Tráfego de dados na telefonia móvel está ‘explodindo’ e exige mais investimento das operadoras, afirma diretor da Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Há trinta anos, ninguém poderia imaginar que teríamos hoje 6 bilhões de telefones celulares funcionando no mundo. Desde o início da operação da telefonia móvel no Japão, em 1979, e nos Estados Unidos, em 1983, muita coisa mudou e o avanço ininterrupto das tecnologias continua. Do primeiro aparelho celular – que pesava mais de um quilo – ao advento da tecnologia 3G, presente em mais de 1,2 bilhões de aparelhos, a demanda por evolução tecnológica das operadoras é permanente, mas ainda há muitos desafios pela frente.

Da esq. p/a dir.: Roberto Medeiros, diretor sênior de Tecnologia da Qualcomm para a América Latina; Amadeu Castro Neto, representante da GSM Association no Brasil; Maximiliano Salvadori Martinhão, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações; Gilson Rondinelli Filho, diretor da Divisão de Telecomunicações do Deinfra/Fiesp; Antonio Carlos Valente da Silva, presidente do Grupo Telefônica no Brasil e Janilson Bezerra da Silva Junior, diretor de Inovação Técnica da Tim. Foto: Everton Amaro

“O tráfego de dados está explodindo nas redes móveis, tem dobrado a cada ano; e a indústria está se preparando para este desafio e o incremento de mil vezes até 2020”, afirmou nesta terça-feira (25/09) Gilson Rondinelli Filho, diretor da Divisão de Telecomunicações do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, durante o “IV Seminário de Telecomunicações da Fiesp – Qual o futuro das nossas telecomunicações?”. Para isso, ele apontou, será necessário mais espectro (recurso de transmissão de serviços sem fio) e maior investimento das operadoras.

De acordo com Maximiliano Salvadori Martinhão, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, o Brasil precisa de espectro de 1080 MHz até 2020. “Hoje, no Brasil, existe um conjunto de faixas disponíveis que poderiam rapidamente ser colocadas à disposição para atender às demandas do volume de tráfego”, informou.

O secretário ressaltou a necessidade de um trabalho entre os setores de radiofusão e telecomunicações, para averiguar de que maneira inserir a banda larga móvel na faixa 700 MHz sem prejudicar os sistemas de Tv digital.

Preços e tributos

Perguntado se o valor do serviço de telefonia móvel no Brasil era caro ou barato, Janilson Bezerra Junior, diretor de Inovação Técnica da Tim, rebateu com outra pergunta: com ou sem imposto? E esclareceu que, sem o fator tributo, os valores praticados atualmente são aderentes com a realidade do mundo.

“Estudo da GSM Association mostra que o Brasil tem um dos serviços mais competitivos do mundo, e estamos em um mercado muito pautado pela competição entre as empresas de telefonia”, explicou o diretor, ao ressaltar a existência de quatro grandes operadoras que fazem concorrência agressiva.

Para Bezerra Junior, sem impostos, o Brasil tem uma das tarifas mais baratas do mundo. “O tributo é que encareceu muito a nossa conta, chega a corresponder quase a 50% do valor da despesa. É uma taxa similar a muitos outros serviços, como a energia elétrica, tem um impacto muito grande”, justificou, alegando ainda que este fator impede a massificação dos serviços.