Grupo de Trabalho da Fiesp avalia avanços do BIM na indústria de construção brasileira

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira de construção civil precisa se reeducar para usar a tecnologia BIM [Building Information Modeling, equivalente a Modelagem da Informação da Construção], ou seja, a construção virtual de uma edificação. A opinião é do consultor Sergio Leusin.

O consultor foi um dos convidados da primeira reunião do  mais novo Grupo de Trabalho criado pelo Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Esse grupo vai tratar especificamente desse tipo de tecnologia que permite a construção virtual de edifícios em terceira dimensão, antes que eles sejam erguidos no plano real.

“Trata-se de um novo paradigma de processo de projeto. BIM é otimizar o projeto. Não vai mais existir a coisa de resolver na obra. A gente já vai ter resolvido na obra virtual. Uma das grandes vantagens do BIM é a previsibilidade que você dá para a execução da obra”, afirmou Leusin manhã desta sexta-feira (01/08).

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Deconcic criou grupo para tratar especificamente de BIM. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


No encontro, os integrantes do grupo e convidados ouviram uma análise comparativa de políticas públicas para implementação do BIM na União Europeia, apresentada pelo consultor Mohamad Kassen, da Comunidade Europeia. Já Leusin foi chamado para apresentar os avanços do Brasil no uso dessa tecnologia.

Para o consultor brasileiro, a falta de indicadores mais abrangentes sobre o setor da construção dificulta a difusão do BIM. Atualmente, o sistema é usado pela Petrobras e por construtoras JHFS e Odebrecht.

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Leusin: setor da construção precisa cobrar políticas públicas, amparo na legislação e incentivar a formação de professores. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Temos um problema que os dados relativos a construção são muito frágeis no Brasil, só existem pesquisas e levantamentos locais”, alertou.

Para o BIM ganhar corpo no Brasil, segundo ele, o setor da construção precisa cobrar políticas públicas, amparo na legislação e incentivar a formação de professores. Outra medida importante inserção da tecnologia na grade curricular dos cursos de engenharia e áreas relativas.

“Também precisamos definir indicadores de desempenho [do setor] e acompanhar esses resultados, fomentar pesquisa e da implantação de desenvolvimento de bibliotecas de produtos [recurso do BIM amplamente usado em países como a França, Reino Unido e Holanda].


União Europeia

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Kassem: BIM cria valor e crescimento para todos os elos da cadeia da construção. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mohamed Kassen, consultor da Comunidade Europeia, apresentou os avanços da tecnologia BIM em alguns países-membros da UE.

No Reino Unido, por exemplo, todas as obras em edifícios públicos devem adotar a plataforma BIM até 2016. Na França, o governo decidiu em março deste ano que obras públicas também devem estar sob a metodologia BIM até 2017. Já a Holanda também reconhece o BIM como um serviço regular de informação sobre edificações.

Aos representantes do setor no Brasil, Kassen reconheceu que ainda falta infraestrutura tecnológica para a implementação da metodologia em alguns países, embora acredite na tecnologia como vetor de crescimento não só da construção mas da economia do país.

“A nossa mensagem é que o BIM cria valor e crescimento para todos os elos da cadeia da construção ao melhorar a qualidade das informações. E pode também contribuir para o desenvolvimento do seu mercado local e externo”, afirmou.


Colaboração França e Brasil

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Mário William Ésper: informações a Missão Estratégica sobre BIM na França. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

No início da primeira da reunião do grupo, o diretor e coordenador do Programa Compete Brasil, do Deconcic, Mário William Ésper, trouxe informações a Missão Estratégica sobre BIM na França, organizada  pela Fiesp que contou com representantes do setor da construção civil e do governo.

Segundo Ésper, os delegados visitaram indústrias e tiveram encontros com autoridades locais. Os brasileiros ainda se reuniram com representantes do Ministério de Ecologia, Desenvolvimento Sustentável, da Habitação e da Igualdade de Territórios da França.

“A França tem as mesmas dificuldades que o Brasil e o arranjo institucional que eles adotaram é muito interessante e compatível com a nossa cultura. Foi interessante para adiantarmos nossos passos na implementação do BIM no Brasil”, contou Ésper.

A reunião do GT contou com a presença do Chefe da Seção de Estudos e Projetos da Diretoria de Obras Militares do Exército, Ten. Cel. Washington Gultenberg Lüke, e do Chefe da Seção de Informática e Sistema Opus da Diretoria de Obras Militares do Exército, Cel. Alexandre Fitzner do Nascimento, que apresentaram o estágio do Desenvolvimento das Bibliotecas BIM.

Na ocasião também foi apresentado o “Guia de Materiais”, elaborado pela AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, em parceria com o SindusCon-SP – Sindicato da Industria da Construção Civil do Estado de São Paulo, o Secovi-SP – Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Adm. de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo, e a ABRAMAT – Associação Brasileira da Industria de Materiais de Construção, a Apresentação foi feita pela Diretora e Coordenadora do GT de Sustentabilidade da AsBEA – Milene Abla Scala.

Clique aqui para ler as apresentações do Grupo de Trabalho sobre BIM.