FGV usa ‘observatório de câmbio’ para calcular desalinhamentos cambiais

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Vera Thorstensen, professora e pesquisadora da EESP/FGV

Ao contrário de Suíça e Brasil, os Estados Unidos sempre passam a imagem de país com moeda estável, e isso não é verdade, segundo Vera Thorstensen, professora e pesquisadora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV).

Durante o semimário “Impactos do câmbio sobre o comércio internacional”, realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (24), Vera informou que a FGV acaba de lançar o Observatório da Taxa de Câmbio. A ferramenta tem como objetivo estimar uma taxa de câmbio de equilíbrio para diversos países, a partir de metodologias alternativas existentes na literatura, para avaliar a robustez dos resultados.

“Agora podemos mostrar o que o FMI [Fundo Monetário Internacional] esconde – e não apenas os dados dos países que permitem”, afirmou a pesquisadora da FGV, ao explicar que o sistema é extremamente sofisticado na verificação de moedas, valorizadas ou não.

“Esta é uma das metodologias. E o que queremos mostrar é que quem estava desvalorizado, valorizou, e vice-versa; o jogo do comércio varia conforme o passar do tempo”. De acordo com Vera, nesta avaliação, os Estados Unidos atualmente estão com o câmbio mais desvalorizado que o da China.

Durante sete anos em que o Brasil esteve com a moeda valorizada, segundo a professora, o país anulou completamente a defesa que tinha na área de tarifa e os direitos que negociou na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Isso é o que foi feito nos últimos oito anos, quando valorizou sua tarifa”, apontou.

Os países com câmbio valorizado, como o Brasil, apontou a pesquisadora, reduzem ou mesmo anulam os direitos tarifários negociados na OMC. Já os países com câmbio desvalorizado (EUA, Índia, China) subsidiam exportações.

“Desalinhamentos cambiais significativos e persistentes afetam a eficiência dos instrumentos de política comercial negociados na OMC. Portanto, devem ser por ela regulados”, sublinhou Vera Thorstensen.