Empresas mostram os benefícios de fazer o bem

Agência Indusnet Fiesp

O último dia (27/08) da Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental colocou na mesa de discussões o compromisso das empresas com a ética e o exercício da cidadania, como alicerces para gestões mais competitivas e lucrativas.

Por meio do “Programa Sou Legal” da Fiesp – que tem o objetivo de difundir o conceito de Responsabilidade Social Empresarial como uma ferramenta de gestão –, as empresas mostraram como é fácil praticar o bem.

A proposta do programa é adequar o cotidiano empresarial às práticas e condutas éticas, em suas diversas frentes de atuação. De acordo com a Fiesp, a iniciativa incentiva o diálogo sobre melhoria das relações trabalhistas; importância do consumo consciente; combate à pirataria e estímulos de políticas que visam a competitividade.

Troca de resíduos recicláveis por descontos na conta de luz

Nesta esteira, a Coelce – terceira maior distribuidora de energia do Nordeste e responsável por todo o abastecimento de energia no Estado do Ceará – criou o programa “Ecoelce”, que possibilita a troca de resíduos recicláveis por descontos na conta de energia elétrica da população.

Conforme o chefe do Departamento de Inovação e Projetos de Pesquisa da Coelce, Odailton Arruda, o programa nasceu a partir de uma pesquisa realizada em 184 comunidades de baixa renda da Grande Fortaleza.

O resultado mostrou que grande parte do lixo gerado pelos moradores é depositado inadequadamente no meio ambiente. Esta mesma população apresenta os maiores índices de inadimplência e furto de energia elétrica, implicando o aumento das perdas de energia.

“A Coelce diminui a inadimplência, o consumidor ganha dinheiro e as empresas de reciclagem ganham matéria-prima para trabalhar”, disse Arruda. “Com esta iniciativa, a população de baixa renda recebe o incentivo ao consumo organizado e eficiente da energia elétrica e contribui, significativamente, para a redução do impacto ambiental provocado pelos resíduos sólidos”, explicou.

Como funciona?
Por meio da conta de energia, o cliente obtém um cartão magnético com seus dados pessoais e uma cartilha explicativa sobre como separar os resíduos. Após a seleção, o consumidor se dirige a um posto de coleta, onde estes resíduos serão pesados e, a partir de uma escala de valores, recebe os créditos a partir do peso de cada lixo reciclável.

Os resultados impressionam. Desde o início do projeto, que tem cerca de ano ano e meio, a empresa já concedeu quase R$ 800 mil em descontos; recolheu mais de 6,4 mil toneladas de resíduos; conta com cerca de 1,6 mil clientes cadastrados; realizou a economia de dois milhões de quilowatts de energia e de 57 milhões de litros de água.

Também do Ceará vem outro bom exemplo. Trata-se da Sanny Underware – fabricante de peças íntimas –, que desenvolveu o projeto “Zelo”, de prevenção ao câncer de mama e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). O programa consiste na implantação de etiquetas nas peças com informações sobre como prevenir o câncer de mama, AIDS e outras DST´s.

“Com esta ação colocamos nossos produtos no foco da informação”, explicou a presidente da empresa, Teresa Joca. “A Sanny desenvolve este programa por acreditar que cada cidadão pode contribuir para um mundo melhor e que o marketing com base na responsabilidade social pode chegar a construir, a longo prazo, um valor diferencial para a marca e uma vantagem competitiva à empresa”, completou.

Acesso a serviço público é exemplo de cidadania que vem do Morro Santa Marta, no Rio

Agência Indusnet Fiesp

O Rio de Janeiro tem um grande desafio a enfrentar quando o assunto é o fornecimento de energia elétrica: a combinação das tradicionais altas temperaturas do Estado se soma ao maior índice de favelização do Brasil, mais de mil contabilizadas. Os picos de consumo são frequentes, quadro agravado por pipas e balões, ar-condicionado e ventiladores.

“É preciso abaixar o consumo em função da matriz energética brasileira”, disse Carlos Piazza, da Superintendência do Público da Light S.A., que participou do debate “Como valorar os sistemas e serviços de meio ambiente”, durante a Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, de 25 a 27/8, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O assunto foi debatido também por Laura Tetti (Cosema/Fiesp), Dr. Antonio Monteiro Neto (sócio-diretor da Pinheiro Neto Advogados) e Casemiro Tércio Carvalho (coordenador da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo).

A Light priorizou algumas ações, incluindo o combate ao furto de energia que representa prejuízo de R$ 700 milhões anuais, no Rio, e, no Brasil, R$ 7,5 bilhões, significando 20% de energia roubada na ponta, através do chamado “gato”, a instalação informal, de acordo com Piazza.

Medidores digitais anti-furto

Para desatar o nó, a Light deu início a um projeto pioneiro no Morro Santa Marta, na zona Sul, que começou com a ação da segurança pública ao pacificar a comunidade, que tem 1.400 residências, abrigando 4.500 habitantes. Ao todo foram 18 meses de trabalho, entre planejamento e instalação, e um trabalho envolvendo os dois lados, a empresa e os moradores, para que se efetivasse a instalação de 33 km de rede e 21 transformadores blindados.

Foi montada uma rede multiplexada com medidores digitais anti-furto. A Light investiu R$ 4 milhões na modernização da rede que tinha aproximadamente 40 anos e inúmeros “gatos”.

O investimento incluiu, ainda, a instalação de 400 chuveiros, tomadas nas residências, luzes nas vias e a entrega de aproximadamente mil geladeiras a fim de substituir os aparelhos com mais de dez anos de uso, de alto consumo. “Já foram compradas 23 mil geladeiras para distribuição em outras comunidades. O programa de substituição prevê o recolhimento das antigas e seu descarte correto, em função do CFC”, esclareceu Piazza.

Conquista: pacto de cidadania

O grande apelo do projeto da Light, ao diminuir a informalidade, é que proporcionalmente se eleva a auto-estima, possibilitando o exercício da cidadania. Os moradores têm acesso a um serviço público, sem o risco de incêndio nos fios, fato comum antes da modernização, além da queima de aparelhos.

Para que a conta seja entregue nas residências, foi preciso emplacar as ruas.Os nomes foram escolhidos pela comunidade. O fato de se ter um endereço de referência foi mais do que significativo para os moradores que entendem que agora têm direitos.

Os moradores receberão uma conta progressiva, fixa de R$ 15,72 nos próximos seis meses – que começa a ser entregue em setembro e outubro – e, a partir do sétimo mês, serão somados 20 kw até o valor real de consumo. As próximas comunidades a terem a rede elétrica recomposta são Cidade de Deus e outras que integram o PAC como Batan, Babilônia, Alemão e Chapéu Mangueira.

Impostos e encargos

O setor elétrico, regulamentado pela Aneel, tem sua conta montada de forma complexa pelo fator X. Piazza explica que em uma conta no valor de R$ 40, somente R$ 9 se referem ao consumo, a diferença se deve a tributos e encargos.

“A composição da tarifa é complexa, mas, no final, os consumidores formais acabam pagando pelos informais. Se todos forem formalizados, o valor da conta de cada usuário cai de 10 a 15%”. E finalizou explicando que os R$ 2,32 do ICMS na conta de R$ 15,72 pesa para os moradores do Morro Santa Marta. Sua redução é discutida em instâncias governamentais. A Light é a maior contribuidora de ICMS do Rio de Janeiro: R$ 150 milhões mensais.