‘O Senai-SP tem mais estrutura do que muitas escolas da França’

Isabela Barros

Funcionário do Ministério da Educação da França, o professor Alain Leroux, de 50 anos, não imaginava que a sua vida pudesse mudar tanto depois de aceitar o convite para vir trabalhar no Brasil em 2001. Mais especificamente em São Paulo, na Escola Senai “Conde José Vicente de Azevedo”, no bairro do Ipiranga, especializada em sistemas automotivos. Francês, Leroux até hoje se impressiona com a determinação e vontade de aprender dos alunos da unidade, principalmente os da graduação em Sistemas Automotivos que estudam à noite “depois de trabalhar o dia inteiro”.

Tendo se instalado na capital paulista por conta de uma parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), o Ministério de Educação da França, as montadoras Peugeot e Citroën e a empresa Exxotest, de soluções para automóveis, ele ajudou a criar o curso superior na área na instituição. E a instalar a pós-graduação em motor aberta em março de 2015. Isso entre várias outras missões.

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Leroux: determinação dos alunos é destaque nas salas de aula do Senai-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Mestre em Tecnologia Mecânica pela Universidade de Maine, em Le Mans, Leroux conta, na entrevista abaixo, que o trabalho com a indústria paulista rendeu vários outros frutos além de ter conhecido, aqui, a mulher com quem está casado desde 2002. E com direito a um filho paulistano, nascido em 2005.

Como é a sua rotina de trabalho no Senai-SP?

 Ajudei na montagem do curso de graduação em automobilística que foi aberto em janeiro de 2012 e na criação da pós-graduação em motor iniciada em março de 2015. Também         colaboro com o intercâmbio de professores do Senai-SP na França e na formação dos docentes aqui. Além disso, contribuo com a preparação de conteúdos de formação usados na graduação e na pós, entre outras atividades.

Essa é a sua segunda passagem pela instituição, certo?

Sim. Cheguei aqui pela primeira vez em 2001, ficando até 2006. Voltei em 2012 e espero ficar pelo menos até julho de 2016.

Que avaliação você faz do trabalho do Senai-SP?

Em termos de recursos, o Senai-SP tem mais estrutura do que muitas escolas da França. Todas as montadoras estão instaladas no Brasil e essas parcerias com as indústrias são muito boas para os alunos. A unidade do Ipiranga é, sem dúvida, a melhor do país em sistemas automotivos.

Que destaques o senhor apontaria no trabalho desenvolvido pela instituição?

Os recursos oferecidos, o ambiente, a organização.

E entre os alunos, o que mais chamou a sua atenção?

O esforço para estudar. Fico impressionado com os alunos que chegam à noite para assistir as aulas depois de trabalhar o dia inteiro. As pessoas se dedicam para vencer as adversidades. Na França, a formação vem antes da entrada dos profissionais no mercado.

Alguma história em especial?

Pessoas de todas as idades têm boas histórias de dedicação. Um aluno que tinha muita dificuldade de falar em público, por exemplo, nos surpreendeu apresentando um dos melhores trabalhos de conclusão de curso da sua turma. Outro estudante, de 50 anos, trabalha num banco e veio para cá porque quer abrir uma oficina.

Para você, existe uma cultura própria do Senai-SP nesse sentido? Esse clima de esforço e dedicação?

Existe sim. Não temos problemas de disciplina, há um envolvimento com os estudos, com o trabalho. Cada um faz a sua tarefa.

O fato de ser estrangeiro fez alguma diferença em seu trabalho aqui?

Não, nunca me senti discriminado por ser estrangeiro. Sempre quis trabalhar em outro país e não perdi a oportunidade quando vi o panfleto com o anúncio para vir para o  Brasil. Aqui conheci a minha mulher, o meu filho nasceu num hospital na Avenida Paulista. Na rua, as pessoas me pedem informação como se eu fosse daqui. 


Formandos do Senai-SP em montagem de sistemas automotivos têm Paulo Skaf como patrono

Edgar Marcel e Rosângela Gallardo, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, Walter Vicioni e o prefeito de Piracicaba, Barjas Negri, comemoram certificação dos alunos do Senai-SP: oportunidade de fazer a diferença na sociedade



O presidente da Fiesp e do Senai-SP, Paulo Skaf, foi o patrono de 80 formandos do curso de montagem de sistemas automotivos, formatado para a unidade da montadora Hyundai instalada em Piracicaba.

Pouco antes da solenidade, realizada na Escola Senai Mario Henrique Simonsen nesta sexta-feira (9), Skaf falou sobre as iniciativas da indústria paulista para atender à vocação automobilística na região de Campinas e entregou os diplomas aos alunos.

“Como patrono da turma, vim desejar sucesso a todos os formandos. Independentemente deste curso, vocês devem continuar realizando outros cursos para se manterem atualizados. E esta escola estará sempre de portas abertas para ajudá-los profissionalmente”, declarou.

O líder empresarial sublinhou que o Brasil é o País do futuro e do presente, que precisa de pessoas qualificadas e preparadas. E emendou: “Vocês, jovens, serão os grandes atores do desenvolvimento da Nação”.

Meritocracia

O Senai é uma entidade que acredita na cultura de méritos e resultados, qualidades que passaram a ser decisivas a partir do século 19, na visão de Walter Vicioni, diretor regional da entidade.

“Adotamos o princípio do ‘aprender fazendo’, pois acreditamos que uma profissão dá identidade às pessoas e, além disso, oportunidade de fazerem a diferença na sociedade”, destacou Vicioni.

“Oxigênio”

Barjas Negri, prefeito de Piracicaba, revelou que durante sua posse, em 2005, disse ao presidente Paulo Skaf que as escolas do Senai eram importantes, mas que elas precisavam ser “oxigenadas”. Hoje, na solenidade, Negri declarou outra situação: “Estou muito feliz de ver que você, Skaf, está realizando esta tarefa em todo o Estado, de inaugurar novas unidades do Senai e modernizar as já existentes”.

O prefeito detalhou ainda que no parque automotivo implantado serão oferecidos mais de 1.600 empregos, na primeira fase de atuação da Hyundai: “A parceria do Senai-SP foi decisiva para que isso acontecesse”, finalizou.

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