Energia solar fotovoltaica é alternativa, mas ainda pouco presente na matriz nacional

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

É preciso pulverizar as instalações de energia fotovoltaica em todo o Brasil. A afirmação é de Luis Pita, vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), para quem essa tecnologia é simples em comparação com as demais que compõem a matriz de energia limpa, mas ainda praticamente inexistente. Pita participou de reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), no dia 27 de setembro.

A vantagem é que o módulo fotovoltaico permite que a eletricidade produzida seja consumida em seu local de origem ou descarregada no sistema.

Como vantagem, o setor elétrico brasileiro tem robustez e se configura como o maior da América Latina, mais do que o dobro do México, que ocupa o segundo lugar no ranking. “Com crescimento de mais de 4% ao ano, em 2024 será o dobro do nível atual. O consumo per capita de energia no Brasil é muito forte, e quando houver mais demanda será necessária uma decolagem forte a curto prazo”, avaliou Pita.

Em sua opinião, há possibilidades imensas à frente. O prazo de construção de uma estação fotovoltaica é rápido, de 12 a 18 meses, com geração de 200-300 megawatts.  Esse sistema de geração distribuída não utiliza linhas de transmissão e não as sobrecarrega. Hoje, há maior utilização por parte de condomínios, e 75% das instalações são residenciais.

Na Alemanha, a energia alternativa está em alta e registra forte desenvolvimento fotovoltaico, segundo o convidado, que explicou que são oferecidos esquemas de financiamento positivos em países que apostaram nesse tipo de energia. “No Brasil, ainda não foram oferecidas linhas de financiamento adequadas e ainda há discussões em curso sobre o PIS/Cofins”, disse. Nos Estados Unidos, a geração de emprego cresceu 193% nos últimos 5 anos – e 20% somente no último ano. No Brasil, em quatro anos, registraram-se aproximadamente 800 empresas ligadas à energia fotovoltaica.

Entre as vantagens apontadas, a geração de emprego qualificado em um sistema limpo que fomenta o investimento privado, desenvolvendo toda uma cadeia produtiva e, inclusive, uma microeconomia, pois a maioria das empresas envolvidas com energia fotovoltaica são micro e pequenas. Na agricultura, há expressivo impacto ambiental, uma vez que as fazendas contam geralmente com geradores diesel, que são poluidores.

Energia solar fotovoltaica foi tema de reunião do Cosema. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp