas indústrias, com o objetivo de ampliar os resultados das empresas. O MPI, promovido pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foi realizado nesta terça-feira (13/10), na sede da entidade.

Com 40 anos de experiência em consultoria empresarial, a professora e administradora Laura Gallucci fez uma análise sobre os ambientes macro e micro de marketing. “Ter um olhar no que está fora, para ver como eu batalho, como eu supero, para chegar aos meus objetivos, sem perder tempo. Isso é observar o macroambiente”, disse.

O impacto das variáveis macroambientais nos produtos e negócios, de acordo com a palestrante, vem das características políticas (políticas legislativas, aprendizado da legislação do seu setor), econômicas, socioculturais (em termos de constantes mudanças), demográficas (perfil do público, do consumidor da empresa), tecnológicas (mais mudanças e inovação) e naturais (pressão crescente para convivência pacífica).

Em relação ao microambiente, Laura Gallucci afirma que a análise abrange as características do mercado (vendas totais, por região, segmento, participação do mercado por concorrente, sazonalidade das vendas), público-alvo (análise dos clientes e consumidores deve ser feita com base em estudos de tendências do mercado, por segmento) e concorrência (saber quem são seus principais concorrentes, evolução da participação de mercado de cada concorrente por área/segmento, estratégia, imagem, forças e fraquezas de cada concorrente).

“É fundamental entender o setor em que atuamos de forma global, sistêmica, compreendendo a dinâmica da cadeia produtiva à qual pertencemos”, explicou Laura. A palestrante fez ainda uma reflexão sobre sobrevivência empresarial, usando como exemplos três tipos de empresas: a empresa dinossauro, a empresa camaleão e a empresa Ícaro.

“A empresa dinossauro é aquela que não consegue se adaptar às mudanças. Está ultrapassada. A empresa camaleão é aquela que consegue se transformar junto com o ambiente, adaptando-se”, disse. Segundo ela, a empresa camaleão frequentemente é a saída para as pequenas empresas, mas o modelo ideal seria o das empresas Ícaro, fazendo uma alegoria à mitologia grega. “A empresa Ícaro, ou poderia dizer Dédalo, é aquela que é símbolo da inovação, não fica parada, faz acontecer a mudança. Até as empresas pequenas são capazes de fazer isso, porque a inovação não precisa necessariamente de tecnologia”, comentou Laura Gallucci.

Ambiente interno

Rodrigo Amantea, coordenador acadêmico de Educação Executiva do Insper, fez uma análise sobre o ambiente interno das empresas, sobre a importância da marca e sugeriu uma reflexão sobre as práticas atuais de marketing das empresas. Para ele, a análise do ambiente interno é um momento de questionar, olhar para dentro de sua empresa e fazer um diagnóstico.

“O ambiente interno é olhar suas forças e fraquezas como empresa. O conhecimento do ambiente interno permite avaliar de forma pragmática quais objetivos e estratégias são possíveis e promissoras”, explicou Amantea.

O palestrante explicou que ao olhar para o ambiente interno precisamos levar em consideração quais são seus elementos centrais e suas competências. “Precisamos analisar a situação financeira, gestão e cultura, questionando o quanto a minha empresa está pronta para mudar. Uma competência central é um importante alicerce para a sua estratégia”, disse.

Amantea afirmou que a marca precisa ter credibilidade quando vai ao mercado, e que hoje em dia há uma exposição muito maior à opinião alheia, seja de formadores de opinião ou dos consumidores. “A propaganda não é mais a única forma de apresentação da marca, o boca-a-boca também conta bastante.”

Segundo ele, para ser verdadeira, a marca tem de ser construída de dentro para fora. “O que sustenta até o que é apresentado para fora depende do ambiente interno”, explicou. Ele disse ainda que falhas nas práticas internas podem prejudicar a imagem da empresa.

Para Amantea, refletir sobre as práticas atuais da empresa, verificando se estratégias e objetivos estão claros, além de avaliar indicadores de vendas, forças e fraquezas, são ações necessárias para um bom desempenho das empresas. “É muito mais caro adquirir um cliente novo do que vender para aquele cliente que já conhecemos. Por isso, é preciso medir o nível de satisfação do cliente. O pós-compra é importante, mostra a preocupação em fazer o cliente comprar novamente”, comentou.

Para avaliar a força de sua marca, Amantea explica que, internamente, é preciso notar o quanto a sua organização está preparada e alinhada para entregar o que promete e, externamente, o quanto uma marca impacta positivamente o consumidor e suas escolhas. “A marca é uma ferramenta de engajamento. Uma marca forte é construída e sustentada pelas interações com clientes”, afirmou.

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Primeiro painel do MPI teve como tema "Análise estratégica de Marketing para Micro e Pequenas Indústrias". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Matriz de análise

Alessandro Saade, especialista em educação corporativa e professor da Business School São Paulo, falou sobre a matriz Swot (ou, na sigla em português, PFOA, de Potencialidades/Fraquezas, Oportunidades/Ameaças). Começou sua apresentação dizendo que é um empreendedor compulsivo, que aprendeu a duras penas a substituir a abertura de negócios próprios pela ajuda a outros empreendedores – com menos risco e a mesma satisfação. Deu como primeiro conselho não tentar criar várias empresas ao mesmo tempo. “Faça o negócio andar, depois monte outro.”

Frisou a importância de pensar sobre a estratégia da empresa, por mais difícil que seja sair do dia a dia para olhar para o negócio. Saade explicou que a matriz Swot é um sistema de posicionamento do negócio, útil para analisar cenários. Permite fazer um diagnóstico rápido, inserindo numa matriz as informações internas e externas. O especialista a considera peça chave no planejamento. Sabendo as condições que cercam a empresa, há diminuição de riscos – que, lembrou, afetam muita gente além dos sócios.

Saade detalhou as siglas da matriz Swot/PFOA. Potencialidades/Fraquezas incluem os fatores existentes no negócio e sobre os quais o empresário tem controle.

Oportunidades/Ameaças são fatores externos, aquilo sobre o qual a empresa não tem controle. Deu como exemplo a Natura, que tem linhas de produtos exclusivamente naturais, dependentes de clima e outros fatores. Segundo Saade, no início houve problemas, por falta de safra dos produtos usados como insumo, impedindo a entrega de produtos que já tinham sido encomendados.

O consultor disse que em cada quadrante da matriz é preciso inserir de 3 a 10 pontos de atenção, que devem ser classificados por importância ou dependência, o menor ou maior impacto no negócio). Para cada um dos principais –pelo menos os 3 primeiros- o empresário deve definir um plano de ação. “É preciso ter um plano B”, explicou.

Usou como exemplo a Coca-Cola, que se moveu para outros produtos, como sucos de frutas e água, para compensar fraquezas de seu negócio. Em alguns casos, comprou concorrentes que não conseguia superar.

Apenas fazer a matriz não é o bastante. É preciso alinhá-la à estratégia da empresa e engajar as pessoas (se não elas andam sozinhas). “Precisam estar imbuídos do mesmo espírito”, afirmou o especialista.

Saade despertou o interesse da plateia, que fez perguntas, por exemplo, sobre quem deve fazer a análise. Apenas gente de dentro da empresa ou também de fora? Segundo o palestrante, é importante, se possível, misturar pessoas de dentro (sempre necessárias) e de fora (que não têm a visão contaminada pelo dia a dia), em quem se confie. Há muitas formas, disse de fazer isso. Uma sugestão sua é trazer gente de outro segmento, com um olhar diferente.

Na questão sobre como engajar as pessoas, Saade lembrou que é preciso haver um propósito para a empresa. “Não é apenas para ganhar dinheiro”, disse. Martha Gabriel, mediadora do painel, deu sua colaboração. “Como engajar para coisas que originalmente as pessoas não querem fazer?”, perguntou. Além de educar, explicou, é preciso haver a estrutura. Entra então em cena o estímulo, que pode ser positivo (algum tipo de prêmio) ou negativo (multa, por exemplo). Recomendou a leitura em seu blog do texto “Os 3 Es do Engajamento Social” .

No II Seminário da Micro e Pequena Indústria, diretor da Fiesp defende aumento do teto do Simples

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O aumento do teto de faturamento do Simples Nacional, de R$ 3,6 milhões para R$ 7,2 milhões em 2017, precisa ser aprovado no Congresso ainda este ano, defendeu nesta terça-feira (13) o diretor do Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Fiesp, Milton Bogus.

“Vamos pressionar para a votação final ainda este ano”, disse Bogus ao se referir ao texto-base do projeto, aprovado pela Câmara dos Deputados em setembro.

Durante a abertura do II Seminário da Micro e Pequena Indústria, Bogus reiterou que este segmento da economia consegue superar crises com mais agilidade.

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O diretor do Dempi, da Fiesp, Milton Bogus, no II Seminário da Micro e Pequena Indústria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“São as micro e pequenas que demitem menos. Enquanto elas fecharam 82 mil postos de trabalho este ano, as demais empresas fecharam mais de 200 mil postos”, disse.

Ele também acrescentou que, se houver uma estabilização do patamar cambial, a redução das importações pode favorecer a venda de componentes nacionais fabricados pelas micro e pequenas indústrias.

“Podemos encarar este momento como uma nova oportunidade, pois é possível prosperar na crise”, disse, em alusão ao tema do evento.

Nesta terça-feira, empresários de micro e pequeno porte devem discutir a importância do plano, da estratégia e das ações de marketing para superar a má fase da economia brasileira.
>> Ouça reportagem sobre o MPI

Inovação

Segundo o presidente da agência paulista de fomento à pequena e média empresa, a Desenvolve-SP, Milton Luis de Melo Santos, houve um aumento do número de empresas de pequeno porte que recorrem a agência de fomento de São Paulo para financiar projeto de inovação em seus processos e produtos.

“Nesse sentido, cresce de forma consistente o volume de financiamento e investimento em empresas de pequeno porte que têm apresentado soluções inovadoras em seus processos produtivos”.

O deputado estadual Itamar Borges, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, também participou da abertura do seminário.

Sofrimento opcional

A autora do best-seller “Marketing na Era Digital”, Martha Gabriel, apresentou as mesas de debates do seminário, do qual ela é curadora.

Especialista em inovação e marketing, Martha Gabriel relembrou a máxima budista em sua apresentação para incentivar os empresários de micro e pequeno porte a superarem a crise: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

Ela ressaltou ainda que a plano de marketing, tema principal do seminário desta terça-feira, é o principal instrumento para o empresário.

“Normalmente a gente planeja porque temos um problema para resolver ou um objetivo de crescer. E a gente faz plano o tempo todo. É um plano para vender um produto que daqui um ano estará à venda, mas, para o qual, vamos fazer um outro plano para corrigir algo ou para aumentar as vendas.”

Martha também destacou que a resiliência é uma importante característica que, infelizmente, está em falta nas empresas. “Isso não é algo que as empresas aprenderam a ter, que é permanecer, ter um problema, mas resolver. Ter confiança de que aos poucos vai acertando o caminho”.

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A autora do best-seller “Marketing na Era Digital”, Martha Gabriel, curadora do II Seminário da Micro e Pequena Indústria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Empreendedores cumprem seu papel, afirma Skaf no II Seminário da Micro e Pequena Indústria

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar da crise política e econômica, o Brasil ainda é superior e maior do que qualquer “governo incompetente” afirmou nesta terça-feira (13) o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf. Ele participou da abertura do II Seminário da Micro e Pequena Indústria, organizado na sede da entidade.

“Paralelamente a essas dificuldades, estamos cumprindo nosso papel como empreendedores, discutindo mercado e estratégia. Estarmos aqui significa que acreditamos que o Brasil é muito maior do que qualquer crise”, disse Skaf no início do seminário, organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

Na ocasião, Skaf reiterou que o setor produtivo vai continuar reagindo contra as tentativas de aumento de impostos por parte do governo federal.

“Vamos ter a coragem de sempre reagir fortemente contra qualquer governo que não esteja trabalhando pelo melhor do Brasil. Quando a gente percebe uma postura errada, um caminho errado, só nos resta fazer resistência mesmo.”

Skaf voltou a criticar o aumento de arrecadação proposto pelo governo, como meio para efetivar o ajuste fiscal.

Lembrando que neste ano a economia deve encolher 3%, Skaf afirmou que “quando se aumentam os impostos, para aumentar a receita, diminui-se a competitividade”.

O presidente das entidades da indústria paulista continuou defendendo a redução da participação do Estado na economia brasileira. “Acreditamos num Estado menor, mais eficiente, com menos impostos e uma economia mais liberal.”

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Paulo Skaf na aabertura do II Seminário da Micro e Pequena Indústria. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Micro e pequena indústria

O tema do encontro aberto por Skaf é “Prosperando na Crise”. Durante esta terça-feira, empresários de micro e pequeno porte devem discutir a importância do plano, da estratégia e das ações de marketing para superar a má fase da economia brasileira.

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MPI: Líder é quem mobiliza as pessoas para mudanças

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

O momento de constantes mudanças, econômicas, políticas e sociais, exige novas estruturas organizacionais e novos modelos de lideranças, avaliou o mestre em filosofia Gilberto Guimarães, durante o 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (25/5.

Guimarães apresentou a palestra “O papel do líder na empresa” e afirmou que as organizações são abstrações jurídicas, ou seja, as empresas são as pessoas que fazem parte dela. Essas pessoas, por sua vez, precisam de um líder que tome decisões e assuma responsabilidades.

“Líder não é quem manda. Líder é aquele que é conhecido por manter a sobrevivência da empresa, que toma decisões e faz as escolhas corretas”, disse o palestrante. A liderança positiva, para ele, é uma tentativa de fazer com que as pessoas tenham um desempenho muito acima do esperado.

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Gilberto Guimarães: "A crítica gera o medo, que não ajuda a produzir". Foto: Everton Amaro/Fiesp


O papel do líder é mobilizar as pessoas para as mudanças, que são contínuas e seguem em um ritmo acelerado. “As empresas que não perceberam que as mudanças são rápidas, logo são consideradas obsoletas”, alertou. Segundo Guimarães, o conceito de subordinação relacionado ao chefe ou ao líder não existe mais, já que, muitas vezes, o trabalhador sabe mais do que os seus próprios chefes.

“Hoje em dia, a relação de trabalho é muito mais uma organização de iguais, parceiros ou associados, e não de total subordinação”, explicou.

Novas formas de liderança

O novo líder não gerencia apenas as pessoas, mas é responsável pela gestão da base de conhecimento, do uso das informações que as pessoas desenvolveram e aplicaram, defendeu o especialista.

“É a gestão do intangível, do bom uso do conhecimento”. Para Guimarães, a informação e o conhecimento são tão ou mais importantes quanto os outros fatores de produção, como mão de obra e capital. “Um trabalhador do conhecimento leva com ele a ferramenta do seu trabalho. A ferramenta é dele, e o produto do seu trabalho, portanto, também é dele”, comentou.

De acordo com o palestrante, o líder tem a função de ajudar a criar o novo, sendo mais inovador e criativo, e precisa conhecer os seus liderados, os apoiando e não somente criticando. Para isso, o líder precisa eliminar o medo no ambiente de trabalho.

“A crítica gera o medo, que não nos ajuda a produzir e nem nos deixa mais competentes”, afirmou. Guimarães reiterou que não se trata de aceitar ou ignorar os erros, mas o fundamental para o líder é aprender a construir uma solução positiva.

Ele acrescentou que o líder deve ser otimista e conseguir seguidores, que vão confiar nele. “As emoções são contagiosas. Em um ambiente em que o líder é pessimista e negativo, a equipe liderada também será assim”, disse.

Gilberto Guimarães afirmou ainda que o líder deve dar a cada pessoa um sentido da importância do trabalho que ela realiza, criando significados positivos. “Quando as pessoas têm um propósito profundo e estão engajadas com seu trabalho, isto tem efeitos positivos nos seus resultados e na produtividade. A função do líder é permitir que cada um dos seus liderados tenha a percepção do significado do trabalho que ele faz”, elucidou.

MPI: Diretor de micro e pequenas da Fiesp pede desburocratização

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em meio à crise econômica, o que importa é comandar bem a empresa para resistir às dificuldades, afirmou nesta segunda-feira (25/5) o diretor do Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Milton Bogus.

“Momentos de crise sempre existiram. Sejamos cautelosos”, disse Bogus durante a abertura do 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria, organizado pelo Dempi na capital paulista.

O diretor da Fiesp aproveitou a ocasião para pedir por mais simplificação às empresas de micro e pequeno porte. “Apoiamos soluções para desburocratizar a vida das pequenas”.

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Milton Bogus, diretor do Departamento da Micro e Pequena Indústria. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Presente na abertura do Congresso, o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, informou que a partir de junho deste ano, o prazo médio para abertura de empresas será de cinco dias. Para abrir uma empresa no Brasil demora-se, atualmente, 102 dias.

A medida faz parte do programa Bem Mais Simples, apresentado por Afif no congresso desta segunda-feira.

Ajuste fiscal

Bogus reforçou ainda que o ajuste fiscal anunciado pelo governo deve se concentrar na redução dos gastos públicos.

“O governo necessita de mais disciplina e eficácia no gasto público. Vamos devagar com o andor desse ajuste fiscal”, afirmou Bogus.

MPI: “Quem liga as máquinas também sabe desligá-las”, afirma Skaf

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O ajuste fiscal é problema do governo. Quando se gasta mais do que se ganha, tem de equilibrar as contas, afirmou nesta segunda-feira (25/5) o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Ele voltou a dizer que a indústria vai “desligar as máquinas” se houver aumento dos impostos.

Skaf participou da abertura do 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pelo Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi) da entidade.

“Com o ajuste fiscal, se fala novamente em aumentar impostos, eu penso que isso é problema do governo. Com previsão de crescimento negativo de 2% da economia brasileira e queda de 5% da indústria, é difícil aumentar arrecadação. O governo tem de cortar suas despesas”, disse ele durante o encontro.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, fala em congresso da micro e pequena empresa. Foto: Ayrton Vignola


Na sexta-feira (22/5), o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciou mais uma fase do ajuste fiscal, que deve resultar em um corte de R$ 69,9 bilhões no orçamento. A administração ainda estuda o aumento do imposto sobre a receita bruta de 1% para 2,5%, e dos atuais 2% para 4,5%.

O presidente da Fiesp voltou a afirmar que o setores produtivos “não vão aceitar nenhum tipo de aumento de imposto”. Ele reiterou que não há espaço para aumentar impostos e juros em meio à falta de demanda no setor industrial.

“Não vamos aceitar nenhum tipo de aumento de imposto. E, se houver, vamos desligar as máquinas sim”, disse Skaf. “E quando eu digo que quem sabe ligar as máquinas também sabe desligar há muita profundidade nisso. Temos de repetir isso pelo Estado”.

>>Ouça o boletim sobre o Congresso MPI

MPI: Aumento de teto do Simples é tratado com urgência no Congresso, diz ministro Afif

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O aumento do teto de faturamento do Simples, regime tributário especial para empresas de pequeno porte, está sendo tratado em caráter de urgência, afirmou nesta segunda-feira (25/5), o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos. Mas a falta de consenso sobre o ajuste fiscal ainda tranca pauta do Congresso.

“Apresentamos o estudo e o projeto de lei ainda no ano passado. Tratamos com o presidente do Congresso que deu urgência. O projeto está pronto para ir à plenária. Só não colocamos ainda porque o Congresso está muito tumultuado com o dissenso do ajuste fiscal”, afirmou Afif.

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Ministro Afif: "O objetivo maior de qualquer governo é o emprego e renda". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Ele participou do 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Afif disse ainda que “mexer no limite do Simples não adianta, temos de mexer em todas as tabelas”.

O limite de faturamento anual para pequenas empresas optarem pelo regime Simples deve aumentar de R$ 3,6 milhões para R$ 7,2 milhões, enquanto o teto para o micro empreendedor deve aumentar de R$ 360 mil para R$ 720 mil por ano, e o do micro empreendedor individual, o MEI, para R$ 120 mil versus R$ 60 mil. O aumento dessas faixas, no entanto, deve entrar em vigor no próximo ano.

“Estamos fazendo para o ano que vem. O objetivo maior de qualquer governo é o emprego e renda, e quem responde com mais rapidez é, sem dúvida, a pequena empresa”, disse Afif.

Presente na abertura do encontro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, informou que, somente em São Paulo, há mais de 2,5 milhões de micro e pequenas empresas.

“Estaremos ao seu lado com todas as forças”, disse Skaf ao ministro Afif. “Tão logo se vire a página do ajuste fiscal, entraremos nessas mudanças necessárias ao microempresário”, completou.

Congresso da Micro e Pequena Indústria da Fiesp completa 10 anos

Patricia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de apresentar estratégias e perspectivas para o setor, o Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza o 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria 2015, em 25 de maio, na capital paulista.

A agenda de debates será das 8h às 18h e abordará temas como o papel do líder na empresa, como liderar vendas para melhores resultados e aproveitar talentos das organizações.

Dirigido a empresários de diversos segmentos, o congresso anual também proporciona um espaço para networking, troca de experiências entre profissionais e contato com universidades parceiras do Dempi.

Ainda durante o evento, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e o Sebrae-SP devem fazer atendimentos. Os bancos participantes do Programa Sala de Crédito também devem atender em eventos paralelos ao congresso.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site: www.fiesp.com.br/congressompis.
Clique aqui para mais informações

Serviço
10º Congresso da Micro e Pequena Indústria 2015
Data: 25 de maio
Horário: das 8h às 18h
Local: Hotel Renaissance, na Alameda Jaú, 1620

Resiliência, competitividade e empreendedorismo no último painel do MPI 2014

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

No último painel do 9º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) na tarde desta segunda-feira (26/05), foram apresentados casos de sucesso e experiências empresariais de ganhos em produtividade. O evento foi realizado no Hotel Renaissance, em São Paulo.

Humberto Salvador Afonso, dono da Alibra Alimentos, contou sua história profissional, recheada de resiliência e força de vontade. Atualmente, ele é sócio proprietário de 11 unidades de negócios, dez delas voltadas para os segmentos alimentícios e de bebidas. Filho de pais portugueses e comerciantes, Afonso afirmou que sempre quis ter um negócio próprio. Por isso, cursou Engenharia de Alimentos na Unicamp, em Campinas, e se especializou em finanças pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV), já pensando em empreender no futuro.

Afonso trabalhou em grandes empresas, inclusive na área comercial e de vendas.  Ao abrir sua pequena empresa e elaborar planos de negócio, o empresário encontrou muitas dificuldades. “Com problemas em ingredientes dos produtos, precisamos recuperar não só a parte financeira, como também nossa credibilidade com os clientes”, contou.

Na década de 90, Afonso sofreu com a inflação descontrolada, com a ineficiência de gestão e com pouco capital de giro. Ao se recuperar dessa crise, com o crescimento de seu negócio, vendeu sua empresa para uma multinacional estrangeira e assumiu o cargo de diretor executivo. “Essa mudança foi um incentivo e um reforço para minha vocação empreendedora”. A partir dos anos 2000, Afonso fundou a Alibra, e hoje o grupo emprega cerca de 900 funcionários, com previsão de faturamento para este ano de R$ 350 milhões.

Para Afonso, o que faz a diferença nos negócios em busca de crescimento é o tripé vendas, inovação e produtividade. “Produtividade é a expressão da eficiência em qualquer negócio. E, infelizmente, a produtividade do Brasil não avançou praticamente nada em 50 anos”, afirmou.

Como um todo

Para obter sucesso nos negócios, ou recuperar empresas de possíveis crises, a empresária e diretora do Dempi na Fiesp, Beatriz Cricci afirmou que é preciso mapear pontos principais de vendas e investir em cursos que beneficiem os funcionários e os negócios como um todo. “Existem muitos recursos para explorar”, disse. De acordo com ela, sempre existem chances de mudanças e é possível, sim, se recuperar das dificuldades sofridas, que são muito comuns no meio empreendedor.

Beatriz: sempre há possibilidades de mudança. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Beatriz: sempre há possibilidades de mudança. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Manoel Canosa Miguez, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), falou sobre empreendedorismo, oportunidades, inovação, competitividade e associações familiares.  O palestrante narrou suas experiências no mundo dos negócios e deu dicas para a solução de problemas. Para Miguez, existem defesas comerciais para situações nas quais existe concorrência desleal, por exemplo. “Às vezes falta conhecimento. É preciso sair um pouco do chão de fábrica e ir atrás do conhecimento”, afirmou.

Miguez: em busca do conhecimento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Miguez: em busca do conhecimento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Miguez afirmou que fontes de informação, diagnóstico e planejamento são pilares fundamentais para uma boa estrutura nos negócios. “São pequenas coisas que conseguem colocar uma empresa de volta ao mercado”, disse. Produtos de inovação, tecnologia, conhecimento e pesquisa também são fatores importantes. “Precisamos acreditar mais em nosso produto e acreditar no que fazemos”, concluiu Miguez.

Projetos inovadores do Senai-SP são exibidos no Congresso da Micro e Pequena Indústria

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) também marcou presença na edição 2014 do Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No evento realizado nesta segunda-feira (26/05), a instituição expôs no Hotel Renaissance, em São Paulo, projetos inovadores que repensam práticas comuns nas indústrias.

Saiba mais sobre alguns deles:

Cockpit Simulador de Empilhadeira

Criado em parceria com a empresa Zaxistools, o maquinário mantém a ergonomia das empilhadeiras reais, com objetivo de formar operadores qualificados na função.

O projeto já está em fase piloto em três unidades do Senai-SP, em São Bernardo do Campo, Osasco e Jundiaí. E atende nesta fase inicial cerca de 90 alunos.

“O equipamento otimiza custos e potencializa o aprendizado dos futuros trabalhadores, que alternam contato com maquinário real e com o cockpit”, explica Gustavo Oliveira, gerente de projeto da empresa parceira Zaxistools.

“O projeto está à disposição desde novembro de 2013, com previsão de expansão, e gera capacitação harmoniosa entre máquina e aluno”, completa Angela Puhlmann, assessora técnica da Gerência de Inovação e Tecnologia do Senai-SP.


Eficiência Energética

Outro projeto interessante do Senai-SP é o atendimento às empresas para melhoria de eficiência energética.

O engenheiro eletrônico e técnico em ensino, Silvio Luiz Amalfi, da Escola Jorge Mahfuz, em Pirituba, explica muitas das micro e pequenas empresas não são profissionalizadas desconhecem fatos básicos para a redução de gastos com energia.

“Atendemos empresas, prestamos consultoria e fazemos um diagnóstico por meio da utilização de equipamentos de última geração, para a melhoria da eficiência energética da planta de uma indústria, por exemplo”, explica Amalfi.

Segundo ele, as ações do Senai-SP reduzem em média de 20% a 25% dos gastos elétricos de micro e pequenas empresas.


Design Revolucionário

Um dos projetos mais interessantes em exposição foi o “Ambulância”.

Nascido de uma demanda de uma pequena empresa transformadora de interiores de veículos, de São Caetano, o projeto idealizado pelos jovens designers do Senai-SP Guilherme de Carvalho, 27 anos, e Ana Lúcia Domingues, 30, já venceu o Idea Brasil, maior prêmio do design brasileiro, e, atualmente está exposto no Museu Henry Ford, em Nova York.

O projeto repensa a maneira como pacientes, médicos e enfermeiros são transportados dentro das ambulâncias, e também como o material utilizado nos interiores dos veículos. O resultado do projeto é uma ambulância que parece vir do futuro. Além de econômica.

Carvalho explica que o projeto nasceu a partir de entrevistas realizadas com enfermeiros e médicos.  Assim os designers entenderam as necessidades desses profissionais. “Fizemos uma extensa pesquisa”, disse.

Os dois basearam a estrutura do novo design com o polímero “ultra resistente” ABS.

O novo design reduz o peso do veículo em 250 quilos, o que gera redução de gastos com combustíveis e problemas mecânicos.

“O projeto agora está em fase de capacitação e pode revolucionar a maneira como as pessoas pensam as ambulâncias”, conclui Ana Lúcia.

MPI 2014: cooperação produtiva estimula a competitividade das empresas

Ariett Gouveia e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As possibilidades oferecidas pela chamada cooperação produtiva para as empresas foram debatidas, na tarde desta segunda-feira (26/05), no  9º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O evento foi realizado no Hotel Renaissance, na capital paulista.

Um dos convidados para discutir o assunto, o professor titular e chefe do Departamento de Engenharia da Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), João Amato Neto, explicou que a cooperação produtiva rende bons frutos desde a década de 1980 em países como os Estados Unidos, Itália e Japão. “As redes de cooperativas formadas por pequenas empresas são formas de desenvolver economias regionais”, disse. “Um impulso para a competitividade das empresas”.

No Brasil, conforme Neto, são boas experiências do tipo as redes de cooperativa de agricultura familiar e as redes de cooperativas solidárias para a pesca em Santa Catarina e as redes de farmácias do Rio Grande do Sul, entre outras iniciativas.

Neto: iniciativas de cooperação em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Neto: iniciativas de cooperação em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Foto: Everton Amaro/Fiesp

De que forma a cooperação produtiva é feita? A partir de ações como “os consórcios de exportação, as cooperativas de crédito, o desenvolvimento de inovação tecnológica, as compras conjuntas de insumos e o compartilhamento de infraestruturas como laboratórios”, entre outras opções.

Para o professor, a lógica é a de “cooperar para melhor competir”.

O poder da multidão  

Segundo a diretora no Brasil da consultoria Mutopo, Marina Miranda, também participante do painel do MPI, é impossível ignorar, hoje, o poder da multidão manifestado por meio da colaboração, das atividades de crowdsourcing, ou seja, da inteligência e cooperação coletivas.

“As mudanças no mercado agora acontecem de forma muito rápida”, explicou ela. “E essa multidão pode nos proporcionar co-criação, compartilhamento, revisão, financiamento coletivo, acesso a informações”, explicou.

Marina: impossível ignorar o poder da multidão. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Marina: impossível ignorar o poder da multidão. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Nessa linha, empresas como a finlandesa Lego, de brinquedos de montar, simplesmente pararam de investir em publicidade. “A Lego agora investe em comunidades, nos clientes como parceiros, desenvolvendo um trabalho colaborativo com os seus fãs”, disse Marina.

Para ela, “em vez de falar, às vezes é melhor escutar”. É o caso, por exemplo, de iniciativas como o Waze, sistema de localização e roteiros para celular. “Eles não têm funcionários nas principais ruas e semáforos”, afirmou. “Todo mundo trabalha para o Waze fornecendo informações, por isso eles são competitivos”.

Ferramentas de colaboração

Fernanda Mascher, gerente da área de ferramentas, aplicativos e enterprise do Google, falou sobre as ferramentas de colaboração. Para explicar melhor a importância dessas ferramentas, ela buscou a definição de produtividade no dicionário e concluiu que ser produtivo é ter na empresa pessoas que utilizem melhor o seu tempo com menos capital investido.

Para a gerente, esse desafio pode ser respondido por meio da tecnologia. “O trabalho costumava ser local. Antes eu saía da minha casa e ia para o trabalho porque era ali que eu tinha todas as informações, as pessoas com quem eu trabalhava estavam presentes e eu desenvolvia a produção. Isso não acontece mais”.

Fernanda: apenas a versão “agora”.  Foto: Everton Amaro/Fiesp

Fernanda: apenas a versão “agora”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ela destaca que não é apenas uma questão de ler e-mails de casa, mas de ter uma experiência rica de trabalho, com todas as informações necessárias, de qualquer dispositivo. Que seja possível fazer uma conferência por meio de computadores e celulares, com cada pessoa em um lugar diferente. Ou que várias pessoas trabalhem juntas no mesmo documento, sem produzir uma série de versões, apenas a versão “agora”.

“Quantos de vocês conseguem visitar três clientes em uma manhã em São Paulo?”, desafiou Fernanda, que reforçou a necessidade da mudança de cultura das empresas. “A cultura da colaboração tem que vir antes da ferramenta. Se não tem processo, não tem ferramenta que resolva o problema. Só assim as pessoas vão poder colaborar de fato, o que vai aumentar a produtividade.”

Gestão de pessoas

Para tratar de gestão de pessoas, Sergio Nery, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), afirmou que o avanço da tecnologia resultou em um descompasso com a gestão de pessoas. “Há as pessoas que farão as coisas acontecerem, as que acham que já fazem, as que observam, as que se surpreendem quando as coisas acontecem e aquelas que nem saberão o que aconteceu”, brincou.

“O crescimento das pequenas e médias empresas nunca esteve tão associado aos conceitos de grandes empresas, como competitividade, tecnologia, qualidade, meio ambiente, competência gerencial”, afirmou Nery. “É preciso saber gerenciar as competências das várias gerações que trabalham em um mesmo ambiente, para satisfazer um cliente cada vez mais exigente.”

Nery: pessoas que farão as coisas acontecerem. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Nery: pessoas que farão as coisas acontecerem. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O professor também falou sobre a necessidade de mudança de cultura. “Quem faz a mudança não é o processo, mas as pessoas. Muitas vezes, pensamos que estamos mudando, mas estamos fazendo tudo do mesmo modo. É preciso quebrar paradigmas”, alertou Nery, chamando atenção para a questão de retenção de talentos.

“Micros, pequenas e médias empresas têm dificuldade nessa guerra de talentos, porque as grandes investem milhões de dólares para buscar e manter essas pessoas, com possibilidade de oferecer melhores salários e oportunidades de carreiras internacionais”, disse o especialista, que ressaltou que a mudança de cultura pode fazer com que as PMEs consigam manter seus talentos por meio do engajamento com a marca.

Nery concluiu sua apresentação deixando algumas reflexões ao público. “Temos uma visão e valores compartilhados para o crescimento? Temos capital humano para crescer? Temos comprometimento e engajamento dos nossos funcionários? É nisso que precisamos pensar sobre a gestão de pessoas.”

O melhor caminho para a mudança

Participante do mesmo debate, o diretor do Dempi Carlos Bittencourt foi outro a defender a cooperação produtiva entre as empresas. “Os próprios colaboradores podem ser divulgadores das ações das empresas nas redes sociais, por exemplo”, disse.

E mais: “É possível até fechar parcerias com a concorrência em áreas nas quais não há competição, como nas atividades de transporte, por exemplo”, explicou.

Segundo Bittencourt, a “informação é o melhor caminho para a mudança”.