Inovação e engajamento são foco do 11º Congresso MPI

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

“Modelos de Negócios: Inovando e Engajando as Pessoas” foi o tema do primeiro painel do 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria, da Fiesp e do Ciesp, realizado nesta segunda-feira (23/5).

Moderado por Alessandro Saade, o painel teve como primeiro palestrante o consultor do Sebrae-SP Ruy Soares de Barros, que em palestra de tema “Gestão por Resultados” apresentou ferramentas para ajudar o empreendedor. Uma delas é o Canvas, uma espécie de painel configurável no qual o empresário insere seus “bilhetinhos”, abordando os vários aspectos do negócio.

Outra ferramenta, o balanced scorecard (BSC), ajuda a transformar estratégias em objetivos operacionais. Explicou também a metodologia Oceano Azul, que tem como ponto fundamental a inovação em termos de valor.

As cinco forças de Porter permitem avaliar a competição entre empresas. Já a Matriz BCG analisa o portfólio de produtos de uma empresa pelas dimensões do crescimento e da participação de mercado.

O Diagrama de Pareto ou Regra 80/20 (porque 80% dos problemas são geralmente causados por 20% dos fatores) traça a relação entre ação e benefício, priorizando o que traz o melhor resultado.

A matriz SWOT ou FOFA analisa forças e fraquezas, oportunidades e ameaças, comparando o ambiente interno ao externo.

Para tomar decisões, Barros explicou a Pirâmide de Maslow, que indica a hierarquia de fatores determinantes da motivação, desempenho e satisfação humana no trabalho.

Na hora de fazer acontecer, a 5w2H, ferramenta que usa perguntas para gerar planejamento e implantar as soluções apontadas pelas respostas para determinado problema (what/o quê, why/por quê, who/quem, how much/quanto, how/como, when/quando, where/onde). Posto no papel, disse Barros, permite ir para a ação.

Para gerenciamento do tempo, falou sobre a matriz de Stephen Covey, destinada a criar a cultura da priorização, de fazer primeiro o mais importante. Usa como eixos a importância e a urgência para distribuição de tarefas.

PDCA, desenvolvida para controlar atividades, pode ser usada para o planejamento e monitoramento da qualidade dos processos de uma organização.

Barros destacou que a gestão por resultados exige comprometimento. Em relação ao momento pelo qual o Brasil passa, sugeriu um jogo com a palavra crise – tirando o “s”, vira crie, lembrete, disse, da necessidade de inovar.

O melhor dos mundos

Wellington Cruz, da Ânima, encarregado do tema Modelos de Negócios|Rethink, destacou a complexidade do processo de inovação, num mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Nesse contexto, pensa em como juntar o melhor das startups e das empresas tradicionais.

As startups, disse, sabem fazer rápido. E aprenderam com as empresas tradicionais a ser econômicas, a gastar pouco. Mas há desafios, como os profissionais cada vez mais especializados, enquanto o mundo complexo exige versatilidade. Outro ponto é a herança de traçar estratégia e planos de longo prazo, por vezes 5 ou 10 anos, num mundo que muda todo dia. Há o foco em produto, mas produtos podem ficar superados em 1, 2 ou 5 anos.

Com tudo isso, destacou, é preciso inovar continuamente, de forma rápida, econômica, incremental e radical. “É como andar de bicicleta – se parar de pedalar, cai.”

Cruz listou casos de sucesso em relação à inovação, como a rede aberta da gigante farmacêutica Lilly e o ThinkLab, da IBM, que desenvolveu o Watson, um sistema de inteligência artificial cognitiva, que aprende da mesma maneira que uma criança.

Na Embraer, aposta é na rede interna para fomentar a inovação incremental e a criação de parcerias estratégicas.

A Movile é exemplo de retirada do foco do produto. É uma plataforma de inovação na nova economia on demand. Nela, explicou Cruz, os gerentes precisam ser empreendedores, tratados como CEOs. Não há core business. Visão é mais poderosa que a estratégia.

Cruz comparou a inovação enxuta, atual, ao pôquer, e a tradicional, ao xadrez. Foco hoje está na visão, há consciência da imprevisibilidade do futuro, de fazer apostas, de ciclos rápidos de tentativa e erro, de evolução.

Experiência

Leonardo Capelas Romeu, designer do Instituto Senai de Inovação, disse que o tema de sua palestra, “Design”, desperta a atenção das pessoas. Usou como exemplo disso os milhões de resultados de busca feita no Google pelo termo. Em sua definição, design é transformar ideias complexas em soluções simples. Traçou histórico do design, chegando à atualidade, em que é mistura de produtos, marcas e serviços, que somados formam a experiência (que pode ser definida, disse, como a expectativa menos a percepção).

Para pensar em design é preciso ser eficiente/inovador, olhar para o consumidor, analisar problemas ou necessidades. Ideias, mostrou, não nascem no laboratório, nascem da observação.

O futuro que construímos, disse, baseado no pensamento inovador, é a evolução criada a partir de uma perspectiva própria sobre o futuro, em vez de evolução baseada na extrapolação do passado. Com isso, o avanço é muito mais pronunciado.

Painel sobre modelos de negócios do 11º Congresso MPI. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Inovação em toda parte

Claudio Tervydis, agente de inovação da Universidade de São Paulo (USP) frisou que a inovação não é mais somente para o mercado, é também para a empresa. E precisa ser implementada. Podem ser produtos novos ou significativamente melhorados, podem ser processos, internos ou de comercialização, métodos de marketing. Que no mínimo sejam novos ou significativamente melhorados, destacou, para a empresa.

É importante, afirmou Tervydis, ter propósito, saber por que se precisa inovar. A inovação, defendeu, tem que estar na cultura da empresa e ser mensurável. Exige políticas bem definidas, com pessoas engajadas e com processos continuamente implantados.

Inovação, disse, independe do porte da empresa. Destacou que o futuro é extremamente rápido, é urbano, é tribal (exige atenção a nichos), universal (obriga a pensar no mundo inteiro), radical (não se pode errar) e, destacou, é extremamente ético.

Mundo de dados

Marcelo Lobato Pimenta, do laboratório de dados da Serasa/Experian, explicou como os dados podem ser compilados e analisados para levar soluções para os consumidores.

O enorme aumento na capacidade de processamento dos computadores, disse, é um dos pontos que permitiram moldar o mundo de hoje. É possível, graças a elas, sentir o entorno e reagir a ele. A capacidade de armazenamento também se tornou gigantesca. Aí entram em cena, explicou, os algoritmos com capacidade de aprender. Mostrou como exemplo um quarto de dormir projetado por um algoritmo, que aprendeu a partir de imagens de uma enorme quantidade de outros quartos. A terceira revolução que citou é a miniaturização de dispositivos. Agora virão os computadores presentes em tudo, sem processadores, conectados em nuvem. “Precisamos aprender a usar isso”, afirmou.

O desafio é apresentar ferramentas que contribuam para que micro e pequenas empresas consigam mudar seu modelo mental e, de forma colaborativa com as pessoas, encontrar o caminho da inovação.