Se aumentar imposto resolvesse o problema, o Brasil seria um país perfeito, afirma Skaf

Alice Assunção e Nina Proci, Agência Indusnet Fiesp

O ajuste fiscal em um país com arrecadação de mais de R$1 trilhão ao ano deve ser conduzido na direção de reduzir as despesas do governo, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, após receber o ministro da Pesca e Aquicultura, Helder Barbalho, nesta sexta-feira (27/2) na sede da entidade.  Para o presidente da federação, a Medida Provisória 669, que aumenta a contribuição das empresas à Previdência, é injusta para o setor.

“Se aumentar imposto resolvesse o problema, o Brasil seria um país perfeito. Mas falta gestão, controle, eficiência. Dinheiro tem”, disse Skaf.

Segundo ele, a carga tributária do Brasil cresceu de 25% para 36% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 20 anos.

“Aumento da carga tributária significa menos competitividade, a indústria tem 13% da economia e paga um terço dos impostos e a medida de hoje significa pagar mais impostos, o que é muito injusto”.

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O presidente da Fiesp acrescentou que a situação de aumento do desemprego, elevação da carga tributária e de crise hídrica é “um cenário que vai contrário ao estímulo de investimento. Temos que lutar para mudar esse cenário”.

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Ministro Helder Barbalho e Paulo Skaf em reunião com empresários dos setor aquícola. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Reunião com ministro

Em reunião com Helder Barbalho, Skaf e empresários do setor aquícola discutiram os principais desafios à expansão da produção de pescado no país.

“O Brasil produz 470 mil toneladas de peixe e podemos, em quatro anos, quadruplicar isso”, afirmou Barbalho.

Questionado sobre as medidas propostas pelo governo federal de alteração do pagamento de benefícios ao trabalhador, entre eles o auxílio-doença, Barbalho disse que há um esforço da parte do ministério para que haja um equilíbrio entre a necessidade do ajuste fiscal e a preservação dos diretos dos trabalhadores do setor.

“O ministério vai discutir. Acredito que é dessa forma, com diálogo e transparência, que podemos convergir a adequação fiscal com os direitos de todo os envolvidos”, disse o ministro.

Segundo Skaf, encontros como esses “são para identificar quais são as pedras no caminho e removê-las para que haja realmente o desenvolvimento”.