Brasil investiu R$ 626,1 bilhões no setor da construção em 2015

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp lançou o 12º ConstruBusiness – Investir com Responsabilidade, durante o Congresso Brasileiro da Construção nesta segunda-feira (5/12), na sede da entidade. Segundo a publicação, o Brasil investiu R$ 626,1 bilhões em construção em 2015. Para 2016, estima-se um investimento de R$ 592 bilhões, ou seja, uma queda de 5,4%, em termos reais. O material mostra também que de 2014 até 2016 os investimentos devem cair 20,1%, em termos reais.

Elaborado pelo Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), o estudo traz uma análise da cadeia produtiva, focando em investimentos para infraestrutura econômica (energia, transportes e telecomunicações) e desenvolvimento urbano (habitação, mobilidade urbana e saneamento), no período de 2017 a 2022.

Para o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, esses dados mostram o quanto é urgente a retomada dos investimentos em infraestrutura, setor vital na geração de empregos e crescimento do país. “Precisamos criar um ambiente de negócios favorável, transparente, investir numa agenda propositiva para o setor com a participação de empresas de todos os portes”, afirmou. “Esse é o momento para que façamos de fato as reformas tão necessárias, para o bem do país, para o futuro do país, para a retomada do crescimento, que é do que o Brasil mais precisa agora, para recuperar os empregos que perdeu, para recuperar as empresas que perdeu. O Brasil é maior que qualquer crise.”

Levando em conta as estimativas dos investimentos em construção de 2016, esse montante equivalerá a cerca de 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e de 60% da formação bruta de capital fixo no país. E para que o Brasil atinja um patamar positivo até 2022, são necessários investimentos anuais de R$ 682,2 bilhões, cerca de 10,6% do PIB nacional. Isso significa que para alcançarmos níveis satisfatórios em desenvolvimento urbano e infraestrutura econômica, os investimentos devem somar R$ 4,093 trilhões no total do período.

Para Carlos Eduardo Auricchio, diretor titular do Deconcic, o impacto disso sobre a competitividade do país é enorme. “A cadeia produtiva da construção constitui uma imensa força, que pode contribuir de maneira significativa com o crescimento do Brasil. Atualmente suas atividades reúnem cerca de 6,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o que representa 13,4% da força de trabalho no país. A retomada dos empreendimentos pode garantir a geração de empregos imediatos, além de retorno financeiro aos cofres públicos, por meio dos tributos”, disse.

Projeções 2017-2022

Na área de transportes, as necessidades de investimentos somam de R$ 68 bilhões por ano para rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Além disso, são necessários R$ 17,5 bilhões para a expansão do sistema de geração, transmissão e distribuição de eletricidade e R$ 20,6 bilhões para projetos na exploração, produção e distribuição de petróleo e gás. E, para telecomunicações, são necessários investimentos na ordem de R$ 7,7 bilhões. Com isso, o total de investimentos necessários em infraestrutura econômica é de R$ 114,1 bilhões por ano no período.

Já em desenvolvimento urbano, é necessário fomentar e conceder crédito para investimentos. Na área habitacional, o investimento soma R$ 205,5 bilhões por ano para novas moradias, R$ 155,4 bilhões para reformas, ampliações e construção de edificações comerciais. No campo da mobilidade urbana, é preciso injetar R$ 13,4 bilhões anuais para projetos em metrôs e trens. Enquanto R$ 13,1 bilhões por ano devem ser consumidos para saneamento básico. O total de investimentos necessários para a área de desenvolvimento urbano é de R$ 387,6 bilhões por ano no período.

“No déficit habitacional, de 2010 a 2014 observou-se uma queda anual de 3,3% ao ano, uma redução total de 873 mil moradias no período. Para atender às novas famílias, eliminar a precariedade e reduzir a coabitação será necessária a construção de 8,8 milhões de moradias, cerca de 1,5 milhão por ano, até 2022”, avaliou Auricchio.

Segundo ele, o objetivo do 12º ConstruBusiness é discutir com empresários e representantes do setor, autoridades dos governos federal, estadual e municipal, imprensa, acadêmicos e a sociedade, a responsabilidade com o investimento de uma maneira focada em tudo aquilo que pode, de fato, destravar o investimento no setor da construção.

Para ter acesso ao material completo clique em www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao

Setor da construção é o 4ª maior gerador de empregos do país, diz consultora da LCA

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Responsável por 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a indústria a construção é dos grandes expoentes da economia brasileira. O setor é o 4º maior gerador de empregos e contabilizou um crescimento de 101% de trabalhadores formais no período de 2005 a 2010.

Os dados fazem parte do estudo Compete Brasil, apresentado nesta segunda-feira (03/12), durante o Construbusiness 2012 – 10º Congresso Brasileiro da Construção, evento organizado pelo Departamento da Indústria da Construção (Decomcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Construbusiness 2012 - Claudia Viegas, da LCA. Foto: Julia Moraes

Claudia Viegas, da LCA: 'Temos uma janela de oportunidade favorável ao ganho da produtividade, mas para isso precisamos investir na área da educação'. Foto: Julia Moraes

O estudo, demonstrado pela diretora da consultoria LCA, Claudia Viegas, oferece soluções em Planejamento e Gestão; Aspectos Institucionais e Segurança Jurídica; Funding; Mão de Obra; Impactos Tributários e Custos Produtivos; além de Sustentabilidade.

De acordo com Claudia, a cadeia da produção civil é um “grande motor” de aceleração de crescimento, onde, segundo ela, para cada R$ 1 produzido são gerados R$ 1,88 na produção do país. Para que o setor se torne ainda mais competitivo, a diretora da LCA afirmou que é preciso ampliar os investimentos na área de educação: “Temos uma janela de oportunidade favorável ao ganho da produtividade, mas para que isso aconteça precisamos investir na área da educação”, avaliou.

Uma das alternativas apontadas pelo estudo da Fiesp é a adoção de uma política de incentivo fiscais para empresas do setor de construção civil que investem na formação e capacitação dos seus funcionários. Mecanismo este adotado por países como Estados Unidos, França e Canadá.

Investimentos

O documento Compete Brasil traz também alternativas para captação de recursos e linhas de financiamento para o setor da construção civil. Entre as propostas, a diretora da LCA destaca o uso dos recursos oriundos da liquidação de créditos públicos convertidos em investimentos de infraestrutura.

“A complexidade das regras faz com que o ambiente de negócios não fique tão favorável para novos investimentos”, finalizou. No entendimento da especialista, os novos recursos podem ser utilizados na área de habitação, que hoje registra um déficit de 5,8 milhões de moradias.

Brasil precisa de política de Estado para a habitação, diz Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, discursa na abertura do 8° Construbusiness, Congresso Brasileiro da Construção

 

 

A cadeia da construção civil exibe números robustos de participação na economia nacional: é responsável por 11,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gera 7,6 milhões de empregos diretos e indiretos.

O financiamento imobiliário cresceu 290% entre 2005 e 2008, de R$ 10 bilhões para R$ 41 bilhões, e até outubro de 2009 os recursos para este fim já somam R$ 33 bilhões.

Apesar dos números, o déficit habitacional de 6,2 milhões de moradias ainda é uma questão a resolver, e soma-se aos gargalos burocráticos: um empreendimento habitacional de interesse social, por exemplo, precisa passar por 35 etapas antes de ser aprovado na cidade de São Paulo. Este foi o cenário apresentado na abertura do 8° Construbusiness, Congresso Brasileiro da Construção, realizado pela Fiesp nesta segunda-feira (30/11).

“É preciso haver políticas de continuidade nas obras habitacionais de interesse social. De 2007 a 2030, o investimento habitacional, que hoje é de 3,4% do PIB, poderá crescer em torno de 8%. Teremos crescimento e avanço sustentado para o mercado da construção”, avaliou José Carlos de Oliveira Lima, diretor-titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp e vice-presidente da entidade.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, lembrou as grandes oportunidades que o Brasil tem à frente: o Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas; a Copa do Mundo 2014; e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Mas, segundo o dirigente, o atual governo e os próximos deverão se empenhar em remover os obstáculos para que o País se reposicione no cenário global.

“O Brasil deixou de investir em infraestrutura durante muitos anos, e agora nós temos esta nova oportunidade. A Copa e as Olimpíadas, além de nos colocarem na vitrine do mundo, sem dúvida significarão bilhões de reais em investimentos e milhares de empregos, e tudo isso ligado à construção civil”, disse Skaf. “É fundamental para o País haver comprometimento com a cadeia da construção”, acrescentou.

Obstáculos a vencer

José Carlos de Oliveira Lima, diretor-titular do Deconcic da Fiesp e vice-presidente da entidade

De acordo com um estudo feito pelo Deconcic em parceria com a LCA Consultoria, a obtenção de um alvará para construção – por exemplo, de moradias para o programa federal Minha Casa, Minha Vida – leva, em média, 411 dias.

Nesse quesito, o Brasil ocupa a 108ª posição se comparado aos 181 países avaliados pelo Banco Mundial no relatório Doing Business, com foco nas dez etapas da vida de um negócio.

Já os empreendimentos rodoviários demoram cerca de cinco anos e meio para serem implementados – três anos somente para superar as questões burocráticas. “Não basta programa de governo. Temos que ter uma política habitacional de Estado”, argumentou Oliveira Lima.

Para abrir caminho aos investimentos em infraestrutura e trazer maior segurança jurídica nos contratos públicos, principalmente em função da proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, a Fiesp sugere o aprimoramento da PEC n°. 351/09, com a conversão dos precatórios em verba para investimento especialmente na área de habitação.

O objetivo da proposta é criar um fundo de investimento, capitalizado pela União, no qual os credores podem adquirir cotas e até lucrar com seus dividendos. Esse fundo substitui o formato de leilão, utilizado atualmente, e prioriza o pagamento aos credores que concederem maior desconto nos precatórios que têm a receber.

Construbusiness

O Congresso Brasileiro da Construção, promovido pela Fiesp desde 1997, já alcançou resultados importantes para o setor, que são frutos de propostas lançadas em edições anteriores do evento e acolhidas pelo Governo. Algumas delas:

  • A isenção do Imposto de Renda na venda de imóveis para a compra de outro, em um período de até 180 dias (MP do Bem);
  • Implementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como resposta ao projeto da União Nacional da Construção (UNC), que propunha investimentos em forma de plano de governo visando elevar o IDH do País;
  • Redução das alíquotas de IPI, que atingem 75 produtos da cesta básica da construção civil;
  • Lançamento do programa federal Minha Casa, Minha Vida (subsídio público à Habitação de Interesse Social – HIS);
  • Prolongamento do regime de cumulatividade do PIS/Cofins para a Indústria da Construção;
  • Ampliação do alcance do Regime Especial de Tributação (RET) para HIS (e redução da alíquota de 7% para 1%).

Governo anunciará plano para construção de um milhão de moradias, diz Lula

Agência Indusnet Fiesp,

O governo federal deve anunciar nos próximos dias um plano nacional de habitação que prevê a construção de um milhão de moradias em todo o País, informou nesta segunda-feira (2), na Fiesp/Ciesp, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula afastou a hipótese de reduzir investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2009, em razão da crise financeira, e também garantiu que o governo não cortará os recursos destinados à Petrobras.

“Para mostrar que não estamos brincando, vamos anunciar um programa para construir um milhão de casas populares no Brasil. E, aqui, lanço um desafio aos empresários brasileiros”, afirmou o Presidente da República, após encontro com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Jan Peter Balkenende, na sede das entidades, em São Paulo.

Lula não mencionou detalhes do investimento, tampouco em que período as moradias serão construídas, mas garantiu que será uma iniciativa como nunca antes feita no Brasil.

“Vão dizer que não é possível construir um milhão de casas. Mas vamos mostrar que sim, porque durante muitas décadas a construção civil brasileira foi desmontada, e agora estamos em processo de recuperação”, defendeu.

Durante o encontro fechado entre as comitivas dos dois países e a diretoria da Fiesp, o dirigente do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic), José Carlos de Oliveira Lima, assegurou ao Presidente Lula que “estamos preparados tecnologicamente para atender essa demanda”, referindo-se à proposta.

Incentivo à produção
Lula destacou a necessidade do envolvimento de empresários, trabalhadores e governo para uma retomada da economia brasileira. “Queremos criar as condições para que a indústria volte a produzir, e isso só será possível se conseguirmos passar confiança ao povo brasileiro”, reforçou.

Otimista em relação à crise, ele acredita que o primeiro trimestre de 2009 é o “mais delicado”. E tem convicção de que o saldo de empregos será positivo no final do ano: “A crise abre um leque de oportunidades para fazer coisas que, em tempos de normalidade, tínhamos dificuldade de discutir”.

O Presidente defendeu que não há uma crise generalizada no Brasil e lembrou que o governo está há alguns meses discutindo a renovação de frota de caminhões, e a renovação da chamada “linha branca” de eletrodomésticos, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar, para incentivar a produção.

Aviação
Questionado sobre o caso da Embraer, que dispensou 4 mil funcionários na última semana, Lula disse que a situação é diferente, já que a empresa destina 90% de sua produção ao exterior.

“Na medida em que as encomendas foram suspensas, a empresa teve que dispensar. As críticas que tinha que fazer, já fiz. Agora precisamos resolver o problema da aviação regional no Brasil”, enfatizou.

Segundo ele, o governo deve pensar uma forma de fazer com que as empresas nacionais passem a comprar os aviões da companhia, para absorver a produção.

“É um desafio para nós brasileiros, pensar como utilizar os aviões da Embraer em voos regionais. O governo vai promover essa discussão interna”, sinalizou.