“São Paulo é nossa prioridade”, diz embaixador da Tunísia no Brasil

Katya Manyra, Agência Indusnet Fiesp

Embaixador da Tunísia no Brasil, Mohamed Mestiri. Foto: Everton Amaro

Após ter dado início a uma onda de revoltas populares que ficaram conhecidas como “Primavera Árabe” e estabelecer, nesta terça-feira (13), um novo governo central, a Tunísia se prepara para diversificar e intensificar sua produção industrial. A afirmação é do embaixador da Tunísia no Brasil, Mohamed Mestiri.

Em reunião com representantes da Fiesp, Mestiri elogiou o know how da entidade em estimular o crescimento e defender os interesses da indústria. “Comparado ao Brasil, nosso país é muito pequeno. Nossa indústria é majoritariamente básica e só agora sua importância está crescendo”, explicou. “Devemos variar nossa produção e, para isso, precisamos da ajuda de vocês.”

Para o diretor geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, a expertise da Fiesp na formação de mão de obra técnica – através do sistema Sesi/Senai – é uma das formas de colaboração para o desenvolvimento da indústria tunisiana. “A Tunísia precisa de profissionais técnicos, operacionais e não engenheiros.”

“O grande problema do país é que as universidades não estão conectadas à realidade e, por conta disso, os jovens têm o diploma, mas não possuem emprego”, completou Mestiri, lembrando que a revolução em seu país se deu, principalmente, pelo alto índice de desemprego entre os jovens. “Nossa revolução foi pacífica e motivada pela falta de emprego e não pelo islamismo como muitos pensam”, esclareceu.

Aproximação com SP e outros estados

Antonio Bessa (diretor do Derex) e Elias Haddad (vice-presidente da Fiesp). Foto: Everton Amaro

O embaixador vê São Paulo como prioridade para desenvolver os laços econômicos e comerciais no Brasil, ele acredita que a aproximação com o estado é capaz de facilitar o relacionamento com as demais unidades federativas.

Também presente na reunião, o vice-presidente da Fiesp, Elias Haddad, lembrou que o volume de negócios entre as duas nações é muito baixo e, por isso a aproximação com o governo de lá é uma grande oportunidade para o crescimento da agenda bilateral. “Nós temos o intuito de promover investimentos e relações econômicas entre os países, mas não podemos agir sozinhos”, expôs.

Em resposta, o embaixador prometeu que os brasileiros serão sempre bem-vindos e que certamente o novo governo apoiará e incentivará as missões empresariais promovidas em parceira com a Fiesp.