Diretor da Politécnica da USP defende investimentos em pesquisa para modernização da área de defesa

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

A modernização do setor de defesa não deve ser um compromisso apenas das Forças Armadas, mas de toda a sociedade. A afirmação é do diretor do Departamento da Indústria da Defesa (Comdefesa) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Sérgio Vaquelli, durante o seminário “Rodada de Relacionamentos – Apresentação dos Projetos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP)”, realizado nesta sexta-feira (14/09), na sede da entidade.

Comdefesa. Escola Politécnica da USP. Foto: Helcio Nagamine

Da esq. p/ dir.: Sérgio Vaquelli (Comdefesa/Fiesp), José Roberto Cardoso (Politécnica/USP) e o contra-almirante engenheiro naval Luciano Pagano Junior. Foto: Helcio Nagamine

Vaquelli destacou o compromisso da Fiesp em promover o intercâmbio entre o setor produtivo e acadêmico. Segundo ele, somente dessa forma será possível desenvolver tecnologias que estimulem a modernização das áreas de defesa e segurança nacional. “A defesa hoje não é mais uma incumbência apenas das Forças Armadas, é um trabalho de toda a sociedade, em conjunto com as Forças Armadas, com associações de classes e federações”, salientou.

No seminário, o diretor da Escola Politécnica da USP, José Roberto Cardoso, apresentou 21 projetos inovadores, desenvolvidos por pesquisadores brasileiros, que podem ser empregados em operações militares ou aplicações civis. Entre eles, veículos subaquáticos não tripulados para inspeção e reparo de cascos de navios, usinas hidrelétricas e outras estruturas submersas; ambientes virtuais 3D; estruturas infláveis para utilizações civis e militares, simulador marítimo hidroviário, hub militar e desenvolvimento de navegação autônoma.

Cardoso ressaltou a importância do investimento em pesquisas acadêmicas na área de defesa, medida que considera estratégica para segurança do país: “Universidades de porte do mundo inteiro investem no desenvolvimento de pesquisas na área de defesa. O Brasil precisa ampliar o número de pesquisas para que desta forma a gente consiga praticar o que se faz no primeiro mundo”.

O evento contou com a participação do diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), José Roberto Cardoso; do superintendente do Programa Nuclear do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, contra-almirante engenheiro naval Luciano Pagano Junior; do diretor do Centro de Estudos da Marinha em São Paulo, capitão de Mar e Guerra Jordi Angelats; do comandante do IV Comando Aéreo Regional, major brigadeiro do ar José Geraldo Ferreira Malta; do chefe do escritório de projetos do Exército, general de brigada Luiz Felipe Linhares Gomes; e do representante da Sessão de Planejamento do Comando Militar do Sudeste, coronel Eduardo Tura.

Governo anuncia 133 bilhões em investimentos nas malhas ferroviária e rodoviária do país

Agência Indusnet Fiesp, com informações do Portal Brasil e do Blog do Planalto

O governo anunciou nesta quarta-feira (15/08) que irá investir R$ 133 bilhões na modernização e construção das malhas rodoviária e ferroviária de todo o país. De acordo com a presidente Dilma Roussef, o programa de concessões visa reduzir o custo do transporte e tornar a economia mais competitiva. Dilma afirmou também que o Programa de Investimentos em Logística, que se iniciou com concessões de rodovias e ferrovias, futuramente vai abranger portos, aeroportos e hidrovias.

Segundo o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, o aporte será injetado na economia ao longo de 30 anos. Passos detalhou que, do total, R$ 91 bilhões serão investidos em 10 mil quilômetros de ferrovias e R$ 42,5 bilhões, em 7,5 mil quilômetros de rodovias. Nove lotes nos principais eixos rodoviários do país serão duplicados.

Conforme o ministro, os investimentos em rodovias terão que ser executados nos primeiros cinco anos e o pedágio só poderá ser cobrado quando 10% das obras estiverem concluídas. A escolha dos concessionários será feita com base na menor tarifa de pedágio oferecida.

O programa do governo prevê, ainda, a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que terá como função estudar a logística, antecipar investimentos, estruturar projetos e atrair a iniciativa privada para trabalhar juntamente com o governo.

Segundo o ministro, o programa de concessões visa restaurar a capacidade de planejamento e integrar os sistemas de transporte rodoviário e ferroviário para que se articulem com as cadeias produtivas do país.

Setor ferroviário: Senai-SP apresenta projeto do centro de formação profissional

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Da esquerda para a direita: Mario Seabra R. Bandeira, presidente da CPTM; José Antonio Martins, presidente do Simefre; Paulo Skaf , presidente da Fiesp e do Ciesp; Walter Vicioni Gonçalves, diretor do Senai-SP e superintendente do Sesi-SP; e Julio Diaz, diretor de Infraestrutura do Ciesp

O presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, recebeu na manhã desta quinta-feira (02/08), na sede da federação, as principais lideranças  e representantes do setor ferroviário paulista. Durante a reunião, foi apresentado o projeto de implantação do centro de excelência do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) destinado à formação profissional de técnicos para o setor de construção, manutenção e operação ferroviária do Estado de São Paulo.

Skaf, que também preside o Sesi-SP e o Senai-SP,  falou sobre a importância do projeto: “Temos que nos antecipar aos fatos no sentido de ter aquilo que seja o melhor do mundo”, recomendando aos diretores das entidades a realização de visitas técnicas para conhecer a expertise de países líderes em tecnologia ferroviária, como China e Estados Unidos.

O diretor técnico do Senai-SP, Ricardo Terra, detalhou a proposta do Senai-SP em resgatar a cultura ferroviária no Estado. Entre as premissas da instituição estão a criação da escola ferroviária, a reestruturação e modernização da oferta já disponível e a busca de parcerias para estruturar ambientes com as mais modernas tecnologias do setor.

Terra antecipou que a futura escola ferroviária abrangerá cursos em todos os níveis: cursos de aprendizagem industrial, curso técnico, curso superior e de formação inicial e continuada. Além disso, contemplará também a parte teórica da fabricação, manutenção e operação no transporte de cargas e passageiros.

Ainda de acordo com o diretor técnico do Senai-SP, o investimento previsto para o Centro Senai de atendimento ao setor ferroviário será da ordem de R$ 60 milhões. Esse valor abrange o custo com equipamentos e obras em área construída projetada de 20 mil metros quadrados e uma área total de terreno de 30 mil metros quadrados, incluindo um pátio para manobras e testes. O nome da cidade na qual será construído o Centro Senai  será revelado em setembro.

“Rodoviarização”

José Antonio Fernandes Martins, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), afirmou que o Brasil é um país feito “fora dos trilhos”, em alusão à “rodoviarização” dos transportes.

“Segundo o Ministério das Cidades, a frota brasileira – que abrange ônibus, automóveis, caminhões e implementos rodoviários – cerca de 70 milhões de veículos”, revelou Martins, que comparou os dados aos parcos números de trens no Brasil: 100 mil de carga e 4 mil de passageiros. O presidente do Simefre finalizou comentando que a decisão da Fiesp, de liderar a formação profissional nas escolas do Senai-SP, será “um fato histórico na área ferroviária”.

Autoridade portuária cobra ações efetivas em logística e infraestrutura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em um discurso enérgico, Sérgio Aquino, presidente do Conselho de Autoridade Portuária de Santos, cobrou mudanças efetivas para a modernização principal porto do país. Segundo ele, deve ser planejado o que seria normal para resolver qualquer problema de infraestrutura e de logística.

“Estamos defendendo o rodoanel da baixada santista. Isso é uma ligação estratégica que está aprovada desde 2006. Nós não estamos falando de nada novo”, acrescentou Aquino, se referindo a recursos de logística que podem melhorar o escoamento de cargas. Ele participou de mesa sobre o Futuro do Porto de Santos, durante o 6º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp.

“Nós temos que resolver as acessibilidades. Porto sem canal adequado pode ser tudo. Pode ser um mercadão bonito, mas não porto… Porto tem que ter navegabilidade adequada”, argumentou.

Aumento dos containers

Sobre a expectativa de instalação ideal para Santos, José Antônio Cristóvão Balau, diretor da Aliança Navegação e Logística, citou o porto de Suape, no estado do Pernambuco, não só como modelo de eficiência em escoamento de cargas, mas também como referência para planejamentos de logística e infraestrutura.

“O porto atraiu para o seu entorno uma série de indústrias”, disse Balau sobre um dos portos mais desenvolvidos do mundo, cujo planejamento foi feito há mais de 30 anos, segundo o diretor.

Ele informou que entre os anos de 2000 e 2010 houve um crescimento de 278% da movimentação de containers no Porto de Santos. Com relação a carga de granel, a movimentação avançou 193% entre 2000 e 2010.

Modernização da lei é saída para agilizar resoluções do Cade, diz Badin

Agência Indusnet Fiesp,

Arthur Badin, presidente do Cade

As futuras e atuais fusões empresariais, assim como os investimentos internos e externos, correm sérios riscos de não
sair do papel ou de ter seus processos estendidos por anos, caso o Senado Federal não aprove o projeto de Lei 06/09, que moderniza a legislação brasileira de defesa da concorrência e reforma do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A explicação foi dada nesta terça-feira (3) pelo presidente do Cade, Arthur Badin, durante lançamento da Cartilha de Direito Concorrencial, na sede da Fiesp. Para ele, sem a aprovação do projeto, o Cade pode não ter fôlego para lidar com o alto volume de investimentos previstos para Brasil em curto prazo. A título de comparação, somente o Egito e Paquistão têm o mesmo sistema da lei brasileira.

“Queremos alinhar nossa lei às melhores práticas internacionais, como as existentes na União Europeia, Estados Unidos, França, Alemanha, México e outros 88 países”, disse Badin. “O projeto trará mais segurança para novos investimentos e tornará o Brasil apto a aproveitar oportunidades criadas pela crise econômica mundial”, completou.

O presidente do Cade ainda cutucou alguns representantes políticos da indústria no Congresso e Senado, dizendo que eles “fingem” apoio ao setor privado e travam a aprovação do projeto de Lei.

Segundo Badin, esses representantes alegam que uma modernização da legislação de defesa da concorrência inibiria a conclusão de grandes negócios, o que prejudicaria o setor privado.

João Guilherme Sabino Ometto, presidente em exercício da Fiesp

Ele explicou que este tipo de posicionamento é retrogrado e ineficaz para um país como o Brasil, onde 98% do total das indústrias são formadas por micro e pequenas empresas. “Proteger o setor privado é defender a eficiência da concorrência”, defendeu.