Fiesp e sindicatos trabalhistas lançam movimento conjunto contra juros altos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp: "Faz 16 anos que os juros no Brasil são um absurdo. Não podemos deixar que continue na especulação"

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e sindicados de trabalhadores oficializaram nesta terça-feira (18) o Movimento por Brasil com Juros Baixos: Mais Empregos e Maior Produção, enquanto o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realiza seu primeiro dia de reunião mensal para decidir a taxa básica de juros Selic.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, participou do lançamento e reforçou que reduzir os juros para aumentar a produção e, consequentemente, o consumo, é um desejo em comum entre os sindicatos patronais, os trabalhadores e a sociedade.

“Nós não podemos permitir que continue na especulação. Faz 16 anos que os juros no Brasil são um absurdo”, declarou Skaf. Atualmente, a Selic ocupa o patamar de 12%. A decisão da autoridade monetária será conhecida nesta quarta-feira (19).

De acordo com instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central, pela quarta semana consecutiva, o mercado manteve a previsão para a Selic em 11% ao final deste ano. Para 2012, os economistas consultados preveem um patamar de 10,50% ao ano, segundo relatório Focus da divulgado na segunda-feira (17).

Na avaliação de Skaf, a divergência de interesses entre o empresariado e trabalhadores é mínima e será resolvida. “Temos que quebrar paradigmas. Essa história de estarmos divididos é boa para quem não quer o desenvolvimento do País. Ninguém aqui imagina transformar o País sem que haja o desenvolvimento com justiça social.”

O deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que comprar uma briga contra os juros altos não é “lidar com qualquer um”.

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Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical: "Comprar uma briga contra os juros alto não é lidar com qualquer um. Estamos enfrentando o sistema financeiro"

“Estamos enfrentando o sistema financeiro, Paulo Skaf”, salientou o deputado ao citar três nomes que deram início ao movimento: Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e o presidente da Fiesp.

Sem justificativa

Durante o evento, economistas afirmaram não haver justificativa para o Brasil manter a taxa básica de juros em elevado patamar. Em junho de 2009, pela primeira vez na história do País, o BC reduziu a Selic para um dígito, um patamar inédito de 9,25% ao ano.

“Não há nada que nos impeça de ter uma taxa de juros civilizada, a não ser o medo”, observou o professor doutor do Instituto de Economia da Unicamp e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. Ele acrescentou que o fortalecimento da produção nacional e a consequente geração de emprego podem fazer com que o Brasil deixe para trás “a marca de subdesenvolvimento”.

“Esse movimento não é apenas para fazer com que o País recupere seu nível de antigamente, mas também para que cresça no próximo ano”, disse o economista, ressaltando que se não houver uma baixa da Selic, o País pode registrar um “crescimento negativo no ano que vem”.

Para o professor-doutor do Departamento de Economia da PUC-SP, Antonio Corrêa Lacerda, o grande desafio para o Brasil é tornar o Banco Central independente do governo e do mercado e ter total autonomia em suas decisões.

Ele reforçou o discurso de Pochmann de que não há justifica para a Selic a 12% ao ano. “Estamos diante de uma gravíssima crise internacional, e o Brasil precisa tomar medidas para não importar essa crise. Temos todas as condições para baixar a taxa de juros. No G20, o Brasil está entre os que têm fundamentos melhores, ao contrario de Grécia, Portugal e até mesmo EUA. Nós temos bons indicadores”, argumentou Lacerda.

Para assinar o manifesto pelos juros baixos clique aqui.